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Alemanha

20/07/2014

às 18:21 \ Opinião

‘Com muito orgulho’, por J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA

J. R. GUZZO

Nunca antes na história deste país tinha acontecido nada igual. Não só na história deste país: o que se viu no 8 de julho de 2014, um dia que viverá para sempre, jamais tinha ocorrido em 100 anos de existência da seleção nacional de futebol. Também não havia acontecido em toda a história da Copa do Mundo desde a sua criação, em 1930 – não num jogo de semifinal, disputa privativa de gigantes da bola. Pois aconteceu: a Alemanha enfiou 7 a 1 no Brasil, comprovando uma vez mais que tudo o que não é impossível pelas leis da natureza é, por definição, possível de acontecer um dia qualquer. Quem poderia imaginar um resultado desses? Seria mais fácil o velho camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha. Mas os camelos do futebol, como se vê no mundo das realidades, são bichos capazes de fazer as coisas mais incríveis. Fizeram de novo, no Estádio de Minas Gerais. Fim de linha para a seleção e para o “hexa”, por falência de múltiplos órgãos.

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18/07/2014

às 10:57 \ Opinião

‘Todos no mesmo bote de fibra óptica’, de Fernando Gabeira

Publicado no Estadão desta sexta-feira

FERNANDO GABEIRA

Na Copa das Confederações torcemos para o Taiti. Mesmo quando perdia de 10 a 0, ainda vibrávamos com as raras oportunidades de um gol de honra. O Taiti não é aqui. É um país do surfe de ondas gigantes, com suas águas azuis e a temível Praia de Teahupoo, conhecida como Quebra Crânio. Já o Brasil é, ou era, o país do futebol. Gastamos R$ 40 bilhões para sediar a Copa e fomos os únicos a perder de 7 a 1.

A presidente Dilma declarou no Paraná que o Exército usaria, para resgatar as vítimas do temporal, um bote de fibra óptica. No início fiquei em dúvida. Tinha visto na TV um programa sobre como o GPS orienta a agricultura americana, aumentando sua produtividade e traçando com rigor a trajetória ideal dos tratores. Será que haviam inventado um bote de fibra óptica para explorar as riquezas do mar, quem sabe até do pré-sal? Mas o bote de fibra óptica não existe nem será inventado. Ele é, para mim, o sinônimo de uma canoa furada em que todos navegamos no momento.

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16/07/2014

às 15:08 \ Opinião

‘Felipão, o professor de gestão de Dilma’, de José Nêumanne

Publicado no Estadão desta quarta-feira

JOSÉ NÊUMANNE

Dilma Rousseff disse, em 1.º de julho de 2013, que seu governo tinha o “padrão Felipão”, em resposta a uma pergunta sobre se seus ministros tinham “padrão Fifa”. Referia-se ao ex-técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari após reunião ministerial depois da vitória sobre a Espanha por 3 a 0 no Maracanã, onde ela seria vaiada várias vezes domingo, na final da Copa, antes e ao entregar a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm. A comparação havia sido feita na temporada de protestos nas ruas em que o povo exigiu “padrão Fifa” para a gestão pública federal, nada exemplar. Apesar de ter escolhido o treinador como modelo, ela não foi entregar a Copa das Confederações ao time que ele treinou. Um ano e 13 dias depois, tendo o mesmo time sofrido hecatombes inéditas nos jogos finais da “Copa das Copas”, ela o relegou ao ostracismo para se refugiar no verso de um samba de Paulo Vanzolini (“levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”) e na criatividade (“a derrota é a mãe de todas as vitórias”).

Dilma não atuou na seleção nem a treinou. Não é também dirigente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mas não resiste a recorrer ao dito esporte bretão para parecer simpática. Nascida em Minas, comemorou a conquista da Libertadores da América pelo Atlético Mineiro em 2013 em redes sociais. “Congratulo (sic) com toda a torcida do Atlético pela conquista do título. Eu sou torcedora do Atlético e, quando criança, ia com meu pai a muitos jogos do Galo no Mineirão”, postou. Não faltou quem nos mesmos veículos lembrasse que 1) como nasceu em 1947, tinha 18 anos e, portanto, não era criança quando o estádio foi inaugurado; e 2) que o pai morrera em 1962, três anos antes de sua inauguração.

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13/07/2014

às 18:02 \ Opinião

‘A estatização do futebol’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão deste sábado

Ficaria melhor na Dilma Bolada – a falsa página da presidente nas redes sociais – do que na CNN, onde apareceu na quinta-feira, o que provavelmente foi o mais tosco chutão da chefe do governo nestes três anos e meio no Planalto. Numa entrevista gravada no dia seguinte à catástrofe do Mineirão, ao defender uma “renovação” do futebol brasileiro, Dilma disse que “o Brasil não pode mais continuar exportando jogador”. E, para deixar claro que o “não pode” seria uma proibição pura e simples, ela emendou de bico: “Um país, com essa paixão pelo futebol, tem todo o direito de ter seus jogadores aqui e não tê-los exportados”.

Em um surto provocado por uma mistura tóxica de oportunismo – para que o pó da derrota em campo não se deposite sobre o projeto da reeleição – e conhecido vezo autoritário, Dilma falou como quem quer cassar o direito constitucional dos brasileiros de ir e vir, dentro ou para além das fronteiras nacionais, como se o Brasil fosse uma Cuba ou Coreia do Norte. Para justificar a enormidade, deu uma pisada na bola de envergonhar um perna de pau. “Exportar jogador”, caraminholou, “significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios.” Revelou involuntariamente, portanto, saber muito bem que boa parte ou o grosso dos US$ 4 bilhões despejados na construção e reforma das arenas da Copa serviu apenas para legar ao País uma manada de elefantes brancos.

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13/07/2014

às 14:12 \ Feira Livre

Não perca: em 19 segundos, a melhor narração humorística do pesadelo no Mineirão

12/07/2014

às 0:19 \ Feira Livre

Tabelinha VEJA/Placar: Augusto Nunes conversa com o jornalista Carlos Maranhão: “A Seleção se comportou como um sparring que entra no ringue para apanhar”

Veja-Placar-2-150x150“A Seleção se comportou como um sparring que entra no ringue para apanhar”, resumiu o jornalista Carlos Maranhão no sétimo programa da série Tabelinha VEJA/Placar, ao comentar o jogo em que o Brasil foi nocauteado pela Alemanha no Mineirão. Com a experiência de quem já cobriu nove Copas, o ex-diretor de redação de Placar e de VEJA São Paulo também tratou do confronto entre a Holanda e a Argentina, alternando análises dos principais momentos do Mundial de 2014 com informações históricas que ajudam a medir as dimensões da goleada desmoralizante.

Maranhão recordou que, quando o Brasil sofreu o primeiro gol aos quatro minutos da final da Copa de 1958, Didi colocou a bola embaixo do braço e, caminhando lentamente até o centro do campo, tranquilizou os companheiros com a mesma frase: “Calma, nós vamos encher de gols esses gringos”. A Seleção venceu a Suécia por 5 a 2. Além de tantas outras coisas, faltou um Didi em Belo Horizonte. “O primeiro gol da Alemanha causou uma espécie de apagão, deixou o time abobalhado”, constatou Maranhão. “Ficou claro que não havia um líder nem dentro nem fora do campo”.

Neste sábado e no domingo, o Tabelinha VEJA/Placar comentará os dois últimos jogos da Copa.

11/07/2014

às 6:38 \ Sanatório Geral

Programa de governo

“O Brasil não pode mais continuar exportando jogador. Exportar jogador significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios”.

Dilma Rousseff, em entrevista à rede de TV americana CNN, explicando que, se não perder o emprego na eleição de outubro, vai repatriar  todos os participantes do Massacre do Mineirão que jogam no exterior para juntá-los a Fred e Jô, que perdem gols por aqui.

10/07/2014

às 21:02 \ Sanatório Geral

Nota 7

“O trabalho não foi de todo ruim”.

Luiz Felipe Scolari, o Felipão, em entrevista coletiva depois da derrota por 7 a 1 no jogo com a Alemanha, ensinando que daqui a 700 anos, quando os brasileiros começarem a esquecer o Massacre do Mineirão, muita gente vai reconhecer que o técnico da Seleção na Copa de 2014 merecia uma nota 7.

09/07/2014

às 13:08 \ Feira Livre

Tabelinha Veja/Placar: Augusto Nunes conversa com o colunista Ricardo Setti sobre o inverossímil Massacre do Mineirão

Veja-Placar-2-150x150Não foi apenas a maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira, O Massacre do Mineirão foi também a mais humilhante derrota amargada por um anfitrião da Copa do Mundo. Pela primeira vez na história do Mundial da Fifa, um time sofreu 5 gols em apenas 29 minutos. Essas e outras constatações explicam por que 8 de Julho de 2014 será lembrado para sempre como o Dia da Vergonha, confirma o sexto programa da série Tabelinha Veja/Placar, que teve como convidado especial o  jornalista Ricardo Setti.

Colunista do site de VEJA, Setti coordenou na linha de frente a cobertura da Copa de 1982, quando a Seleção foi eliminada pela Itália. “Até os primeiros 10 minutos o Brasil estava jogando bem, mas depois de levar o primeiro gol desmoronou de maneira espantosa”, observou Setti. “Fico pasmo com a teimosia do técnico que não mexeu no time nem quando o placar estava 3 a 0 para a Alemanha ainda na primeira metade do primeiro tempo”.

Nesta quarta-feira, o convidado do Tabelinha Veja/Placar é o jornalista Carlos Maranhão, que comentará o jogo entre a Holanda e a Argentina com a experiência de quem já cobriu nove Copas do Mundo.

09/07/2014

às 13:00 \ Direto ao Ponto

A goleada vergonhosa confirmou que, sem Neymar, o time de Felipão não é muito melhor que a seleção das Ilhas Malvinas

Ninguém previu uma goleada tão vergonhosa, mas a derrota nada tem de surpreendente. “A Seleção é uma caricatura do time que venceu a Copa das Confederações”, constatou o título do texto aqui publicado em 27 de junho. O otimismo decorrente do primeiro tempo contra a Colômbia desfez-se a quatro minutos do fim do jogo, quando uma agressão pelas costas expulsou da Copa o único cracaço em campo. Depois do traumático confronto com a Alemanha, depois desse obsceno 7 a 1, a nação que ganhou cinco vezes a Copa do Mundo perdeu o direito de apresentar-se ao mundo como o País do Futebol. Não pode usar tal codinome um Brasil incapaz de meter medo numa seleção das Ilhas Malvinas.

Confira o post. Volto em seguida.

Nos quatro jogos da Copa do Mundo, a Seleção foi uma caricatura do time que venceu, merecidamente, a Copa das Confederações. Os nomes do técnico e dos titulares não mudaram. Mas a indigente vitória contra o Chile, outro evento de alto risco para torcedores cardiopatas, reforçou a suspeita de que, passados 12 meses, quase todos se transformaram em sósias de si mesmos. As exceções são Neymar, Thiago Silva e Luis Gustavo. A performance na decisão por pênaltis pode devolver a Júlio César a antiga autoconfiança e acabar por incluí-lo nessa reduzida tropa de elite.

Há um ano, Felipão comandou uma equipe suficientemente ágil, entrosada e corajosa para meter medo em qualquer adversário. Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luís e Marcelo sabiam sair jogando, fechar espaços, desarmar e, eventualmente, aparecer na grande área adversária. Luis Gustavo, Paulinho e Oscar protegiam a retaguarda, dominavam o meio de campo e abasteciam com passes em profundidade um ataque que, além de finalizar com frequência e eficácia, também marcava a saída de bola. Hulk se multiplicava nos dois lados do gramado, Fred fazia gols. E Neymar reiterava a cada partida que logo seria o melhor do mundo.

Um ano depois, o padrão de jogo sumiu e não há vestígios de combinações táticas. O repertório da família Scolari é diminuto e bisonho. O goleiro coleciona chutões para a frente, os zagueiros insistem em ligações diretas, os encarregados da armação se escondem ou trocam passes miúdos, o centroavante marca quem deveria marcá-lo, as jogadas de ataque se limitam a cruzamentos sobre a área ou investidas individuais natimortas.

Cumpre a Neymar compensar tantas deficiências com momentos luminosos, lances mágicos e gols de placa. Foi o que fez  durante a fase eliminatória. Neste sábado não deu. Além de estreitamente vigiado por dois ou três chilenos, o dono da camisa 10 passou 120 minutos sozinho (enquanto Fred se arrastou em campo) ou mal acompanhado pelo inverossímil Jô. Também lhe coube a cobrança do último pênalti. Haja dependência.

Neymar é genial. Mas tem apenas 22 anos. Não merece conquistar a Copa um bando de marmanjos, quase todos com larga milhagem internacional, que transfere para um garoto a missão de carregar o Brasil nas costas.

Que Maracanazo, que nada. O Massacre do Mineirão foi infinitamente mais humilhante que a derrota na final da Copa de 1950. Há 64 anos, o Uruguai lutou bravamente para vencer por 2 a 1. Nesta quarta-feira, a Alemanha passeou em campo e só não chegou aos dois dígitos por misericórdia. Na história do futebol brasileiro, 8 de Julho de 2014 será lembrado para sempre como o Dia da Vergonha.

É esse time, com esse técnico, que vai disputar o terceiro lugar com a Argentina ou a Holanda. O calvário ainda não chegou ao fim. Oremos.

 

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