Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Leandro Narloch, jornalista e autor do livro Guia politicamente incorreto da história do Brasil

3 de fevereiro de 2010

Zumbi tinha escravos.
A origem da feijoada é européia.
Santos Dumont não inventou o avião.

As três afirmações parecem provocação de argentino. São apenas verdades incômodas, por rasgarem fantasias enraizadas no imaginário nacional.  E resumem exemplarmente o conteúdo do Guia politicamente incorreto da História do Brasil, do jornalista Leandro Narloch. Escrito com o objetivo principal de “irritar o maior número de pessoas”,  o livro desmonta versões encampadas pela história oficial. Nesta entrevista dividida em três partes, Narloch, que se amparou em consultas a cerca de 120 livros e dissertações acadêmicas, revela outras histórias já programadas para o segundo volume do Guia.

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Wanderson Castilho, especialista em crimes eletrônicos

29 de janeiro de 2010

Formado em Física, Wanderson Castilho especializou-se em desvendar crimes eletrônicos quando percebeu que tinha  “a capacidade de pensar como um criminoso”. Esse dom o levou a posição de quem contempla o banco dos réus. Há 10 anos em atividade, mantém o extraordinário índice de 100% de êxito nos 439 casos que investigou, faz uma viagem a cada dois meses para frequentar algum curso de especialização nos Estados Unidos e publicou o livro “Manual do detetive virtual”. No Brasil, onde ocorrem pelo menos 100 casos de crimes eletrônicos por dia, não existe uma legislação específica para esse universo em acelerada expansão. Os crimosos acabam enquadrados em leis que, apesar das semelhanças e similaridades, não se afinam com a realidade virtual.

“Um caso de difamação verbal chega ao conhecimento de, no máximo, 50 pessoas”, argumenta o detetive. “No mundo virtual, a mesma calúnia pode ser divulgada para um milhão”. Wanderson ressalva que, embora as penas sejam insuficientes, é fantasiosa a sensação de impunidade e a certeza do anonimato do mundo virtual. O detetive garante, por exemplo, que é muito mais fácil descobrir o meliante nesses casos que em delinquências ocorridas fora da internet. Wanderson recomenda cautela aos usuários. Fotos expostas em sites de relacionamentos, por exemplo, são sempre um prato cheio para manipulações criminosas.

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Ubaldo Steri, diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo

22 de janeiro de 2010

Diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo desde 1987, o padre Ubaldo Steri conhece como poucos o cotidiano de quem  fugiu do país de origem em busca da paz possível. A instituição que dirige, responsável pelos 4.300 refugiados que vivem no Brasil, garante proteção, assistência e documentação àqueles que se sentem perseguidos política, social, religiosa ou ideologicamente. Na entrevista, Ubaldo informa que, há 5 anos, existiam no Brasil refugiados de 40 países. Hoje são 76 nacionalidades diferentes: “Isso comprova que há mais guerras do que a gente imagina, pensa, ou fica sabendo”, lamenta. A Colômbia, acossada pelas  Farc e dezenas de grupos paramilitares, é o país vizinho que mais exporta esse tipo de imigrante. Integrante do Conselho Nacional para Refugiados (Conare), Ubaldo afirma que Cesare Battisti não preenche nenhum dos requisitos necessários para a concessão do refúgio e que, por isso, deveria ser extraditado.

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Seth Kugel, jornalista americano

15 de janeiro de 2010

Colaborador do jornal The New York Times e correspondente da agência de notícias Global Post, Seth Kugel mora no Brasil há pouco mais de um ano. Na primeira visita ao país, em 2003, entrou pela fronteira da Colômbia com o Amazonas e ficou encantando com a simpatia e curiosidade do povo. Jornalista especializado em turismo, Kugel tem mais intimidade com o Brasil que muitos brasileiros e se interessa sobretudo por lugares pouco explorados, como a Serra do Cipó e outras paragens do interior de Minas Gerais. Na chegada, o que mais o chocou foi a desigualdade social escancarada pelas favelas cariocas. Hoje, o que lhe chama a atenção são a corrupção e a impunidade. Para o jornalista, Lula tem feito um bom trabalho com a mídia estrangeira, que o retrata como homem perfeito. “Um presidente que termina o mandato com 80% de aprovação com certeza trabalhou para manter essa taxa e não para mexer nas coisas difíceis”, observa Kugel. “Com reformas grandes, você não faz muitos amigos”.

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Fernando Barreto, fundador da Webcitizen e do site Vote na Web

8 de janeiro de 2010

Com o intuito de usar a tecnologia para desenvolver ferramentas que promovecem o engajamento cívivo, Fernando Barreto fundou há um ano a Webcitizen. Em 14 de novembro, saiu do papel o primeiro projeto da empresa: o Vote na Web. No site, qualquer cidadão pode opinar sobre os projetos de lei que tramitam nas duas casas do legislativo e acompanhar como votaram os parlamentares. Outra proposta é traduzir os projetos para uma linguagem compreensível, tornando-os mais transparentes. Em dois meses de existência, o Vote na Web computou mais de 8 mil votos. Entre os 110 projetos cadastrados, alguns são considerados utópicos pelos internautas, como por exemplo o que defende a implantação da Banda Larga em todo o território nacional. Outros, entre eles o que pretende estampar a bandeira do Brasil nos uniformes escolares, são vistos como bizarros. Para Barreto, discussões como essas são uma forma de sair do patamar da crítica simples e da democracia eleitoreira, para atingir algo mais construtivo. Com o fim do recesso parlamentar, em fevereiro, a ideia é que a maior parte dos projetos em tramitação no Congresso já esteja acessível aos usuários do site.

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Baixo Ribeiro, fundador da galeria Choque Cultural

5 de janeiro de 2010

Um dos fundadores da Choque Cultural, Baixo Ribeiro entrou no mundo das galerias de arte depois de perceber que a geração de seu filho, o artista plástico João Pedro, de 23 anos, estava orfã de um espaço que se comunicasse com ela. Diferentemente das galerias tradicionais, na Choque Cultural as paredes nunca são brancas, os preços estão fixados ao lado das obras e reina a informalidade entre os atendentes e o público. Segundo Baixo, a galeria é voltada principalmente para a geração pós-1980, formada por pessoas com uma visão de mundo marcada pela popularização dos computadores e da internet, pelo fim da dicotomia comunismo-capitalismo e pela proliferação da Aids. O galerista também acredita que as artes plásticas estão caminhando para uma conversa sobre o futuro. E que esta será muito mais frutífera se houver um diálogo entre a nova e as antigas gerações.

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Paulo Tadeu, dono da editora Matrix

22 de dezembro de 2009

Jornalista diplomado sem experiência em redações e publicitário militante há mais de 20 anos, faz 10 que Paulo Tadeu decidiu fundar uma editora ao ver recusado um de seus livros. Especializada em obras de humor, a Matrix tem um catálogo de 250 títulos ─ 40 escritos pelo dono ─  e lança 5 novos livros por mês. Paulo Tadeu, que também colabora com o blog Éramos 6, junto com oito escritores, conta que, no Brasil, um livro que vende apenas 1500 cópias já é considerado uma publicação de sucesso. Mas esse é um quadro em mutação. A cada ano, o brasileiro fica mais alfabetizado. E a Matrix aposta nesse futuro.

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José Cozzi, alfaiate

17 de dezembro de 2009

Exímio praticante da arte de fazer terno, conhecedor profundo de todas as etapas da confecção, José Cozzi é um dos últimos remanescentes da linhagem do alfaiate tradicional. A extinção ameaça há tempos um ofício inseparável de qualidades cada vez mais raras num mundo acelerado e imediatista, como paciência, tenacidade e bom gosto. Nesta entrevista dividida em duas partes, Cozzi revela os segredos da profissão e lamenta a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. Sobretudo por isso, o mestre se recusou a transformar os três filhos em alunos. Já não existem substitutos para os 18 oficiais que trabalham a seu lado há mais de 10 anos. Cozzi também comenta a atual tendência da moda masculina: lapela estreita, calça de boca fina e os clássicos três botões.

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Ilana Casoy, especialista em serial killers

11 de dezembro de 2009

Ao contrário do que muitos pensam, os serial killers não são uma exclusividade dos Estados Unidos. Existem em todos os países - e estão entre nós. No Brasil, a maior especialista no assunto é Ilana Casoy que, nesta entrevista, revela algumas especificidades dos assassinos em série nativos. Eles matam, por exemplo, mais crianças do que mulheres, vítimas preferenciais  em outras paragens do planeta. Hoje, Ilana também ajuda a polícia na solução desse tipo de crime, ao lado de psicólogos forenses e médicos legais. Alguns estados brasileiros, como São Paulo, têm todos os equipamentos necessários para desvendar qualquer homicídio. Falta, contudo, conhecimentos mais profundos sobre o crime em série. É aí que Ilana entra. Depois de conhecer a história de dezenas de criminosos, ela elege a trinca mais impressionante: Ted Bundy, Edmund Kemper e Chico Picadinho.

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Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

3 de dezembro de 2009

Nas três primeiras partes da entrevista, Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, dá uma aula sobre o pré-sal, explicando o que é a imensidão de petróleo descoberta há mais de 30 anos no litoral brasileiro. Entre outras críticas ao modelo de exploração proposto pelo atual governo, censura as pressões para que o Congresso aprove em três meses “uma das decisões mais importantes da história do país”. Sauer defende a realização de um plebiscito para que a população decida o que fazer com essa riqueza. Sugere que se vincule a produção ao dinheiro necessário para os investimentos em saúde, educação, transporte e infraestrutura. O restante deveria permanecer sob as águas. Nas duas últimas partes da conversa, o assunto é o apagão que atingiu 18 estados brasileiros e permanece sem explicação. Perplexo com as justificativas oferecidas por Edison Lobão, que culpou a chuva e os raios, Sauer afirma que a única explicação plausível está ligada a problemas de gestão e de organização, além da inexistência de monitoramento por parte da Aneel. Enquanto o mistério não é desvendado, o povo brasileiro - “que paga uma das tarifas mais caras do mundo pela energia que consome” - continuará refém de um sistema falho.

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