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Celso Arnaldo Araújo

25/07/2014

às 20:15 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo em esplêndida forma: ‘O AUTO DE DILMA, A COMPADECIDA’

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Eu diria que o nome de Suassuna, no Twitter de Dilma, foi “assassuanado”. Dilma não perdoa: é serial killer, feroz e implacável, de palavras, nomes, termos, ditados, ditos, máximas, aforismos – enfim de tudo o que se chama, se diz, se fala e se escreve. Aliás, repare na tuitada: para ela, Auto da Compadecida é livro – não uma peça de teatro.

É uma Dilma que não falha nunca: a Dilma Compadecida.

Assim como Quarta-feira de Cinzas se segue à terça-feira de Carnaval, Dilma Compadecida sobrevoa áreas inundadas em qualquer parte do Brasil, com ar compungido, captado, na janelinha, pelos cinegrafistas do Planalto – louca para voltar à secura de Brasília, onde absolutamente nada será feito para minorar o sofrimento das vítimas e evitar outra tragédia na próxima enchente. Além das promessas encharcadas de sempre.

E essa previsibilidade de falsos compadecimentos se materializa numa segunda frente: o obituário de personalidades, na forma de notas de pesar sistemáticas assinadas pela presidente.

Não faz isso por desejo dela, é claro, mas instruída pela marquetagem do Palácio, que conhece bem o impacto popular causado por uma presidente solidária na morte e na vida, e severa – não Severina.

Dilma, por certo, não conhece ou mal conhece a maior parte dos pranteados nas notas oficiais. Mas finge conhecê-los com intimidade quase familiar, nas mensagens escritas por assessores que ela avaliza com a chancela da Presidência.

Quando morreu Dominguinhos, escreveram para ela assinar:

“O Brasil perdeu ontem José Domingos de Moraes, o Dominguinhos”.

Nem o mais apaixonado fã da música de Dominguinhos jamais ouviu ou leu seu nome de batismo citado na íntegra – muito menos Dilma. Mas o obituarista do Planalto, por um instante, se transformou em escrivão de cartório de registro.

Não é de Dilma, mas tudo parece ter um toque de Dilma, em seu desprezo pela lógica e pelo sentido das coisas, mesmo a sete palmos do chão.

O mais famoso obituarista da imprensa brasileira, Antônio Carvalho Mendes, o Toninho Boa Morte, escreveu necrológios para o Estadão por quase 40 anos ─ até que um colega escrevesse o dele, na mesma seção. Apesar da rotina mortal, tinha recursos estilísticos para, de vez em quando, sair do terreno raso das platitudes necrológicas. Num intervalo de meses, faleceram Julio de Mesquita Filho e seu filho, Luiz Carlos Mesquita. Toninho começa assim o obituário deste: “Mais uma vez, a morte entrou-nos porta adentro”.

A criatividade, mesmo parnasiana, não é um auto de Dilma Compadecida. Ela assina notas fúnebres feitas à sua imagem e semelhança, enterrando, de cara, qualquer chance de inteligência, sinceridade e oportunidade.

Começa sempre com um clichê terminal – que, em alguns casos, afronta o próprio talento do falecido, como no mais recente, antes de “Suassuana”.

“A literatura brasileira perde um grande nome com a morte de João Ubaldo Ribeiro”.

Outras aberturas de mensagens de pesar atribuídas a Dilma, extraídas da seção “Notas Oficiais” do Portal do Planalto:

“O Brasil sofre uma profunda perda com a morte de João Filgueiras Lima, o Lelé, um dos nossos mais brilhantes arquitetos”.

“É com sentimento de profunda tristeza que recebo a notícia da morte do cantor Jair Rodrigues”.

“Foi com tristeza que soube da morte de dom Tomás Balduíno, incansável lutador das causas populares”.

“Foi com tristeza que soube da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez”.

“Foi com tristeza que tomei conhecimento da morte de José Wilker”.

“Foi com tristeza que tomei conhecimento da morte do senador João Ribeiro”.

“Foi com tristeza que recebi a notícia da morte do amigo e companheiro Jacob Gorender”.

“Foi com pesar que soube da morte de Norma Bengell, uma das principais atrizes do cinema brasileiro”.

Por sorte, não escreveram Benguel – como era costume em parte da imprensa.

Mas Ariano, acredito, ficará uma onça com o Suassuana de Dilma.

12/05/2014

às 18:05 \ Direto ao Ponto

Na Olimpíada de Matemática, a economista Dilma bate todos os recordes em Nada Sincronizado, Pensamentos com Obstáculos, Barbarismos sem Barreira, Apedeutismo Feminino e Arremesso de Anacolutos

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Cidade das Artes, Rio de Janeiro. A imaginária pistola de partida é acionada, autorizando a largada. Diante de uma plateia de autênticos campeões – os 500 jovens medalhistas da nona edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – Dilma Rousseff se põe na pista com um sprint fenomenal:

“Eu gostaria inicialmente de comprimentá a cada um dos medalhistas de ouro e a cada uma das medalhistas de ouro”.

Sua próxima meta é revisar o pétreo artigo 5 da Constituição, que passará a ser escrito: “Todos e todas são iguais perante a lei”.

Mas já nas primeiras passadas, ela deixa claro que serão, como sempre, 100 metros de ideias rasas:

“Dizer para vocês que este é um momento especial pra vocês, para a família de vocês e pro Brasil. E isso significa que nós temos um grande orgulho e por isso eu estou aqui. Por isso, como presidenta da República, eu represento este país que quer, que tem ânsia, que deseja que a educação seja o principal caminho dos jovens, das crianças, dos homens e das mulheres deste país”.

Ânsia tem a ver com a vertigem produzida pelo tropel de palavras tontas que correm para um lado, enquanto o país real vai para outro: a Economist Intelligence Unit acaba de divulgar um ranking da qualidade da educação em 40 nações pesquisadas. O Brasil, há 11 anos e meio governado pelo lulopetismo, é o 38º colocado, só à frente de México e Indonésia – e vem se esforçando, nesse período, para ser o lanterninha.

Mas a matemática pode ser nossa redenção.

“Porque a matemática, ela tem um poder muito interessante. Ela é a base de todas as ciências, ou seja, a matemática pode ser usada em todas as áreas da ciência. Pode também… é um elemento fundamental para que nós tenhamos capacidade e melhor condição de usar isso que nos distingue, que é o conhecimento e que é a aplicação da lógica e de todos os recursos que a matemática pode trazer para o país”.

Explicar a matemática em dilmês é um problema insolúvel. Mas ok. Só que, no caso da refinaria de Pasadena, a matemática foi ingrata e nos roubou recursos. Mas a presidente continua uma entusiasta do raciocínio lógico, filho da aritmética.

“Por isso, esse ano, não na formatura de vocês, mas a próxima edição, será a 10ª edição, essa foi a 9ª, a próxima, de 2014, que vamos nós vamos fazer em 2015, será a 10ª. É algo que nós devemos considerar como sucesso”.

Sim: um sucesso o 10 vir depois do 9, num país onde o PAC 2 vem antes da conclusão do PAC 1.

Mas é aos 31min47s da prova que – na linguagem dos maratonistas – Dilma bate no muro.

“Nós somos um país excepcional. Nós somos 201 milhões de brasileiros. É pouco, pouco pro tamanho do território. Cês olham só a Índia e a China, uma tem 1 bilhão e 300 mil pessoas, pessoas, a outra tem 1… Um trilhão, aliás, não é? Não, é um bilhão, 1 bilhão e 850 mil, que é a Índia. Cinquenta milhões (sopro), obrigada, tão ótimos hoje”.

Na linha de chegada, não foi difícil constatar que qualquer um dos 500 adolescentes ali presentes sabe mais matemática, geografia, português e lógica do que a presidente da República – que não domina sua própria língua e que, num lampejo, criou um país habitado por mais de um trilhão de habitantes. Ninguém no mundo havia pensado nisso antes, nem como ato falho.

Pensando bem: uma tremenda injustiça a má colocação da Educação brasileira no ranking da Economist.

Ouça aqui a íntegra do discurso de Dilma Rousseff

04/05/2014

às 10:57 \ Sanatório Geral

Neurônio em jejum

“Eu garanto a vocês… olha, gente, eu garanto a todos vocês… primeiro eu vou dar boa tarde, depois eu vou garantir a todo mundo uma coisa: eu não vou ficar falando muito porque são 15 pras 3, e daqui a pouco a gente vai escutá um barulho estranho. É todos os nossos estômagos pedindo comida”.

Dilma Rousseff, na inauguração da pedra fundamental de uma fábrica de fertilizantes da Petrobras em Uberaba, internada por Celso Arnaldo Araújo ao tentar aplacar mais uma plateia inquieta, sem se dar conta de que um discurso dela embrulha o estômago até de um faquir

29/04/2014

às 22:11 \ Sanatório Geral

O neurônio é, antes de tudo, um fraco

“Quando a gente vê aquela fala do nosso grande autor dos sertões, que diz o seguinte: O nordestino é, antes de tudo, um forte…”

Dilma Rousseff, em cerimônia de entrega de máquinas na região do semi-árido baiano, internada por Celso Arnaldo Araújo ao conseguir derrubar da frase célebre, depois de 112 anos de resistência, o invencível sertanejo de Euclides da Cunha.

26/04/2014

às 21:15 \ Sanatório Geral

Um neurônio, 50 mil cidades

“Aliás, dos 50.061 municípios até 50 mil habitantes que existe (sic) neste nosso país, a grande maioria tem até 50 mil habitantes, e foi para esses municípios que nós desenhamos esse programa que eu chamo de Mais Máquinas”.

Dilma Rousseff, no já célebre discurso do Pará, internada de novo por Celso Arnaldo Araújo ao revelar não apenas que o Brasil tem mais municípios do que toda a Europa e os Estados Unidos somados, como não faz a menor ideia de quantas cidades existem no país que preside.

26/04/2014

às 15:44 \ Direto ao Ponto

O discurso no Pará aprofunda o maior enigma da História do Brasil e de suas brasileirices: como alguém como Dilma chegou à Presidência da República?

Ainda convalescendo de discursos recentes, o jornalista CELSO ARNALDO ARAÚJO foi abalroado pelo palavrório de Dilma Rousseff no Pará. Imediatamente, mandou três trechos escoltados por observações que imploram por internações no Sanatório Geral. Mas uma trinca de comentários de Celso Arnaldo é coisa para o Direto ao Ponto. Confira. (AN)

De tempos em tempos, a Dilma faz um discurso que supera os anteriores e passa a vigorar, pelo menos por alguns dias, como o pior de todos os tempos. Este, feito ontem no interior do Pará, em mais uma daquelas transcendentais entregas da santíssima trindade “retroescavadeira, motoniveladora e pás carregadeiras” para municípios com menos de 50 mil habitantes, é quase imbatível. Pelo menos até o próximo…

Sem nenhum esforço, a esmo, pincei três passagens que, na verdade, falando sério, simbolizam, no reino das palavras e das ideias, o maior enigma da História do Brasil e de suas brasileirices – como alguém como Dilma Rousseff chegou à Presidência da República?

A DILMA COMO ELA É

“Vocês vejam como é que é a vida. Eu nunca acho uma Dilma, e hoje uma Dilma fala e a outra Dilma depois fala”. (Na abertura do discurso na entrega de 32 máquinas a municípios do Pará, dirigindo-se à prefeita de Belterra, Dilma Serrão, ao confirmar que ainda não se achou e que, de todas as Dilmas do Brasil, ela é a única que não fala português)

TEORIA GERAL DA DILMA

“O início do Brasil e o fim do Brasil e o meio do Brasil são os municípios, porque não existe, de fato… nem é União, nem é um estado, um estado fisicamente. Existem, fisicamente, os municípios, as cidades e as zonas rurais”. (Ao admitir que o Brasil não precisa de uma presidente da República)

PRA FRENTE, PARÁ

“Então, eu vou concluir dizendo para a maioria e para a minoria, para todos, por que é que eu dei esse exemplo? Eu dei esse exemplo pelo seguinte, eu quero dizer para vocês que o Brasil só vai para frente se o Pará for para frente”. (No fecho do discurso, ao anunciar que, se o Pará for para frente, o Brasil – onde maioria e minoria formam o todo – ganha mais um pedaço do Oceano Atlântico)

24/02/2014

às 15:56 \ Direto ao Ponto

Às vésperas da Copa, Dilma vira cronista esportiva e faz extraordinária revelação ao Papa: ‘Os jesuítas batiam um bolão’

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Nos encontros com o papa ─ e ela acaba de ter o segundo ─ o dilmês se transforma em dilmunhol. E Francisco, um argentino iluminado que fala português melhor que a presidente da República, finge com meneios de cabeça que compreende tudo – como compreende os mistérios deste e de outros mundos.

Mas semana passada, no Vaticano, após a sagração de dom Orani Tempesta como novo cardeal brasileiro, o Sumo Pontífice ouviu de Dilma uma confusa história a respeito de jesuítas fazendo embaixadinhas em Itu. E deve ter ficado atordoado: escrituras em sânscrito interpretadas por Eduardo Suplicy seriam mais claras.

Desde esse encontro com Dilma, o papa Francisco está convencido de que a carta da irmã Lúcia sobre o terceiro segredo de Fátima, guardada e aguardada por mais 70 anos e agora exposta ao público até 31 de outubro no Santuário de Fátima, perdeu todo o seu interesse para os cristãos.

Em ano de Copa, o “bate-bolão” dos jesuítas, tal como lhe foi revelado pela presidente Dilma Rousseff, se transformou numa espécie de quarto segredo ─ a mobilizar os teólogos da Igreja.

Foi na entrevista coletiva dada por Dilma à imprensa brasileira, logo após seu encontro com o papa Francisco ─ assista ao vídeo no confessionário desta coluna. Nos primeiros minutos, ela vaga, como sempre, no sombrio mundo do pensamento humano transcrito em dilmês ─ ao tentar descrever sua conversa “muito, acho muito importante” com o “santo papa” e”“uma Copa pela Paz e uma Copa contra o Racismo”, portanto duas. Diz ter pedido a Francisco uma “mensagem dele sobre esse posicionamento da Copa do Mundo no Brasil, que é a Copa das Copas”. E, enfim, diz que conversaram a respeito “dessa questão, que sempre que brasileiros e argentinos se encontram e falam sobre a Copa é tocada a questão de quem ganha a Copa do Mundo”.

Ninguém havia ainda reparado nisso: sempre que se fala em Copa do Mundo, alguém toca nessa questão incômoda de que só uma seleção vai ganhá-la. Ah, teve também a história dos presentes ao papa ─ incluindo uma camisa do Palmeiras, fora do protocolo, contrabandeada pelo carola Gilberto Carvalho. Não é de estranhar que, em virtude desse pecado venial, o Palmeiras tenha perdido ontem sua invencibilidade no Paulistão. Enfim, Dilma surge com uma epifania surpreendente sobre o novo cardeal brasileiro: “Dom Orani é um homem de fé”.

Mas, até aqui, eram apenas dilmices pontifícias ─ nenhuma surpresa. E eis que, aos 8min30s do vídeo, surgem as primícias da revelação que mudou o rumo da conversa com o papa:
“Eu recebi outro dia um livro de um pesquisador lá da Unicamp”.

Meu Deus: um livro? De novo o salto no escuro ─ e agora sem rede de proteção. Até hoje, sempre que tentou lembrar publicamente do título de um livro que acabou de ler, ela contou com a ajuda dos universitários do governo. Desta vez, espera-se, será diferente ─ mesmo porque, ela está sozinha diante dos microfones. Ademais, o livro foi citado, e provavelmente entregue ao papa junto com outros sobre a história dos jesuítas no Brasil, apenas cinco minutos atrás. Ok, o nome do livro é…

“Agora acabei de esquecer o nome do livro… Mas ele é interessante”.
Quando a presidente acaba de esquecer algo, não há a menor possibilidade de lembrar logo ─ o esquecimento está muito recente e tem vida longa.

Mas o que vale é o conteúdo, não?
“Ele coloca a seguinte polêmica, polêmica: quem é que trouxe o futebol para o Brasil? Ora, nós todos, até recentemente… eu até ler esse livro achava que era o Charles Miller. E ele diz o seguinte, que não foi o Charles Miller, que o futebol chegou no Brasil através dos jesuítas. E isso até falei isso para o papa, e isso no colégio paulista de São Luís, em Itu, que era um colégio jesuíta”.
Humm ─ afinal, a presidente contou isso ao papa no Vaticano ou no “colégio paulista de São Luís, em Itu”? E o futebol “chegou no Brasil”, assim sem mais nem menos? Chegou ao Porto de Santos, com gramado e tudo?

Conhecer o livro e o autor de um livro que Dilma diz ter lido é sempre prudente antes de se ter contato com o pastiche que Dilma fez do livro, ao descrevê-lo em dilmês.

Não há a menor dúvida de que o livro é interessante ─ e, mencionado num encontro com um papa argentino amante do futebol e jesuíta, em pleno Vaticano, e em ano de Copa, é promessa de gol de placa. O livro que Dilma diz estar fingindo ler se chama “Visão do Jogo ─ Primórdios do futebol no Brasil” e foi escrito por José Moraes dos Santos Neto, professor do Colégio Pio XII, em Campinas ─ que não é pesquisador da Unicamp, mas apenas formado lá.

Enxuto, com apenas 118 páginas, em bela edição da editora Cosac Naify, o livro traz revelações curiosas sobre os primeiros chutes numa bola de futebol no Brasil. E na vasta pesquisa feita pelo professor José, destaca-se a informação de que não foi propriamente Charles Miller o introdutor dos rudimentos do football no Brasil ─ a primazia coube uns 10 anos antes aos jesuítas, companhia do papa. Instadas pelo imperador Pedro II a introduzir exercícios físicos ao ar livre no currículo, dentro do princípio “mens sana, corpore sano”, algumas das escolas da elite brasileira saíram a campo para pesquisar novas formas de atividade esportiva. O colégio jesuíta São Luis, então instalado na cidade de Itu, enviou uma comissão de padres a Londres, onde só se falava no tal football. E, por volta de 1882, os jesuítas do São Luís acabaram trazendo para cá o item mais fundamental do novo esporte ─ a bola. Aliás, duas ─ eram câmaras de ar envolvidas por couro. Quando essas bolas se desgastaram com tantos pontapés, os jesuítas as substituíram por bexigas de boi ─ mas o princípio era o mesmo: chutes contra a parede. Era o que eles chamavam de “bate-bolão”.

Padres e alunos do colégio chutavam juntos, mas ainda sem praticar o chamado “association football”, que pressupõe a formação de dois times de 11 e a existência de regras. Enfim, o paulista Charles Miller, depois de uma temporada de estudos na Grã-Bretanha, a pátria do esporte bretão, voltou ao Brasil em 1894, com um livro de regras, outro par de bolas e um de chuteiras. Foi o começo de times competitivos no Brasil. Resumindo: a verdade é que, no Brasil, os primeiros a jogarem uma pelada improvisada foram mesmo os jesuítas e seus alunos.

Sim: contada a um papa jesuíta, a história podia ser um gol de letra, em pleno campo do Vaticano. O problema é que a bola está com Dilma Rousseff, que se prepara para chutar em gol, de orelhada:

“Primeiro foi uma espécie que ele chama de bate-bolão. Eu tô lá no fim do livro, eu li no avião. Primeiro ele chamava de bate-bolão. Depois colocaram as, as traves, né, as traves do gol, e construíram os times de 11 de um lado, e 11 do outro. Não era aquele tipo de disputa, mas usavam já camisas, camisetas de diferentes cores. Não é, vamos dizer, o início do futebol tal como conhecemos, com todas as regras e tal. Mas é, sem sombra de dúvida, muito interessante o fato de ter sido os jesuítas que trouxeram o futebol para o Brasil, no final do século XIX, 1800 e… lá no final do século XIX”.

Resumindo: Deus é brasileiro, o papa é argentino e nosso futebol é jesuíta. Ok, mas quem ganha a Copa do Mundo?

29/01/2014

às 8:12 \ Feira Livre

Piada de português ao estilo do filme ‘Bananas’, de Woody Allen: a conta do Eleven foi dividida por 11

CELSO ARNALDO ARAÚJO

O sempre inseguro Fielding Melish leva um fora da namorada, ativista política radical, e decide largar a vidinha em Nova York para se aventurar numa republiqueta do Caribe, apoiando os rebeldes contra o ditador de plantão. É o contexto de Bananas, uma das comédias rasgadas da primeira fase de Woody Allen, lançada em 1971.

A se acreditar na versão pouco inspirada do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, Bananas teve uma de suas cenas mais hilárias reproduzida numa das mesas do restaurante Eleven, em Lisboa, sábado passado – presente a própria presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff. Que cena é essa?

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27/01/2014

às 17:16 \ Direto ao Ponto

Veja o que os leitores portugueses acharam da ‘escala técnica’ de Dilma em Lisboa

Dilma em Portugal

Em 8 de março de 2012, o jornalista Celso Arnaldo Araújo comentou a inverossímil escala da comitiva presidencial no Porto: a caminho da Alemanha, Dilma Rousseff e seus turistas de estimação pararam na cidade portuguesa para comer um prato de bacalhau muito apreciado pela chefe de governo. Honrado com a visita, o dono do restaurante retribuiu no fim do jantar: o prato foi rebatizado de Bacalhau à Dilma.

Perplexo com a reincidência registrada neste fim de semana, Celso Arnaldo remeteu à coluna um punhado de comentários de leitores de um jornal português. Confiram o recado do nosso caçador de cretinices. Volto no fim. (AN):

Enquanto nossa mídia registra, sem se escandalizar, a “parada técnica” do Aerodilma em Lisboa, onde 45 suítes foram ocupadas pela comitiva real nos hotéis Ritz e Tivoli (os mais caros da cidade) só para um jantar no Eleven (um dos raros restaurantes de Portugal com estrela do guia Michelin), o Diário de Notícias de lá falou do jantar e deu uma foto de Dilma com o chef Joachim e suas impressionantes olheiras (que os portugueses também chamam de “fronhas”). Selecionei abaixo alguns comentários de internautas portugueses do site do jornal. Veja que o tom crítico e até derrisório lá é maior que o de cá.

“Algo que sempre adorei nos auto-denominados “solidários”, é que quando têm o carcanhol dos outros nas nas mãos para “gerir”, tornam-se sempre adeptos do conforto capitalista. O contribuinte brasileiro a pagar jantaradas para grupos no Eleven (onde em média são Euros 100,00 por cabeça) e noitadas no Ritz !!!!! Vai lá vai….”

“Quando se acabar o crédito e/ou as riquezas naturais, acabam-se os Maduros, os Moráles e as Dilmas. Lá como cá, quando se acaba o dinheiro, acaba-se o socialismo. Depois, já se sabe, será a culpa dos mercados, dos bancos, blá, blá, blá…..”

“Coitada ! A mulher até mete dó! Deus me livre de tal coisa”.

“Por amor da Santa! Será que não era possível arranjar uma foto melhor, quer de um quer de outro? Parece que saíram de um naufrágio. A Dilma, então, que até nem é feia de todo, está um pavor, parece que ficou mal disposta com a janta. Que coisa mal amanhada! Será que pediram licença à senhora para postar a foto na rede? Tirem lá isso, se querem manter a freguesia. Se bem que o tal de 11 a mim não me diz nada mas se é na continuação do Lágrimas de Coimbra (onde caí uma vez por acaso), não vai deixar saudades à brasileira”.

“Tava linda hein Dilma, adorei esse look Fester Addams”.

“Parece photoshop ao contrário. Que vanguardista”.

“Pela foto, parece que tiveram que dar uns sopapos na presidenta, para ela pagar a conta”.

Voltei para a constatação: o retrato desenhado pelos comentários só não é pior que o retrato de Dilma ao lado do chef Joachim. 

23/01/2014

às 0:25 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo x Dilma

“Aquilo que o Nelson Rodrigues dizia: não é possível apostar no pior”.

Dilma Rousseff, estreando 2014 em grande forma, aos 4min18s do vídeo da coletiva de imprensa durante entrega da Arena das Dunas, em Natal, internada por Celso Arnaldo Araújo ao demonstrar, de novo, que é a única pessoa do mundo capaz de fazer Nelson Rodrigues dizer tolices em dilmês que nunca disse em português

 

 

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