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História em Imagens

06/02/2012

às 19:27 \ História em Imagens

Em julho de 2005, o Jornal da Band mostrou Gilberto Carvalho em ação

Atordoado com a descoberta do pântano do mensalão, o Brasil decente não conferiu a devida importância à reportagem exibida pelo Jornal da Band em 2 de julho de 2005. “O senador Eduardo Suplicy vai pedir uma nova e aprofundada investigação sobre a morte do prefeito de Santo André, no ABC paulista, Celso Daniel”, que em seguida registra a descoberta espantosa: remetidas por um presidiário, cartas enviadas ao então presidente Lula, à polícia e à justiça sustentavam que a morte de Celso Daniel foi planejada por uma organização criminosa comandada do interior das cadeias.

“Os presos teriam agido a mando de pessoas citadas em um dossiê com denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André”, informa o apresentador. “Esse dossiê estaria em poder de Celso Daniel”. Depois de referências às torturas sofridas por Celso Daniel , ouve-se a voz de Gilberto Carvalho com Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. A reportagem é encerrada com a declaração de Eduardo Suplicy: “Eu tenho a convicção total que o próprio presidente Lula, diante das novas revelações, será a primeira pessoa a querer ter e solicitar o esclarecimento completo destes fatos”.

Vejam e ouçam Gilberto Carvalho em ação. E entendam por que Lula recomendou a Suplicy que esquecesse o assunto.

25/01/2012

às 17:26 \ História em Imagens

Cinco tipos paulistanos

Branca Nunes



O pomar do jardineiro
Não fossem os odores repulsivos e a moldura feita de arranha-céus, quem caminha pela viela de terra que margeia o Rio Pinheiros e topa com o Pomar Urbano pode achar que caiu numa fazenda do interior paulista: vacas pastando contracenam com famílias de capivaras ou bandos de lagartos no cenário suavizado por centenas de palmeiras-jerivá, biris-vermelhos   grama-amendoim. Responsável pela plantação e conservação do lugar, Daniel Sousa de Oliveira é um dos oitenta  jardineiros do Pinheiros. “Sinto orgulho quando vejo alguma propaganda que mostra o pomar”, confessa. “Parece que sou eu que estou na televisão.” Se pudesse escolher o que é plantado ali, Daniel optaria por mais quaresmeiras e ipês. De que cor? “Todas”, responde. “Acho injusto achar uma cor mais bonita que a outra. Elas se completam.”

 



O vendedor de guarda-chuvas
“Boa chuva!”, deseja Aldo Grecco aos que, minutos depois de entrar com roupas molhadas, saem prontos para enfrentar a tempestade. Integrante da terceira geração de uma família de fabricantes de guarda-chuvas, Aldo administra a loja que, aberta em 1971, é a mais antiga do gênero em São Paulo. “Antes, o guarda-chuva fazia parte do vestuário”, conta. “As pessoas procuravam qualidade. Hoje, querem algo pequeno e barato.” Apesar da invasão dos produtos chineses e do sumiço da garoa paulistana, Aldo não tem queixas a fazer. “Em São Paulo, o que você faz você vende”, garante. Um dos milhões de descendentes de italianos que vivem na cidade, ele avisa que não pretende suspender a fabricação de peças que custam mais de 300 reais. “Isso, sim, é um guarda-chuva de verdade.”

 



O dono da bica
A cidade que matou mais de 100 córregos, sepultou um rio e mantém outros dois na UTI não conseguiu assassinar uma  relíquia inverossímil: a única fonte de água mineral urbana do mundo. Localizada no bairro de Santo Amaro, fica a 500  metros abaixo da superfície e a menos de 5 quilômetros do agonizante Pinheiros. Nos anos 80, a Fonte Petrópolis Paulista foi comprada pelo pai de Amilcar Lopes Junior, atual proprietário. “Além de entregarmos em casa, as pessoas  podem trazer recipientes e enchê-los com água”, explica. O litro é vendido a 0,27 real e cada um dos mais de 40.000 clientes mensais leva para casa 40 litros do líquido inacreditavelmente insípido, inodoro e incolor. Os paulistanos consomem mais de 3,5 bilhões de litros de água tratada pela Sabesp por dia, o equivalente a 1 400 piscinas olímpicas. Os fregueses da Petrópolis bebem, literalmente, água na fonte.

 



Uma Itália com sotaque escocês
Poderia ser Positano, na Itália, ou algum vilarejo francês na Provença, dois dos muitos lugares deslumbrantes onde Nick  Johnston morou nos seus 43 anos de vida. Mas foi em São Paulo que esse escocês de Edimburgo decidiu abrir a Bacio di Latte, sorveteria — “gelateria”, ele faz questão de dizer — que se transformou num dos cases de sucesso de 2011. “Quando dois amigos italianos falaram na ideia da gelateria, topei na hora”, diz. “São Paulo tem muita gente com um gosto tão refinado como o dos europeus. E tem também a mão de obra que trabalha de forma artesanal com muita competência.” Numa cidade onde, a cada ano, 30% dos bares e restaurantes abrem e fecham as portas, a Bacio festejou o primeiro aniversário com o recorde estabelecido num domingo de sol: um sorvete vendido a cada trinta segundos.

 



O maquinista sem locomotiva
Operador da Linha 4-Amarela do metrô, Fábio Silva não precisa de locomotiva para transportar 525 mil passageiros por dia. Usando apenas o computador, ele determina a velocidade dos vagões, controla a abertura das portas, sabe exatamente a hora de parar. A exemplo da linha 14 do metrô de Paris, a similar paulistana funciona por controle remoto. Formado em mecatrônica, Fábio já pilotou pessoalmente os trens, que também obedecem ao sistema manual. “É uma sensação de poder incrível”, alegra-se. Mas prefere ficar longe dos trilhos, instalado na sala provida de ar-condicionado e várias telas. “Dentro do trem, dirijo apenas aquele carro”, diz. “Aqui, é como se estivesse no comando de uma cidade inteira”.

11/01/2012

às 19:02 \ História em Imagens

Separados ao nascer

Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil e Fernando Bezerra, Ministro da Integração Nacional

Waldomiro Bezerra Coelho e Fernando Diniz

06/01/2012

às 21:07 \ História em Imagens

Nunca desista de seus sonhos

Meu amigo Moacir Japiassu, jornalista maior e admirável romancista, mandou-me um vídeo que resume a esperança de milhões de brasileiros. Divirta-se.

21/12/2011

às 19:15 \ História em Imagens

O Lhama-de-Franja e o Homem sem Visão de 2011 formam uma dupla e tanto

Em 28 de julho de 2008, o presidente da Bolívia, Evo Morales, precisou de menos de 30 segundos para explicar como funciona o Estado Democrático de Direito na cabeça de um genuíno Lhama-de-Franja: “Quando algum jurista me diz: ‘Evo, você está equivocado juridicamente, isso que está fazendo é ilegal’, bom… eu faço mesmo que seja ilegal. Depois digo aos advogados: ‘Se é ilegal, legalizem, pois foi para isso que estudaram’”.

Quem tem um Márcio Thomaz Bastos pode dispensar-se de tais diálogos. Desde junho de 2005, quando a descoberta do mensalão apressou seu deslocamento para o posto de Advogado-Geral dos Bandidos de Estimação, Márcio trata de legalizar o ilegal antes mesmo de ouvir pedidos de Lula. Foi o doutor do mensalão quem transformou o dinheiro das malas de Marcos Valério em “caixa dois”, ou a ladroagem deslavada em “recursos não contabilizados”. Se Evo Morales conhecer o conjunto da obra do imaginoso jurista, nosso Homem sem Visão de 2011 nem terá tempo para festejar o título. Antes que o ano termine, vai assumir o Ministério da Justiça da Bolívia.

09/12/2011

às 19:22 \ História em Imagens

O que o neurônio solitário quis dizer?

Durante a viagem à Venezuela, um jornalista sugeriu a Dilma Rousseff que tivesse mais “encontros bilaterais” com a imprensa. A presidente respondeu o seguinte:

“Bilateral com vocês? Eu tenho… assim… um amor perdido por vocês. Perdido… tá? Assim… aqueles da gente piscá margaridinhas. E aí eu… eu queria acrescentá: essas declarações de amores de vocês que não vêm é que fazem falta pra mim, tá?

Parece mentira? Confira o vídeo de 19 segundos. Está tudo lá. Em seguida, tente encontrar alguma resposta para a pergunta que atormenta o Brasil que pensa: o que Dilma Rousseff quis dizer?


03/12/2011

às 16:01 \ História em Imagens

O dia em que Dilma começou a construir o maior aeroporto fantasma do mundo

O terceiro aeroporto de São Paulo começou a tomar forma em 20 de julho de 2007, na entrevista coletiva em que Dilma Rousseff anunciou a descoberta da fórmula para acabar com apagões e desastres aéreos. “Determinamos a construção de um novo aeroporto e a expansão dos já existentes”, acelerou a Mãe do PAC já na largada do falatório, depois de informar que as pistas de Congonhas voltariam a ser reservadas exclusivamente a voos domésticos. Os estudos sobre o novo assombro do Brasil Maravilha seriam concluídos em 90 dias. Mas até o terreno já estava escolhido.

Onde seria construído esse colosso da aviação civil?, excitaram-se os jornalistas. Caprichando na pose de superexecutiva nascida para tornar mais que perfeito o país que Lula registrou no cartório, Dilma avisou que se tratava de segredo de Estado. “Não sabemos onde será e, se soubéssemos, não diríamos”, ensinou. “Jamais iríamos dizer isso para não sermos fontes de especulação imobiliária” (veja o vídeo abaixo). Passados quase quatro anos e meio, Congonhas e Guarulhos estão na ante-sala do colapso. O deslumbramento prometido Dilma é o maior aeroporto fantasma do mundo. Nunca existiu.

Sem saber atirar, Dilma Rousseff virou modelo de guerrilheira. Sem ter sido vereadora, virou secretária municipal. Sem ter sido deputada estadual, virou secretária de Estado. Sem ter sido deputada federal ou senadora, virou ministra. Sem ter inaugurado nada de relevante, virou gerente de país. Sem saber juntar sujeito e predicado, virou oradora de comício. Sem ter tido um só voto na vida, virou candidata à Presidência. Há 11 meses, tenta enfiar-se na fantasia em frangalhos de superadministradora obcecada pela perfeição.

Como fez o padrinho durante oito anos, a afilhada esconde a indecorosa nudez administrativa com farsas forjadas por muita propaganda, muita discurseira e muito cinismo. O Brasil nunca foi um país sério. Pode virar piada.

21/11/2011

às 18:00 \ História em Imagens

O recado curto e claro de Ivan Lins: ‘É uma vergonha o que está acontecendo no Brasil em matéria de corrupção’

Em 18 de agosto de 2011, no festival de jazz de Ipatinga, em Minas Gerais, o show de Ivan Lins começou com a celebração da decência. O vídeo de dois minutos e meio mostra um compositor em perfeita sintonia com o país que presta.

14/11/2011

às 18:07 \ História em Imagens

A maluquice audiovisual é a cara de Dilma

08/11/2011

às 16:17 \ História em Imagens

A violência no Rio criou a figura do correspondente de guerra doméstico

No prefácio do livro Mr, You Bagdad, dos jornalistas William Waack e Hélio Campos Mello, resumi em dois parágrafos a admiração que sinto pela mais nobre linhagem do jornalismo.

Os correspondentes de guerra compõem uma tribo especialíssima, a que só podem pertencer jornalistas puro-sangues. Nela jamais haverão de figurar os fracos e os pusilânimes, ainda que talentosos. Tampouco haverá lugar para os exageradamente duros: também ali vigora o critério segundo o qual é preciso endurecer, sem contudo perder-se a ternura. Os demasiadamente temerários conseguem às vezes incorporar-se à tribo, mas quase nunca sobrevivem para contar a história. Ou a História.

Audácia na justa medida, coragem física, equilíbrio em situações de alto risco, a serenidade que não se deve confundir com a frieza, porque os serenos não perdem a capacidade de emocionar-se mesmo depois de longamente submersos numa rotina brutal que escancara a banalidade da morte: eis aí ─ além dos pré-requisitos sem os quais ninguém será um bom jornalista ─ alguns componentes indispensáveis ao coquetel de que resulta um correspondente de guerra.”

Os focos de violência que se multiplicam pelo Brasil criaram a figura do correspondente de guerra doméstico. Enquadram-se nessa categoria, por exemplo, os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas destacados para a cobertura da Guerra do Rio. Eles não precisam de passaportes e viagens aéreas para deslocar-se até o campo de batalha: a área conflagrada está frequentemente a algumas centenas de metros de distância, às vezes no morro logo ao lado de onde moram. Nem podem confiar nos equipamentos de segurança, atestou a morte de Gelson Domingos, cinegrafista da Band. Antes de dilacerar-lhe o peito, a bala de fuzil perfurou o colete supostamente à prova de bala.

Gelson somou-se à procissão de vítimas que inclui, entre tantas outras, o argentino Leonardo Henrichsen, fulminado por um militar chileno em 1973, e o americano Bill Stewart, executado na Nicarágua em 1979 (veja os vídeos). O cinegrafista da Band também amplia a lista dos caçadores de imagens abatidos na Guerra do Rio. A última filmagem informa que ele também morreu em defesa da verdade.

Rio de Janeiro, 2011

Chile, 1973

Nicarágua, 1979


 

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