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Câmara dos Deputados

17/02/2015

às 23:05 \ Opinião

J.R. Guzzo: A palavra ‘I’

Publicado na edição impressa de VEJA

J.R. GUZZO

Uma das complicações da política brasileira de hoje é que a poeira não baixa. Deveria baixar, pela lei da gravidade; “se subiu tem de descer”, dizia Raul Seixas numa de suas muitas observações notáveis. Mas no Brasil da presidente Dilma Rousseff a lei da gravidade parece não estar funcionando. Seria mais uma dessas leis que não pegam?

O fato concreto é que a poeira em volta do governo, quase sempre levantada por ele mesmo, continua subindo — e o inconveniente disso é que deixou de existir a opção de esperar que a poeira baixe antes de tomar decisões, como recomenda a sempre tão prudente sabedoria popular. Esperar como? Antes de se desmanchar uma nuvem já vem outra, e se alguém ficar esperando o ambiente clarear corre o risco de passar a vida sem fazer nada.

No momento, com a catástrofe que o Palácio do Planalto criou ao se deixar moer como picadinho na eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, subiu um poeirão de estrada de terra em Mato Grosso em tempo de seca. Vai ficar aí por tempo indeterminado — e o resultado é que a vida pública brasileira continuará no voo cego que vem fazendo nos últimos quatro anos.

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11/02/2015

às 13:27 \ Opinião

José Nêumanne: ‘O governo mente e a oposição se cala’

Publicado no Estadão desta quarta-feira

JOSÉ NÊUMANNE

Bruno Araújo (PSDB-PE), líder da minoria, provocou rebuliço no plenário da Câmara dos Deputados ao reproduzir do alto da tribuna áudio em que a presidente Dilma Rousseff garantia, há dois anos, reduzir a conta da luz em 18%. “O Brasil terá energia cada vez melhor e mais barata”, disse ela, então, condenando “previsões alarmistas”.

O diabo é que o consumidor bancará nas contas deste ano fundo de R$ 20 bilhões que antes era cobrado do contribuinte, via Tesouro Nacional: ou seja, tirará de um bolso em vez do outro. Fala-se em aumento de 40% a 80%. E mais: para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, do governo federal, o risco de faltar eletricidade no Sudeste e Centro-Oeste chegou em fevereiro ao índice mais alto dos últimos anos: 7,3%. Em janeiro era de 4,9%. Essa foi a única das várias mentiras contadas por Dilma e pelo PT no poder há 12 anos exposta de forma cabal pelos oposicionistas após grande exposição nas redes sociais. Nesse ringue a luta tem sido feroz, com combativos e grosseiros militantes petistas e antipetistas abusando impunemente da liberdade de se insultarem.

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02/02/2015

às 17:26 \ Sanatório Geral

Fiasco espetacular

“Você viu que eu ganhei esta eleição mesmo com tudo que o governo fez pra me derrotar, né?”

Eduardo Cunha, novo presidente da Câmara dos Deputados, esquecendo-se de cumprimentar Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil e comandante da ofensiva governista, por mais um fiasco espetacular.

10/12/2014

às 20:18 \ Direto ao Ponto

A proeza de Vargas: cair fora dessa Câmara por falta de decoro é como ser expulso de um hospício por excesso de maluquice

Andre-Vargas-OrlandoBrito-1

Eleito deputado federal em 2006, reeleito em 2010 por milhares de paranaenses irresponsáveis, o companheiro André Vargas entrou para a história da Câmara no mesmo instante em que dali saiu. Pelo conjunto da obra, ele já garantira uma jaula de luxo no zoológico que abriga esquisitices da fauna política tropical. O despejo consumado nesta quarta-feira transformou-o num assombro sem similares. Num Congresso que lembra uma Papuda sem grades, ter o mandato cassado por falta de decoro equivale a ser expulso do hospício por excesso de loucura ─ e por decisão dos demais malucos.

Já em fevereiro, depois de assumir a vice-presidência da Câmara, Vargas decidiu chegar ao comando da Casa do Espanto pela rota dos ineditismos. Ao debochar do ministro Joaquim Barbosa na sessão de abertura do ano legislativo, foi o primeiro parlamentar a insultar um chefe do Poder Judiciário. Nos meses seguintes, seria também o primeiro deputado a fazer companhia a Alberto Youssef no noticiário político-policial e o primeiro figurão do PT punido por um partido que absolve até ladrões capturados no interior do cofre. Desde hoje, é o primeiro gatuno que a seita lulopetista ajudou a perder o emprego.

É uma ficha e tanto, valorizada pelas anotações que mudaram dramaticamente os horizontes de Vargas. Ele começou 2014 convencido de que terminaria o ano como candidato imbatível à presidência da Câmara. Vai começar 2015 procurando emprego. E tentando escapar da candidatura (que a Polícia Federal tornou irreversível) a uma vaga na população carcerária do Brasil.

12/10/2014

às 14:12 \ Opinião

‘O vício de sempre’, de Roberto Pompeu de Toledo

Publicado na edição impressa de VEJA

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

No balanço da campanha eleitoral, versão primeiro turno, ressalta o vício habitual: a esmagadora predominância da propaganda sobre a informação. Algumas sugestões para contra-atacar a tendência:

1. Obrigar que parte da propaganda na TV seja ao vivo. O público teria diante de si algo mais próximo da vida real, seja na pessoa do próprio candidato, seja na de seus correligionários, para contrabalançar a fantasia mistificadora dos filmes produzidos pelos marqueteiros. A proposta não é nova. Recentemente foi defendida em artigo na Folha de S.Paulo pelo jurista Ives Gandra Martins (edição de 2/9/2014). Ives Gandra propõe que todo o horário seja ao vivo. Este colunista se contentaria com, digamos, a metade. À vantagem de maior acesso ao candidato em carne e osso, acrescenta-se a do barateamento das escandalosamente caras campanhas brasileiras.

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11/04/2014

às 11:17 \ Opinião

‘O farmacêutico do ar’, de Fernando Gabeira

FERNANDO GABEIRA

As coisas andam esquisitas. Ou sempre estiveram, não sei. Dia agradável de trabalho na Serra da Canastra, revisitei a nascente do São Francisco e vi uma loba-guará se movendo com liberdade em seu território. De noite sonhei com o PT. Logo com o PT.

Sentei-me na cama para entender como os pesadelos do Planalto invadiam meus sonhos na montanha. Lembrei-me de que no início da noite vira a história de André Vargas e do doleiro Alberto Youssef na TV, os farmacêuticos do ar que vendiam remédios dos outros ao Ministério da Saúde. Pensei: esse Vargas é vice, no ano que vem seria presidente da Câmara dos Deputados. Como foi possível a escalada de um quadro tão medíocre? A resposta é a obediência, o atributo mais valorizado pelos dirigentes, antítese de inquietação e criatividade, sempre punidas com o isolamento.

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10/04/2014

às 18:59 \ Sanatório Geral

Candidato à Papuda

“Tomo esta decisão para me concentrar em minha defesa e preservar a imagem da Câmara, do meu partido e de meus colegas deputados”.

André Vargas, deputado pelo PT do Paraná, ao renunciar à vice-presidência da Câmara, comunicando ao país que já está em campanha para escapar da cadeia.

05/02/2014

às 16:48 \ Sanatório Geral

Confiança é tudo

“Em defesa das prerrogativas constitucionais que garantem as competências do Poder Legislativo para decidir sobre os mandatos de seus membros, estou preparado para o legítimo julgamento do plenário da Câmara dos Deputados. Onde provarei, novamente, que não pratiquei nenhuma irregularidade, sendo inocente em relação aos crimes dos quais sou acusado”.

João Paulo Cunha, deputado federal pelo PT de São Paulo e mais novo integrante da bancada da Papuda, afirmando que não renunciará ao mandato na Câmara porque vai reapresentar ao plenário as provas de inocência que, examinadas pelo STF, garantiram ao mensaleiro juramentado uma pedagógica temporada na gaiola por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

18/11/2013

às 8:09 \ Opinião

‘Continuam aprontando’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão

O Congresso Nacional está a caminho de cometer duas enormidades. Uma diz respeito ao sistema de votação ─ aberta ou fechada ─ em matérias politicamente sensíveis, como a cassação de mandatos parlamentares ou o exame de vetos presidenciais a projetos aprovados pelo Legislativo. A outra, mais grave ainda do ponto de vista da ética, está embutida no trecho da chamada minirreforma eleitoral que pretende mudar as regras do financiamento das campanhas.

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14/11/2013

às 2:52 \ Sanatório Geral

Pecados veniais

“Imagina perder automaticamente o mandato por causa de uma condenação criminal por uma briga de condomínio ou briga de trânsito? O Poder Legislativa ficaria nas mãos do Judiciário”.

Mozart Vianna, secretário-geral da Câmara dos Deputados, sobre o projeto de lei que prevê a perda imediata do mandato em casos  de condenação judicial, explicando que os pecados mais graves praticados pela turma da Casa dos Horrores são reclamar do barulho das crianças do apartamento vizinho e queixar-se do motorista do carro que está logo à frente por ter freado sem avisar.

 

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