Blogs e Colunistas

27/01/2015

às 17:03 \ Direto ao Ponto

“Pátria Educadora” é só mais um escárnio gerado pelo cruzamento da cabeça baldia de Lula com o neurônio solitário de Dilma

O ex-presidente Lula menospreza o estudo, odeia leitura e não sabe escrever. Acha que acumulação de conhecimentos é coisa de granfino desocupado e nunca foi além da orelha de um livro. Quatro manuscritos rabiscados em 60 anos informam que, submetido a uma prova de redação do Enem, entraria para a história universal da ignorância como detentor da primeira nota abaixo de zero. Em nações civilizadas, estaria matriculado num curso de alfabetização de adultos. Como isto aqui é o Brasil, o Exterminador do Plural virou Pai da Pátria Educadora.

Enquanto coleciona títulos de doutor honoris causa, o torturador de vogais e consoantes já assinou dois prefácios, dezenas de artigos para jornais e o Acordo da Reforma Ortográfica. Mas vive escorregando em escolhas que desnudam o farsante. Os olhos orientados por uma cabeça baldia, por exemplo, viram em Dilma Rousseff uma sucessora à altura do maior dos governantes desde Tomé de Souza. Por enxergar uma superexecutiva em quem nunca passou de nulidade sem cura, instalou no gabinete presidencial um poste de terninho.

A sumidade em questões energéticas confunde fusível com fuzil. Não lembra o título nem o nome do autor do livro que jura estar lendo (e adorando). Exprime-se num dialeto indecifrável para quem só compreende português. Como o repertório vocabular não chega a mil palavras, platitudes de jardim de infância e frases sem pé nem cabeça reprisam a cada duas linhas expressões já grisalhas. “No que se refere” é a que puxa a fila. Para Dilma, qualquer irrelevância é “muito importante”. E toda opinião divergente consegue deixá-la “estarrecida”.

Esses defeitos de fabricação são amplamente compensados pelo título honorífico de matar Cristina Kirchner de  inveja : Mãe da Pátria Educadora. Essa condecoração intangível lhe permite caprichar na pose de melhor da classe para falar sobre rigorosamente tudo sem nada dizer de aproveitável. Seu problema é o mesmo que acossa o padrinho: também a afilhada trai nas escolhas o formidável despreparo. Os olhos obedientes ao neurônio solitário, por exemplo, enxergaram em Cid Gomes o gênio da raça nascido para dar um jeito no sistema de ensino público em avançado estágio de decomposição.

O novo ministro da Educação tem tanta intimidade com o assunto quanto Lula com o grego antigo e Dilma com a física quântica. Até agora, sua mais profunda dissertação sobre ensino público é a que aparece no vídeo abaixo, gravado em 2011. Em menos de 40 segundos, o então governador do Ceará amparou-se numa tese tão inventiva quanto imbecil para justificar a rejeição do reajuste salarial reivindicado por professores da rede estadua. Confira:

“Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado. É uma opinião minha que governador, prefeito, presidente,deputado, senador, vereador, médico, professor, policial devem entrar… ter como motivação para estar na vida pública amor, espírito público. Quem tá atrás de riqueza… de… de…de dinheiro deve procurar outro setor, não a vida pública”. 

Nascido numa família de políticos, desde a primeira fralda Cid é sustentado por quem paga imposto. Jamais devolveu um tostão da fortuna que juntou servindo à nação como deputado, prefeito e governador. No comando da capitania do Ceará, transformou os cearenses em financiadores do passeio de jatinho na Europa em companhia de parentes ─ sogra incluída ─, assessores e amigos. Logo estará sobrevoando os céus do Brasil como passageiro da FABTur. Mas faz de conta que aceitou a vaga no primeiro escalão por amor e espírito público. Haja cinismo.

A Pátria Educadora abriga mais de 13 milhões de analfabetos ─ um oceano de gente que impõe ao Brasil um desolador 8° lugar no ranking da ONU que mede a taxa de analfabetismo em 150 países. Outros 30 milhões não sabem escrever muito mais que o próprio nome. Metade dos alunos das universidades federais é desprovida de raciocínio lógico. Os alunos do 1° grau aprendem que falar errado está certo. Na prova de Redação do Enem, 500 mil estudantes foram estigmatizados com a nota zero. Fora o resto.

Promovido a gerente de um sistema educacional em frangalhos, o ministro engoliu sem engasgos o corte de verbas decretado pela chefe quando ainda tentava decorar o ramal da secretária. Logo terá provado que, no criadouro de poderosos idiotas, o que está péssimo sempre pode piorar. Tudo somado, fica evidente que “Pátria Educadora”, a mais recente tapeação da grife João Santana, não é slogan, nem lema, muito menos bandeira desfraldada pelo novo governo.

É só mais um escárnio gerado pelo cruzamento de uma cabeça baldia com um neurônio solitário.

27/01/2015

às 9:44 \ Opinião

Oliver: Futebol na pirambeira

VLADY OLIVER

O que temos diante de nossos narizes, caros cidadãos eleitores e contribuintes, é um jogo de futebol num campo inclinado, com trezentos jogadores num dos times, juízes, bandeirinhas e gandulas todos comprados e ainda assim com dificuldades para fazer gols no arco adversário. É um espanto. Como sou um daqueles agraciados pelas tabuadas que sabem somar dois mais dois, fico me perguntando: de quanto tempo precisará a tal de “oposição” para aprender a se opor a alguma coisa por aqui? Me parece que, no jargão advocatício, vai se formando um “perfil do litigante”, onde todos já sabem quem é o mocinho, quem é o bandido, quais os crimes cometidos e a que punições estariam sujeitos, casos fossem julgados e condenados. Só que nada acontece.

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27/01/2015

às 7:21 \ Opinião

A aprendiz cucaracha de escroque internacional se veste de vítima para esconder a nudez da carrasca

VALENTINA DE BOTAS

Tenho identidades múltiplas, só o fato de ser brasileira já mistura pedaços de identidades euro-africanas – e quantas europas e áfricas não há? Como se não bastasse, e não basta, sou Valentina e outras, também je suis Charlie e ahora yo soy Nisman. E Cristina Kirchner? Uma lenda urbana reza que ela é judia, não é, nem tem ascendência judaica. Cristina multiplica as identidades dela – bolivariana, neo-lôca-peronista, mais-uma-viúva-governante-argentina – para se manter ela mesma: a governante ridícula e absurda que se suicidou moralmente ao negar o liame perverso entre oitenta e cinco pessoas suicidadas por terroristas e uma pelos agentes do país amigo dos terroristas.

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26/01/2015

às 21:22 \ Homem sem Visão

Ao teclado, amigos: quem não pode ficar fora da disputa pelo troféu de janeiro?

augusto-hsvouro

Começa nesta quarta-feira, dia 28, a votação na enquete que apontará o Homem sem Visão de Janeiro. Lançados pelos leitores-eleitores, quatro candidatos já estão inscritos na primeira eleição de 2015. Dois são estreantes muito promissores: Aloisio de Toledo Cesar e Laerte, (ou “Sônia”). Completam o quarteto os veteranos campeões Fernando Haddad e Marta Suplicy.

Aloisio, secretário de Justiça do governo paulista, entrou na briga de foice depois de culpar os assassinados pelo ataque do terror islâmico ao Charlie Hebdo. A carnificina em Paris também precipitou a candidatura do cartunista “Sônia”, ex-Laerte, que garantiu uma boa largada com declarações simpáticas aos assassinos.

Fernando Haddad voltou à luta pelo troféu mensal depois de piorar o secretariado municipal com a nomeação de Alexandre Padilha e Eduardo Suplicy. Marta Suplicy retornou à jaula das feras em combate por ter enxergado agora o que meio mundo vê há 12 anos.

Além dos craques acima mencionados, quem não pode ficar fora da eleição de janeiro? Ao teclado, amigos. E que vença o pior!

26/01/2015

às 20:33 \ Direto ao Ponto

Um assassinato disfarçado de suicídio fez nascer a assombração que vai antecipar a morte política de Cristina Kirchner

Nisman-kirchner

Nunca se viu um suicida tão de bem com a vida na véspera da morte. Neste 16 de janeiro, um sábado, o promotor federal Alberto Nisman saudou com um largo sorriso quem o viu sair do prédio onde morava em Buenos Aires. De volta ao apartamento no bairro de Puerto Madero, fez a lista de compras para a semana seguinte e pareceu muito animado aos amigos com os quais conversou por telefone. A um deles, enviou por celular uma foto que mostra alguns documentos sobre a mesa de trabalho. Eram parte das provas do envolvimento de Cristina Kirchner e figurões do governo numa cabeludíssima trama político-policial.

O ousado homem da lei estava pronto para apresentar ao Congresso, na segunda-feira, a documentação que sustentava a denúncia que uma semana antes espantara milhões de argentinos: em parceria com o governo no Irã, a presidente vinha agindo nas catacumbas para sepultar as investigações sobre o atentado terrorista sofrido em 1994 pela Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA). O arquivamento do caso garantiria a impunidade dos oito iranianos que planejaram a explosão da bomba que matou 85 pessoas. Em troca da criminosa manifestação de apreço, os aiatolás atômicos beneficiariam a comparsa com generosos acordos comerciais.

No domingo, o corpo de Nisman foi encontrado no banheiro, ao lado de um revólver calibre 22, com uma bala enfiada na cabeça. Os integrantes do esquema de segurança juram que foram dispensados do serviço, entre a noite de sexta e a manhã do domingo, pelo homem que deveriam proteger. Também juram que tentaram inutilmente falar com Nisman por telefone. Intrigados com o silêncio do outro lado da linha, chamaram a mãe do promotor, que não encontrou o código para abrir a porta. Chamaram então um chaveiro, que topou com uma segunda porta apenas encostada.

Engrossado por autoridades que nada têm a ver com apurações do gênero, o grupo demorou quase 15 horas para topar com o cadáver. Demoraria mais um dia para descobrir que havia uma terceira entrada, com marcas de pegadas recentes e impressões digitais. O ritmo arrastado do primeiro ato contrastou com a rapidez da promotora Viviana Fein, escalada para cuidar da história. A doutora chegou ao cenário da tragédia no início da madrugada de segunda-feira. Uma hora depois, ressurgiu diante dos jornalistas com o mistério solucionado: “Foi suicídio”.

O parecer de duas palavras ganhou o imediato endosso de Cristina Kirchner, que não perdeu a chance de culpar o morto e, claro, a oposição. A sherloque de tango concluiu que Nisman optou pelo suicídio ao constatar que, tapeado por adversários do governo, acreditara em invencionices, avalizara provas fabricadas e fora injusto com governantes inocentes. Em resumo: aos 51 anos, morreu de remorso. Na terça-feira, peritos informaram que não havia resíduos de pólvora nos dedos do morto. “Lamentavelmente, deu negativo”, suspirou Viviana Fein, que nem por isso se rendeu.

“É preciso fazer outro exame, porque disparos com armas desse calibre às vezes não deixam vestígios”, foi à luta. Na quinta-feira, Viviana e o restante do país se espantaram com a abrupta guinada da viúva profissional. “O suicídio foi um assassinato”, mudou Cristina de rota sem mudar de culpado. Na versão reciclada, os carrascos de Nisman devem ser procurados entre antigovernistas muito espertos. Eles adivinharam que, na cabeça da gente comum, a morte de um acusador da presidente só poderia ser coisa de parceiros da acusada, nunca de adversários beneficados pelas acusações. “Eles o usaram vivo e agora precisavam dele morto”, deduziu Cristina.

Viviana Fein não se abalou: “Podemos até examinar outras hipóteses, mas entendo que foi suicídio”. Entre segunda e sexta, o que começou como suspeita já virara certeza. A promotora irredutível continuou onde sempre esteve: na contramão da verdade. E ali permanece: “”Foi suicídio”, reiterou neste fim de semana depois de confrontada com a revelação do El Clarin: o tiro foi disparado a uma distância de 15 a 30 centímetros. “A distância foi de um centímetro”, devolveu de canela Viviana.

Num país sério, ela já estaria contando o que sabe sabe numa sala de interrogatório. Na terra devastada por uma gangue peronista, segue devotada à missão de exorcizar com mentiras o fantasma que confiscou o sossego da chefona. Perda de tempo. Viviana Fein e milhões de argentinos logo saberão que o promotor federal suicidado se transformou na assombração que vai antecipar a morte política de Cristina Kirchner.

26/01/2015

às 15:36 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘A sanha petista’

Publicado no Estadão desta segunda-feira

Qualquer pessoa que saiba somar dois mais dois sabe que o escândalo da Petrobrás tem raízes eminentemente políticas. O enorme esquema de propinas que tomou de assalto e jogou na sarjeta a reputação da maior empresa estatal do País foi urdido com o objetivo de socorrer as finanças do PT e de seus aliados no cada vez mais dispendioso processo eleitoral brasileiro. Pois é exatamente isso que confirmam mais dois depoimentos divulgados esta semana no âmbito da Operação Lava Jato.

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25/01/2015

às 9:27 \ Opinião

Cinco notas de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Lula está na muda. Silenciou quando sua invisível aliada Rose Noronha deixou de ser invisível e incomodamente apareceu no noticiário. Mais silente ficou quando viu que seus aliados no Governo foram decepados por Dilma.

Dilma está na muda. Silenciou quando teve de adotar as medidas que acusava Aécio de planejar. Mais silente ficou ao descobrir que seus caros aliados, a quem dedicou tanto carinho, confiáveis não são. E que seu próprio PT está rachado.

A Fundação Perseu Abramo, Lula desde criancinha, a acusa de aprofundar as tendências recessivas da economia com medidas conservadoras e ortodoxas – isso, em linguagem petista, é um insulto e tanto. Marta Suplicy, articuladora do movimento Volta, Lula, abriu fogo pesado contra Dilma. Maria do Rosário, que foi ministra de Dilma até outro dia, não se manifestou; mas seu marido, o também petista gaúcho Eliezer Pacheco, prefeito de Canoas, disse que Dilma enfrenta a crise achacando os assalariados, “como sempre fizeram os governos de direita”. E completa: “Sou PT, mas não sou cordeiro nem omisso (…) Não foi nisso que votamos (…) Não trairemos nosso projeto nem que a vaca tussa”.

E todos esses são petistas que, se encontrarem Lula em pessoa, terão de fazer enorme esforço para não cair de joelhos e, testa encostada no chão, voz embargada pela emoção, gritar beatificamente “Caramuru! Caramuru!”

O petista-mor José Dirceu, em seu blog, bateu duro em Dilma. Seu filho Zeca Dirceu fez pesado discurso na Câmara contra a corrupção. A vaca anda tossindo. » Clique para continuar lendo

24/01/2015

às 16:42 \ Opinião

Um grande artigo de Roberto Pompeu de Toledo: ‘Horror, horror”

Publicado na edição impressa de VEJA

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

Inútil qualquer comentário. Já se comentou tudo o que se tinha de comentar sobre o massacre do Charlie Hebdo. Ao colunista que só agora chega ao assunto resta voltar ao começo. A cocker spaniel Lila andava para lá e para cá, cheirando um, aconchegando-se a outro. Lila habitava a redação do jornal satírico francês. Tem o pelo claro, como a Lady do desenho animado, e usava uma coleira com a inscrição “Charlie”. Era a manhã fatídica e ia começar a reunião de pauta da publicação. Momento que se contempla depois cheio de espanto é aquele que precede as tragédias. Como é que tudo podia estar tão no seu lugar? Como era possível estarmos tão distraídos, tão seguros, e como podiam as coisas seguir tão inabalavelmente nos trilhos da rotina? Os jornalistas iam chegando e como quaisquer bons colegas de firma, e não como dos mais malcomportados humoristas da França, desejavam-se feliz ano novo uns aos outros.

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24/01/2015

às 16:20 \ Opinião

Oliver: Os compadres

VLADY OLIVER

Mas, afinal, o que o Petrolão tem a ver com a Smartmatic? O cheiro. Desde o ano passado venho espalhando em meus desagravos pendurados neste ilustre condomínio digital que há uma estranha e oportuna divisão de tarefas – e pesos e medidas – que, se de um lado “prende a arrebenta” o cartel dos construtores “capitalistas” do país, por outro blinda a corja política esquerdossaura de sempre, uma vez que até o momento não sabemos sequer os nomes dos ilustres vigaristas envolvidos em toda essa falcatrua.

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22/01/2015

às 20:36 \ Direto ao Ponto

A marcha na França e a quermesse na Bolívia informam: é de dois séculos a distância entre a Brasília de Dilma e Paris

dilma-posse-evo Dilma Rousseff está em casa, informa a foto que a mostra no meio dos convidados muito especiais que baixaram em La Paz, nesta quinta-feira, para celebrar o início do terceiro mandato de Evo Morales. Depois de três semanas de sumiço, a presidente reapareceu ao lado do anfitrião na fila do gargarejo, com o sorriso de aeromoça que exonera a carranca em momentos festivos. Dilma ressurgiu vestida de Dilma: terninho verde-brilhoso discordando da calça preta que realça o andar de John Wayne.

No Brasil, erguer o braço esquerdo com o punho cerrado virou coisa de mensaleiro na porta da Papuda. Nos grotões infestados de órfãos da União Soviética, ainda é essa a saudação revolucionária dos camelôs de paraísos socialistas. O gesto beligerante é repetido pelo Lhama de Franja, pelo equatoriano Rafael Correa e seu terno de atropelado e por um Nicolau Maduro fantasiado de comunista russo que vai dinamitar o trem do czar.

Poupada de mais um fiasco em Davos, longe da zona conflagrada por apagões, inflação em alta, PIB em baixa, tiroteios no saloon governista, fogo amigo do PT, revelações da Operação Lava Jato, delações premiadas e delatados em pânico, fora o resto, a supergerente de araque desencarnou para que Dilma pudesse incorporar a Doutora em Nada. Dispensada por poucas horas da missão de desgovernar o Brasil, sobrou-lhe tempo para resolver os problemas do mundo trocando ideias de jerico Evo e Nicolás.

Quando a quermesse terminou, a trinca conseguira ferir de morte o imperialismo ianque, esmagar o capitalismo selvagem, expulsar os europeus colonialistas, exterminar a elite golpista e desterrar a burguesia ─ o resto do serviço ficou para o próximo encontro. É compreensível que nenhum dos que aparecem na foto acima tenha dado as caras na imagem abaixo. Eles pareceriam tão à vontade quanto o terninho do neurônio solitário num baile de gala promovido pela rainha da Inglaterra.

chefes de estado- charlieAparecem na foto alguns dos governantes de 40 países que neste 11 de janeiro, em Paris, abriram de braços dados a marcha dos indignados com o ataque terrorista ao Charlie Hebdo. Como os demais tripulantes do barco do primitivismo, Dilma está fora do retrato. Enquanto 3,5 milhões de manifestantes protagonizavam a mais portentosa declaração de amor às liberdades democráticas, a presidente descansava no Palácio da Alvorada. O Brasil foi representado pelo embaixador na França.

“Não houve tempo para preparar a viagem”, desconversou o chanceler oficioso Marco Aurélio Garcia. O governo soube da manifestação na quinta-feira. Em poucas horas, o avião presidencial teria chegado ao destino. Pode-se deduzir, portanto, que a ausência que preencheu uma lacuna não foi determinada pela geografia ou pela duração do voo. Caso a medida utilizada tenha sido o estágio civilizatório, Dilma fez muito bem em ficar por aqui. A França é muito longe.

A declaração de guerra ao ao terror ─ o mais perigoso inimigo das modernas democracias do século 21 ─  é uma perda de tempo para a mulher que não perde por nada uma reunião dos cucarachas estacionados no século 19. O fundamentalismo islâmico é primo do socialismo bolivariano. Com Dilma no Planalto, a distância entre Brasília e Paris é de dois séculos.

 

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