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Celso Arnaldo Araújo

19/03/2015

às 17:59 \ Sanatório Geral

Comunicação enfática

“Comunico à Casa o comunicado que recebi do chefe da Casa Civil comunicando a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes”.

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, internado por Celso Arnaldo Araújo ao anunciar ao vivo o bota-fora do ministro da Má-Educação, Cid Gomes, retribuindo a deferência de Dilma com uma frase em dilmês redundante.

02/03/2015

às 19:40 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e a assombrosa decolagem da presidente na galáxia à beira-mar

O que foi publicado na internet neste domingo bastou para que se consumasse, em regime de urgência urgentíssima, mais uma internação de Dilma Rousseff no Sanatório Geral. Pois a incursão retórica pelo espaço sideral que transformou o Rio em galáxia e também capital de galáxia, além de promover Eduardo Paes a prefeito de uma maravilha cósmica que fica fora da Via Láctea mas está onde sempre esteve desde a fundação, foi ainda mais delirante do que parecia.

Sempre atento, o jornalista Celso Arnaldo Araújo foi buscar na fonte o que os textos maquiados por jornalistas escondeu. Leiam o recado enviado à coluna pelo único especialista em dilmês do Universo:

O dilmês exige transcrição fiel – pois só assim será dilmês legítimo. Qualquer tentativa de ordenar pensamento tão primitivo, a bem da compreensão lógica, tirará do dilmês o que ele tem de único — um idioleto falado por um único indivíduo. No caso, uma indivídua. Dito isto, consultada a transcrição feita pelo Portal do Planalto e conferido o áudio do discurso, eis a versão original dessa passagem do outro mundo:

“O Eduardo eu sei que ele é um homem feliz, um homem realizado, porque ele disse para mim que ele é o único prefeito do Rio de Janeiro do mundo e isso o torna uma pessoa especial. Ele tem alegria 24 horas por dia, 365 dias no ano de sê o prefeito da mais bonita, da mais fantástica cidade. Ele disse… e eu cheguei à conclusão que ele é o melhor prefeito das galáxias e não é da via láctea. É de uma galáxia chamada Rio de Janeiro, uma galáxia especial”.

Melhorou? Piorou? Não sei. Só sei que é Dilma.

Arremato de primeira o cruzamento impecável do Celso Arnaldo: a cabeça da presidente é um nada capaz de tudo.

21/02/2015

às 19:44 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e a frase em dilmês que já se tornou antológica no estudo da oratória: ‘Nunca deixamos de esconder que era 4,5%’

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Nesses 60 dias de sumiço, Dilma Rousseff afinou um punhado de quilos com a dieta do Dr. Ravenna, mas engrossou sua rombuda ignorância com o tempero de um aparente cinismo, que até aqui lhe faltava por absoluta obtusidade. Dos cínicos competentes, como se sabe, exige-se um tirocínio que passa longe do cérebro mononeuronal de Dilma. A afronta de acusar FHC pelo Petrolão, em dilmês de porta de cadeia, namora o descaramento, o caradurismo e a mais rigorosa incompreensão dos fatos, mas passa longe do “raciocinismo”.

Até um estafeta do Palácio do Planalto derrubaria o disparate, em linguagem grosseira. De qualquer forma, a estreia de Dilma II – A Comissão nos espantosos 10m23s desta primeira entrevista do segundo mandato talvez mereça uma resenha mais minuciosa, porque peça histórica na crônica da má-fé lulopetista. Má-fé sem requinte, tosca, indecente. Mas, num nível mais rasteiro ainda, celebre-se a volta do fissuroso dilmês oral, inconfundível e indispensável aos “dilmadictos”, como este que vos escreve.

Quem mais, senão Dilma Vana Rousseff, seria capaz de confirmar que a correção da tabela do IR abaixo da inflação é uma cláusula pétrea de seu governo com uma frase que se tornou antológica no estudo da oratória humana, assim que o “por cento” escafedeu dos lábios presidenciais na tarde desta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015:

“Nunca deixamos de esconder que era 4,5%”.

É o que se ouve aos 6:08 do vídeo oficial do Planalto, sem cortes — e com fortes emoções. Que não se pode deixar de perder.

Bem-vinda, presidenta.

03/02/2015

às 22:33 \ Sanatório Geral

Minha Casa, Minha Dilma

“Pois bem, é algo importantíssimo a casa. Porque a casa é onde você estrutura a família, você cria seus laços afetivos, protege as crianças, recebem os amigos, enfim. Muitos namoram, casam, noivam. Todas aquelas atividades da vida privada que são essenciais para a gente viver”.

Dilma Rousseff, hoje, em Campo Grande, internada por Celso Arnaldo Araújo ao retomar a agenda dos piores discursos de todos os tempos ─ sem dar a menor esperança de que conseguirá enfim explicar para que serve uma casa, ao final de oito anos de governo

26/12/2014

às 11:23 \ Direto ao Ponto

O discurso no Pará aprofunda o maior enigma da História do Brasil e de suas brasileirices: como alguém como Dilma chegou à Presidência da República?

tarja-an-melhores-do-ano-2014 PUBLICADO EM 26 DE ABRIL 

Ainda convalescendo de discursos recentes, o jornalista CELSO ARNALDO ARAÚJO foi abalroado pelo palavrório de Dilma Rousseff no Pará. Imediatamente, mandou três trechos escoltados por observações que imploram por internações no Sanatório Geral. Mas uma trinca de comentários de Celso Arnaldo é coisa para o Direto ao Ponto. Confira. (AN) De tempos em tempos, a Dilma faz um discurso que supera os anteriores e passa a vigorar, pelo menos por alguns dias, como o pior de todos os tempos. Este, feito ontem no interior do Pará, em mais uma daquelas transcendentais entregas da santíssima trindade “retroescavadeira, motoniveladora e pás carregadeiras” para municípios com menos de 50 mil habitantes, é quase imbatível. Pelo menos até o próximo… Sem nenhum esforço, a esmo, pincei três passagens que, na verdade, falando sério, simbolizam, no reino das palavras e das ideias, o maior enigma da História do Brasil e de suas brasileirices – como alguém como Dilma Rousseff chegou à Presidência da República? A DILMA COMO ELA É “Vocês vejam como é que é a vida. Eu nunca acho uma Dilma, e hoje uma Dilma fala e a outra Dilma depois fala”. (Na abertura do discurso na entrega de 32 máquinas a municípios do Pará, dirigindo-se à prefeita de Belterra, Dilma Serrão, ao confirmar que ainda não se achou e que, de todas as Dilmas do Brasil, ela é a única que não fala português) TEORIA GERAL DA DILMA “O início do Brasil e o fim do Brasil e o meio do Brasil são os municípios, porque não existe, de fato… nem é União, nem é um estado, um estado fisicamente. Existem, fisicamente, os municípios, as cidades e as zonas rurais”. (Ao admitir que o Brasil não precisa de uma presidente da República) PRA FRENTE, PARÁ “Então, eu vou concluir dizendo para a maioria e para a minoria, para todos, por que é que eu dei esse exemplo? Eu dei esse exemplo pelo seguinte, eu quero dizer para vocês que o Brasil só vai para frente se o Pará for para frente”. (No fecho do discurso, ao anunciar que, se o Pará for para frente, o Brasil – onde maioria e minoria formam o todo – ganha mais um pedaço do Oceano Atlântico)

24/12/2014

às 13:25 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo x Dilma

tarja-an-o-ano-em-frases-2014

PUBLICADO EM 23 DE JANEIRO

“Aquilo que o Nelson Rodrigues dizia: não é possível apostar no pior”.

Dilma Rousseff, estreando 2014 em grande forma, aos 4min18s do vídeo da coletiva de imprensa durante entrega da Arena das Dunas, em Natal, internada por Celso Arnaldo Araújo ao demonstrar, de novo, que é a única pessoa do mundo capaz de fazer Nelson Rodrigues dizer tolices em dilmês que nunca disse em português

 

28/10/2014

às 2:28 \ Sanatório Geral

Dilma II – A Missão

“Vou lutá diuturna e noturnamente pra que o crescimento no sentido de melhoria de vida pro brasileiro e pra sua família seja maior ainda”.

Dilma Rousseff, em sua primeira entrevista como presidente reeleita, internada por Celso Arnaldo Araújo ao prometer governar dia e noite em dilmês nos próximos quatro anos.

17/10/2014

às 0:09 \ Direto ao Ponto

O parecer de Celso Arnaldo: ‘Não foi pressão, não’

Único doutor em dilmês do planeta, o jornalista Celso Arnaldo Araújo enviou à coluna o seguinte parecer sobre a entrevista que não houve porque a entrevistada estava grogue:

Não foi pressão, não. Ineq, ineqüi, inhoqui, sem sombra de dúvidas foi um insulto típico do dilmês ─ ataque apoplético caracterizado por insuficiência sintática, derrame semântico e Lesão de Esforço Repetitivo (LER) na articulação da fala.

Na verdade, a presidenta que não sabe recitar “batatinha quando nasce” é uma fingidora. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a vergonha que deveras sente.

25/07/2014

às 20:15 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo em esplêndida forma: ‘O AUTO DE DILMA, A COMPADECIDA’

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Eu diria que o nome de Suassuna, no Twitter de Dilma, foi “assassuanado”. Dilma não perdoa: é serial killer, feroz e implacável, de palavras, nomes, termos, ditados, ditos, máximas, aforismos – enfim de tudo o que se chama, se diz, se fala e se escreve. Aliás, repare na tuitada: para ela, Auto da Compadecida é livro – não uma peça de teatro.

É uma Dilma que não falha nunca: a Dilma Compadecida.

Assim como Quarta-feira de Cinzas se segue à terça-feira de Carnaval, Dilma Compadecida sobrevoa áreas inundadas em qualquer parte do Brasil, com ar compungido, captado, na janelinha, pelos cinegrafistas do Planalto – louca para voltar à secura de Brasília, onde absolutamente nada será feito para minorar o sofrimento das vítimas e evitar outra tragédia na próxima enchente. Além das promessas encharcadas de sempre.

E essa previsibilidade de falsos compadecimentos se materializa numa segunda frente: o obituário de personalidades, na forma de notas de pesar sistemáticas assinadas pela presidente.

Não faz isso por desejo dela, é claro, mas instruída pela marquetagem do Palácio, que conhece bem o impacto popular causado por uma presidente solidária na morte e na vida, e severa – não Severina.

Dilma, por certo, não conhece ou mal conhece a maior parte dos pranteados nas notas oficiais. Mas finge conhecê-los com intimidade quase familiar, nas mensagens escritas por assessores que ela avaliza com a chancela da Presidência.

Quando morreu Dominguinhos, escreveram para ela assinar:

“O Brasil perdeu ontem José Domingos de Moraes, o Dominguinhos”.

Nem o mais apaixonado fã da música de Dominguinhos jamais ouviu ou leu seu nome de batismo citado na íntegra – muito menos Dilma. Mas o obituarista do Planalto, por um instante, se transformou em escrivão de cartório de registro.

Não é de Dilma, mas tudo parece ter um toque de Dilma, em seu desprezo pela lógica e pelo sentido das coisas, mesmo a sete palmos do chão.

O mais famoso obituarista da imprensa brasileira, Antônio Carvalho Mendes, o Toninho Boa Morte, escreveu necrológios para o Estadão por quase 40 anos ─ até que um colega escrevesse o dele, na mesma seção. Apesar da rotina mortal, tinha recursos estilísticos para, de vez em quando, sair do terreno raso das platitudes necrológicas. Num intervalo de meses, faleceram Julio de Mesquita Filho e seu filho, Luiz Carlos Mesquita. Toninho começa assim o obituário deste: “Mais uma vez, a morte entrou-nos porta adentro”.

A criatividade, mesmo parnasiana, não é um auto de Dilma Compadecida. Ela assina notas fúnebres feitas à sua imagem e semelhança, enterrando, de cara, qualquer chance de inteligência, sinceridade e oportunidade.

Começa sempre com um clichê terminal – que, em alguns casos, afronta o próprio talento do falecido, como no mais recente, antes de “Suassuana”.

“A literatura brasileira perde um grande nome com a morte de João Ubaldo Ribeiro”.

Outras aberturas de mensagens de pesar atribuídas a Dilma, extraídas da seção “Notas Oficiais” do Portal do Planalto:

“O Brasil sofre uma profunda perda com a morte de João Filgueiras Lima, o Lelé, um dos nossos mais brilhantes arquitetos”.

“É com sentimento de profunda tristeza que recebo a notícia da morte do cantor Jair Rodrigues”.

“Foi com tristeza que soube da morte de dom Tomás Balduíno, incansável lutador das causas populares”.

“Foi com tristeza que soube da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez”.

“Foi com tristeza que tomei conhecimento da morte de José Wilker”.

“Foi com tristeza que tomei conhecimento da morte do senador João Ribeiro”.

“Foi com tristeza que recebi a notícia da morte do amigo e companheiro Jacob Gorender”.

“Foi com pesar que soube da morte de Norma Bengell, uma das principais atrizes do cinema brasileiro”.

Por sorte, não escreveram Benguel – como era costume em parte da imprensa.

Mas Ariano, acredito, ficará uma onça com o Suassuana de Dilma.

12/05/2014

às 18:05 \ Direto ao Ponto

Na Olimpíada de Matemática, a economista Dilma bate todos os recordes em Nada Sincronizado, Pensamentos com Obstáculos, Barbarismos sem Barreira, Apedeutismo Feminino e Arremesso de Anacolutos

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Cidade das Artes, Rio de Janeiro. A imaginária pistola de partida é acionada, autorizando a largada. Diante de uma plateia de autênticos campeões – os 500 jovens medalhistas da nona edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – Dilma Rousseff se põe na pista com um sprint fenomenal:

“Eu gostaria inicialmente de comprimentá a cada um dos medalhistas de ouro e a cada uma das medalhistas de ouro”.

Sua próxima meta é revisar o pétreo artigo 5 da Constituição, que passará a ser escrito: “Todos e todas são iguais perante a lei”.

Mas já nas primeiras passadas, ela deixa claro que serão, como sempre, 100 metros de ideias rasas:

“Dizer para vocês que este é um momento especial pra vocês, para a família de vocês e pro Brasil. E isso significa que nós temos um grande orgulho e por isso eu estou aqui. Por isso, como presidenta da República, eu represento este país que quer, que tem ânsia, que deseja que a educação seja o principal caminho dos jovens, das crianças, dos homens e das mulheres deste país”.

Ânsia tem a ver com a vertigem produzida pelo tropel de palavras tontas que correm para um lado, enquanto o país real vai para outro: a Economist Intelligence Unit acaba de divulgar um ranking da qualidade da educação em 40 nações pesquisadas. O Brasil, há 11 anos e meio governado pelo lulopetismo, é o 38º colocado, só à frente de México e Indonésia – e vem se esforçando, nesse período, para ser o lanterninha.

Mas a matemática pode ser nossa redenção.

“Porque a matemática, ela tem um poder muito interessante. Ela é a base de todas as ciências, ou seja, a matemática pode ser usada em todas as áreas da ciência. Pode também… é um elemento fundamental para que nós tenhamos capacidade e melhor condição de usar isso que nos distingue, que é o conhecimento e que é a aplicação da lógica e de todos os recursos que a matemática pode trazer para o país”.

Explicar a matemática em dilmês é um problema insolúvel. Mas ok. Só que, no caso da refinaria de Pasadena, a matemática foi ingrata e nos roubou recursos. Mas a presidente continua uma entusiasta do raciocínio lógico, filho da aritmética.

“Por isso, esse ano, não na formatura de vocês, mas a próxima edição, será a 10ª edição, essa foi a 9ª, a próxima, de 2014, que vamos nós vamos fazer em 2015, será a 10ª. É algo que nós devemos considerar como sucesso”.

Sim: um sucesso o 10 vir depois do 9, num país onde o PAC 2 vem antes da conclusão do PAC 1.

Mas é aos 31min47s da prova que – na linguagem dos maratonistas – Dilma bate no muro.

“Nós somos um país excepcional. Nós somos 201 milhões de brasileiros. É pouco, pouco pro tamanho do território. Cês olham só a Índia e a China, uma tem 1 bilhão e 300 mil pessoas, pessoas, a outra tem 1… Um trilhão, aliás, não é? Não, é um bilhão, 1 bilhão e 850 mil, que é a Índia. Cinquenta milhões (sopro), obrigada, tão ótimos hoje”.

Na linha de chegada, não foi difícil constatar que qualquer um dos 500 adolescentes ali presentes sabe mais matemática, geografia, português e lógica do que a presidente da República – que não domina sua própria língua e que, num lampejo, criou um país habitado por mais de um trilhão de habitantes. Ninguém no mundo havia pensado nisso antes, nem como ato falho.

Pensando bem: uma tremenda injustiça a má colocação da Educação brasileira no ranking da Economist.

Ouça aqui a íntegra do discurso de Dilma Rousseff

 

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