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30/07/2014

às 18:35 \ Direto ao Ponto

O presidente do Santander parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir de joelhos um grande banco

Faz três dias que o presidente do Santander tenta falar por telefone com a presidente da República. Faz três dias que Dilma Rousseff manda dizer que está ocupada. Mas é improvável que Emilio Botín desista de ampliar o notável acervo de humilhações acumulado desde sexta-feira, quando soube da colérica reação dos donos do poder ao retrato sem retoques da paisagem econômica brasileira distribuído pelo banco entre um grupo de clientes.

Pelo que anda fazendo, Botín parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir um grande banco de joelhos. Primeiro, ajoelhou-se diante de Dilma com um pedido de desculpas que a destinatária, na sabatina da Folha, rebaixou a “protocolar”. Depois, ajoelhou-se diante de Lula para entregar-lhe a cabeça da profissional que coordenou com correção e competência o trabalho encomendado pela direção do Santander.

“Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma”, berrara o palanque ambulante numa discurseira para os companheiros amestrados da CUT. A ofensa do grosseirão vocacional, que só sabe ser generoso na hora de pagar com dinheiro público a gastança das roses noronhas, precedeu a exigência repulsiva: o antigo dirigente sindical cobrou a demissão de uma bancária: “Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.

A primeira ordem já foi cumprida. Falta acertar o tamanho do bônus. Feito isso, só faltará sujeitar-se às vontades do PT, que considera “terrorismo eleitoral” qualquer reparo à desastrosa política econômica do governo lulopetista. Se tornar definitiva a opção preferencial pela vassalagem,  Botín terá de escolher entre dois becos sem saída.

O primeiro começa na interrupção dos diagnósticos que esmiuçam o quadro político-econômico e termina à beira do penhasco. O Santander pode perder uma imensidão de contas para os bancos que continuarão a valer-se de análises escritas ou relatórios verbais para contar aos clientes o que não é novidade sequer para os índios das tribos isoladas: a possível reeleição de Dilma é uma hipótese apavorante para quem costuma ver as coisas como as coisas são ─ e vê o que fez em três anos e meio o poste que Lula instalou no Planalto.

O segundo beco sem saída começa na fabricação de análises desenhadas para agradar ao governo, passa ao largo de pedidos de desculpas à oposição e acaba no buraco negro da credibilidade zero. Caso decida avançar por aí, Botín não demorará a presidir uma instituição com a imagem em frangalhos. Em compensação, não terá dificuldades para conseguir uma audiência de meia hora com a chefe de governo.

A temperatura do encontro ficará especialmente agradável se Botin presentear Dilma Rousseff com um par de sapatos para dormir. Talvez até consiga convencer a presidente a aplicar no Santander aqueles 152 mil que guarda debaixo do colchão.

30/07/2014

às 15:21 \ Opinião

‘Nacionalismo canhestro’, de Merval Pereira

Publicado no Globo desta quarta-feira

MERVAL PEREIRA

De duas, uma: ou há uma conspiração internacional contra o Brasil, ou o governo brasileiro está flertando perigosamente com o perigo, alheio às advertências que partem de todos os lados sobre as fragilidades de nossa economia. Ontem foi o Fundo Monetário Internacional (FMI) que colocou o país entre as cinco economias mais vulneráveis do mundo, ao lado de Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul.

Também a agência de classificação Moody’s divulgou um relatório onde afirma que a Petrobras é, entre as empresas petrolíferas da América Latina, a que corre o maior risco financeiro por que está sendo usada politicamente para segurar a inflação com o represamento dos preços de combustíveis no País.

E o que respondem nossos dirigentes? Ao mesmo tempo em que vibram com a derrota política que impuseram ao banco espanhol Santander, tratam de declarar platitudes à espera de que as coisas melhorem por si, sem demonstrar a menor intenção de fazer mudanças no rumo tomado. Ao contrário, consideram que não o que mudar.

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30/07/2014

às 13:02 \ Opinião

Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas

Publicado na Coluna do Ricardo Setti

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WALTER DEL PICCHIA*

Um estudo publicado no site do voto eletrônico pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do voto eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados, demonstra cabalmente que nossas urnas eletrônicas, endeusadas como a oitava maravilha do mundo, na realidade estão tecnicamente ultrapassadas pelas utilizadas nos dez países onde se realizam eleições informatizadas (Modelos e Gerações das máquinas de votar – Janeiro/2014).

Ele descreve os três modelos conhecidos (DRE, VVPAT e E2E), denominando-os como de Primeira, Segunda e Terceira gerações. Estas denominações traduzem o fato de que os três modelos surgiram como evolução, um após o outro, para resolver algum problema do modelo anterior.

Em todo o mundo onde se usa voto eletrônico, excluindo-se o Brasil, modelos de 1ª geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja, modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam causar erros não detectados nos resultados da votação).

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30/07/2014

às 6:03 \ Opinião

‘A sua TV nova, linda e cara’, cinco notas de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

Atenção, pessoal que comprou uma TV LED de alta definição, tela enorme, som surround, com toda a tecnologia de última geração, para ver o Brasil ganhar a Copa: no dia 19 de agosto começa o Horário Eleitoral Gratuito.

Gratuito para quem, cara-pálida? Para o Tesouro não é, pois deduz dos impostos das emissoras de rádio e TV o valor do tempo de propaganda – e, ao contrário do que ocorre com qualquer anunciante, que tem desconto, o Tesouro paga a tabela cheia. Para os candidatos também não: elaborar um bom programa para o horário eleitoral é caríssimo. É a principal despesa, hoje, da campanha. Para a democracia o prejuízo é maior ainda: graças ao horário eleitoral, dezenas de partidecos se formam, só para vender seu tempo aos partidos maiores. Podem receber dinheiro ou cargos no Governo. Isso explica o inchaço do número de Secretarias estaduais e Ministérios: é preciso pagar a turma que vende o tempo. Explica também as estranhíssimas alianças: em troca de alguns segundos no horário gratuito, partidos e candidatos mais fortes vendem a mãe, e entregam.

Este colunista já defendeu o horário eleitoral gratuito, em nome da democracia, por abrir a todas as correntes o acesso à divulgação de suas ideias. Hoje é contrário, em nome da democracia, por ter visto que tudo virou negócio. Pois há, além de alianças esquisitas, também partidos que não se aliam mas vendem o tempo para falar mal dos adversários de quem os comprou.

Chega de propaganda paga por nós. Quem quiser ser chato e falar besteira que pague por isso.

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29/07/2014

às 18:06 \ Vídeos: Entrevista

João Doria Jr. no Roda Viva: “Há uma profunda desconfiança do empresariado em relação à política econômica de Dilma”

O entrevistado do Roda Viva desta segunda-feira foi João Doria Jr., presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide). Entre outros assuntos, o empresário comentou a situação econômica do país, o quadro eleitoral, o nível de desemprego e o desempenho de Dilma Rousseff. De acordo com Doria, o Brasil só voltará a crescer com uma ousada mudança de rumo. Para justificar o apoio à candidatura de Aécio Neves, recorreu a uma imagem futebolística: “Se o time está perdendo, tem que trocar o técnico”. A bancada de entrevistadores foi composta por David Cohen (Época Negócios), Raquel Landim (Folha de S. Paulo), Carla Jimenez (El País), Ana Clara Costa (VEJA.com) e Ralphe Manzoni Jr. (Isto É Dinheiro).

29/07/2014

às 17:27 \ Opinião

‘Quanto custa chegar lá’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta terça-feira

Foi um escândalo quando, nos anos 1990, horrorizado com a disparada dos custos das campanhas eleitorais, o governador paulista Mário Covas (1930-2001) defendeu o fim da exibição de cenas externas no horário de propaganda — cuja produção é o item singular mais caro do rol de despesas dos aspirantes a cargos executivos nos três níveis da Federação. Se dependesse dele, cada candidato usaria os seus minutos para explicar, apenas com a cara e a coragem, por que vinha pedir o voto do eleitorado. A fatura ficaria reduzida a uma sombra do que era.

Os primeiros, nem de longe os únicos, a ridicularizar a ideia foram os políticos com os bolsos decerto mais fundos do que os do tucano, ou talvez menos desconfortáveis do que ele com a servidão de retribuir, uma vez no poder, à largueza dos grandes financiadores — construtoras e bancos, notadamente. A boa vontade de seus controladores variava e jamais cessaria de variar na razão direta da expectativa de rentáveis oportunidades de produzir bens ou prestar serviços aos futuros governantes. Os valores dos depósitos, evidentemente, acompanhando à risca as variáveis chances de êxito dos principais candidatos: mais pontos nas pesquisas, doações mais gordas. Mas, se aos políticos com prósperos amigos incomodava a perspectiva de um terreno de luta aplainado praticamente por igual, outros se puseram a protestar para defender o pão doce de cada dia.

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29/07/2014

às 10:35 \ Direto ao Ponto

Quem não governa sequer o que diz jamais aprenderá a governar um país

Atualizado às 10h30

Na segunda metade dos anos 60, Stanislaw Ponte Preta fez enorme sucesso com os três volumes do seu Festival de Besteira que Assola o País, o FEBEAPÁ. Hoje, o alter ego do escritor Sérgio Porto teria material suficiente para publicar um livro por mês. Mas os leitores talvez não fossem tantos. Com o advento da Era da Mediocridade, o brasileiro padrão passou a encarar com indulgência de comparsa manifestações de ignorância que antes punia com gargalhadas, vaias, deboches, ironias, piadas desmoralizantes e outros corretivos impiedosamente didáticos.

O país embrutecido pela jequice é complacente até com presidentes da República incapazes de ler, escrever ou dizer coisa com coisa. E não reage a cenas de idiotia explícita que, nem faz tanto tempo assim, garantiam ao protagonista, fosse ele nativo ou gringo, o estigma de cretino fundamental. Um caso clássico é o de Dan Quayle, vice-presidente dos Estados Unidos entre 1989 e 1993, que precisou só de meia dúzia de frases para consolidar a fama de imbecil também entre brasileiros com mais de 20 neurônios.

Uma delas: “A perda de vidas é irreversível”. (“Minha mãe nasceu analfabeta”, empatou Lula sem que fosse imediatamente internado num hospício-escola).  Outra do americano trapalhão: “Fiz uma viagem à América Latina e só lamentei não ter estudado Latim com mais dedicação para poder conversar com aquelas pessoas”. (Lula, o Inimputável, superou-o ao inventar uma invasão da China pelo exército de Napoleão Bonaparte). O palanque ambulante continua por aí, despejando bobagens de meia em meia hora. A vida pública de Quayle foi encerrada em 1992, numa sala de aula onde resolveu posar de professor de ortografia.

No vídeo que registra o pedagógico fiasco, o vice de George Bush pai aparece ditando a palavra inglesa correspondente a “batata” a William Figueroa, aluno da 6ª série que participa de um concurso de soletração. Depois de escrever potato, o aluno é delicamente repreendido pelo mestre aloprado: “Está correto foneticamente, mas você está esquecendo alguma coisa”. Em seguida, Quayle sussurra algo aos ouvidos do garoto, que imediatamente deforma a grafia certa com o acréscimo de um e inexistente. O potatoe eliminou Figueroa do concurso e antecipou dramaticamente a aposentadoria política do ainda jovem n° 2 dos EUA.

Dilma Rousseff também recorreu a uma vogal pinçada no cérebro baldio para transformar Ariano Suassuna em Ariano “Suassuana”.  O sobrenome do grande morto é a vítima mais recente da oradora tatibitate que troca, embaralha ou esquece nomes de ministros, prefeitos, estados, cidades e coisas com desoladora frequência. Esse defeito de fabricação, contudo, fica com cara de pecado venial quando confrontado com as sessões de tortura a que Dilma vive submetendo não só a língua portuguesa, mas também o raciocínio lógico, o senso comum e a inteligência alheia.

No post reproduzido na seção Vale Reprise, por exemplo, a doutora em nada ensina que só pode ocupar a Presidência da República gente nascida e criada em todos os estados brasileiros. Quem não governa sequer o que diz jamais aprenderá a governar um país, comprova a performance de Dilma no coração do poder. Ela acha que merece um segundo mandato. Os eleitores decidirão se o Brasil merece ser presidido mais quatro anos por uma versão em dilmês e assustadoramente piorada de Dan Quayle.

29/07/2014

às 10:30 \ História em Imagens

Ariano ‘Suassuana’ é a mais recente vítima do neurônio solitário que inventou o ‘Antônio’ Garotinho e o Aldo ‘Rabelo’, fora o resto

“Desta vez não vou errar o nome do prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio”, cumprimentou-se Dilma Rousseff durante a convenção do Partido Republicano da Ordem Social (PROS) em junho que formalizou o apoio à candidata ao segundo mandato. O entusiasmo é justificável. O neurônio solitário vive trocando nomes de gente, cidades ou Estados, mas só o companheiro cearense foi castigado em duas ocasiões diferentes por esse mesmo defeito de fabricação.

Na primeira, em julho de 2013, Dilma não conseguiu lembrar como se chamava o prefeito logo ao lado:

Quatro meses depois, Roberto Cláudio foi chamado duas vezes de Antônio Cláudio.

Pelo esforço para memorizar o nome composto, a presidente poderia ter ganhado nota 10 não fosse por outro detalhe. Quando resolveu “comprimentá” Anthony Garotinho, Dilma decidiu aportuguesar o nome do ex-governador: ”Quero dirigir um cumprimento especial ao ex-governador do Rio, o deputado federal Antônio Garotinho”.

A troca de nomes de pessoas e lugares deixou de surpreender convidados e assessores há algum tempo. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, por exemplo, foi rebatizado de Aldo “Rabelo” já durante a posse.

 

Em 2011, quando participou de um encontro com governadores do Nordeste, Dilma chamou a cidade de Toritama, no sertão de Pernambuco, de Ibotirama. “Eu falei para vocês que não era Ibotirama”, esbravejou a presidente em público. “Vocês vejam o que é uma ótima assessoria”.

 

Em visita a Mato Grosso do Sul, Dilma foi corrigida pela plateia ao se referir a Mato Grosso. “Do Sul”, acrescentou a presidente. “Vocês me desculpem, Mato Grosso do Sul”.

Ariano ‘Suassuana’ é a mais recente vítima. A amostra de vídeos avisa que o neurônio solitário implora por reparos urgentes.

28/07/2014

às 16:37 \ Homem sem Visão

Aldo Rebelo, Fernando Haddad, Henrique Alves, Felipão, Moreira Franco e Renan Calheiros brigam na enquete pelo troféu

Começou a votação na enquete que apontará o ganhador do título de Homem sem Visão de Julho. Inscritos voluntariamente ou por determinação dos leitores-eleitores, seis feras estão na disputa.

Aldo-Rebelo

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28/07/2014

às 11:18 \ Opinião

‘O socorro de Lula a Dilma’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta segunda-feira

Foi necessário que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva entrasse em campo para evitar que a presidente Dilma Rousseff fosse incluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) entre os responsáveis pela desastrosa compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobrás. Sem a intervenção pessoal de Lula, Dilma teria de lidar na campanha eleitoral com o fato de não ter impedido a realização de uma das transações mais lesivas aos cofres públicos na história da Petrobras. Para quem já enfrenta queda de popularidade e críticas cada vez mais pesadas pela condução ruinosa da economia nacional, ser ademais tachada de inepta na administração dos negócios da mais emblemática empresa estatal do País certamente traria prejuízos incalculáveis à sua candidatura. Por isso, Lula não titubeou.

Dois dias antes de o assunto sobre a refinaria entrar na pauta do TCU, Lula recebeu José Múcio Monteiro, ministro do tribunal, em São Paulo. Múcio foi ministro de Relações Institucionais do governo Lula e nomeado para o TCU pelo petista.

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