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20/07/2014

às 11:05 \ O País quer Saber

O legado imaginário da Copa das Copas foi embora junto com os turistas. Ficou com os brasileiros a conta da Copa da Roubalheira

Atualizado às 11h05 deste domingo

Dilma, na entrevista coletiva com ministros convocada nesta segunda-feira (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Dilma Rousseff, na entrevista coletiva com ministros convocada nesta segunda-feira (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

BRANCA NUNES

“O Brasil mostrou que estava capacitado e que tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas, às seleções, aos chefes de Estado que viessem nos visitar. O país se superou e nós teríamos de ter a nota máxima”, cumprimentou-se nesta segunda-feira a presidente Dilma Rousseff, na introdução da entrevista coletiva que prometera conceder ao lado de 16 ministros. O que seria o maior evento do gênero em três anos e meio de governo foi a primeira entrevista da história em que não houve perguntas.

A sabatina que se seguiria ao monólogo de abertura foi abortada pela deserção da entrevistada, que invocou a necessidade de decolar rumo ao encontro dos Brics em Fortaleza para abandonar a zona de perigo. Se tivesse ficado por lá, dificilmente escaparia de ser confrontada com a distância que separa a Copa das Copas, que só o governo vê, da Copa da Roubalheira que a imprensa insiste em enxergar

Nesta segunda-feira, por exemplo, uma reportagem publicada pelo Estadão (leia abaixo) mostrou as reais dimensões do que Dilma chama de “legado”. Os projetos vinculados à infraestrutura eram 83 na lista divulgada em 2010. Caíram para 71 – e a maioria está longe da conclusão. Em contrapartida, os gastos saltaram de R$ 23,5 bilhões para R$ 29,2 bilhões. Até agora.

A malandragem federal incluiu a substituição de trens e monotrilhos por meros corredores de ônibus ─ sem que a despesa diminuísse. Embora o governo ainda não tenha publicado o balanço do Mundial da Fifa, um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal calculou, em 2011, que a gastança não seria inferior a US$ 40 bilhões.

“Os projetos de construção do VLT de Brasília e de Manaus ficaram no papel”, constatou o Estadão. “O monotrilho de Cuiabá será entregue no segundo semestre de 2015. Em São Paulo, o Expresso Aeroporto, trem que ligaria o centro da cidade a Cumbica, foi cancelado em 2012. E o monotrilho do Morumbi ainda está em construção”. A contabilidade das realizações invisíveis nem inclui promessas delirantes como o trem-bala, que ficou fora da Matriz de Responsabilidades do Mundial.

“Nosso projeto é que esteja integralmente pronto em 2014 ou pelo menos o trecho entre Rio e São Paulo”, afirmou Dilma Rousseff em junho de 2009, época em que era ministra da Casa Civil de Lula. “Pretendemos ter os trens em funcionamento em 2014 porque esta é uma região muito importante em termos de movimentação na Copa”.

Como as obras de mobilidade urbana continuam no papel, os congestionamentos que diariamente atormentam os brasileiros  não paralisaram as cidades-sede graças à decretação de feriados ou pontos facultativos nos dias de jogos e à antecipação das férias escolares por numerosos estabelecimentos de ensino. “Em uma cidade como São Paulo”, lembrou a reportagem, “isso equivale a trocar o deslocamento de seus 10 milhões de moradores pelo de 64 mil torcedores indo para o Itaquerão e outras 30 mil ou 40 mil pessoas concentrando-se na Fan Fest e bares ao redor no centro da cidade, bem como na Vila Madalena, na zona oeste”.

Essa maquiagem também foi feita, por exemplo, nos corredores do BRT (espécie de corredor exclusivo de ônibus) Norte-Sul e Leste-Oeste de Recife e no metrô de Salvador. No primeiro, apenas quatro das 45 estações funcionaram. Nos dias de jogos, os dois meios de transporte só puderam ser utilizados por aqueles que portavam ingressos.

A boa qualidade do transporte aéreo, aprovada por 76% dos turistas estrangeiros na pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, resultou de operações especiais organizadas pelas próprias empresas, uma vez que as obras previstas para os aeroportos não foram concluídas a tempo. Em Fortaleza, enterrou-se R$ 1,7 milhão num puxadinho construído para fingir por 90 dias que o aeroporto ficou maior.

“No aeroporto de Brasília, o piso na segunda-feira à noite pós-Copa já estava imundo”, observou o jornalista Fernando Rodrigues na Folha desta quarta-feira. “O local continua em obras. Durante o torneio houve a preocupação de lustrar o que era possível. Agora, nos guichês das companhias aéreas já há menos gente trabalhando. Padrão pós-maquiagem”. O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, além de não ter ampliado o terminal de passageiros no prazo combinado, provavelmente terá rescindido o contrato com a construtora. Motivo: os atrasos recorrentes, que adiaram para 2016 o que já deveria estar em funcionamento.

“Único segmento que não sofreu baixas”, como ressalva a reportagem do Estadão, os estádios consumiram R$ 8 bilhões – 98% originários dos cofres públicos –, fortuna 50% maior do que a prevista em 2010. Aprovadas por 92% dos estrangeiros – também segundo o Datafolha –, as arenas Padrão Fifa começam agora a escancarar o Padrão Dilma.

Quem foi à Arena Pantanal nesta terça-feira para assistir ao jogo entre Vasco e Santa Cruz, pela série B do Brasileirão, espantou-se com o lixo e o entulho dentro e fora do estádio, com a iluminação precária no entorno, com o policiamento quase inexistente e com a falta de informação. “O chão que antes brilhava apesar de existir mais gente, hoje está imundo, há muita poeira no local e os espaços lounges estão caindo aos pedaços”, descreveu o barman Junior Santana, que trabalhou no local durante a Copa, numa reportagem publicada pelo Estadão nesta quinta-feira. Na sala de imprensa não havia cadeiras, mesas, cabos de energia nem internet wi-fi.

Aprovada por 95% dos turistas, a hospitalidade dos brasileiros é uma das poucas coisas que permanecerão por aqui com o fim da Copa. As obras para inglês ver se foram na esteira dos estrangeiros que voltaram para casa. O humor nacional tenta resistir ao péssimo desempenho no campo da economia. Como o legado prometido pelo governo, já é bem menor do que foi.

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19/07/2014

às 19:56 \ Feira Livre

Imagens em Movimento: A metrópole engoliu as águas da versão tropical de Veneza

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SYLVIO DO AMARAL ROCHA

Uma história resumida de São Paulo é bem contada num documentário de 25 minutos. Entre Rios, de Caio Silva Ferraz, mostra a importância dos cursos d’água na formação da maior metrópole do país e descreve a trajetória que levou seus habitantes a afastar-se da paisagem original. Hoje a distância é tão grande que os paulistanos ignoram que ruas e avenidas no coração da cidade escondem córregos e riachos sepultados pelo asfalto.

Fruto do trabalho de conclusão do curso de bacharelado em Audiovisual no SENAC feito em conjunto por Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini, o filme, que reúne depoimentos de pesquisadores e imagens de arquivo, é narrado em off – o que pode causar estranheza nos minutos iniciais. Flutuando sobre rios, o documentário, finalizado em 2009, descreve o turbilhão de transformações que acabou confinando em guetos o passado de São Paulo.

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19/07/2014

às 8:01 \ Feira Livre

Por trás de cada pin-up havia uma mulher feita de carne, ossos e curvas

A popularidade das pin-ups começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando se disseminou entre os soldados americanos espalhados por frentes de batalha o hábito de pendurar esses símbolos da sensualidade possível nas paredes dos alojamentos. Sucesso absoluto de público e crítica nas décadas de 40 e 50, essas velhas imagens foram resgatadas por mais uma onda retrô e voltaram a frequentar o imaginário masculino como um ideal de beleza feminina. Incontáveis admiradores ignoram que por trás de cada pin-up havia quase sempre uma mulher de verdade. Veja alguns desses modelos feitos de carne, ossos e curvas.

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18/07/2014

às 21:01 \ Opinião

‘Quadro preocupante’, de Merval Pereira

Publicado no Globo desta sexta-feira

MERVAL PEREIRA

Apesar de ter variado para menos na margem de erro e de seus competidores mais próximos não terem saído do lugar, a presidente Dilma tem na pesquisa do Datafolha/TV Globo divulgada ontem um quadro prospectivo preocupante. No mais longo prazo, a redução da diferença que a separa de Aécio Neves do PSDB no segundo turno leva a um empate técnico pela primeira vez, com a tendência de queda de Dilma se confirmando, enquanto o candidato tucano cresce.

Também para o candidato do PSB Eduardo Campos a diferença num hipotético segundo turno foi reduzida para sete pontos percentuais apenas, de 45% para 38%. Isso quer dizer que quando a presidente Dilma é confrontada diretamente com seus principais opositores, a possibilidade de que ela perca aumenta a cada pesquisa, embora os dois sejam bem menos conhecidos do que ela.

Há outros dados preocupantes para a candidatura oficial. Ela continua sendo a mais rejeitada de todos os candidatos, com 35% de índice, o dobro da rejeição de Aécio e o triplo da de Campos. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, a rejeição de Dilma atinge nada menos que 47%.

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18/07/2014

às 16:38 \ Feira Livre

No adeus ao grande escritor, é o povo brasileiro quem diz: Viva João Ubaldo Ribeiro

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João Ubaldo Ribeiro, um dos mais fulgurantes talentos da literatura moderna, morreu na madrugada desta sexta-feira em seu apartamento no Rio. A coluna se junta à cerimônia do adeus com a publicação dos quatro parágrafos que abrem Viva o Povo Brasileiro. Primeira palavra da obra-prima do escritor baiano: “Contudo”.

Só um genial domador de palavras ousaria começar um livro com uma conjunção adversativa. Viva João Ubaldo Ribeiro.

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18/07/2014

às 10:57 \ Opinião

‘Todos no mesmo bote de fibra óptica’, de Fernando Gabeira

Publicado no Estadão desta sexta-feira

FERNANDO GABEIRA

Na Copa das Confederações torcemos para o Taiti. Mesmo quando perdia de 10 a 0, ainda vibrávamos com as raras oportunidades de um gol de honra. O Taiti não é aqui. É um país do surfe de ondas gigantes, com suas águas azuis e a temível Praia de Teahupoo, conhecida como Quebra Crânio. Já o Brasil é, ou era, o país do futebol. Gastamos R$ 40 bilhões para sediar a Copa e fomos os únicos a perder de 7 a 1.

A presidente Dilma declarou no Paraná que o Exército usaria, para resgatar as vítimas do temporal, um bote de fibra óptica. No início fiquei em dúvida. Tinha visto na TV um programa sobre como o GPS orienta a agricultura americana, aumentando sua produtividade e traçando com rigor a trajetória ideal dos tratores. Será que haviam inventado um bote de fibra óptica para explorar as riquezas do mar, quem sabe até do pré-sal? Mas o bote de fibra óptica não existe nem será inventado. Ele é, para mim, o sinônimo de uma canoa furada em que todos navegamos no momento.

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17/07/2014

às 20:47 \ Direto ao Ponto

Lula ordenou aos prefeitos do PT que tirassem Padilha do buraco. Esqueceu de combinar com o eleitorado paulista

Há uma semana, Lula convocou os companheiros prefeitos das maiores cidades paulistas para baixar a ordem: todos deveriam entrar imediatamente em ação para tirar Alexandre Padilha do buraco em que agoniza desde a primeira pesquisa sobre a sucessão estadual. A missão de resgate, decidiu o chefe supremo, seria liderada por Fernando Haddad. “Você precisa mostrar as coisas boas que está fazendo”, ouviu o poste que virou prefeito, com cara de quem não sabe direito o que fez de bom.

O resultado da mobilização da tropa, divulgado pelo Datafolha nesta quinta-feira, ensina que o ex-presidente deveria ter combinado com os eleitores paulistas. O poste que o palanque ambulante queria instalar no Palácio dos Bandeirantes não saiu do lugar: apenas oscilou de miseráveis 3% para esquálidos 4%, dentro da margem de erro. Paulo Skaf, do PMDB, caiu de 21% para 16% e Geraldo Alckmin subiu de 47% para 54%. O governador tucano nunca esteve tão próximo de uma reeleição sem sobressaltos.

Se Lula tiver ideias semelhantes com mais frequência, se seguir escolhendo cabos eleitorais com tamanha astúcia, Alckmin nem precisará fazer campanha.

17/07/2014

às 20:00 \ Direto ao Ponto

Estelionato coletivo: a turma da Papuda sem grades resolveu ampliar o prontuário com três meses de férias remuneradas

Renan Calheiros

Por fora, o Congresso Nacional é uma das mais sedutoras criações da grife Niemeyer. Por dentro, lembra um ajuntamento de meliantes que, em vez de “mano” ou “brother”, usam o tratamento de Vossa Excelência. Pode-se identificar os inquilinos pelo terno escuro que jamais se entende com a gravata, pelo sorriso de aeromoça, pela expressão confiante de quem se acha condenado à perpétua impunidade e pelos cabelos adubados por implantes, pintados de preto-graúna ou descambando para o amarelo-icterícia. Dependendo da lista de presentes, a sede do Parlamento é uma Papuda sem grades.

Em princípio, portanto, a decretação do “recesso branco” que suspenderá até outubro as atividades da Câmara e do Senado é notícia boa. Pelo menos por três meses, o país que só cresce à noite porque o governo está dormindo ficará menos intranquilo durante o dia graças à desativação temporária da fábrica de espertezas. O problema é que deputados e senadores pretendem ampliar o prontuário enquanto desfrutam das férias eleitoreiras. Mesmo distantes do local do emprego, resolveram continuar embolsando os mais de R$ 100 mil por cabeça que tungam a cada mês.

Decidido a provar que a interrupção do trabalho não interrompe o trabalho, Renan Calheiros reforçou a suspeita de que a expansão da cobertura capilar piorou o resto da cabeça. “O recesso é quando você paralisa o Legislativo”, atrapalhou-se o presidente do Senado. “Quando deixa apenas de convocar ordem do dia não é recesso, porque o Congresso continuará funcionando, discutindo. Pode reunir as comissões permanentes. O que não haverá é votação”.

A institucionalização da vadiagem remunerada é mais que um monumento à insolência. É um afrontoso caso de polícia que exige castigo, informa o Código Penal. Mais precisamente o artigo 171, que define o crime de estelionato: ”Obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”.

Se o Ministério Público enquadrasse sem medo delinquentes com imunidade parlamentar, se o Supremo Tribunal Federal cumprisse sem demora o seu dever, centenas de punguistas federais seriam transferidos para a Papuda com grades.

17/07/2014

às 18:02 \ Direto ao Ponto

Vote na enquete: Em que deveria ser transformado o estádio de Manaus, primeiro elefante branco perdido na selva?

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17/07/2014

às 17:23 \ Opinião

‘Gentil patrocínio’, de Dora Kramer

Publicado no Estadão desta quinta-feira

DORA KRAMER

Ficou assim combinado entre a Câmara e o Senado: daqui até as eleições não tem trabalho, mas tem salário integral de R$ 26,7 mil sem desconto por faltas.

Suas excelências vêm de um mês de Copa do Mundo de quase nenhuma labuta e teriam pela frente no mínimo a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015 sem a qual, reza a Constituição, não poderiam entrar no recesso do meio de ano.

Mas, se ficassem no Parlamento para cuidar do Orçamento do próximo ano, atrasariam os preparativos para as respectivas campanhas eleitorais. E aí, ligeiros como sempre quando estão em jogo seus interesses, os líderes partidários e os presidentes das duas Casas encontraram a solução: suspenderam as sessões deliberativas daqui até as eleições.

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