Blogs e Colunistas

21/04/2014

às 7:13 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Adhemar de Barros, o homem do cofre

Publicado na edição impressa de VEJA

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Ademar de Barros (à esq.) e o então governador do Paraná Moyses Lupion, em 1947

“Ademá, Ademá, é mió e num faz má”. Com sotaque arrastadamente caipira, a dupla Alvarenga e Ranchinho parodiava o comercial do mais conhecido analgésico da época. Quem mais gostava era o próprio Adhemar de Barrros, o governador paulista com uma trajetória política convoluta: médico e culto, fazia-se de bronco; de engajado na Revolução Constitucionalista em 1932 , em 1938 já era interventor em São Paulo nomeado justamente por Getúlio Vargas; populista criador original do “rouba mas faz”, rejeitado pelas elites paulistas, assumiu ao lado delas uma das correntes de apoio à conspiração anti-Jango e chegou a março de 1964 com tudo encadeado, inclusive um manifesto de sua autoria assinado por outros seis governadores para os quais a situação nacional ia de “má a piorrr”, para ficar no dialeto.

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20/04/2014

às 21:42 \ Direto ao Ponto

O governo foi para cima do TCU disposto a transformar um prontuário em ministro. Tropeçou na altivez de um gaúcho que não aceita a companhia de condenados

ATUALIZADO ÀS 21H40

Augusto Nardes

Augusto Nardes

No meio da missa negra celebrada neste 8 de abril em intenção dos blogueiros estatizados, o chefe supremo ordenou o início da guerra nada santa: “Vamos para cima”, disse Lula a seus discípulos. Para cima da CPI que ameaça devassar as catacumbas da Petrobras. E para cima de qualquer indívíduo, partido ou entidade que insista na devassa das incontáveis delinquências que vêm tornando ainda mais complicada a reeleição de Dilma Rousseff.

Excitados pela palavra do mestre, sacerdotes companheiros e sacristãos alugados resolveram ampliar a ofensiva com a multiplicação das frentes de combate. A estratégia naufragou, informa o balanço dos confrontos. Pela primeira vez, líderes da oposição e descontentes em geral não renunciaram à troca de chumbo, e receberam o inesperado apoio de brasileiros convencidos de que é preciso impor limites a uma seita fora da lei. E o exército lulopetista acumulou fracassos suficientes para que o país soubesse que é dirigido por um punhado de generais da banda.

Enquanto senadores do PT e do PMDB iam para cima da CPI da Petrobras, adversários do governo recorreram ao Supremo Tribunal Federal para garantir a sobrevivência de um instrumento de investigação indispensável à democracia. Enquanto Dilma retomava a louvação do nacionalismo em barris, agentes da Polícia Federal invadiram a sede da empresa empunhando mandados de busca e apreensão. Como instrumento eleitoreiro, a estatal devastada pela necrose administrativa e moral hoje é tão valiosa quanto a sucata bilionária de Pasadena.

É possível que a CPI morra nos trabalhos de parto. Nem por isso Graça Foster escapou de comparecer ao Congresso para explicar a transformação de uma grande empresa petroleira em usina de negociatas. A essas derrotas somaram-se dois reveses produzidos por súditos mais realistas que o reizinho nu. A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, por exemplo, resolveu ir para cima da PNAD contínua, que desmoralizou os índices ufanistas invocados para mascar a verdadeira taxa de desemprego real. Colidiu com diretores inconformados com a revogação do método que estende a centenas de municípios um levantamento até agora restrito a seis regiões administrativas.

Nenhum dos fracassos foi tão desconcertante para o Planalto quanto o ocorrido no Tribunal de Contas da União. Por exigir que o governo faça o que a lei determina e deixe de fazer o que a lei proíbe, a instituição tem barrado o avanço de obras viciadas por grosseiras irregularidades e pela corrupção institucionalizada. Compreensivelmente, figura desde 2003 entre os alvos preferenciais dos donos do poder. Decidida a concretizar o sonho de Lula, Dilma resolveu encurtar o caminho com a remoção dos intermediários. E ordenou aos ministros Ricardo Berzoini e Aloizio Mercadante que fossem para cima do TCU com a candidatura do senador Gim Argello a uma vaga prestes a ser aberta.

A tropa reforçada pelo senador Renan Calheiros tropeçou na altivez do presidente do Tribunal, Augusto Nardes. Deputado federal pelo PP gaúcho de 1986 a 2005, Nardes sabe quem é quem em Brasília. E compreendeu que todos os limites seriam ultrapassados se um prontuário ambulante fosse promovido a juiz da gastança do patrão a quem presta vassalagem. “Reuni todos os ministros para tomarmos uma posição”, revelou em entrevista ao Estadão. “Propus que não deveríamos aceitar simplesmente a indicação, pelo fato de que estava se descumprindo a legislação brasileira.”

Com o aval dos colegas, Nardes divulgou uma nota aconselhando ao Senado “a observância dos requisitos constitucionais previstos para a posse de qualquer cidadão que venha a ser membro da corte”. Um dos requisitos é “reputação ilibada”. Em conversas reservadas com parlamentares governistas, Nardes avisou que o TCU “não podia aceitar um condenado”. Também revelou que, caso a afronta se consumasse, não daria posse a Gim Argello. O ultraje ao Tribunal de Contas da União morreu sem ter nascido.

As páginas reservadas ao noticiário político-policial confinaram em poucos centímetros um dos fatos mais relevantes desse começo de abril com cara de antigos agostos. O gesto de Nardes – endossado por todos os ministros do TCU, insista-se – demonstrou que o país em aparente decomposição pode recuperar a saúde se os brasileiros decentes reaprenderem a dizer não.

A pesquisa do Ibope prova que Lula teve uma péssima ideia. Ao ordenar que a turma fosse para cima, mandou Dilma para baixo.

20/04/2014

às 11:48 \ Opinião

‘Economia vira-lata, mas sem complexo’, um artigo de Rolf Kuntz

Publicado no Estadão

ROLF KUNTZ

Transformado pelo governo em vira-lata econômico, o Brasil continuará atolado na mediocridade nos próximos três anos, crescendo menos que a maioria dos emergentes e suportando uma inflação mais alta, segundo as projeções embutidas no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A economia crescerá míseros 3% em 2015 e 4% em cada um dos dois anos seguintes, de acordo com a tabela acrescentada ao projeto. A inflação ficará em 5% no próximo ano e em seguida recuará para o centro da meta, 4,5% – previsão muito mais otimista que as do Banco Central (BC), do mercado e das instituições econômicas e financeiras multilaterais. Para este ano o governo mantém, oficialmente, a expectativa de 2,5% de expansão do produto interno bruto (PIB), número também citado no projeto da LDO.

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20/04/2014

às 7:21 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Juscelino Kubitschek ─ A reeleição que nunca houve

Publicado na edição impressa de VEJA

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Havia seis candidatos a presidente em 1964. Todos, portanto, interessados em chegar até 1965. Ou seja, empurrar a crise até a próxima eleição presidencial. O mais interessado de todos era Juscelino Kubitschek (os outros candidatos eram os governadores Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Miguel Arraes; além do próprio presidente João Goulart e seu cunhado Leonel Brizola, no caso de uma feitiçaria constitucional que os livrasse da inelegibilidade). As pesquisas de opinião já davam 37% dos votos para que ele voltasse à elegante cidade que havia criado do nada, deixando uma nada bela encrenca econômica, mas a imagem de político inovador nas realizações públicas e conciliador nas tratativas particulares. À véspera do golpe, conciliação era uma moeda em falta até mesmo no trato entre dois homens pouco sanguíneos como JK e Jango. A aliança política entre o PTB de Goulart e o PSD de Juscelino estava irreversivelmente deteriorada.

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19/04/2014

às 21:02 \ Feira Livre

Imagens em Movimento: Uma viagem pela história do cinema em dois minutos e meio

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SYLVIO DO AMARAL ROCHA

É possível com 303 filmes e em dois minutos e meio exprimir o que é o cinema? Foi esse o desafio proposto pelo filmaker Jonathan Keogh no vídeo IMDB Top 250 + 53 in 2 1/2 Minutes. A questão “Qu’est-ce que le cinéma?” (O que é o cinema?) é uma velha conhecida dos amantes da sétima arte. A pergunta, que dá nome à compilação póstuma dos ensaios escritos por André Bazin e podem ser considerados um dos documentos mais importantes da crítica cinematográfica, sugere inúmeras teorias, aponta caminhos e reflexões.

Co-fundador da revista Cahiers du Cinéma, uma das grandes publicações sobre cinema de todos os tempos, Bazin é  o maior crítico da história da sétima arte. Suas teorias são ainda hoje a base do pensamento cinematográfico de diversos cursos espalhados pelo globo. Bazin foi também o mentor da Nouvelle Vague — movimento de vanguarda do cinema francês que deu origem ao cinema de autor e, entre outras coisas, colocou o diretor no centro da obra.

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19/04/2014

às 14:58 \ Opinião

‘Vou atuar’, por Roberto Pompeu de Toledo

Publicado na edição impressa de VEJA

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

Quando o amigo doleiro Alberto Youssef desabafou, exasperado e súplice, “Tô no limite. Preciso captar”, segundo diálogos registrados pela Polícia Federal e revelados pela última VEJA, o deputado André Vargas respondeu, resoluto: “Vou atuar”. André Vargas, do PT do Paraná, até a semana passada vice-presidente da Câmara dos Deputados, já se celebrizara pelo gesto de levantar o braço, como provocação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, sentado a seu lado. Ao gesto agora acrescentava uma divisa, na forma de uma sentença tão curta quanto prenhe de pesporrência (bela palavra; o colunista agradece ao deputado a oportunidade de usá-la): “Vou atuar”.

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19/04/2014

às 12:27 \ Opinião

‘Mais um PAC’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta sexta-feira

A presidente Dilma Rousseff anunciou o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) número 3. Os dois anteriores, como se sabe, ainda estão inconclusos, apesar dos vultosos investimentos e das promessas de Dilma e de seu antecessor, Lula, feitas desde 2007, de que eles seriam vigorosas molas do salto econômico brasileiro.

O anúncio da presidente foi feito a seu estilo: de supetão. Durante mais uma de suas entrevistas chapa-branca a rádios regionais, desta vez em São José do Rio Preto (SP), Dilma comentava sobre uma obra ferroviária na cidade e então disse que o projeto seria incluído no PAC 3. Ao ser questionada sobre a data de lançamento do programa, respondeu: “Lá por agosto, eu acredito”.

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19/04/2014

às 8:42 \ Feira Livre

Maravilhas naturais em miniatura

Neste fim de semana, a coluna convida o leitor a uma incursão por deslumbramentos em miniatura capturados pelas lentes do fotógrafo ucraniano Vyacheslav Mishchenko. Apaixonado pela natureza, Mishchenko se dedica ao registro de maravilhas da fauna que costumam passar ao largo do olhar humano. Vistas de perto, as imagens são superlativamente fascinantes. Confira o surpreendente ensaio sobre caracóis:

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19/04/2014

às 7:36 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Miguel Arraes, o cabra marcado

Publicado na edição impressa de VEJA

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De uma coisa Miguel Arraes nunca duvidou: qualquer que fosse o lado a sacar primeiro a garrucha o acertaria também. Para seus inimigos da direita ─ Carlos Lacerda era só o mais barulhento ─, o governador de Pernambuco era um rematado comunista; para seus competidores da esquerda ─ Jango na primeira fila ─, um incômodo umbuzeiro a fazer-lhes sombra. No dia 31, quando já estava claro quem havia atirado mais rápido, seu destino foi selado. Teria sido deposto naquela mesma tarde, não fosse o fato de o comando militar local, ocupado com as muitas tarefas que envolvem derrubar um governo, achar que essa poderia esperar até o dia seguinte. Arraes, afinal, encontrava-se “docilmente confinado em seu palácio, já quase impossibilitado de nos trazer perturbações”, como escreveu na autobiografia o general Joaquim Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército e desafeto de longa data do governador. (“O instinto herdado de meu pai, um caçador de onças, fez-me ver nele desde a primeira hora um inimigo”, disse o general. “Declarei-lhe guerra desde que o conheci. E isolei-o, afinal, na solidão de um penhasco perdido no meio do Atlântico.”)

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18/04/2014

às 22:21 \ Direto ao Ponto

1 minuto com Augusto Nunes: André Vargas, o canastrão em cena

 

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