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classe média

11/05/2011

às 19:21 \ Direto ao Ponto

No Brasil de Lula e Dilma, ser promovido a pobre é pior que continuar miserável

O Brasil Maravilha inventou a mobilidade social sem movimento, prodígio que permite a qualquer pobre subir na vida sem que o salário suba. Em 2009, por exemplo, milhões de famílias com renda mensal acima de R$1.126 foram transferidas para a classe média sem que vissem a cor de um único centavo a mais.  O milagre, operado por alquimistas da Fundação Getúlio Vargas, consumou-se com a mera mudança da quantia que separa os dois mundos. A classe média continuou do mesmo tamanho, só que engordada pela multidão de pobres. Ficou tudo igual, mas diferente.

O assombro acaba de ser reprisado pela demarcação da fronteira onde termina a pobreza extrema e começa a pobreza sem radicalismo. Nesta semana, Dilma Rousseff revogou de vez a promessa da candidata e decidiu que o universo da miséria está reservado não a quem ganha menos que um quarto do salário mínimo (R$ 136,25, neste outono), mas aos que seguem respirando com menos de R$ 70 por mês. Deixaram de ser oficialmente miseráveis, portanto, 3 milhões de brasileiros.

A partir de agora, alguém que sobrevive com R$ 71 pode permitir-se um olhar superior ao topar com o vizinho estacionado um real abaixo. Em  compensação, o miserável de carteirinha será socorrido pelo Programa Nacional de Erradicação da Pobreza Extrema e terá mais chances de chegar vivo ao fim do mês. O brasileiro dos R$ 71 não demorará a descobrir que sairá ganhando se doar ao PT R$ 1 por mês e reivindicar uma vaga no programa. No Brasil de Lula e Dilma, ser promovido a pobre é pior que continuar miserável.

Em outros tempos, já estaria em gestação alguma medida provisória estabelecendo que, com exceção dos muito ricos, todos os brasileiros são integrantes da novíssima classe média. Desta vez não será tão fácil prorrogar o engodo. Os preços continuam subindo, os que embarcam no conto do crediário estão cada vez mais endividados. Curvas inflacionárias não obedecem a ordens ditadas por palanqueiros mitômanos nem respeitam fantasias ufanistas. Também por isso, a inflação é o Waterloo dos embusteiros.

30/04/2011

às 15:44 \ Sanatório Geral

Brasil Maravilha (88)

“O governo do Brasil tem um compromisso especial com os pobres e a classe média. Com os pobres para que eles subam com a vida. Com a classe média, para que ela melhore ainda mais seu padrão”.

Dilma Rousseff, na safra mais recente de comerciais do PT na TV, dispensando-se de fazer promessas aos muito ricos, que não têm do que se queixar, e aos miseráveis demais, que deixaram oficialmente de existir depois de revogados pelo padrinho Lula.

20/04/2011

às 16:01 \ Sanatório Geral

Plagiadores reincidentes

“É um setor que está formando sua identidade sociocultural e precisamos estimular valores, como a solidariedade e o desenvolvimento sustentável que são valores progresistas. Do contrário, serão cooptados por valores conservadores”.

Edinho Silva, presidente do PT de São Paulo, ao informar que o partido acha fundamental conquistar os votos da chamada “nova classe média”, confirmando que, como fez com a política econômica amparada no Plano Real e com os programas sociais concebidos por Ruth Cardoso, o rebanho do Grande Pastor já começou a copiar as ideias expostas no artigo de FHC que Lula criticou sem ter lido sequer a primeira linha.

13/04/2011

às 12:20 \ Feira Livre

O Papel da Oposição, um ensaio de Fernando Henrique Cardoso

ENSAIO PUBLICADO NA REVISTA INTERESSE NACIONAL

Fernando Henrique Cardoso

Há muitos anos, na década de 1970, escrevi um artigo com o título acima no jornal Opinião, que pertencia à chamada imprensa “nanica”, mas era influente. Referia-me ao papel do MDB e das oposições não institucionais. Na época, me parecia ser necessário reforçar a frente única antiautoritária e eu conclamava as esquerdas não armadas, sobretudo as universitárias, a se unirem com um objetivo claro: apoiar a luta do MDB no Congresso e mobilizar a sociedade pela democracia.

Só dez anos depois a sociedade passou a atuar mais diretamente em favor dos objetivos pregados pela oposição, aos quais se somaram também palavras de ordem econômicas, como o fim do “arrocho” salarial.

No entretempo, vivia-se no embalo do crescimento econômico e da aceitação popular dos generais presidentes, sendo que o mais criticado pelas oposições, em função do aumento de práticas repressivas, o general Médici, foi o mais popular: 75% de aprovação.

Não obstante, não desanimávamos. Graças à persistência de algumas vozes, como a de Ulisses Guimarães, às inquietações sociais manifestadas pelas greves do final da década e ao aproveitamento pelos opositores de toda brecha que os atropelos do exercício do governo, ou as dificuldades da economia proporcionaram (como as crises do petróleo, o aumento da dívida externa e a inflação), as oposições não calavam. Em 1974, o MDB até alcançou expressiva vitória eleitoral em pleno regime autoritário.

Por que escrevo isso novamente, 35 anos depois?

Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo. Mas para tal precisam afirmar posições, pois, se não falam em nome de alguma causa, alguma política e alguns valores, as vozes se perdem no burburinho das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo. Todas as vozes se confundem e não faltará quem diga – pois dizem mesmo sem ser certo – que todos, governo e oposição, são farinhas do mesmo saco, no fundo “políticos”. E o que se pode esperar dos políticos, pensa o povo, senão a busca de vantagens pessoais, quando não clientelismo e corrupção?

Diante do autoritarismo era mais fácil fincar estacas em um terreno político e alvejar o outro lado. Na situação presente, as dificuldades são maiores. Isso graças à convergência entre dois processos não totalmente independentes: o “triunfo do capitalismo” entre nós (sob sua forma global, diga-se) e a adesão progressiva – no começo envergonhada e por fim mais deslavada – do petismo lulista à nova ordem e a suas ideologias.

Se a estes processos somarmos o efeito dissolvente que o carisma de Lula produziu nas instituições, as oposições têm de se situar politicamente em um quadro complexo.

Complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias. Estas, a despeito dos êxitos econômicos e da publicidade desbragada do governo anterior, mantiveram certa reserva diante de Lula. Esta reserva pode diminuir com relação ao governo atual se ele, seja por que razão for, comportar-se de maneira distinta do governo anterior.

É cedo para avaliar a consistência de mudanças no estilo de governar da presidente Dilma. Estamos no início do mandato e os sinais de novos rumos dados até agora são insuficientes para avaliar o percurso futuro.

É preciso refazer caminhos

Clique aqui para ler o artigo na íntegra

26/05/2010

às 18:30 \ Sanatório Geral

Solução final

“Nosso objetivo é que o Brasil seja, no mínimo, de classe média. E que a gente chegue a essa combinação de 100% se somar classe A, B e C”.

Dilma Rousseff, ameaçando com a uma solução final à brasileira todas as favelas, todos os casebres, todos os moradores de rua, todos os mendigos e os miseráveis em geral, fora o resto.

15/10/2009

às 16:27 \ Sanatório Geral

Fantasia de pobre

“Não existe nenhuma obra parada no Brasil por falta de dinheiro. Se tem alguma obra parada, é alguma coisa ou da Justiça ou de briga entre empresários ou do Tribunal de Contas. Porque falta de dinheiro não existe”.

Lula, fingindo que nem ouviu falar da entrevista em que o ministro confessou que o governo planejou a tunga dos R$ 3 bilhões da restituição do Imposto de Renda porque não tem dinheiro para pagar a conta da gastança.

13/10/2009

às 19:05 \ Direto ao Ponto

A classe média continua à espera do dinheiro que Lula já recebeu

Pela primeira vez como vidraça, o mais temível estilingue da história sindical do ABC reapareceu em São Bernardo, em abril de 2004, para um encontro com os metalúrgicos em campanha pela revisão da tabela do Imposto de Renda. ”Vocês fazem parte de uma minoria no Brasil, que não passa de oito milhões e meio de brasileiros, que paga Imposto de Renda”, começou Lula. ”De 176 milhões, apenas 8 milhões paga Imposto de Renda. São muito poucas as pessoas que pagam. Mas a culpa é que, no Brasil, não houve distribuição de renda durante muitos anos, e a grande maioria do povo ficou marginalizada do processo de pagar Imposto de Renda”.

Muitos na plateia acharam o palavrório, além de redundante, um tanto estranho. Mas ninguém previu o que viria em seguida: ”Então, eu quero dizer que são privilegiados aqueles que podem pagar Imposto de Renda, porque ganham um pouco mais. Todo mundo que ganha um salário-mínimo adoraria ganhar o que os metalúrgicos ganham, para pagar Imposto de Renda “. A vaia formidável induziu o orador a mudar de assunto. Mas Lula não mudou de ideia, confirma a trama urdida para restituir só em 2010 cerca de R$ 3 bilhões devidos a milhares de contribuintes, quase todos da classe média.

A viagem de Lula rumo à vida mansa não incluiu qualquer escala nesse universo habitado por milhões de trabalhadores igualmente distantes dos muito pobres e dos muito ricos. Para o ex-operário que virou presidente, quem pertence à classe média ganha o suficiente para as despesas do mês, fixas e eventuais. O que vier a mais ─ a restituição do Imposto de Renda, por exemplo ─ serve para compras e caprichos. Gente assim não lida com urgências tão urgentíssimas quanto as provocadas pela gastança federal, decidiu o maior dos governantes. Pode perfeitamente esperar até o ano que vem o que o governo não pode esperar nem dois minutos.

Surpreendido pela descoberta do golpe, o ministro Guido Mantega confessou o crime com a candura de quem comunica ao parceiro de botequim que está sem dinheiro para o cafezinho. Foi desmentido por outra mentira do mandante. Depois de informar que a fala do coadjuvante não estava no roteiro, o autor e protagonista da peça prometeu pagar o que deve no prazo combinado. Reescreveu o capítulo não por entender que a classe média merece respeito, mas por ter percebido que, apesar do governo, a classe média ainda existe, sabe que paga tributos demais e recebe contrapartidas de menos, não tem dinheiro sobrando e, sobretudo, vota.

Se o presidente achou que foi muito ruído por pouco, o contribuinte deve achar que é muito barulho por nada. Em 2004, por algum motivo, Luiz Inácio Lula da Silva foi incluído no grupo dos que têm direito à restituição do imposto retido na fonte. Como integra o primeiro lote de contemplados pela Receita Federal, composto por idosos e aposentados, vê a cor do dinheiro já em julho. Foi assim neste ano. Lula recebeu há quase três meses o que milhões de brasileiros comuns continuam esperando.

Seja qual for a quantia, não faria nenhuma falta à Primeira Família se também fosse desviada para o financiamento da gastança federal. Somados o salário do presidente, a aposentadoria do metalúrgico e a pensão do perseguido político, Lula ganha R$ 20 mil por mês. A receita é desmesuradamente maior que a despesa. Ficam por conta dos cofres públicos todos os gastos com saúde, alimentação, educação, segurança, vestimenta, transporte e moradia. O plano médico ”Serumano Gold” banca despesas médicas adicionais. Cirurgias plásticas, por exemplo. Ou aplicações de botox.

Por conta do governo, a classe média sobrevive num inferno tributário. Por conta de quem paga imposto, Lula leva a vida que pediu a Deus.

16/07/2009

às 21:49 \ Vídeos: Entrevista

Rogério Alves, o taxista que virou classe-média sem deixar de ser pobre

PUBLICADO EM 16 DE JULHO DE 2009

O motorista de táxi João Rogério de Sousa Alves, personagem do post A classe média inventada pelos alquimistas federais continua a subir pelo elevador de serviço, conta como é a vida dos brasileiros pobres transferidos para a classe média por decisão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), subordinado ao governo. “Faz vinte anos que não vou ao cinema”, lamenta na entrevista. Confira.

03/07/2009

às 21:03 \ Direto ao Ponto

A classe média inventada pelos alquimistas federais continua a subir pelo elevador de serviço

Todo inverno é a mesma história: os alquimistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e os acrobatas da Fundação Getúlio Vargas, a FGV, aquecem o governo a que se subordinam com mágicas numéricas que ampliam a extraordinária coleção de espantos  produzidos pela Era Lula. Nesta semana, por exemplo, o IPEA descobriu que, apesar da crise mundial, a classe média brasileira ficou só 1% menor. Uma marolinha.

Rogério precisa saber que continua onde nunca esteve, lembrei. Em 6 de agosto de 2008, contei-lhe a grande notícia do inverno passado: em companhia de outros 4 milhões de brasileiros, acabara de subir de categoria social. “Você agora é da classe média”, comuniquei ao paulistano João Rogério de Sousa Alves, 36 anos, casado há 15, motorista de táxi há 13, que mora com a mulher e duas filhas no bairro de Cachoeira, um amontoado de construções tristonhas na periferia profunda de São Paulo.

A rua é asfaltada e o serviço de água funciona razoavelmente, mas a rede de saneamento básico ainda não chegou lá. Como os vizinhos, os Alves jogam detritos e dejetos no leito de um córrego que os despeja no Rio Tietê. A casa, alugada por R$ 300 mensais, tem dois cômodos de 12 metros quadrados cada um. Um serve de cozinha, sala de visitas, sala de jantar e copa. O outro é o quarto, dividido ao meio por um lençol ali pendurado para proteger a privacidade inexistente: do outro lado da cortina improvisada ficam as camas das filhas e a TV comprada em janeiro de 2006 por R$ 800, fatiados em 12 prestações. 

Acorda às 5h, busca o carro na garagem da frota de táxis, estaciona antes das 6h numa esquina na região dos Jardins, trabalha 16 horas por dia e vai dormir perto da meia-noite. Folga aos domingos se juntou o necessário durante a semana. Não tira férias há mais de 10 anos.  “Não tenho esses luxos”, resume. ”Vivo uma vida de pobre”. Ganha por mês cerca de R$ 1.800, que se somam aos R$ 400 que a mulher consegue como diarista. A renda familiar, portanto, ultrapassa os R$ 1,064 que, por decisão do IPEA, riscam a fronteira onde acaba a classe pobre e começa a classe média.

“Quem ganha mais que mil e sessenta e quatro reais mudou de classe”, insisti. Ele achou estranho ter subido na vida sem mudar de vida. Só é pobre quem ganha entre R$ 207 e R$ 1.063, expliquei. ”Como é que posso ser da classe média se não tenho como fazer o que faz a classe média?”, intrigou-se. E como acha que é a vida na categoria a que foi subitamente promovido pelo governo?

A classe média vai ao cinema ou ao teatro uma vez por semana, exemplificou. Rogério não vai ao cinema há 15 anos e nunca foi ao teatro. “Vontade eu tenho, o que não tenho é dinheiro”, resignou-se. Ficou quieto alguns minutos. No fim da corrida, revelou que estava pensando em fazer um teste. ”É fácil descobrir se deixei mesmo de ser pobre”, sorriu. ”Vou tentar subir pelo elevador social pela primeira vez”.

Ficou sabendo hoje que a classe média continua do mesmo tamanho. Ele permanece, portanto, onde o IPEA decidiu que está há quase um ano. Perguntei-lhe se fez o teste. João Rogério de Sousa Alves contou que a classe média das estatísticas continua subindo pelo elevador de serviço.


 

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