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31/01/2015

às 12:16 \ Opinião, Sem categoria

J.R. Guzzo: ‘Deus nos ajude’

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA

Ele continua entre nós, esse incomparável Velho do Restelo, mais vivo do que nunca 500 anos depois de criado pelo gênio de Camões, e sempre em forma para desafiar os poderosos de qualquer lugar e de qualquer época. Hoje, em vez de surgir no melhor da festa em volta da Torre de Belém para rogar sua praga sobre o Gama, na partida das caravelas que saíam da Lisboa de 1497 na esperança de descobrir o Caminho das Índias, nosso duríssimo Velho poderia estar diante da rampa do Palácio do Planalto.

Ali, dia sim, dia não, ou provavelmente todos os dias, teria excelentes oportunidades para dirigir à presidente Dilma Rousseff as palavras que dirigiu a Vasco da Gama e a El-Rei de Portugal. Ambos já tinham provocado muita pena e muito dano, pela “glória de mandar” e “vã cobiça”; o que mais queriam fazer de ruim? É o que os brasileiros têm o direito de perguntar à presidente neste começo de seu segundo mandato: depois de tudo o que fez no primeiro, que castigos ainda vai nos aplicar durante os próximos quatro anos?

É bom não contar com grande coisa. Em menos de um mês deste segundo governo, Dilma já escolheu aquele que pode ser o pior ministério brasileiro de todos os tempos. Começou a executar uma venenosa derrama que vai punir sobretudo quem vive com mais dificuldade. No momento em que o Brasil mais precisa de harmonia com o mundo desenvolvido, para aliviar as misérias criadas por quatro anos seguidos de decisões econômicas erradas, a presidente resolve ir à Bolívia; foi prestar homenagem ao chefe cocalero que inunda o Brasil com drogas pesadas, tomou propriedades da Petrobras sem pagar um centavo de indenização e transformou seu país num paraíso para a receptação de carros roubados aqui. Junto com tudo isso, como se comprovou na semana passada com a queda de energia elétrica em pelo menos dez estados, o governo deixa claro o que vem escondendo há anos: a população brasileira está sob ameaça real de um colapso na oferta de eletricidade. O resumo da obra é ruim. Se em poucos dias de seu novo mandato Dilma conseguiu aprontar tudo isso, que desastres vão cair até 2018 sobre esta terra e esta gente?

A crise do setor elétrico é uma tomografia perfeita da doença mais perigosa, talvez, das muitas que mantêm há doze anos na UTI a administração pública deste país – a pura e simples incapacidade dos governos do PT, e especialmente de Dilma Rousseff, de resolver problemas concretos. Na questão da energia, para ficar apenas no fracasso mais recente entre tantos outros – que tal a última prova do Enem, em que 500 000 estudantes da “Pátria Educadora” tiraram nota zero em redação? -, há todas as evidências possíveis de incompetência maciça, permanente e agressiva. Nos quatro primeiros anos de Dilma, houve 240 apagões de todos os tipos. O que mais seria preciso para o governo descobrir que existe um problema de energia elétrica no Brasil? Mas, como insistiu a presidente o tempo inteiro, só um ignorante poderia pensar em algo parecido. Toda a sua angústia é com o uso da palavra “apagão”. Quer que se diga “interrupção” no abastecimento; acha que assim o problema irá embora.

A arrogância, a irresponsabilidade e o egoísmo do poder público na gestão da energia elétrica, um exagero até para o “padrão Dilma” de governo, ficam claros quando se sabe que no primeiro semestre do ano passado técnicos do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) pediram que o governo organizasse um racionamento, pela óbvia falta de oferta. Impossível, respondeu Brasília; estamos em ano eleitoral. Logo depois da eleição, com Dilma instalada no poder para mais um mandato, o pedido foi feito de novo; a resposta foi um outro não. Os profissionais do ONS se espantam, agora, quando o ministro de Minas e Energia jura que não faltará luz elétrica em 2015. “Como o ministro pode dizer isso?”, pergunta um deles. “Ele sabe que os reservatórios estão secos e que nunca se consumiu tanto quanto agora, por causa do calor.” Nenhum discurso vai mudar o fato de que a crise está aí: o sistema simplesmente não fornece a energia no momento ou nos locais em que é solicitada, e a culpa por isso é de um governo que teve doze anos inteiros para fazer alguma coisa a respeito, mas não fez nada.

O ministro agora nos convida a contar “com Deus” para resolver a parada; nem ele acredita mais em Dilma. É muita pretensão. Deus dificilmente terá tempo, ou interesse, para resolver problemas que não criou.

11/01/2015

às 23:51 \ Sanatório Geral, Sem categoria

Inimigos íntimos

“Acho o Mercadante um nome excelente candidato ao governo de São Paulo. Ele teve uma votação muito expressiva quando disputou o cargo em 2006. Tem uma disposição enorme para essa candidatura e um conhecimento do Estado bastante profundo, inclusive da relação do Estado com o governo federal”.

Marta Suplicy, em entrevista publicada pela Folha em 13 de abril de 2010.

O Mercadante é inimigo. (…) Ele mente quando diz que o Lula será o candidato em 2018. O Mercadante é candidatíssimo. Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas”.

Marta Suplicy, no Estadão deste domingo, fazendo de conta que só descobriu agora quem é e o que faz o Herói da Rendição, cujas façanhas incluem o fiasco na Ofensiva dos Aloprados e o naufrágio na Batalha do Mensalão.

03/12/2014

às 15:51 \ Sem categoria

‘Chantagem por decreto’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta quarta-feira

A sutileza não é mesmo o forte da presidente Dilma Rousseff. Se essa inaptidão se manifestasse apenas no seu, digamos, estilo, o problema se restringiria ao trato pessoal, como sabem todos quantos arcam com a servidão de serem seus subordinados. A questão muda de figura quando a sua predileção pela borduna, em lugar do florete, transborda para a esfera institucional. É o que cabe dizer, antes de mais nada, do decreto curto e grosso assinado por ela na última sexta-feira e publicado em edição extraordinária do Diário Oficial. O documento trata da ampliação dos gastos públicos previstos pelo Ministério do Planejamento. Já no primeiro de seus cinco artigos, autoriza o desbloqueio de R$ 10,032 bilhões previstos no Orçamento de 2014. A maior parte desse montante irá para educação e saúde.

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30/11/2014

às 15:31 \ Sem categoria

Mario Vargas Llosa: ‘Ucrânia: a paixão europeia’

Publicado no Estadão

Os desanimados com a União Europeia deveriam ir à Ucrânia ver como o projeto europeu inspira uma enorme esperança em milhões de ucranianos que veem numa Europa unida a única garantia de sobrevivência da soberania e da liberdade que conquistaram com a heroica revolta da Praça Maidan e hoje são ameaçados pela Rússia de Putin, empenhado na reconstituição do império soviético (embora não o chame assim). Veriam também a serenidade de uma sociedade invadida por uma potência que já se apoderou de um quinto do território ucraniano e cujas fronteiras orientais, onde morrem diariamente mais voluntários do que sugerem as estatísticas oficiais, continuam a ser violadas por centenas de blindados e milhares de soldados russos.

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25/11/2014

às 19:59 \ Sem categoria

Reynaldo-BH: Isto aqui é hospício ou circo?

REYNALDO ROCHA

País de loucos. Seremos todos hóspedes do Sanatório Geral que o Augusto tenta manter com o número necessário de vagas? Aqui corruptor passa recibo – isso mesmo, aquele de papel! – do crime cometido. Só falta a exposição de motivos.

Quem manda no prostíbulo? Lula, depois de uma reunião de dez horas com a mulher que se julga presidente, deve ter anotado as ordens em algum papel de padaria. Isso vale mais – neste governo – que um decreto. Bastam as digitais (ou meia dúzia de garranchos) do copresidente. Dilma jamais ousará contrariar uma determinação de Lula. Aceitou Joaquim Levy como regra-três de  Luiz Carlos Trabuco e Henrique Meireles, os preferidos do padrinho.

Para o Ministério da Agricultura Dilma escolheu a senadora Kátia Abreu, que decidiu acabar com a credibilidade que tinha ─ e que um Demóstenes Torres também teve. Kátia qualificava Lula de governante dos 150 escândalos. Se a mais recente grande amiga da presidente somar os tais escândalos, talvez produza o equivalente a meio petrolão de Dilma.

Graça Foster foi, é e será a boneca de ventríloqua da inquilina do Palácio da Alvorada. Armando Monteiro, ex-presidente da CNI? O candidato derrotado ao governo de Pernambuco não tem representatividade sequer para ocupar o cargo de subchefe do assessor da secretária de alguém que decida.

E Miguel Rosseto? O eterno oponente de Pedro Simon, que costumava aplicar-lhe surras homéricas? Que se contentava com a candidatura a vice de qualquer um, por falta de competência para tornar-se titular? Que no posto de ministro da Reforma Agrária nada fez em favor da dita reforma?

Vital do Rego no TCU? O senador que apoia todos os governos? Sem comentários. Este espaço não comporta palavras de baixo calão.

Isto é um hospício ou um circo? Ou apenas Dilma em sua essência? Uma presidente manobrada por um beberrão?

Devemos aplaudir a escolha de Joaquim Levy pelas ideias que sempre defendeu? Por ter sido discípulo de Armínio Fraga? Ou por evitar que um mercadante assuma o leme do Titanic sem comandante?

Manter a sanidade mental no Brasil é tarefa para heróis. Ser insano virou atributo de quem está no poder.

Peço licença para ir logo ali fechar a porta do hospício. Espero que todos os loucos estejam dentro.

03/11/2014

às 18:20 \ Sem categoria

Vote na enquete (ou sugira outra opção): Depois de ter descoberto que Herodes matou Jesus Cristo, qual será a próxima revelação histórica de Lula?

Lula-mordendo-a-língua

22/10/2014

às 20:51 \ Sem categoria

“Aqui entre Nós”, com Joice Hasselmann e Augusto Nunes: como Lula quer que seja gentil com todas as mulheres, Aécio deveria perguntar-lhe por que foi muito mais generoso com a quadrilheira Rose Noronha

No Aqui entre Nós, da TVeja, Joice Hasselmann e Augusto Nunes conversaram sobre o clima beligerante estimulado por Lula nos comícios do PT, a iminente entrada do ex-presidente no pântano da Petrobras, a contra-ofensiva de Aécio no programa eleitoral de que participaram Marina Silva e Renata Campos, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira e a transformação das mulheres em arma eleitoral pelo benfeitor da vigarista Rosemary Noronha.

09/10/2014

às 19:13 \ Sem categoria

A iluminação pelas urnas, de Fernando Gabeira

Publicado no Estadão desta sexta-feira

Pesquisas, análises, previsões, fizemos de tudo para entender o futuro. Mas ele nos escapou, inúmeras vezes, ao longo do caminho. Nunca tivemos uma dose tão cavalar do imprevisível como nesta disputa de 2014.

Alguns jornalistas chamaram o processo de montanha-russa. As emoções foram tantas que, às vezes, essas bruscas oscilações acabaram por ofuscar o conteúdo.

Marqueteiros, campanhas de desconstrução, tudo isso, para mim, foi apenas uma cortina de fumaça. Sem me arriscar a previsões, perplexo com os sobressaltos da campanha, eu a via, no entanto, com uma simplicidade meio tosca: a luta cristalina entre oposição e um governo amplamente rejeitado.

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09/10/2014

às 19:10 \ Sem categoria

‘Mal do começo ao fim’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta sexta-feira

Com a inflação acumulada de 12 meses de 6,75% em setembro, acima do limite de tolerância (de 6,5%) de um regime de metas inflacionárias já excessivamente complacente, e sem sinais de que as pressões sobre os preços arrefecerão de maneira expressiva até dezembro, o governo Dilma Rousseff completará os quatro anos que os eleitores lhe concederam da maneira como começou: muito mal.

E deixará as finanças públicas e a economia brasileira em condições bem piores do que encontrou, com o crescimento tendendo a zero, o descumprimento da meta de superávit primário e, de modo cada vez mais evidente, a paralisia do mercado de trabalho. Não adianta culpar “a crise externa” por esse quadro desastroso (ver, abaixo, editorial Nas contas, destaque negativo). Ele foi sistematicamente construído desde 2003. Na economia, o governo Dilma colhe o que o PT plantou.

21/08/2014

às 10:40 \ Sem categoria

Reynaldo-BH: ‘Temos de votar pelos mortos por 12 anos de descaso com a saúde’

REYNALDO ROCHA

Gracias a la vida! Como em quase tudo, damos valor ao que não temos. Ou estamos perdendo. Defendemos o que merece nossa crença durante a vida. E na véspera de ir-se – como todos irão – LUTAMOS pelo que deixamos de fazer. Pela vida não vivida. Pelos valores óbvios. Pela dignidade. Pelos filhos e filhas. Pelos amigos. Pelo que se pode deixar como legado.

A visão de mundo passa a ser mais intensa. O sentimento de ser menor do que a necessidade. De ser um ponto fora de uma reta (não curva) determinada por um pensamento único.

Não é privilégio nem maldição. É a vida. Assim ela é. Só sabe quem vive, na inteira concepção da palavra.

De onde vem a verdade que nestes tempos negros passou a ser propriedade dos poderosos? Quais valores éticos são valorizados? Ódio, ameaça, ofensa, raiva e mentira passam a ser um alegre modelo de combate. Do mau combate.

Um dia o marqueteiro americano James Carville cunhou a frase célebre ─ “É a economia, idiota!” ─ para identificar o que determinaria o futuro de uma eleição.

No Brasil, é a VIDA, IDIOTA!

Tenho – contra a minha vontade, óbvio… – frequentado hospitais com uma frequência que ninguém merece. Nem escolhe. E a pior parte. Aquela que, a cada nova consulta ou internação, falta um… E ninguém ousa perguntar.

Não sou médico. Sou doente. E como tal entendo a saúde pública no Brasil de modo mais intenso que um médico cubano ou paciente do Sírio Libanês.

Empresários que exploram planos de saúde privados são hoje mandatários da ANS e determinam valores irrisórios pagos a médicos e custos nunca cobertos nos hospitais. A saúde privada desceu ao patamar da pública, em acelerada marcha. As filas são as mesmas, a insatisfação do corpo médico idem. E o governo anuncia avanços na área que Lula acha perto da perfeição.  Seria risível se não fosse ofensivo. E macabro. O resultado é uma sepultura. Adiada para os eleitos. Antecipada para todo o resto: nós.

São doze anos de descaso com a saúde. De não formação de médicos. De sucateamento dos hospitais e centros especializados. De uso da saúde privada como alternativa vulgar do que é obrigação do estado, até o ponto de acabar com ela.

Tenho pressa. Todos deveriam ter. A vida é breve e passa muito rápido.

O uso criminoso de gangues que dominam ministérios e agências de saúde ha doze anos provocou quantas mortes que poderiam ser ao menos adiadas? Querem um inventário pessoal? Básico, particular e real.

Alguns exemplos bastam. Doutor Rebelo, um português, agonizou por 15 dias com um câncer cerebral à espera de ANESTESIA para ser operado. Morreu antes.

Zé Augusto  precisava de interferon. A Receita Federal impediu a entrada do medicamento numa das operações de rotina. Morreu 25 dias depois por septicemia derivada de um câncer de rim.

A dona Aninha, uma senhorinha que pedia para morrer, faltava morfina. Um amigo médico contrabandeou a droga para o hospital. E ela teve os últimos 5 dias de paz e sonhos até partir.

Palito, menino de rua com câncer de pele, cheirava mal. Não havia vaga na UTI. Morreu no corredor. Em cima de uma maca. Aos 15 anos.

Seu João, o padeiro, descobriu que tinha câncer numa consulta. Morreu 18 dias depois de internado. Era ainda o quinto da fila para atendimento.

A bela Analice extirpou o câncer de mama. A recidiva ocorreu três meses depois. Não havia vaga na UTI. Morreu em casa em consequência da metástase devastadora.

Vi médicos com olhos vermelhos nos corredores. Causa: bebida, maconha ou choro. Por dor. Por não desistirem da luta. Por terem escolhido a profissão certa no país errado. Por tentarem ser fortes. Os olhos, que nunca mentem, denunciavam a revolta, a humilhação, a comiseração.

Esse é o Brasil que quero deixar no passado. Que após 12 anos reduziu TUDO (saúde pública ou privada) a um padrão africano.

Tenho pressa. O Brasil deveria ter. Em nome de tantos que em 5 de outubro não irão votar.

Morreram antes.

 

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