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Alemanha

24/03/2013

às 14:14 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: O ovo da serpente germinou

REYNALDO ROCHA

“É como o ovo de uma serpente. Através das finas membranas, você pode claramente discernir o réptil já perfeito” (Dr. Vergerus, personagem de O Ovo da Serpente, de Ingmar Bergman)

A semente do radicalismo, da corrupção e violência já está plantada. Regada e cuidadosamente cultivada.

Na Alemanha pós-Weimar, numa cadeia de nome Landsberg, um líder chamado Adolf Hitler tramava a conquista do poder pela via eleitoral. Conseguiu em 1933, depois de escrever Mein Kampf!.

Foi nomeado primeiro-ministro depois que o nacional-socialismo venceu a eleição prometendo uma “Alemanha para os alemães” e uma era de prosperidade para todos que aderissem ao pensamento único.

A política nazista era simples na concepção. Escolhia-se um inimigo a ser destruído. Comunistas, judeus, cristãos (afinal o cristianismo foi considerado pro Hitler um “atraso social”). A partir de então, todos eram  classificados de acordo com tal critério.

Não havia censura à imprensa. Não havia imprensa.

Políticos tinham duas opções: ou aderiam às novas ordens políticas ou desapareciam.

No plano externo, o nazismo não queria ser exemplo. Precisava ser prova inconteste de acerto. Para tanto, até a força (econômica – mesmo de um país em ruínas – ou de canhões) era justificável.

A democracia (representada pelo “império americano”) era o Asmodeu dos poderosos. A doutrina que destruía valores. Que ousava apontar divergências, falsidades e erros. Um inimigo.

A ideologia não tinha ideólogos. Tinha ícones.

A pouca consistência das teses políticas era desprezada. Defendiam um “homem do povo”! Um pintor medíocre que, infeliz e doente, se imaginava menor que qualquer outro. Alemão ou não.

A idolatria em estado bruto! Uma juventude (?) que seguia o líder como ratos encantados por um flautista de Hamelin. Os devotos agrediam quem ousava contrariar a adoração do líder maior. Financiados, alimentados e comprados pelo nazismo, marchavam unidos para consumar o assassinato de adversários julgados pelo critério do ódio.

Aliado ao que havia de pior no mundo, incluindo ditadores histriônicos e risíveis (como Mussolini), o nazismo era a ameaça que de tão ridícula e insana, não se julgava ameaça real.

Essa miopia histórica custou milhões de vidas.

Não seria o caso de, mantidas as proporções e também as motivações, constatarmos que o ovo já foi chocado?

Já não é preciso procurar o réptil em meio a membranas.

A serpente está entre nós. Talvez espalhando ovos ao longo nossos caminhos.

Mas uma já há.

31/12/2012

às 21:00 \ Sanatório Geral

Conselheiro do Mundo

PUBLICADO EM 28 DE AGOSTO

“Vamos ser sinceros: se a Alemanha tivesse resolvido o problema da Grécia anos atrás, a situação não teria piorado deste jeito. Eu já vi pessoas morrerem de gangrena por não cuidarem de uma unha problemática”.

Lula, em entrevista ao jornal americano The New York Times, interrompendo as atividades de consultor-geral do PT para a escolha de candidatos a prefeito, vereador e síndico para reassumir por algumas horas  o cargo de Conselheiro do Mundo.

17/03/2012

às 9:30 \ Feira Livre

‘O Brasil ficou mal na foto’, editorial publicado no Estadão

EDITORIAL PUBLICADO NO ESTADÃO NESTA SEXTA-FEIRA

O governo brasileiro exibe um estranho troféu quando compara o pífio desempenho econômico do país em 2011 com o do resto do mundo e ainda tenta contar vantagem. No ano passado, o crescimento da economia brasileira foi menor que o do Grupo dos 20 (G-20), sua inflação foi maior e seu investimento continuou muito abaixo do necessário para uma expansão segura e continuada. No entanto, a presidente Dilma Rousseff aproveitou uma viagem à Alemanha para reclamar da política do Banco Central Europeu e recomendar mais investimentos públicos ─ como se o seu governo estivesse aplicando montanhas de recursos em estradas, portos, centrais elétricas e outras obras.

As bravatas da presidente e de seus principais ministros ficam ainda mais ostensivas ─ e indefensáveis ─ quando se examinam os dados sobre o desempenho do G-20 divulgados nesta semana pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No ano passado, as economias do G-20, as maiores do mundo, cresceram em média 2,8%, pouco mais que a brasileira (2,7%). Aquela média foi obviamente elevada pelo excelente desempenho da China (9,2%) e da Índia (7,3%), mas isso explica só em parte o resultado geral melhor que o do Brasil. Pelo menos uma economia da zona do euro cresceu mais que a brasileira. Foi a alemã, com expansão de 3%. Também exibiram crescimento maior que o do Brasil a Indonésia (6,5%), a Coreia (3,6%), o México (3,9%), a Arábia Saudita (6,8%) e a África do Sul (3,1%). O resultado final da Turquia, também membro do grupo, ainda não foi publicado, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 8,5% maior que o de igual período do ano anterior.

A OCDE publicou também outros indicadores de desempenho dos países-membros do G-20. A inflação média em 2011 chegou a 6,6% no Brasil. Só três países tiveram desempenho pior nesse quesito: Argentina, com taxa oficial de 9,5% e taxa real provavelmente acima de 20%, Índia (8,9%) e Rússia (8,4%). Em todos os demais, incluídos alguns com crescimento acelerado, os preços aumentaram menos intensamente ─ 5,4% na China e na Indonésia, por exemplo. Na Alemanha, a alta de preços ficou em 2,3%, taxa muito maior que a de 2010, mas sem risco de descontrole.

O levantamento da OCDE inclui também a expansão dos investimentos produtivos, isto é, da formação bruta de capital fixo. Isso engloba os valores aplicados em máquinas, equipamentos, construções de fábricas, de moradias e de outros edifícios e, naturalmente, em obras de infraestrutura. O desempenho do Brasil foi ruim também sob esse aspecto. No ano passado, o total investido pelo setor público e pelo setor privado brasileiros foi 4,7% maior que em 2010. O governo apresentou esse resultado como altamente positivo, embora o investimento ainda tenha correspondido a 19,3% do PIB, proporção muito inferior à observada em outras economias.

O contraste é indisfarçável. No ano passado, o investimento aumentou 7,2% na Austrália, 6,9% no Canadá, 6,4% na Alemanha (a presidente Dilma Rousseff não devia saber disso), 8,8% na Indonésia e 5,7% na Holanda, mas esses números mostram apenas uma parte do quadro. Se a comparação envolvesse também as taxas de investimento, isto é, a porcentagem do PIB correspondente à formação de capital fixo, a desvantagem brasileira seria bem mais ostensiva.

O baixo nível de investimento limita fortemente as possibilidades brasileiras de expansão econômica. O investimento do setor público depende principalmente da Petrobrás. O desempenho das outras estatais é, no melhor dos casos, medíocre. Os programas e projetos inscritos no Orçamento-Geral da União e financiados diretamente pelo Tesouro são executados muito lentamente. Apesar disso, a tributação brasileira é muito mais pesada que a dos outros emergentes e de boa parte dos países desenvolvidos. Essa é uma das limitações ao investimento privado. Mas é muito mais simples, para as autoridades federais, protestar contra a expansão monetária na Europa e nos Estados Unidos e atribuir aos outros os males do Brasil. Governar seriamente dá um trabalho terrível.

14/03/2012

às 14:20 \ Sanatório Geral

Neurônio em perigo

“Vocês querem um quebra-queixo ou um quebra-pé? A última vez em que eu fui fazer um quebra-queixo, quase levei um quebra-pé”.

Dilma Rousseff, sobre a barra de ferro que caiu sobre seu pé durante uma ligeiríssima entrevista coletiva na Alemanha, torcendo para que os jornalistas não a desafiassem para um quebra-cabeça.

08/03/2012

às 23:02 \ História em Imagens

Celso Arnaldo e o Bacalhau à Dilma

PUBLICADO EM 8 DE MARÇO DE 2012

A caminho da Alemanha, o Aerodilma fez uma “parada técnica” no Porto, para que a presidente comesse um supostamente famoso bacalhau gratinado  no restaurante Terra. Deu azar: foi capturada por Celso Arnaldo. “Faço jornalismo gastronômico e não conhecia essa fama que justificaria a escala de um gigantesco Airbus”, intrigou-se o implacável caçador de cretinices na abertura do recado que continua abaixo. (AN)

Após o repasto de toda a comitiva presidencial, o chef chileno da casa tratou de rebatizar o prato para Bacalhau à Dilma. A receita, como se ouve no vídeo anexo, leva grelos. O grelo tenro dá um gostinho todo especial no Bacalhau da Dilma. Ensinam os portugueses: “O grelo é comestível enquanto está tenro. Quando a flor desabrocha o grelo endurece e já não é possível o seu consumo, pois não amolece por muito que se coza”.

Piadas prontas à parte, o Bacalhau à Dilma, pelo menos a porção que ela comeu, é desde já um dos pratos mais caros da história da gastronomia. Pago por nós, é claro.

No vídeo, nossos irmãos lusos também descrevem a complexa operação exigida para a degustação do Bacalhau da Dilma. Segundo a Folha, Dilma custa R$ 42. Não estão incluídas despesas com escalas aéreas.

19/09/2011

às 21:25 \ Frases

Apoio moral

“Acho que o melhor favor que podemos fazer à Grécia é encorajá-la a cumprir os compromissos que assumiu”.

Angela Merkel, chanceler alemã.

23/07/2011

às 10:28 \ Sanatório Geral

Doutor em tudo

“Há uma fragilidade de lideranças no mundo, hoje, para tomar decisões. A crise está acontecendo na Europa, a crise está acontecendo nos Estados Unidos, e, no fundo, é falta de coragem de tomar as decisões políticas que precisam ser tomadas. Você vê a Grécia quebrando, a Espanha quebrando, Portugal quebrando, por que? Porque a Alemanha, que tem o poder de fazer política monetária na zona do euro não faz. Fica apenas preocupada com a própria Alemanha”.

Lula, doutor em tudo e consultor-geral do planeta, repassando à Europa e aos Estados Unidos os conselhos que esqueceu de dar aos companheiros do Mercosul, em adiantado estado de decomposição desde 2003.

26/07/2010

às 14:17 \ Direto ao Ponto

A reedição do espetáculo da desonra

Olhar de moleque pilhado com a mão enfiada na gaveta onde a avó guarda o dinheiro, um fiapo de voz combinando com o biotipo de jóquei, o piloto Felipe Massa admitiu que entregara a Fernando Alonso a vitória na corrida disputada neste domingo na Alemanha. Mas negou que a rendição sem luta ocorrera por ordem da Ferrari, interessada em ampliar a pontuação do parceiro espanhol no campeonato da F-1. É suficientemente corajoso para capitular por vontade própria.

“Tomei a decisão porque era o melhor para o time”, balbuciou. Decidiu coisa nenhuma, sabem os espectadores que testemunharam pela TV o espetáculo do cinismo e da desonra. “Essa situação é ridícula”, começou Alonso ao constatar que o brasileiro teimava em ser mais veloz. Ainda mais ridículo, além de obsceno, foi o ato seguinte. Com voz pausada, um engenheiro da Ferrari diz a Massa que o espanhol é mais rápido. Em seguida, pergunta se entendeu o recado. Entendeu, informa o pé que se afasta do acelerador.

Gostem ou não de corridas de F-1, entendam ou não as regras do que já foi um esporte, todos os brasileiros decentes têm o dever de sentir-se agredidos pela reedição do show de cafajestagem protagonizado por pilotos do País do Carnaval. Rubinho Barrichello fez isso em 2002, Nelsinho Piquet fez isso em 2008. Ontem, outro brasileiro mostrou ignorar que a alma de um campeão não está à venda.

Massa vendeu a sua por um punhado de dólares. Ainda que sejam milhões, será sempre um punhado. O terceiro em tão pouco tempo. Não pode ser coincidência. O interesse pela F-1 começou a agonizar por falta de talentos. Vai acabar de vez por falta de vergonha

03/07/2010

às 17:33 \ Sanatório Geral

Alívio mundial

“A goleada foi uma pancada de Muhammad Ali. Não tenho forças para nada”.

Diego Maradona, depois da derrota que poupou o mundo do strip tease no centro de Buenos Aires prometido pelo técnico da seleção argentina.

05/12/2009

às 15:05 \ Sanatório Geral

Tremenda viagem

“Eu sou um país que assinou na Constituição a não-proliferação de armas nucleares”.

Lula, na Alemanha, fingindo ter esquecido que o deputado Luiz Inácio da Silva e o resto do PT se recusaram a assinar a Constituição de 1988, ao comunicar ao mundo que ele é o país — e portanto Deus, que é brasileiro, nasceu em Lula.

 

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