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Câmara

02/02/2012

às 16:24 \ Sanatório Geral

Tô nem aí

“Procurem o Palocci”

Lula, em resposta aos líderes do PT no Senado, Humberto Costa, e no Congresso, José Pimentel, que lhe pediram que garantisse o cumprimento do acordo que estabecia o rodízio nas comissões do Congresso, fingindo ter esquecido que armou em parceria com o ex-ministro Antonio Palocci a bomba que acaba de jogar no colo do companheiro traficante de influência.

21/12/2011

às 23:09 \ Sanatório Geral

Essa foi boa

“A Câmara cumpriu de forma corajosa o papel de promover os grandes debates nacionais e, assim, contribuir para aperfeiçoar as políticas do governo de desenvolvimento econômico com inclusão de parcelas cada vez maiores da população na riqueza nacional.”

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara e humorista.

11/12/2011

às 22:36 \ Sanatório Geral

Milagreiro modesto

“Não há constrangimento nenhum. O que eu recebo da Câmara é uma subvenção, e não um salário. Minhas funções como assessor não atrapalham meu mandato em Tietê”.

Manoel David Korn, que recebe R$ 1.500 por mês como vereador em Tietê, a 156 quilômetros da capital paulista, e assessor da deputada estadual Rita Passos em São Paulo, malandragem que lhe rende mais R$ 3.000, sem explicar por que não quis ficar milionário com apresentações em circos, onde poderia ensinar à plateia como se faz para estar em dois lugares ao mesmo tempo.

09/12/2011

às 8:11 \ Sanatório Geral

Doutor em aluguel

“Olhe, tudo o que eu sei sobre como brigar com o governo eu aprendi aqui!”

Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara, revelando durante uma festa em homenagem aos ex-líderes da bancada do PT que o Congresso é o melhor curso de especialização em cobrança de aluguel da América Latina.

06/12/2011

às 15:50 \ Feira Livre

Caiu de podre

EDITORIAL PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

O que terá passado pela cabeça da presidente Dilma Rousseff entre a quinta-feira e o domingo da última semana? Na quinta, ela deixou boquiabertos os observadores ao mandar às favas a inédita recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República, anunciada no começo da noite anterior, de que exonerasse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. No entender do colegiado, ele não conseguiu oferecer, nem ao Congresso nem à imprensa, explicações convincentes para as denúncias que se sucediam contra ele havia quase um mês. Além disso, comportou-se de forma inconveniente ao reagir a elas – por exemplo, dizendo que só sairia “abatido à bala”, o rompante que o notabilizou.

Naquela quinta, horas antes de viajar para uma reunião em Caracas, ela recebeu Lupi em audiência, ao fim da qual mandou divulgar que resolvera esperar as suas explicações para a revelação de que na maior parte do período entre 2000 e 2006 conseguira a proeza de ser funcionário fantasma da Câmara dos Deputados e da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Pior ainda, cobrou da Comissão de Ética que informasse como e por que chegou à sua conclusão. Nos dias seguintes, nada de novo aconteceu que abreviasse ou prolongasse a permanência de Lupi no governo – salvo a sensação de pasmo entre os setores bem informados da sociedade e os comentários condenatórios da mídia.

No domingo, porém, tendo antecipado em 24 horas a volta da Venezuela e tendo feito saber, na véspera, que decidira abater o ministro que se proclamara invulnerável, Dilma o chamou para o ritual da “conversa definitiva” – a chance para que se demitisse. Não há explicação racional para o zigue-zague da presidente (daí a pergunta que abre este texto). Ela não ganhou nada deixando que o caso Lupi se arrastasse por semanas a fio até ele cair de podre. Só perdeu. Assim que rebentou o primeiro escândalo no Ministério do Trabalho – a extorsão de ONGs conveniadas com a pasta para que continuassem a receber os repasses previstos – vá lá que Dilma não quisesse aparecer, pela sexta vez consecutiva, como caudatária do noticiário sobre as lambanças de seus ministros.

O que se viu depois, no entanto, foi a presidente perdendo uma oportunidade atrás da outra para preservar a imagem de ser implacável com a corrupção quando exposta ao público e de se dar ao respeito no trato com a sua equipe. Para a sua própria conveniência, ela poderia ter demitido Lupi quando ele se gabou de que só cairia à bala; poderia tê-lo demitido quando se saiu com o “eu te amo, Dilma”; ou quando ficou provado que mentira na história do voo fretado com o dono de uma entidade beneficiada pela pasta; ou ainda quando da descoberta de que recebera de duas fontes públicas ao mesmo tempo; ou, enfim, quando a Comissão de Ética, amarrando todas as pontas, julgou que ele não devia continuar ministro.

Se a presidente imaginou que a crise minguaria com a sua decisão, devidamente vazada, de afastar Lupi na reforma ministerial marcada para o começo do ano, é sinal de que não aprendeu nada com os casos anteriores. Suas agonias duraram um pouco mais, um pouco menos, mas nenhum dos ministros atingidos por denúncias – de Antonio Palocci, da Casa Civil, a Orlando Silva, do Esporte, passando por Alfredo Nascimento (Transporte) Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo) – sobreviveu. Pela razão essencial de que, desatado o escândalo, os fatos novos que se seguiam invariavelmente agravavam a situação dos envolvidos, até ela ficar insustentável.

A sensação que fica é de que, impondo-se à fria contabilidade do custo-benefício das escolhas por fazer, prevalece a relutância de Dilma em dar o passo devido não quando queira, mas sob o império dos fatos. Quem sabe, ela não atine com uma verdade elementar: candidata, o seu patrimônio político era a popularidade do patrono Lula e a ele devia lealdade; da posse em diante, passou a depender do julgamento do eleitorado – e é à Nação que deve prestar conta, tanto de seus atos como de suas omissões. Se ela não compreende esse fato elementar, o País tem um problema. O de ter uma presidente cujo temperamento perturba a sua sintonia com a opinião pública.

17/11/2011

às 21:31 \ Sanatório Geral

Um dia depois do outro (11)

“Eu não tenho nenhuma relação, nenhuma, absolutamente nenhuma com… Como é que é o nome? Seu Adair. Adair.”

Carlos Lupi, em depoimento na Câmara na semana passada, com cara de quem nunca ouvira falar em Adair Meira, dono de três ONGs favorecidas por contratos milionários com o Ministério do Trabalho e companheiro de viagem.

“Nunca neguei que o conheço, não disse isso.”

Carlos Lupi, em depoimento no Senado nesta quinta-feira, com cara de quem nunca imaginou que apareceria em vídeos e fotos ao lado do amigo, sócio e financiador de passeios aéreos pelo interior do Maranhão.

17/11/2011

às 17:48 \ Direto ao Ponto

Lupi culpa Dilma: ‘Ela quer que eu fique’

O regresso ao picadeiro foi ainda mais bisonho e bizarro que o numerito de estreia. Parlamentares oposicionistas escancararam a fábrica de mentiras e ampliaram o acervo de bandalheiras. Fora o inevitável Eduardo Suplicy, os companheiros do PT nem deram as caras. Os parceiros da base alugada resolveram antecipar o fim de semana. Dos três senadores do PDT, um desejou boa sorte ao presidente licenciado e dois recomendaram que caia fora do primeiro escalão federal. Durante o depoimento no Senado, Carlos Lupi só foi consolado pela solidariedade silenciosa do ex-suplente Wellington Salgado, o Rapunzel de Bordel, e pela estridência velhaca do representante do PCdoB, Inácio Arruda. O Clube dos Cafajestes e a Irmandade dos Órfãos da Albânia. Tudo a ver.

Morto insepulto em adiantado estado de decomposição, o que anima o ainda ministro do Trabalho a apodrecer em público, cuspindo cataratas de mentiras e perseguindo pateticamente a ressurreição impossível? “Ela quer que eu fique”, disse no meio da discurseira. Ela. Dilma Rousseff. O que ouviu exatamente?, quis saber um senador. “Só posso me limitar a dizer que ela pediu que eu continuasse”, fez mistério o depoente, caprichando na pose de quem parou de tratar de assuntos íntimos na frente dos outros. Há uma semana, na Câmara, o galã de bolerão acusou-se de amar a presidente da República. Nesta quinta-feira, na Casa do Espanto, o rufião de botequim acusou-a de querer que fique onde está.

A segunda revelação é mais constrangedora que a primeira. Até agora, imaginava-se que a vassoura da faxineira de araque só saía do armário na hora de varrer sujeiras para baixo do tapete. Graças a Lupi, descobriu-se uma segunda serventia: em situações de alto risco, é transformada na muleta que mantém de pé um entulho apaixonado.

13/11/2011

às 3:11 \ Sanatório Geral

Bom diagnóstico

“O senhor está acima do peso, sua resposta sobre a questão da bala mostra que está estressado e nervoso. O senhor pode ter um AVC.”

Paulo Rubem Santiago, deputado do PDT de Pernambuco, comunicando a Carlos Lupi que o ainda ministro pode ir desta para pior antes de conseguir erradicar o Ministério do Trabalho.

11/11/2011

às 5:19 \ Sanatório Geral

Peixe pequeno

“A Câmara não é lugar para tratar de briga local.”

Eduardo Cunha, deputado do PMDB de Rio de Janeiro, ensinando que a Câmara não tem motivos para ouvir o governador Agnelo Queiroz porque a Casa dos Horrores foi feita para inocentar chefes de quadrilha que agem também fora das fronteiras do Distrito Federal.

04/11/2011

às 19:30 \ Sanatório Geral

Máfia em ação

“Não se justifica a manutenção da pena de inegibilidade apenas para os três parlamentares cassados em plenário, designados arbitrariamente para expiar a culpa de grande parte dos parlamentares da legislatura anterior, enredados em escândalos como o mensalão e os sanguessugas.”

Ernandes Amorim, ex-deputado do PTB de Rondônia, na justificativa do projeto de sua autoria que anistia os ex-deputados José Dirceu, Roberto Jefferson e Pedro Corrêa, cassados pela Câmara no escândalo do mensalão, explicando que, se não é possível castigar todos os  culpados, é justo perdoar os poucos punidos.


 

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