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acordo

21/10/2011

às 9:12 \ Sanatório Geral

Pronta entrega

“O PCdoB não vai piscar primeiro, não fazemos acordo assim. Vou falar para a presidente: o ministro é seu.”

Renato Rabelo, presidente do PCdoB, informando que, para não piscar antes da hora diante de Dilma Rousseff, o partido resolveu transferir para a presidente a guarda do jovem problemático Orlando Silva.

27/05/2011

às 19:00 \ Sanatório Geral

Sinal amarelo

“Não tem acordo comigo. Não estou sabendo de nada. Na minha época vão engessar? Não vou ter um instrumento de governo?”

Dilma Rousseff, em almoço com a bancada do PT no Senado, desautorizando o acordo firmado entre o líder do governo, Romero Jucá, e o líder do PSDB, Aécio Neves, concebido para reduzir a enxurrada de Medidas Provisórias, mostrando ao ex-governador de Minas que a fórmula da “oposição cordial” vai acabar por transformá-lo, daqui a oito anos, em mais um ex-senador.

14/06/2010

às 13:10 \ Sanatório Geral

Otário presunçoso

“O que incomodou os Estados Unidos é que nós e os turcos nos metemos em uma questão que eles achavam que era exclusiva deles. Se essa proposta de acordo tivesse sido feita por eles e fosse aceita pelo Irã, estavam negociando agora”.

Marco Aurélio Garcia, Homem sem Visão de Fevereiro, informando que Barack Obama quer ser Lula quando crescer.

11/06/2010

às 7:27 \ Sanatório Geral

Redator perigoso

“Obtivemos tudo. Se estiver faltando algo, foi uma vírgula, um acento circunflexo”.

Celso Amorim, chanceler de bolso, repetindo que o acordo firmado entre o Brasil, o Irã e a Turquia incluiu todas as reivindicações feitas por carta pelo presidente Barack Obama e confirmando que Lula foi proibido de mexer no texto.

31/05/2010

às 17:47 \ Direto ao Ponto

O presidente que não lê nada agora virou professor de tudo

Com uma frase na última edição de VEJA, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo decretou o fim do palavrório sobre os motivos do naufrágio do acordo esboçado em Teerã pelo Brasil e pela Turquia: “Ao concordar em ter o urânio enriquecido em outro país, e em seguida acrescentar que nem por isso deixaria de fazê-lo ele próprio, o Irã entrou nos anais com um caso raro, talvez inédito, de comprometimento simultâneo com uma coisa e o seu contrário”. Perfeito. Antes mesmo da divulgação do rascunho do que fora combinado, os aitolás atômicos trataram de implodi-lo com mais uma insolência.

Para quem vê as coisas como as coisas são, o Irã escalou o Brasil para o papel de otário em outra farsa forjada para que a produção da bomba nuclear siga seu curso. Para Lula, onde se enxerga um fiasco de bom tamanho deve-se contemplar um irretocável sucesso diplomático. O final feliz, tem reiterado de meia em meia hora, só não pôde ser celebrado ainda por culpa dos americanos. Sempre eles.

“A divergência do Irã com os Estados Unidos perdura 31 anos”, voltou a dedilhar a lira do delírio, nesta segunda-feira, o candidato a governador-geral do planeta. “Qual foi o mal que o Brasil e a Turquia fizeram? Foi convencer o presidente do Irã a sentar numa mesa para negociar, que era o que eles queriam que acontecesse. Aí quando o Irã topa sentar, eles falam: não vale mais”. Quer dizer: o companheiro Mahmoud Ahmadinejad é um soldado da paz que enfrenta com estoicismo de estadista a incurável belicosidade ianque.

A missão em Teerã foi a segunda proeza do ano, lembrou Lula na semana passada: em março, consumou-se a missão no Oriente Médio. “A imprensa dizia: o Lula, que veio lá de Garanhuns? O cara não fala nem inglês e quer falar com árabe? Com persa? Não vai dar certo. E nós estávamos convencidos de que era possível”. O verbo conjugado no passado informa que o que parecia impossível aconteceu. Judeus e palestinos já aprenderam o que devem fazer para se tornarem amigos de infância. No caso do Irã, só falta Barack Obama deixar de ser brigão.

“Ninguém conseguia fazer o Irã sentar na mesa para negociar”, tornou a gabar-se o maior governante desde a chegada das caravelas. “E nós conseguimos, porque essas decisões às vezes são tomadas em função de uma relação de confiança”. Se acredita mesmo que pacificou o Oriente Médio, fez o Irã renunciar à fabricação da bomba e solucionou em dois meses duas crises aparentemente insolúveis, Lula é portador de uma perigosa mistura de megalomania e mitomania. Se sabe que fracassou, e está só contando mais mentiras, passou a acreditar que é o único esperto entre os homens que governam um viveiro de bilhões de idiotas.

Nas duas hipóteses, Lula seria, mais que um case político, um caso clínico. Em qualquer nação ajuizada, estaria ameaçado de trocar a faixa presidencial por uma camisa-de-força. Mas países com juízo não se arriscam a transformar em chefe de governo alguém que, sem ter estudado nada, vira professor de tudo. Não entregam a presidência a quem resolve sair pelo mundo dando aulas a povos sobre os quais não leu um único livro, um só parágrafo, sequer uma linha.

Gente civilizada sabe que é dramaticamente imprecisa a fronteira que separa um gabola incontrolável de um napoleão-de-hospício.

17/05/2010

às 19:00 \ Sanatório Geral

Babel brasileira

“Há pequenas diferenças de linguagem. A fórmula está razoavelmente pronta”.

Celso Amorim, chanceler de bolso, preparando-se para dizer daqui a poucas semanas, quando o mundo souber que o programa nuclear do Irã nunca foi interrompido, que Lula e ele bancaram dois otários porque não sabem falar farsi.

16/05/2010

às 18:15 \ Sanatório Geral

Deixa comigo

“Vou tentar usar tudo o que aprendi na política para convencer o meu amigo Mahmoud Ahmadinejad que aceite o acordo. Vou com a convicção de que vamos encontrar um acordo”.

Lula, achando que o governo dos aiatolás é um PMDB que fala uma língua um pouco mais complicada.

10/11/2009

às 15:46 \ Baú de Presidentes

Tancredo encerra a aula com a lição n° 6: “A conciliação só pode ser feita em torno de princípios”

Tancredo Neves, presidente eleito, discursando após a vitória no Colégio Eleitoral, no Congresso Nacional. 14/01/1985

Estou na mesa do restaurante com Tancredo Neves em busca de mais informações para a edição especial de VEJA que vai circular logo depois de 15 de janeiro de 1985, quando o Colégio Eleitoral escolherá o primeiro presidente civil depois de 20 anos de regime militar. O diretor José Roberto Guzzo e o diretor-adjunto Elio Gaspari monitoram o tempo todo o trabalho do trio de repórteres, completado por Guilherme Alves e Etevaldo Dias, chefe da sucursal de Brasília.

Naquela noite de novembro, o copioso material já reunido é suficiente para sustentar a chamada de capa: A História Secreta da Sucessão. Havia muito mais a descobrir, mostrariam as semanas seguintes. A conversa em Belo Horizonte confirma que, para Tancredo, ainda há pedras a remover no caminho que desemboca na rampa do Palácio do Planalto. Mas parece desimpedido ao menos o trecho a percorrer até o Colégio Eleitoral. O candidato da oposição está convencido de que vai vencer Paulo Maluf na última eleição presidencial sem povo.

─ Maluf deixou de ser uma opção razoável, eles não tem escolha ─ diz, abrangendo com a terceira pessoa do plural simpatizantes recentes, indecisos e adversários sem ânimo para engolir a alternativa.

(Talvez já estivesse pensando no discurso da vitória, ficarei desconfiado em 15 de janeiro, ao ouvir outra citação de bom gosto do presidente eleito: “Com o êxtase e o terror de haver sido o escolhido, como diria Verlaine, entrego-me, hoje, ao serviço da Nação”. Por decisão de  480 dos 686 integrantes do colégio reunido no Congresso, contra 180 que optaram por Maluf, o 29° chefe de governo do Brasil republicano seria aquele mineiro de 75 anos, baixo, calvo e de nariz arrebitado, a barriga um tanto pronunciada camuflada por ternos bem cortados e olhos escuros e vivos que se apertavam no sorriso frequente).

─ Morro de medo quando meu nome fica em evidência ─ começa Tancredo a repetir uma das frases prediletas. ─ Nunca me convidam para um banquete. Só se lembram de mim na hora da tempestade.

Esse é capaz de conseguir algum tipo de acerto até num Maracanã em dia de Fla-Flu, penso.

─ Mas não aceito o entendimento a qualquer preço ─ ele replica ao que eu não disse. ─ A conciliação só pode ser feita em torno de princípios. É também por isso que acho mais complicado conseguir um acordo entre contrários do que uma vitória eleitoral.

O domador de tempestades teve um desempenho luminoso já na crise de estreia, provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. Recolhido ao casarão em São João del Rey, onde nasceu, convalescia desde outubro do ano anterior da derrota para Magalhães Pinto na disputa pelo governo de Minas Gerais. E examinava a idéia de encerrar a carreira política quando o destino o remeteu ao olho do furacão.

Decolou para Brasília a pedido do general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar do governo que, formalmente presidido pelo deputado Ranieri Mazzili, estava sob a tutela dos ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. A trinca, contou-lhe Geisel, não admitia a entrega do cargo abruptamente desocupado ao vice João Goulart, em viagem oficial à China. Como o governador Leonel Brizola, entrincheirado no Palácio Piratini e apoiado pelas tropas aquarteladas no Rio Grande do Sul, exigia a posse de Jango, as dimensões e a tonalidade das nuvens anunciavam um temporal de bom tamanho.

É coisa para o doutor Tancredo, concordaram os comandantes militares. Era mesmo. Poucos dias e muita conversa depois, o conciliador vocacional fechou o acordo que afastou o fantasma da guerra civil. O vice tornou-se presidente, mas com poderes reduzidos pela adoção do regime parlamentarista. A escolha do nome do primeiro-ministro foi feita sem disputas, debates ou dúvidas. Só podia ser Tancredo Neves.

Mais de vinte anos depois, de novo só podia ser Tancredo Neves o candidato da mais multifacetada aliança política da história republicana. Nenhum outro juntaria na mesma campanha todos os  “autênticos” e todos os “moderados” remanescentes do PMDB. Nenhum uniria num só bloco todos os partidos de oposição, com a exceção previsível do PT, que optou pela abstenção. Nenhum atrairia tantos governistas dissidentes. E nenhum escaparia ao veto ostensivo de oficiais inconformados. Se não existisse um doutor Tancredo, o Brasil teria de esperar sabe-se lá quanto tempo ainda pela ressurreição da democracia.

Ele está em boa forma, equivoco-me ao ouvi-lo pedir um licor depois da sobremesa. É provável que já estivesse suportando as dores que esconderia até 14 de março, quando o país pronto para festejar a posse do eleito foi abalado pela notícia da primeira cirurgia. Escondeu-as por achar que o presidente Figueiredo não aceitaria passar a faixa presidencial nem a José Sarney, vice-presidente eleito, nem a Ulysses Guimarães, presidente da Câmara.

─ Vejo o senhor em Brasília ─ despeço-me na calçada em Belo Horizonte.

É um sorriso cansado, noto enquanto me deseja boa viagem.

─ Vejo o senhor no palácio ─ ouço-me dizendo em 15 de janeiro, achando mais cansado o sorriso do presidente eleito.

Não voltei a vê-lo vivo.

16/09/2009

às 14:10 \ Sanatório Geral

Serviçal disciplinado

“O texto do acordo deveria ter deixado claro que as bases americanas na Colômbia não serão usadas para ataques a outros países da região”.

Celso Amorim, Homem sem Visão de Maio, estafeta  de Hugo Chávez e chanceler mirim do Brasil, enquanto passava a ferro o terno do colega venezuelano num intervalo da reunião da Unasul.


 

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