Blogs e Colunistas

1 minuto com Augusto Nunes

13/04/2013

às 9:32 \ Direto ao Ponto

O sertanejo sitiado pela seca é antes de tudo um frágil dependente das vigarices forjadas por espertalhões federais

Charge: Boopo

A seca no Nordeste é a maior dos últimos 50 anos e não tem prazo para terminar. Além da chuva e do caminhão-pipa, incontáveis brasileiros esperam sentados pelas águas do São Francisco que Lula prometeu para 2006, 2008 e 2010 mas continuam onde sempre estiveram. “Esta é uma das maiores obras já feitas no mundo que beneficiará 12 milhões de pessoas, o que significa vida e que nossos filhos não serão vítimas de doenças”, desandou Dilma Rousseff há quatro anos, numa das escalas da expedição de ministros liderada pelo chefe supremo (veja o post no Vale Reprise). Ainda no comando da Casa Civil, o neurônio solitário naufragou de vez no fecho do falatório: “O setor está virando mar e desta vez o sertão vai virar mar”.

Conversa de 171. As carcaças de animais, a terra esturricada e os rostos mumificados antes da morte física atestam que o sertão só virou mar em palavrórios eleitoreiros. Incumbida de concluir o que o padrinho mal começou, a Mãe do PAC deixou na orfandade o colosso forjado para transformar um palanque ambulante em D. Pedro III (ou simplesmente “Predo”). Os canteiros de obras desertos confirmam que a transposição do São Francisco descansa no porão onde o trem-bala apita desde 2009. A presidente preferiu tapear o povo com vigarices menos complicadas. Por exemplo, mudar o nome do problema, aumentar a gastança com a  “bolsa-estiagem” e nadar de braçada no oceano de flagelados que pagam com votos as esmolas federais.

“O sertanejo é antes de tudo um forte”, escreveu Euclides da Cunha no começo do século 20. Passados 100 anos, o sertanejo castigado pela seca é antes de tudo um dependente de favores engendrados por espertalhões no poder. Conformado com o ofício de bolsista, parece satisfeito com a vida não vivida: não morrer de fome e de sede já está de bom tamanho. O voto dos desvalidos ficou bem mais barato que o apoio dos ricos, porque o governo que jura só pensar nos pobres anda cada vez mais ágil e mais pródigo na hora de estender a mão a bilionários em apuros.

Nesta semana, por exemplo, durante a troca de ideias sem pé nem cabeça com o roqueiro Bono Vox, Lula repetiu que tirou 35 milhões de brasileiros da miséria. Também informou que, com o dinheiro desperdiçado em guerras pelo imperialismo ianque, acabaria com a pobreza no mundo. Talvez conseguisse que todos os habitantes do planeta usassem de fraque, cartola e polainas se aplicasse nesse projeto as fortunas embolsadas pelos corruptos que protege e a dinheirama torrada no pronto-socorro financeiro montado para impedir que Eike Batista continue despencando no ranking da Forbes.

Em Londres, o camelô de empreiteiro reafirmou que tem algo a dizer sobre tudo, com exceção do escândalo protagonizado em parceria com Rosemary Noronha e das denúncias que o envolvem na roubalheira do mensalão. Em Brasília, entre um e outro passeio pelo exterior, Dilma faz de conta que administra uma Noruega com sol, praia, carnaval e Copa do Mundo. A inflação engordou mais um pouco? O PIB continua emagrecendo? A produção industrial caiu de novo? Nada que uma boa conversa com Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo não resolva. Os apagões se sucedem? Que se acrescente alguns centavos de desconto na tarifa de energia.

A Petrobras foi reduzida a uma usina de números perturbadores e falcatruas de dimensões amazônicas? Que se encomende ao marqueteiro João Santana um anúncio de página inteira festejando a fantasia do pré-sal. As escolas públicas ensinam que falar errado está certo? As melhores redações do Enem torturam a gramática e espancam a ortografia? O ministro Aloizio Mercadante saberá apressar o parto da cota para analfabetos. O sistema de saúde está em frangalhos? A supergerente de araque logo comunicará à nação que todos os brasileiros, doentes ou não, poderão internar-se dois dias por ano na UTI do Sírio-Libanês.

Quem finge que entende uma presidente que não diz coisa com coisa engole sem engasgos qualquer embuste. O brasileiro deste começo de século, pelo menos o que mora em institutos de pesquisa, é antes de tudo um crédulo. Acredita no que não existe, como as 6 mil creches da campanha de 2010,  e acha admirável o que ninguém vê, como as 6 mil casas prometidas em janeiro de 2011 aos sobreviventes dos temporais na Região Serrana do Rio. Ultimamente, deu de entusiasmar-se com legados imaginários.

O que sobrou do legado do Pan-2007 vai sendo demolido. O Engenhão foi fechado antes que sucumbisse a uma ventania. O Maracanã terá de ser reformado assim que for encerrada a reforma em andamento. Os estádios planejados para a Copa de 2014 não estão prontos, os novos aeroportos nem saíram do papel e os antigos estão a poucas milhas do colapso. Em compensação, a ferradura do Itaipava Fonte Nova, na opinião de Dilma, é uma ousadia arquitetônica que reduz a trabalho de estagiário a mais audaciosa criação de Oscar Niemeyer. E tudo vai dar certo, repetem a presidente e o presidente-adjunto. O Brasil Maravilha demora, atrasa, complica e rouba, mas faz.

Neste outono, anda fazendo coisas de que até Deus duvida. Por decisão do Planalto, acabam de ser promovidos a segredos de Estado os empréstimos concedidos pelo BNDES aos companheiros no poder em Cuba e Angola. Só em 2027 serão conhecidas as tenebrosas transações monitoradas pelo inevitável Fernando Pimentel. Sobram bandidagens a investigar e problemas de grosso calibre a resolver. Faltam interessados em enfrentá-los. O governo mente. A oposição continua de férias. E aos olhos da plateia, como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA,  nada parece mais importante que o Fla-Flu de terceira  divisão disputado pelas torcidas dos deputados Jean Wyllys e Pastor Feliciano.

O espaço reservado ao assunto é tanto que notícias relevantes acabam escondidas em alguns centímetros de jornal ou comprimidas em menos de meio minuto na TV. Talvez por isso, o País do Carnaval ainda não descobriu que o governo só gasta: todas as despesas são bancadas pelos pagadores de impostos. E pouca gente soube que vai terminando agora a estação das chuvas que não vieram. Nem virão tão cedo: começam em abril os meses de estiagem no sertão nordestino. A maior das secas desde 1963 está longe do fim. 

14/03/2013

às 18:11 \ Direto ao Ponto

O motorista de ônibus que pilota a Venezuela garante: foi Chávez quem teve a ideia de nomear um Papa argentino

O motorista de ônibus que Hugo Chávez escolheu para pilotar a Venezuela só tem juízo no sobrenome, avisa o palavrório de Nicolás Maduro sobre o novo chefe da Igreja Católica. “Nós sabemos que nosso comandante ascendeu até as alturas, está frente a frente com Cristo”, decolou nesta quarta-feira o filhote de bufão bolivariano. “Cristo lhe disse: chegou a hora da América do Sul.” Está explicado por que um cardeal argentino virou Papa Francisco.

Até hoje, sem concorrentes visíveis, Lula fez e desfez no papel de Conselheiro do Pai. De agora em diante, terá de duelar com o Tutor do Filho ─ e não é pouca coisa o que anda planejando a reencarnação degenerada de Simón Bolívar. Por enquanto, estirado numa urna de cristal exposta à visitação pública em Caracas, o stalin cucaracha consome a maior parte do expediente nas atividades de babá de Maduro. Terminada a campanha, vai concentrar-se em tempo integral na primeira missão no Além.

Primeira e extraordinariamente grandiosa: “Chávez convocará uma Constituinte no céu para mudar a Igreja no mundo e para que seja o povo, o puro povo de Cristo, que governe o mundo”, resumiu Maduro com cara de coroinha que não divide com ninguém o vinho que rouba do padre antes e depois da missa. Encerradas as considerações sobre questões divinas, Maduro retomou a discurseira que promete o fogo do inferno a quem votar no candidato da oposição.

Nos tempos de Cristo, registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o caixão transparente de Chávez, o palanque de Maduro e outros viveiros de blasfemos de quinta categoria não escapariam de um raio de dimensões bíblicas. Como tal fenômeno anda em recesso há alguns séculos, o caso venezuelano pode ser resolvido com métodos bem mais singelos e igualmente eficazes. Um Nicolás Maduro, por exemplo, precisa apenas de uma camisa-de-força na justa medida e uma longa temporada no hospício.

Se insistir em bancar o vendilhão do templo, o vigarista na orfandade merecerá o remédio infalível: 171 chibatadas.

11/01/2013

às 18:37 \ Direto ao Ponto

O bobo da corte de Hugo I

Sempre que alguma crise política irrompe na América Latina ou em outras paragens igualmente flageladas pelo primitivismo endêmico, é fácil descobrir quem tem razão: o lado errado é o apoiado por Marco Aurélio Garcia. Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, a fórmula disponível desde janeiro de 2003 é infalível. Faz dez anos que o órfão da União Soviética se mete em todas. Nunca acertou nenhuma, comprova o post reproduzido na seção Vale Reprise.

Garcia enxerga uma democracia em Cuba e uma ditadura no Paraguai, chora a perda de um Bin Laden e insulta vítimas de desastres aéreos com repulsivo toptops. Coerentemente, resolveu abrir a boca à espera de um dentista para anunciar que se alistou no exército que luta pela criação do Reino da Venezuela e promete garantir a tiros a sagração de Hugo Chávez. O trono ainda não foi encomendado. O monarca agoniza num hospital da ilha-presídio dos irmãos Castro. Sempre afoito, Garcia nem pediu licença para instalar-se no emprego mais que merecido.

Enquanto esperam por Hugo I, os súditos do rei de bloco carnavalesco  se distraem com o brasileiro que nasceu para bobo da corte.

05/01/2013

às 8:00 \ Direto ao Ponto

Comparar Getúlio Vargas a Lula é um insulto à memória do presidente suicida

PUBLICADO EM 22 DE SETEMBRO

Uma nota oficial encomendada por Lula, redigida por Rui Falcão e subscrita por seis presidentes de partidos governistas comunicou à nação ─ no meio do palavrório que enfileira falsidades, safadezas e vigarices ─ que está em curso uma trama política semelhante à que resultou no suicídio de  Getúlio Vargas. Conversa fiada, resumiu o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Só um ajuntamento de palermas, oportunistas e casos de polícia conseguiria vislumbrar conspiradores em ação nos três partidos oposicionistas mais dóceis da história.

Só um bando de cretinos fundamentais ousaria confundir Aécio Neves com Carlos Lacerda, Geraldo Alckmin com Afonso Arinos ou tucanos em sossego no poleiro com militares sublevados nos quartéis. E apenas sócios remidos do clube dos cafajestes se atreveriam a comparar Luiz Inácio Lula da Silva a Getúlio Dornelles Vargas. Coerentes com a folha corrida de cada um, os signatários do besteirol fuzilaram sem clemência, e sem vestígios de rubor na face, a memória do gaúcho que governou o Brasil por quase 20 anos.

“Querem fazer comigo o que fizeram com Getúlio Vargas”, recita o palanque ambulante sempre que se mete em enrascadas de grosso calibre. “Assim foi em 1954, quando inventaram um ‘mar de lama’ para derrubar o presidente Vargas”, reincidiram nesta quinta-feira os carrascos da verdade escalados para o espetáculo da vassalagem. Alguém precisa contar-lhes aos gritos que foi o próprio Getúlio quem usou pela primeira vez a expressão “mar de lama”. Alguém precisa ordenar-lhes aos berros que parem de estuprar os fatos para fabricar mentiras eleitoreiras.

Na versão malandra do PT e seus parceiros alugados, a procissão de escândalos que afronta os brasileiros honestos desde a descoberta do mensalão não passa de invencionice dos netos da UDN golpista, que se valem de estandartes moralistas para impedir que outro pai dos pobres se mantenha no poder. Se a oposição não sofresse de afasia medrosa, a confraria dos 171 já teria aprendido que não há qualquer parentesco entre os dois Brasis. E não se animaria a inventar semelhanças entre figuras antagônicas.

Em agosto de 1954, Getúlio Vargas era sistematicamente hostilizado por adversários que negavam até cumprimentos protocolares ao ex-ditador que voltara ao poder pela rota das urnas. Não há uma única foto do presidente ao lado de Carlos Lacerda. Passados quase 60 anos, Lula e Dilma lidam com adversários que fizeram a opção preferencial pela covardia e inventaram a oposição a favor. Muitos merecem cadeiras cativas na Irmandade dos Amigos do Cara, dirigida por velhas abjeções que Lula combateu até descobrir que todos nasceram uns para os outros.

Há 58 anos, surpreendido por delinquências praticadas às suas costas, acuado pela feroz oposição parlamentar, sitiado por ódios decorrentes dos horrores do Estado Novo, desafiado por oficiais rebeldes, traído por comandantes militares, abalado pela deserção dos aliados, Getúlio preferiu a morte à capitulação humilhante. No Ano 10 da Era da Mediocridade, o Grande Pastor do rebanho lulopetista só é ameaçado pelo Código Penal, por um STF disposto a cumprir a lei e pela incapacidade de aceitar imposições do destino.

Neste começo de primavera, o que se vê é um populista que se nega a encarar a aproximação do inverno. Os truques do animador de comício não surpreendem mais ninguém. Tornaram-se enfadonhos. Lula é uma caricatura de si próprio. É uma lenda precocemente no ocaso. Daqui a algum tempo, será um asterisco nos livros de história que não lerá.

Getúlio perdeu a disposição de resistir ao constatar que, sem saber, convivera com criminosos. Na última reunião do ministério, foi defendido por figuras como Oswaldo Aranha e Tancredo Neves. Lula defendeu a permanência de Antonio Palocci e José Dirceu no primeiro escalão infestado de corruptos. E tenta o tempo todo livrar da cadeia bandidos de estimação para mantê-los a seu lado. Depois de tentar inutilmente adiar o julgamento do mensalão, faz o que pode para pressionar ministros que nomeou, desqualificar a Justiça e impedir a consumação do castigo.

Há uma semana, o protetor de pecadores foi empurrado para o meio do pântano pelas revelações de Marcos Valério divulgadas por VEJA. Em vez de rebater as acusações e interpelar judicialmente o acusador, o mais loquaz dos palanqueiros emudeceu. Entre amigos, gasta a voz debilitada em insultos a ministros do Supremo, mensaleiros trapalhões ou advogados ineptos ─ e promete, de meia em meia hora, vinganças tremendas. Em público, pede votos para candidatos amigos e calunia concorrentes.

O suicídio de Vargas, reiterei há um ano, foi um ato de coragem protagonizado pelo político que errou muito e cometeu pecados graves, mas nunca transigiu com roubalheiras, nunca barganhou com assaltantes de cofres públicos nem foi coiteiro de ladrões. Lula fez da corrupção endêmica um estilo de governo e um instrumento de poder. O tiro disparado na manhã de 24 de agosto de 1954 atingiu o coração de um homem honrado. Um saiu da vida para entrar na história. Outro ficará na história como quem caiu na vida.

Getúlio matou-se por ter vergonha na cara. Lula morrerá sem saber o que é isso.

15/10/2012

às 18:26 \ Direto ao Ponto

A bravata e a cadeia

Graças ao silêncio dos companheiros , à tibieza da oposição e à clemência da Procuradoria Geral da República, Lula está acompanhando o julgamento do mensalão fora do banco dos réus. Em vez de festejar discretamente essa conjunção dos astros que o livrou de pagar pelo que fez, como sugere o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o ex-presidente resolveu reafirmar que não vê limites para a insolência.

Inconformado com a condenação dos principais operadores do esquema criminoso, o padroeiro dos bandidos federais passou a açular quadrilheiros e comparsas contra as decisões do Supremo. É ele quem está por trás da procissão de entrevistas cafajestes, manifestos que torturam a verdade ou cartas de parentes tão consistentes quanto uma crítica literária de Dilma Rousseff.

Lula deve imaginar que bravatas anulam decisões em última instância. Vai descobrir que não quando o outono chegar e as sentenças transitarem em julgado. Depois disso, se quiser saber o que os companheiros estão pensando, o chefe terá de visitá-los na cadeia.

03/10/2012

às 18:58 \ Direto ao Ponto

O cerco se fechou

Fechou-se o cerco em torno do alto comando do esquema do mensalão, constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Em etapas sucessivas, o Supremo Tribunal Federal entendeu que a trama foi parcialmente financiada por dinheiro público, que as transações financeiras envolvendo o Banco Rural atropelaram a lei, que o governo se valeu do PT para alugar, arrendar ou comprar partidos políticos, que parlamentares de distintas legendas se juntaram harmoniosamente na bancada dos que vendem o voto, a opinião, a alma. Ou a mãe.

A condenação de vários mensaleiros acusados de corrupção passiva informa que o STF decidiu percorrer um caminho sem volta. Neste 3 de outubro, o relator Joaquim Barbosa começou a escancarar as bandalheiras protagonizadas por José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, enquadrados por corrupção ativa. Como ensinou Reinaldo Azevedo no 23° debate sobre o mensalão, também no campo da corrupção só existem passivos se existirem ativos. Simples assim.

01/10/2012

às 19:02 \ Direto ao Ponto

O Maluf mineiro descobriu que o PT do mensalão é um parceiro pesado demais

Ex-prefeito de Contagem, ex-governador, deputado federal e chefe supremo do PMDB de Minas Gerais, Newton Cardoso é portador de um prontuário de matar de inveja qualquer xerife de cela. Nos tempos em que o oposicionista Lula enxergava pelo menos 300 picaretas no Congresso, Niltão seria repelido a tiros caso propusesse uma aliança ao partido que reivindicava o monopólio da ética. No 12° ano da Era da Mediocridade, as coisas mudaram dramaticamente.

Um dos arquitetos do acordo que juntou o PMDB à coligação que apoia a candidatura do petista Patrus Ananias a prefeito de Belo Horizonte, o antigo satã das vestais de araque hoje seria ovacionado caso desse as caras nos comícios promovidos pelos companheiros ─ e que Niltão tem driblado com notável perícia. Neste fim de semana, numa entrevista ao Globo, ele afinal confessou que foi aconselhado pelo instinto de sobrevivência a escapar do naufrágio.

“O PT está sendo um parceiro pesado para carregar”, informou o ex-governador. “O mensalão está prejudicando muito, não só aqui, mas também em São Paulo, Recife, por todo lado. O Lula e o PT perderam o discurso. Não tem mais aquela coisa do apelo do partido novo, da ética e da moral. Estou trabalhando muito para que isso não atrapalhe a eleição dos vereadores e prefeitos do PMDB”. Parece mentira. O homem que o PT de antigamente gostaria de banir da política hoje quer ver pelas costas o parceiro atropelado pelo escândalo em julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Newton Cardoso, como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, é uma espécie de Paulo Maluf mineiro. A entrevista ajuda a entender por que o original fabricado em São Paulo anda sumido da campanha de Fernando Haddad. Não é o candidato a prefeito do PT que acha constrangedor posar para a posteridade ao lado de Maluf. É Maluf quem acha que circular em companhia da turma do mensalão é mais prejudicial à imagem do que aparecer de frente e de perfil na lista de Interpol.

A turma do mensalão piora a imagem até de um procurado pela Interpol.

 

27/07/2012

às 19:17 \ Direto ao Ponto

A Justiça se rendeu ao atrevimento do bandido apaixonado e sua mulher-noiva

A Justiça de Goiás homenageou Carlos Augusto Ramos Araújo, o Carlinhos Cachoeira, com duas capitulações em menos de um mês. A primeira consumou-se no momento em que o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima rendeu-se às sucessivas ameaças de morte e se afastou do caso. Moreira Lima entrou na alça de mira de Cachoeira por ter autorizado a Polícia Federal a gravar telefonemas do chefão e, depois, determinado a prisão do bando.

A segunda capitulação foi formalizada nesta quarta-feira, já no começo da audiência em Goiânia, quando o prisioneiro afrontou impunemente o juiz Alderico Rocha Santos. “É uma pergunta difícil”, debochou Cachoeira quando o magistrado indagou se é casado. E aproveitou a deixa para uma troca de frases melosas com sua mulher Andressa Mendonça, presente ao tribunal e à disposição dos fotógrafos.

“Eu te amo”, ele disse. “Também te amo!”, ela exclamou. Ela a pediu em casamento. Ela aceitou. Ele prometeu cumprir a promessa assim que recuperar a liberdade. “Achei gostoso”, derreteu-se a mulher que, já casada, virou noiva. O que houve na audiência não tem parentesco com histórias de amor. O que se ouviu foi um hino ao cinismo, composto por um meliante que faz em Goiás o que quer e desdenha ostensivamente dos três Poderes.

Faz sentido. Quem preenche cargos importantes na administração estadual e fecha negócios suspeitíssimos com o governador não pode ter respeito pelo Executivo. Quem compra deputados e senadores só pode desprezar o Legislativo. Quem intimida, desafia, desmoraliza ou aluga juízes e desembargadores não pode temer o Judiciário.

Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o juiz Rocha Santos deveria ter interrompido Cachoeira na primeira vírgula da resposta atrevida, enquadrado o delinquente por desacato à autoridade e determinado à escolta policial que o devolvesse à cela onde está hospedado. Por não ter feito o que devia, o magistrado liberou o bandido apaixonado para o espetáculo da cafajestagem que desferiu outro tapa na cara do Brasil decente.

25/07/2012

às 18:35 \ Direto ao Ponto

O guerrilheiro de festim combate na casa da mãe e o detetive de chanchada esquece o mensalão para investigar as alianças do PT

Lula avisou mais de uma vez que, tão logo deixasse a Presidência, dedicaria a maior parte do tempo à missão de provar que o mensalão foi uma farsa engendrada por oposicionistas decididos a apeá-lo do poder. Mais de uma vez, José Dirceu avisou que, para impedir que um julgamento político resultasse na condenação de um inocente, trataria de mobilizar o que chama de “forças progressistas e movimentos populares”. É compreensível que o sumiço simultâneo do chefe supremo e do comandante militar do PT, que se estendeu por 15 dias, tenha levado a companheirada aos limites da excitação. O que andaria fazendo a dupla?

As explicações oficiais só serviram para ampliar a ansiedade coletiva. Ninguém acreditou que Lula saíra de cena para recuperar-se de sequelas do tratamento do câncer na laringe, nem que Dirceu resolvera conceder-se uma folga para voltar com a corda toda às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal. Na cabeça dos devotos da seita lulopetista, o ex-presidente estava completando o desmonte da trama golpista e o o ex-chefe da Casa Civil coordenava na clandestinidade a montagem do exército de voluntários.

Tanta excitação para nada, frustraram-se todos com a reaparição dos desaparecidos. No domingo, o Estadão revelou o que fizera Dirceu nas duas semanas anteriores. Na primeira, esqueceu as reuniões com líderes das forças progressistas para reencontrar os amigos de Cruzeiro do Oeste, cidade do interior paranaense onde se escondeu durante cinco anos na década de 70. Ali, com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello e disfarçado de comerciante, o revolucionário diplomado em Cuba combateu a ditadura entrincheirado na caixa registradora do Magazine do Homem.

Disso já se sabia. O que só se soube agora é que o combatente em férias passava horas a fio sentado na mesa do boteco localizado em frente da loja de Clara Becker, vendo a mulher trabalhar. Foi por isso que ganhou o apelido de “Pedro Caroço”, o personagem da música de Genival Lacerda que fica o tempo todo de olho na butique dela. O amigo que revelou essa técnica de combate também contou que Dirceu só soube que o filho havia nascido ao voltar de outra pescaria ─ e de mais uma batalha contra cardumes de lambaris.

Depois do passeio em Cruzeiro do Oeste, o líder de massas imaginárias adiou a mobilização dos  movimentos populares para repousar uma semana em Passa Quatro, cidade mineira onde nasceu. Em vez de combinar com os oficiais a hora e o local do começo da luta nas ruas, o general preferiu entrincheirar-se na casa da mãe ─ um lugar sempre aconchegante e seguro. Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, pelo menos conseguiu o apoio dos parentes. Todos prometem rezar unidos para que o pecador da família escape do merecidíssimo castigo.

Lula voltou na segunda-feira, para a reunião com dirigentes do PT que convocara na véspera. Os convocados esperavam ouvir novidades espetaculares sobre o mensalão. Ouviram perguntas tão relevantes quanto o passeio de Dirceu. “Estamos com a Vanessa Graziotin em Manaus?”, quis saber já na abertura dos trabalhos. Nem esperou pela resposta para a segunda interrogação: “Fechamos com o PCdoB em Florianópolis?”. Como o mensalão nem deu as caras na conversa, é possível que Lula tenha resolvido ressuscitar a primeira mentira: ele nunca soube de nada.

Os companheiros passaram 15 dias sonhando com a volta do mobilizador de multidões e do investigador genial. Reencontraram um guerrilheiro de festim e um detetive de chanchada. Todos se merecem.

21/07/2012

às 1:40 \ Direto ao Ponto

A pressa dos sherloques torna ainda mais estranho o assassinato do agente da Polícia Federal que investigou Cachoeira

O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que autorizou a Polícia Federal a gravar clandestinamente as conversas entre Carlinhos Cachoeira e seus subordinados, e depois decretou a prisão do bando, afastou-se do caso depois de sofrer ameaças de morte.

A procuradora Léia Batista, representante do Ministério Público de Goiás na apuração do caso, também foi ameaçada de morte. Pediu proteção ao Conselho Nacional de Justiça.

Citado em várias conversas gravadas pela Operação Monte Carlo, o delegado Hylo Marques Pereira, da Polícia Civil de Goiás, está desaparecido há seis dias.

Nesta terça-feira, o agente da Polícia Federal Wilson Tapajós Macedo, um dos participantes da Operação Monte Carlo, foi morto com dois tiros em Brasília, ao lado do túmulo do pai. Sobre o episódio, o jornalista Carlos Brickmann escreveu, sob o título “Coisa estranha”, a nota transcrita em itálico:

Um especialista em Polícia Federal, daqueles que já viram urubu ficar branco e passarinho comer onça, estranha muito o assassínio do agente federal num cemitério de Brasília. Considera pouco habitual um agente visitar o túmulo dos pais num dia normal, no horário de serviço. Talvez houvesse ali um encontro marcado.

O fato é que o assassínio de um agente envolvido em investigações de tamanho porte gera necessariamente uma cachoeira de suspeitas.

O comentário de 1 minuto para o site de VEJA registra que, minutos depois do assassinato, os policiais de Brasília incumbidos de apurar o caso haviam decidido que ocorreu um latrocínio ou um crime passional. A menos que tivessem resolvido o mistério antes que a morte acontecesse, deveriam ter acrescentado de imediato duas outras hipóteses bem mais convincentes: vingança e queima de arquivo.

Só pensaram nisso nesta sexta-feira, quando as sombras que envolvem a história foram escurecidas por outra tragédia: Fernando Spuri Lima, 34 anos, escrivão da Polícia Federal e colega de trabalho de Tapajós, foi encontrado morto com um tiro na testa na casa onde morava em Brasília. O delegado encarregado de apurar o que houve já avisou que foi “um suicídio clássico”. Mais um caso exemplar de açodamento. Mais uma conclusão comprometida pela ligeireza esperta ou pela superficialidade irresponsável.

A Polícia Federal tem o dever de descobrir os motivos e identificar os autores da execução de um dos participantes da Operação Monte Carlo. Ainda que estejam fora dessa, Cachoeira e os oficiais graduados da quadrilha precisam permanecer na cadeia. Presos, eles continuam mobilizando comparsas em liberdade para a destruição de provas e obstrução da Justiça. Soltos, comandarão o serviço sujo com maior eficiência.

O advogado Márcio Thomaz Bastos seguirá reivindicando a soltura do cliente de R$ 15 milhões. O Brasil decente está obrigado a manter sob estreita vigilância os desembargadores e ministros que julgam os pedidos de habeas corpus formulados quase diariamente pelo doutor preferido da bandidagem dolarizada.

Quem libertar Cachoeira antes da hora é mais que um mau juiz. É cúmplice.

 

 

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