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O País quer Saber

17/05/2013

às 19:15 \ O País quer Saber

Um encontro entre a presidente e o mamute ministerial não dura menos de 6 horas e meia

BRANCA NUNES

O governo brasileiro acabou de fabricar o 39º ministério, mas todo recorde pode ser batido: caso precise saciar o apetite de outro partido da base alugada, o Planalto criará o 40°, ou o 41° ─ não há limites para a engorda do mais obeso primeiro escalão da história. Enquanto isso, os países do mundo civilizado (ou mesmo do não tão civilizado assim) consegue fazer mais – e melhor – com muito menos. No Reino Unido, por exemplo, os ministros são 24. A França tem 21 e o Chile, 22.

A Alemanha exibe a economia mais sólida da Europa, mas se contenta com 14 ministérios. Os Estados Unidos estacionaram em 15 há muito tempo. Até Angola, com 28 cabeças, parece sofrer de raquitismo perto do mamute brasileiro.

A façanha consumada por Dilma Rousseff exige um esforço e tanto para promover-se uma simples reunião ministerial. Caso cada integrante da equipe falasse por apenas 10 minutos, por exemplo, a maratona não consumiria menos de seis horas e meia ─ sem intervalos.

Imagine-se, como sugeriu o comentário de um minuto para o site de VEJA, que Dilma resolva saber como vão as coisas em todos os setores com 39 audiências, uma por dia. Levaria dois meses para completar a empreitada. Haja paciência. Haja dinheiro público. E haja espaço: lado a lado, eles não cabem sequer na fotografia.

10/05/2013

às 19:54 \ O País quer Saber

Depois de dois anos de ocupação no Complexo do Alemão, a bandidagem ainda comanda um naco da favela

Publicada na edição de VEJA de 13 de março, a reportagem de Leslie Leitão revela como estão as Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) dois anos depois da estreia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As conclusões conduzem novamente à associação inevitável: imagina na Copa.

LESLIE LEITÃO

As cenas dos blindados da Marinha espantando a bandidagem de seu maior enclave no Rio de Janeiro – o aglomerado de favelas da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca – correram o mundo e demarcaram um novo capítulo na história do combate ao crime no Brasil. Nunca os marginais haviam perdido poder em um território tão estratégico. Houve desde aí avanços inequívocos nessa área onde residem 200.000 pessoas e que por décadas subsistiu à margem do estado. Mas, dois anos e três meses depois, a batalha do bem contra o mal chegou a uma encruzilhada. A retomada de terreno sob o jugo do crime – ponto nevrálgico da política de instalação de Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) – vem sendo afrontada.

No Complexo do Alemão, o foco da resistência tem nome e lugar: chama-se Areal, um naco do morro de difícil acesso, emoldurado por um matagal de onde se pode acompanhar o vaivém da favela. Para cruzar a linha imaginária que delimita o lugar, só mesmo com a autorização do bando ali encastelado. Nas poucas vezes em que os policiais atravessaram a fronteira, arrependeram-se. Na última, em dezembro, um PM acabou alvejado com um tiro na cabeça. O bunker abriga o arsenal bélico e uma porção importante da droga que, sim, é vendida por todo o Alemão. É também o escritório do último dos chefões ainda não capturado: Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. A polícia sabe que ele vai e volta àquela trincheira.

Nos últimos dois meses, VEJA acompanhou a vida no complexo, ouvindo mais de 150 pessoas, entre moradores, policiais e turistas – estes movidos pela curiosidade de pisar numa grande favela e pela vista deslumbrante que se descortina do alto. Chegam ao cume pelo teleférico que virou cartão-postal da era das UPPs, já baseadas em 31 antigos domínios do crime no Rio. Por seu relevo tomado de ruelas labirínticas, sua extensão e proeminência no crime, é o Alemão que impõe de longe os maiores obstáculos.

As primeiras conquistas são visíveis. O amontoado de lixo e o emaranhado de fios ilegais pendentes vão aos poucos sendo subtraídos da paisagem. A frequência e o rendimento escolar subiram e o morro avança rumo à formalidade: 460 negócios foram recém-legalizados e há até um shopping à vista. Mas a persistência dos criminosos e suas constantes exibições de poder, ainda que sem a velha ostentação de fuzis, continuam a intimidar os cidadãos de bem – e são um lembrete contundente de que é preciso sustentar com mão de ferro a guerra contra a lógica criminosa que sempre reinou. “Nunca tivemos a ilusão de que os bandidos fossem desistir fácil. Resta-nos ainda uma longa missão”, reconhece o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

A bandidagem se reorganizou em novas bases, agora mais modestas e discretas, instalando seus Q.G.s em locais sem UPP. Os soldados do tráfico passaram a circular no Alemão em grupos de cinco ou seis, e não mais em “bondes”, às dezenas. Carregam pistolas escondidas e pequenos lotes de drogas, dos quais podem se livrar rapidamente se necessário. Há bocas de fumo nos becos e vielas, e não mais à vista de todos.

As poucas apreensões realizadas nas semanas em que VEJA esteve no Alemão mostram que a droga chega já embalada em saquinhos com preço, identificação do conteúdo e um selo em que se lê CV, as iniciais da facção que atua na favela. O pacote pequeno de cocaína (“Suave Veneno”) custa 3 reais, e o maior (“Avenida Brasil”), 10. Os preços são os mesmos cobrados antes da instalação da UPP. Um economista poderia concluir que a força pacificadora não acarretou nenhum aumento no custo marginal da cocaína na favela – trocadilho que nesse caso tem sua dose de realidade.

Os traficantes não arredaram pé dos negócios que tocam na base do terror. Eles continuam a cobrar um pedágio – ou “taxa”, no jargão local – dos vendedores de gás: 5 reais o botijão. No último dia 19 de janeiro, um desobediente, talvez depositando excessiva fé nos novos tempos, fez que se esqueceu da tarifa. Foi morto a tiros em uma das praças centrais do complexo.

Não foi a única barbárie presenciada por VEJA no Alemão.Em 23 de fevereiro, a movimentada Praça do Terço ferveu de gente que foi ao Baile da Paz, iniciativa da UPP para substituir as agora proibidas noitadas promovidas pelos marginais, embaladas a drogas e funks com letras de apologia ao crime. O morador Edival Carvalho Miranda, 39 anos, participou da organização. Os chefes do tráfico sentiram-se ofendidos com a iniciativa. Dois dias depois, veio o castigo. O corpo de Edival foi encontrado com dois buracos de tiro na cabeça, sinais claros de execução. Sinal também da antiga e devastadora certeza da impunidade, o combustível do crime organizado.

Do lado da polícia, a favela também parece ter voltado ao seu passado de trevas. Quem mais sabe das coisas em uma favela carioca são os mototaxistas. VEJA ouviu de uma dezena deles a mesma história. Policiais da banda podre estão extorquindo 30 reais mensais dos mototaxistas, a infame taxa de segurança que eles antes pagavam aos bandidos.

A presença da UPP na favela tem a dinâmica de uma cabeça de ponte, o termo militar para descrever a situação altamente instável em que apenas um pedaço do terreno do inimigo foi conquistado. Em uma situação dessas existem duas possibilidades apenas. O avanço ou o revés total, com a retomada do território pelo inimigo.

O revés total é um fantasma que paira sobre a UPP. O avanço só será possível com uma mudança radical na polícia, a começar pela própria formação dos agentes. O propósito mais nobre da UPP é permitir que as instituições da vida civilizada cheguem à população favelada. Isso significa, antes de mais nada, que os direitos de cidadania das pessoas serão garantidos pelo estado. Nos territórios retomados, os policiais deveriam ser reconhecidos como o braço armado das instituições. Em muitos lugares isso é apenas uma utopia.

No ano passado, 46 policiais que atuavam em UPPs foram flagrados e presos por crimes contra a população local. Esquemas de propina já foram desnudados aos montes em favelas ocupadas – o mais recente no pequeno Fallet/Fo­gueteiro, no centro do Rio, onde bandidos de farda recebiam mesada de 53 000 reais do chefão da área, que continua à solta. A VEJA, a Secretaria de Segurança revelou a entrada em operação de um serviço de inteligência montado exclusivamente para investigar e coibir crimes de policiais de UPPs. É uma boa iniciativa, mas insuficiente para impedir o retrocesso.

Os militares que fazem seu trabalho com honestidade são alvo constante de tiros de fuzil disparados por traficantes contra suas precárias instalações – contêineres de aço adaptados para abrigar pessoas. Num dia de janeiro, em represália a incursões da polícia, os marginais cravaram diversos balaços na parede de uma UPP. Não custa lembrar que a força policial foi colocada nos morros para pacificá-los.

Os frequentes ataques a bala mostram que esse objetivo está longe de ser alcançado. Os tiroteios continuam fazendo parte do cotidiano com a mesma espantosa naturalidade com que um grupo de garotos brincava de guerrear no meio da rua com “armas” feitas com canos de PVC sobre as quais eles fantasiavam: “Essa é uma Desert Eagle. Em casa tenho um FAL e um AK”. Se nada for feito, a inocente brincadeira vai evoluir para cenas reais de crimes no futuro.

07/05/2013

às 19:49 \ O País quer Saber

O apagão de 14 horas e a cratera em frente do estádio do Maracanã levam à associação inevitável: imagina na Copa

Rio de Janeiro, 5 de maio: “A recomendação aos motoristas é evitar a Radial Oeste nesta segunda-feira”, avisou Carlos Roberto Osorio, secretário municipal de Transportes, depois do rompimento de uma tubulação de água da Cedae que escavou uma cratera de quatro metros de diâmetro e quatro de profundidade numa das principais avenidas da capital fluminense, bem em frente do estádio do Maracanã. “Ainda temos de esperar o andamento dos trabalhos de recuperação da via, mas, mesmo no melhor cenário, teremos problemas”, preveniu o secretário.

Rio de Janeiro, 6 de maio: “Os ventos fortes duraram das cinco às nove da manhã, com queda de árvores muito grandes”, recitou José Humberto Costa, diretor de distribuição da Light, depois que 17 bairros cariocas ficaram sem energia elétrica por até 14 horas. “Foi uma situação atípica. Demoramos mais pelas características do temporal”.

Diante de situações tão desoladoras, a associação é inevitável: imagina na Copa.

29/04/2013

às 19:38 \ O País quer Saber

A estreia da caxirola agita a internet com a especulação inevitável: imagina na Copa

BRANCA NUNES

Lançada festivamente no Palácio do Planalto neste 23 de abril, a caxirola ─ um caxixi repaginado para transformar-se na versão nativa da vuvuzela sul-africana ─ até que foi bem em ambiente fechado. Apresentado por seu inventor, Carlinhos Brown, o instrumento caiu nas graças da presidente Dilma Rousseff, entusiasmou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, recebeu a chancela do Ministério do Esporte e saiu de Brasília pronta para fazer bonito na Copa de 2014.

O clima de otimismo foi fortemente abalado neste domingo, quando a novidade concebida há dois anos estreou a céu aberto em Salvador. O cenário parecia perfeito: Vitória e Bahia disputariam o grande clássico regional na Arena da Fonte Nova, reconstruída para abrigar jogos da Copa das Confederações e do Mundial. Indignados com a vitória por 2 a 1 do velho rival, os torcedores do Bahia não demoraram a descobrir que o caxixi com alça pode ter outras finalidades além das musicais.

Para testar a aceitação do público, a empresa The Marketing Store, detentora dos direitos de fabricação e comercialização da caxirola, distribuíra 50 mil unidades entre as torcidas dos dois times. Já no primeiro tempo, esparramavam-se pelo gramado dezenas de caxirolas. Logo viraram centenas. E se tornaram incontáveis quando os aficcionados do Bahia decidiram descontar a frustração no juiz, nos bandeirinhas, nos adversários e nos jogadores do time do coração.

Impressionados com a chuva de caxirola, milhares de brasileiros multiplicaram na internet a mesma especulação: imagina na Copa. Aparentemente, o episódio não abalou a confiança dos empreendedores. A Marketing Store pretende vender a R$ 29,90 cada um dos 1,8 milhão de instrumentos do primeiro lote. Até o fim da Copa, a empresa espera colocar no mercado entre 10 milhões e 50 milhões de caxirolas. Se a demanda explodir, avisa a assessoria de imprensa, os fabricantes estão prontos para chegar à marca dos 100 milhões.

Ao saber dos incidentes na Fonte Nova, o ministro Aldo Rebelo ficou alguns segundos pensativo antes de soltar a pérola de concisão: “Não é boa notícia”. Outra pausa e o comentário de quem se esforça para acreditar no que está dizendo: “Não necessariamente vai acontecer algo semelhante se o Brasil estiver perdendo uma partida na Copa”.

Compreensivelmente, a The Marketing Store não vai reprisar o teste da Fonte Nova. A caxirola só voltará a entrar em campo quando começarem os jogos entre seleções. E se o time brasileiro estiver perdendo? E se os craques de Felipão pisarem na bola? Não é difícil imaginar como será.

19/04/2013

às 17:50 \ O País quer Saber

Garçom faz ponta para que suplente não discurse para ninguém

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEXTA-FEIRA

MARIA LIMA

De garçom do Senado a dublê de Senador por meia hora. A pedido do Senador João Costa (PPL-TO), o garçom Johnson Alves Moreira fez uma ponta de Senador para que Costa não discursasse no plenário vazio. Como presidente da sessão, já que não havia parlamentares para ocupar cadeiras enquanto estivesse na tribuna, o Senador do Partido da Pátria Livre fez um discurso de 14 páginas sobre aborto e “direitos do nascituro à luz do sistema do Direito romano e do ordenamento jurídico brasileiro”.

Com a TV Senado focada só em sua imagem, Costa encenou para uma plateia inexistente e gesticulou para o Senador falso, que retribuía com gestos afirmativos de cabeça.

- Senhor presidente, senhores Senadores, senhoras Senadoras, senhores e senhoras presentes, e aqueles que acompanham esta sessão pela rádio e TV Senado – começou Costa, para ninguém.

O “garçom-Senador” virou motivo de piadinhas dos seguranças, que sugeriram que ele fizesse um aparte. Indiferente, o Senador de verdade – suplente – discursava. Para encerrar, outra mentirinha, como se o plenário estivesse concorrido:

- Considerando a exiguidade do tempo e o número de oradores, solicito que as peças do pronunciamento sejam dadas como lidas. Obrigado pela atenção! – disse, saudando o plenário, mas tendo à frente só o garçom, também tocantinense.

- Gostei da experiência – disse Johnson.

14/04/2013

às 10:37 \ O País quer Saber

Pyongyang, capital de uma bolha nuclear

REPORTAGEM PUBLICADA NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

CLÁUDIA TREVISAN 

A Coreia do Sul está mergulhada em pobreza e violações brutais de direitos humanos, os moradores de Nova York têm de sair às ruas com colete à prova de balas para se proteger da violência e a ideologia juche criada por Kim Il-sung é estudada de maneira fervorosa ao redor do planeta. O retrato do mundo e da Coreia do Norte apresentado nos jornais, rádios e TVs oficiais do país é um exercício de permanente glorificação da dinastia Kim.

Notícias internacionais são escassas e costumam dar destaque a catástrofes naturais, como tufões e terremotos, e ao impacto negativo da intervenção dos EUA em crises internacionais. O sistema apela permanentemente para a demonização dos “imperialistas” americanos e seus “fantoches” sul-coreanos e exalta o militarismo e a suposta superioridade da peculiar versão local do socialismo.

As experiências de Iugoslávia, Iraque e Líbia são usadas para demonstrar o que pode ocorrer com países desprovidos de armas poderosas e servem para jutificar a defesa da construção de um arsenal nuclear pela Coreia do Norte. A propaganda oficial sustenta que, sem ele, o país poderá ser invadido e dominado pelos americanos. O risco de um conflito armado é sempre apresentado como iminente, o que é usado para justificar o investimento militar num dos mais pobres países do mundo.

Também é o álibi para explicar a ausência de acesso à informação fora dos canais oficiais de propaganda, apresentada como uma maneira de proteger a população da influência inimiga. Norte-coreanos não têm internet, não usam e-mails e não têm ideia do que sejam Facebook e Twitter.

Na primavera, os meios oficiais trazem textos quase diários sobre exposições das flores em vários países. No universo em que habitam, a kimilsungia é a flor mais sagrada do mundo e kimjongilia, a mais famosa – homenagens aos dois primeiros ditadores. Segundo a máquina de propaganda de Pyongyang, a kimjongilia floresce nos cinco continentes e “atrai a admiração da humanidade com seu charme”.

Os representantes das três gerações de líderes da família Kim são apresentados como estadistas respeitados. Na quarta-feira, a agência oficial de notícias KCNA disse que “todo o mundo” enviou “calorosas congratulações” a Kim Jong-un pelo aniversário de um ano da nomeação como primeiro-secretário do Partido dos Trabalhadores e primeiro-presidente da Comissão de Defesa Nacional “Mais de 12 mil veículos de comunicação de todo o mundo competiram entre si para dar ampla publicidade a suas incessantes inspeções do front e orientações práticas nas mais diferentes áreas”, declarou o texto.

Na mitologia construída pela propaganda oficial, Kim Il-sung (1912-1994), seu filho Kim Jong-il (1941-2011) e o neto Kim Jong-un, de 30 anos, são apresentados como líderes que guiam os norte-corea-nos em tarefas tão distintas como a plantação de batatas e a fabricação de foguetes.

O ponto alto da visita a qualquer instituição ou empresa é a relação das orientações escritas recebidas de cada um dos Kim e o registro das datas em que visitaram o local pessoalmente. Em todos os lugares há quadros, mosaicos ou fotos e de Kim Il-sung e Kim Jong-il, que também aparecem nos broches levados do lado esquerdo do peito.

A glorificação da Coreia do Norte e da dinastia Kim é acompanhada pela apresentação sombria do mundo exterior, em especial dos EUA e da Coreia do Sul. Sob o título O pior deserto de direitos humanos, os veículos oficiais divulgaram em março relatório que apontou a situação “medonha” em que vivem, os vizinhos do Sul. “Mais de 7 milhões de famílias, que representam 45% do total, estão vivendo uma existência da mão para a boca, sem moradia permanente, e inúmeras enfrentam uma vida de privações em lugares que dificilmente podem ser chamados de lares”, sustentou a propaganda norte-coreana.

Os dois lados da península foram separados em 1945 em uma zona de influência socialista no Norte e outra capitalista no Sul. A Coreia do Sul é um dos países mais avançados tecnologicamente e tem um PIB per capital de US$ 31 mil, quando calculado de acordo com a Paridade do Poder de Compra (PPP), que leva em conta os preços domésticos. A Coreia do Norte não divulga estatísticas econômicas, mas a cifra é estimada em US$ 1.800.

Kim Jong-il acreditava que a diluição ideológica havia sido a principal razão para o fim da União Soviética e decidiu intensificar a doutrinação para sustentar o regime. Mas o contato com o mundo exterior começa a abrir brechas na propaganda monolítica, com a entrada clandestina de DVDs sul-coreanos e chineses.

06/04/2013

às 14:20 \ O País quer Saber

O que realmente importa

O que você levaria se tivesse que deixar sua casa às pressas e fugir para outro país? O fotógrafo e jornalista Brian Sokol fez essa pergunta a dezenas de refugiados sírios e sudaneses. As respostas, colhidas durante o período em que Sokol acompanhou o trabalho do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), resultaram no projeto “A coisa mais importante”, que pode ser visto no site Razões para Acreditar, de Vicente Carvalho. Confira alguns casos:

O objeto mais importante que Dowla trouxe foi a balança de madeira que a ajudou a carregar os filhos durante a viagem de 10 dias de Gabanit ao Sudão do Sul

Amuna elegeu a panela, equilibrada no alto da cabeça, com o qual foi capaz de alimentar os filhos durante a viagem

Maria, de 10 anos, escolheu o galão, que ostenta com orgulho no acampamento Jamam, no condado de Maban, no Sudão do Sul

Yusuf mostrou o celular que trouxe ao fugiu da Síria : “Com ele, sou capaz de ligar para o meu pai”.

Magboola também escolheu uma panela: pequena o suficiente para que pudesse levar na viagem, mas grande o suficiente para cozinhar para as três filhas

Torjam trouxe duas garrafas de plástico. Em uma carregou água potável e, na outra, óleo de cozinha

Haja optou pelo xale, chamado de “taupe”, que usou para carregar a neta de 18 meses

Maio, de 8 anos, posou para o retrato em Domiz, um campo de refugiados na região iraquiana do Curdistão. Ela e sua família fugiram de Damasco, capital da Síria. A coisa mais importante que ela trouxe foi o conjunto de pulseiras que usa nesta foto

Quando Taiba Yusuf, de 15 anos, fugiu do Sudão, não conseguiu trazer roupas, sapatos, água ou comida. Mostra apenas as mãos, vazias

Abdul não sabe se poderá voltar para a Síria, mas levou chaves de casa

Alia, de 24 anos, disse que trouxe apenas "a minha alma, nada mais, nada material". Quando lhe perguntaram sobre a cadeira de rodas, respondeu apenas que a considera uma extensão do corpo, não um objeto

Para Ahmed, de 70 anos, seu objeto mais importante foi a bengala sem a qual não teria feito a travessia de duas horas para o Iraque

Em frente ao campo, essa mulher mostrou o diploma. Com ele, poderá continuar a estudar na Turquia

Omar trouxe o "buzuq", instrumento que o faz recordar da terra natal

28/03/2013

às 21:05 \ O País quer Saber

Rose foi a única inscrita no Programa Conheça o Mundo com o Presidente

Entre dezembro de 2005 e novembro de 2010, Rosemary Noronha participou de 34 viagens oficiais que lhe permitiram não fazer nada, além de alegrar o presidente da República,  em 24 países distribuídos por três continentes. Durante o dia, Lula fazia discursos. Rose fazia compras ou se juntava aos ouvintes do Exterminador do Plural. A dupla só se juntava à noite. É certo que não misturavam assuntos públicos com prazeres privados, mas ninguém sabe o que conversavam. O que todo mundo sabe é o que faziam.

Confira o roteiro do Programa Conheça o Mundo com o Presidente.

2005

Dezembro – Cúpula do Mercosul, Montevidéu (Uruguai).

2006
Julho – Cúpula do Mercosul, Córdoba (Argentina).

2007
Junho – Cimeira União Europeia-Brasil, Lisboa (Portugal)
Julho – Conferência Internacional de Biocombustíveis, Bruxelas (Bélgica)
Novembro – Cúpula Ibero-Americana, Santiago (Chile)
Dezembro – Posse da presidente Cristina Kirchner, Buenos Aires (Argentina); Visita de trabalho, Caracas (Venezuela); Declaração sobre o Corredor Bioceânico, La Paz (Bolívia); Cúpula do Mercosul, Montevidéu (Uruguai).

2008
Abril – Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Acra (Gana)
Maio – Cúpula da Alc-UE (Conferência de Ciência e Tecnologia), Lima (Peru)
Julho – Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Lisboa (Portugal)
Outubro – Visita oficial, Madri (Espanha); Cúpula Ibero-americana, São Salvador (El Salvador); Visita oficial, Havana (Cuba).

2009
Março – Cúpula América do Sul-Países Árabes, Doha (Qatar); Encontro bilateral, Paris (França)
Abril – Cúpula do G-20, Londres (Inglaterra)
Maio – Posse presidencial de Maurício Funes, São Salvador (El Salvador); Encontro bilateral, na Guatemala; Encontro bilateral, San José (Costa Rica)
Agosto – Cúpula do Mercosul, Assunção (Paraguai)
Novembro – Encontro bilateral, Caracas (Venezuela)
Dezembro – Visita de Estado, Kiev (Ucrânia); Cúpula Ibero-americana, Estoril (Portugal); Visita de Estado, Berlim (Alemanha); Encontro empresarial, Hamburgo (Alemanha).

2010
Março – Cúpula da América Latina e Caribe sobre Integração e Desenvolvimento e Cúpula G-Rio, Cancún (México); Visita oficial, em Havana (Cuba); Visita oficial, São Salvador (El Salvador)
Maio – Visita oficial, Moscou (Rússia); Cimeira Brasil-Portugal, Lisboa (Portugal)
Novembro – Encontro bilateral, Maputo (Moçambique); Cúpula do G-20, Seul (Coreia do Sul)

26/03/2013

às 17:21 \ O País quer Saber

Escalas de Dilma no exterior custaram R$ 433 mil aos cofres públicos

A gastança da comitiva de Dilma Rousseff em Roma, onde ficou três dias para um encontro de meia hora com o Papa Francisco não foi uma exceção. É o que comprova a reportagem publicada pela BBC Brasil nesta segunda-feira. Só durante uma escala de duas horas em Praga, em abril de 2011, a presidente e seus acompanhantes gastaram R$ 75.000,00. Ou seja, R$ 625,00 por minuto.

João Fellet

Escalas em viagens internacionais da presidente Dilma Rousseff em que ela não teve compromissos oficiais e, em alguns casos, realizou passeios turísticos custaram R$ 433 mil aos cofres públicos.

O valor inclui despesas apenas com hospedagem e diárias em visitas a Atenas (Grécia), Praga (República Tcheca) e Granada (Espanha), que ocorreram durante escalas de viagens de Dilma e sua comitiva à Ásia.

Em nota, a assessoria da Presidência disse que as visitas da presidente a Atenas, Praga e Granada foram “escalas obrigatórias de caráter técnico”, programadas conforme os limites de autonomia do avião presidencial.

Dados do Ministério de Relações Exteriores obtidos pela BBC Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação revelam ainda que as 35 viagens presidenciais em 2011 e 2012 custaram R$ 11,6 milhões. Desse montante, R$ 7,8 milhões se referem a gastos com hospedagem e R$ 3,8 milhões a despesas com diárias, item que inclui alimentação e transporte. Os valores incluem também gastos com a preparação das viagens.

A viagem sem compromissos oficiais de Dilma mais cara, ao custo de R$ 244 mil, foi para Atenas, em abril de 2011. A presidente e sua comitiva passaram uma noite na capital grega antes de prosseguir para a China.

Na ocasião, ela visitou o Partenon, um dos principais pontos turísticos do país, e fez visita de cortesia ao então premiê George Papandreou. Interpelada por jornalistas, ela se recusou a responder perguntas, dizendo estar “a passeio”.

Na volta da viagem à China, Dilma parou em Praga. A escala, que durou duas horas, custou R$ 75 mil.

Em março de 2012, a presidente voltou a fazer escala prolongada em viagem à Ásia. Antes de ir à Índia para uma cúpula dos Brics, ela passou por Granada, cidade turística no sul da Espanha.

Acompanhada pelos ministros Aloízio Mercadante (Educação) e Antonio Patriota (Relações Exteriores), Dilma visitou a Alhambra, complexo de palácios de arquitetura mourisca considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

A viagem, que durou cerca de sete horas, custou R$ 89 mil. Os gastos da comitiva que acompanhou o ministro de Relações Exteriores somaram outros R$ 24,5 mil.

Marrocos e Jordânia - A primeira lista que o Itamaraty enviou à BBC Brasil com gastos de todas as viagens presidenciais continha ainda despesas em Marrakech (Marrocos) e Amã (Jordânia), ocorridas entre março e abril de 2012, mesmo período da viagem de Dilma à Índia.

Após a Presidência ser avisada da reportagem, o ministério enviou nova tabela, excluindo as despesas nas duas cidades. O órgão não explicou a mudança. A presidente, no entanto, não visitou os dois países.

A assessoria do Planalto não respondeu que critérios nortearam a composição da comitiva presidencial nas escalas em Atenas, Praga e Granada e nem por que Dilma foi acompanhada por ministros em passeios turísticos.

Segundo a assessoria de Dilma, as escalas não foram incluídas na agenda oficial porque apenas o local de partida e o destino final das viagens presidenciais são registrados.

O órgão afirma ainda que a presença da presidente em qualquer ponto do Brasil ou do exterior, independentemente do tempo de permanência, “deve ser precedida por equipes com profissionais responsáveis por garantir sua segurança e o atendimento das necessidades da comitiva, o que explica a ocorrência de despesas com essas equipes técnicas”.

Na semana passada, os gastos da viagem de Dilma a Roma para a posse do papa Francisco geraram críticas e pedidos de explicação entre opositores. A visita, que custou R$ 324 mil, durou três dias.

Outras viagens presidenciais tiveram custos muito mais elevados. Em dezembro de 2011, uma visita de Dilma a Paris que também durou três dias custou R$ 1,23 milhão. A presidente se hospedou com sua comitiva no hotel Bristol, um dos mais luxuosos da capital francesa.

A viagem de Dilma a Londres durante as Olimpíadas, em julho de 2012, custou R$ 1,08 milhão. Em setembro de 2011, uma visita a Nova York durante a Assembleia Geral da ONU custou R$ 917 mil, gasto ligeiramente superior a visita à mesma cidade no ano passado (R$ 884 mil).

Em suas viagens, Dilma tem optado por pernoitar em hotéis, evitando se hospedar nas casas de embaixadores brasileiros.

A viagem mais barata da presidente, em junho de 2011, foi para Assunção, capital paraguaia. A visita, durante cúpula do Mercosul, durou um dia e custou R$ 84 mil.

22/03/2013

às 19:40 \ O País quer Saber

Marin tropeça em mais uma gravação e se mete em outra enrascada

JÚLIA RODRIGUES

Em ascensão no ranking das mais ouvidas na internet, a gravação de um palavrório de José Maria Marin ameaça prolongar a insônia do atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Ouve-se a voz inconfundível do principal cartola do país conversando, supostamente, com diretores da BWA ─ empresa especializada na produção de ingressos que, até poucos anos, monopolizava a confecção de bilhetes de entrada para todos os jogos de times paulistas. A BWA também disputa na justiça a administração do Estádio Castelão, em Fortaleza.

No áudio, Marin pode ter estabelecido um novo recorde em matéria de baixarias por minuto. “Não mencionem o meu nome! Se me perguntarem de vocês, eu vou dizer que vocês dois são dois grandes filhos da p… irresponsáveis”, diz a certa altura. Ele se mostra grávido de indignação com o envolvimento do seu vice-presidente Marco Polo Del Nero em histórias muito mal contadas.“Do jeito que estão fazendo, vocês vão por o Marco Polo até na cadeia”, irrita-se o ex-deputado estadual e ex-governador paulista.

Del Nero também é presidente da Federação Paulista de Futebol, integrante do Comitê Executivo da Fifa e dono de um escritório de advocacia que tem há 18 anos, em sua carteira de clientes a BWA. “Vocês estão correndo o Brasil dizendo que são sócios do Marco Polo Del Nero, que a Ambev é cliente deles, e estão jogando outras federações contra o Marco Pol”, acusa Marin. “Vocês são tão idiotas para mostrar que tem poder”.

“Este último vídeo do Marin comprova que a CBF está nas mãos de uma quadrilha”, denunciou pelo Twitter o deputado federal (PSB-RJ). “Prende esses caras, está na hora de dar um exemplo para o Brasil”. O bombardeio que inferniza vida de Marin vai além do território do futebol. Também acusado de envolvimento na trama que resultou no assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o comandante da CBF é alvo de uma petição que exige seu afastamento do cargo.

Divulgada no início de março, outra gravação abalou as relações entre Marin e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. “Olha, entre nós, o poder dele é meio limitado”, diz o loquaz supercartola a um interlocutor não identificado. “Eu trato ele muito bem, com toda deferência me dirijo a ele, mas a gente percebe que ele não é um ministro de força”. Marin tem reiterado que “as gravações foram manipuladas e serão tratadas como crime”.

Confira as inconfidências sonoras que tiraram o sono de Marin:

(sobre o ministro Aldo Rebelo)


(sobre Marco Polo Del Nero e a BWA)

 

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