Blogs e Colunistas

Colômbia

04/08/2011

às 22:51 \ Sanatório Geral

Montanha-russa (5)

“Reconheço na Ideli capacidade e tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos dentro do Congresso”.

Nelson Jobim, em ação na fronteira com a Colômbia pouco antes de ser despejado do Ministério da Defesa, tentando salvar o emprego com a tese de que uma mulher como Ideli Salvatti pode ser simultaneamente “fraquinha”, como disse na entrevista à Piauí, muito capaz e mais determinada que qualquer marmanjo.

02/07/2011

às 15:15 \ Direto ao Ponto

Uma exemplar reportagem de campo retrata as indefesas fronteiras do Brasil

O repórter Bruno Abbud, 25 anos, circulou durante quatro dias pelas fronteiras que separam o Brasil da Bolívia, do Peru e da Colômbia. Nas lonjuras do Acre e do Amazonas, o jornalista do site de VEJA acompanhou o cotidiano dos agentes da Polícia Federal, testemunhou as carências que os  afligem, entrevistou moradores das cidades fronteiriças e, sobretudo, viu as coisas como as coisas são. A reportagem publicada na seção O País quer Saber é excelente. O diagnóstico é perturbador: as portas do Brasil estão desprotegidas.

04/12/2010

às 3:26 \ Sanatório Geral

Bolívar-de-hospício

“Agora você já tem o número do meu telefone. Ligue sempre que quiser”.

Hugo Chávez, na reunião da Unasul na Guiana, presenteando o presidente colombiano Juan Manuel Santos com o número do telefone secreto que, no Brasil, só é conhecido por Lula, Marco Aurélio Garcia e Dilma Rousseff.

26/07/2010

às 23:36 \ Sanatório Geral

Criando coragem

“A Venezuela é um governo de paz, com vocação unitária sul-americanista”.

Nicolás Maduro, chanceler venezuelano, que apresentou ao presidente Lula propostas concebidas para resolver a confusão com a Colômbia, ainda criando coragem para contar ao chefe Hugo Chávez que é essa a vocação do seu governo.

24/07/2010

às 23:02 \ Sanatório Geral

Sucursal boliviana

“Lamentavelmente, a Colômbia parece ser um país fiel, servo obediente do governo dos Estados Unidos”.

Evo Morales, fiel a Hugo Chávez, servo obediente do governo da Venezuela, ao comentar a confusão armada pela Venezuela, achando que todos os presidentes têm a mesma vocação para a vassalagem esbanjada pelo chefe da sucursal boliviana da revolução bolivariana.

23/07/2010

às 16:38 \ Direto ao Ponto

O amigo de Chávez se fantasia de mediador

O presidente Juscelino Kubitschek ensinou que um estadista não tem compromisso com o erro. O presidente Lula, comprometido por erros incontáveis, não tem compromisso com a verdade. Provas e evidências materiais, testemunhos irrefutáveis, confissões detalhadas ─ nada é capaz de obrigá-lo a reconhecer um fato. Se as conveniências eleitorais recomendarem, Lula é capaz de negar que é Lula com a mesma seriedade aparente que sublinhou o palavrório que negou a existência de vínculos entre o partido que fundou e os narcoguerrilheiros da selva colombiana.

“É uma irresponsabilidade tratar o PT como tendo qualquer ligação com as Farc, é não conhecer nada da história política do Brasil”, recitou. “Se as pessoas pensassem antes de falar as bobagens que falam, não falavam tanto”. Irresponsável é quem diz uma coisa dessas. O presidente não conhece nada da história do Brasil e não pensa antes ou depois de falar. Mas sabe o suficiente para poupar o país das bobagens que diz.

Só um campeão do cinismo pode fazer de conta que as reuniões do Foro de São Paulo foram encontros sociais, ou que o vídeo abaixo que registra a discurseira de Montevidéu é uma montagem. Só um canastrão de chanchada pode fingir que não foi por decisão do Primeiro Companheiro que a Colômbia se transformou no único país com dois embaixadores em Brasília. Além do diplomata que representa o governo constitucional, há o representante das Farc. Chama-se Francisco Antonio Cadena Collazos. É mais conhecido como Olivério Medina, ou Padre Medina, ou Camilo López, ou El Cura Camilo.

Condenado pela Justiça colombiana, o ex-padre que trocou a Igreja Católica pela narcoguerrilha cruzou a fronteira clandestinamente. Capturado pela Polícia Federal, não foi devolvido ao país de origem para pagar pelos crimes que comete. O apadrinhamento dos companheiros no poder e a miopia do Supremo Tribunal Federal promoveram Medina primeiro a refugiado político e, depois, a embaixador informal.

Pelas normas do Itamaraty, só o embaixador oficial fala pela Colômbia. Como o parentesco ideológico com o PT tem  precedência, só Medina é ouvido. Pelo cerimonial do Itamaraty, só a mulher do embaixador oficial deve ser tratada como embaixatriz. Como a sem cerimônia do PT tem precedência, só a mulher de Medina ─ a brasileira Angela Maria Slongo ─  recebe tratamento especial desde 2006, quando se tornou uma das damas da corte companheira. Até então funcionária do governo do Paraná, Angela foi instalada num cargo da confiança do Ministério da Pesca por determinação de Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil. Pousou em Brasília não por entender de iscas e anzois, mas porque o marido preso precisava de conforto.

Minutos depois da ruptura unilateral de relações diplomáticas com a Colômbia, decretada pelo venezuelano Hugo Chávez, o presidente Lula candidatou-se a mediador da crise que envolve dois vizinhos. Não está interessado em remover focos de conflito, mas em afastar o amigo Chávez do banco dos réus da Organização dos Estados Americanos. Melhor trazer o caso para tribunais controlados pela turma bolivariana. Não há pendências a arbitrar. O bufão venezuelano não pode proteger, financiar, armar e hospedar os bandidos de estimação. Chávez é o criminoso. A Colômbia é a vítima.

O presidente Uribe deveria sugerir ao vizinho espertalhão que primeiro restabelecesse a paridade diplomática implodida há quatro anos. Ou reduzindo à metade a representação colombiana, com a demissão de Medina, ou duplicando a representação venezuelana, com a nomeação de um segundo embaixador indicado pelos opositores de Chávez. O macunaíma piorado não faria uma coisa nem outra. E ficaria ainda mais claro que, para Lula, os colombianos são tão incuravelmente idiotas que lhe parecem capazes de aceitar como mediador o advogado do inimigo.

22/07/2010

às 20:00 \ Direto ao Ponto

O craque aposentado e o aprendiz de ditador nasceram um para o outro

O presidente Hugo Chávez reuniu-se com Diego Maradona antes de comunicar ao mundo que decidiu romper relações diplomáticas com o governo da Colômbia. O vídeo que documenta a performance da dupla comprova que o craque aposentado e o ditador aprendiz nasceram um para o outro. Contemple a expressão solene, o olhar aprovador e os sorrisos cúmplices do técnico da seleção argentina. Ouça o palavrório de Bolívar de hospício despejado pelo chefe da revolução bolivariana. Ambos estão em guerra contra a Colômbia, o imperialismo americano e a sensatez. E estão convencidos de que o ataque é a melhor defesa.

Se tivessem algum juízo, Hugo Chávez e Maradona saberiam que essa tática só deve ser adotada depois de uma cuidadosa comparação do próprio poder de fogo com o exibido pelas forças inimigas. Por não ter feito isso antes do jogo contra a Alemanha, por exemplo, Maradona foi desclassificado da Copa da África do Sul e voltou para casa com uma goleada nas costas. Por não ter feito isso antes da decisão anunciada nesta quinta-feira, Chávez fez um gol contra no primeiro minuto do jogo.

O pretexto para a ruptura foi a descoberta das bases narcoguerrilheiras instaladas pelas Farc em território venezuelano, com a bênção e o patrocínio do amigo Chávez. Para que a denúncia sobre a movimentação das tropas clandestinas não parecesse leviana, o presidente Alvaro Uribe solicitou à Organização dos Estados Americanos que cuidasse de investigá-la formalmente. Antes que a OEA se manifestasse, Chávez e Maradona atacaram.

A discurseira do acusado tornou dispensáveis apurações adicionais. É claro que as sucursais venezuelanas das Farc existem. Chávez já está perdendo. A goleada só começou.

25/06/2010

às 20:01 \ Direto ao Ponto

Ethan Edwards: pesquisas eleitorais podem muito, mas não podem tudo

Os institutos de pesquisa se tornaram parte da ação política deste ou daquele grupo/partido, foi direto ao ponto o comentário de Ethan Edwards, prontamente transferido para este espaço. Conciso, claro, elegante, o texto introduz exemplarmente o tema das pesquisas eleitorais, que será retomado no post de amanhã. Confira:

Não creio nesses números. Há muito tempo os institutos de pesquisa não pesquisam; tornaram-se parte da ação política deste ou daquele grupo/partido. O próprio PT, quando era outsider, foi vítima desses esquemas. Em São Paulo, mais de uma vez apareceu, dois dias antes da eleição, com dez, vinte por cento a menos do que os votos que efetivamente obteve. No plebiscito sobre o desarmamento, todos os institutos “erraram” por muito, como “erraram” por muito, recentemente, na Colômbia. Os políticos já chegaram à conclusão de que pesquisa é coisa séria demais para ser deixada nas mãos de pesquisadores. Os institutos de pesquisa destinam-se, hoje, a induzir a opinião pública, não a compreendê-la.

Entretanto, é bom lembrar que as pesquisas podem muito, mas não podem tudo. Principalmente, elas não podem chocar-se contra o senso comum. Não há pesquisa capaz de impingir aos eleitores franceses um líder nacionalista que tenha sotaque alemão. Jânio Quadros e Collor eram loucos, mas o que diziam fazia sentido, inspirava confiança em milhões de pessoas, soava plausível. Lula literalmente enfeitiça seus eleitores. Dilma Rousseff é o oposto de tudo isso. É como se ela não conseguisse disfarçar um permanente e profundo enfado, quando não mal-estar, diante de todas essas “banalidades” que as pessoas comuns amam, respeitam, admiram. Um dos elementos do carisma é a simpatia. Dilma Rousseff é incapaz de gerar essa emoção. E isso nenhum instituto de pesquisa conseguirá lhe dar.

O senso comum prevalecerá. Os “franceses” não votarão numa “alemã”.

21/06/2010

às 20:09 \ Sanatório Geral

Bolívar de hospício

“Foram reativados os planos para me assassinar fora do país e dentro do país. Estou nas mãos de Deus e do povo. Outra vez, estão buscando mercenários na América Central e na Colômbia”.

Hugo Chávez, fundador de uma nova categoria de malucos juramentados batizada pelos psiquiatras com o nome provisório de bolívar-de-hospício.

28/02/2010

às 19:14 \ Direto ao Ponto

E se Uribe imitasse Zelaya?

Neste fim de fevereiro, a Suprema Corte da Colômbia fez exatamente o que fez em março de 2009 a Suprema Corte de Honduras: vetou a realização de um plebiscito cujo resultado poderia permitir a candidatura do presidente da República a outro mandato. Nos dois casos, a decisão ─ corretíssima ─ foi anunciada com a campanha pela sucessão em andamento.

O colombiano Alvaro Uribe ─ que ficaria ainda melhor no retrato se nem tivesse pensado numa segunda reeleição ─ reagiu como deve reagir um democrata: “Aceito e acato a sentença da Suprema Corte”, resumiu. A disputa presidencial seguirá seu curso sem sobressaltos. Como um caudilho aprendiz, o hondurenho Manuel Zelaya ignorou o veto do Poder Judiciário, continuou tramando o golpe, acabou deposto por crimes contra a Constituição e foi expulso do país. Nos meses seguintes, fez o que pôde para que o processo eleitoral naufragasse.

Vale a pena imaginar o que faria o Brasil se Uribe imitasse Zelaya e também acabasse destituído. A imprensa e o governo continuariam a chamá-lo de “presidente democraticamente eleito”? Os defensores das normas constitutionais seriam tratados como “golpistas”? Os companheiros Lula e Hugo Chávez costurariam mais uma trama destrambelhada para alojar Uribe na embaixada do Brasil em Bogotá? A dupla de vizinhos trapalhões se negaria a reconhecer o governo do novo presidente escolhido nas urnas?

Não para todas as perguntas, sabe até a gravata borboleta que torna Celso Amorim um pouco mais ridículo em saraus no Exterior. O Itamaraty deste começo de século não obedece a princípios, não respeita códigos éticos. Cumpre o regimento interno do clube dos cafajestes e atende a interesses subalternos. Não faz gestões, faz jogadas.  A Era Lula instituiu a diplomacia da canalhice.


 

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