Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

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O elenco do filme de terror mais medonho do ano está completo

5 de fevereiro de 2010

Por exigência dos leitores, a coluna publica a relação atualizada dos  integrantes do palanque produzido por Lula, estrelado por Dilma Rousseff e sem direção. O elenco, que vai fazer bonito no filme de terror mais medonho do ano, inclui artistas internacionais convidados para abrilhantarem cenas especialmente assustadoras. Confira:

Tarso Genro, Guilherme Cassel, João Pedro Stedile, Fernando Marroni, Elizeu Padilha, Olívio Dutra, Henrique Fontana, Paulo Pimenta, Sérgio Moraes, Paulo Paim e Miguel Rossetto no Rio Grande do Sul.

Ideli Salvatti e Altemir Gregolin em Santa Catarina.

Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, Antonio Bellinati, José Janene e Dr. Rosinha no Paraná.

Paulo Maluf, Zé Dirceu, Zé Genoíno, Antônio Palocci, Romeu Tuma, Aloízio Mercadante, Ricardo Berzoini, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, Paulinho da Força, João Paulo Cunha, Fernando Haddad, Luiz Marinho, Marco Aurélio Garcia, Michel  Temer, Matilde Ribeiro, Paulo Vannuchi, Professor Luizinho, José Eduardo Cardozo, Luiz Eduardo Greenhalgh, Cândido Vaccarezza, Celso Amorim, Gilberto Carvalho, Orlando Silva , Frank Aguiar, Agnaldo Timóteo e Ângela Guadagnin em São Paulo.

Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Paulo Duque, Carlos Lupi, Eduardo Cunha, Marcelo Crivella, Benedita da Silva, Roberto Jefferson, Lindberg Farias, Eduardo Paes, Jandira Feghali, Carlos Minc, Família Babu e Franklin Martins no Rio de Janeiro.

Wellington Salgado, Hélio Costa, Newton Cardoso, Marcos Valério, Clésio Andrade, Virgílio Guimarães, Luiz Dulci, Frei Betto, Anderson Adauto, Fernando Pimentel, José Alencar, Edmar Moreira, Nilmário Miranda, Sandra Starling, Patrus Ananias, Saraiva Felipe e Walfrido Mares Guia em Minas Gerais.

Blairo Maggi, Serys Slhessarenko, Carlos Abicalil e Silval “Legal” Barbosa em Mato Grosso.

Zeca do PT e Delcídio Amaral em Mato Grosso do Sul.

Delúbio Soares e Iris Rezende em Goiás.

Marcelo Miranda e Wanderley Luxemburgo no Tocantins.

José Eduardo Dutra e Almeida Lima em Sergipe.

Fernando Collor e Renan Calheiros em Alagoas.

José Maranhão e Roberto Cavalcante na Paraíba.

Severino Cavalcanti, Humberto Costa, Maurício Rands, José Múcio Monteiro, João Paulo, Carlos Eduardo Cadoca, Renildo Calheiros e Inocêncio Oliveira em Pernambuco.

José Sérgio Gabrielli, Geddel Vieira Lima, Jacques Wagner e Haroldo Lima na Bahia.

Henrique Eduardo Alves, Garibaldi Alves e Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte.

Inácio Arruda, José Nobre Guimarães, Eunício de Oliveira e Luizianne Lins (com Ciro e Cid Gomes esperando o começo da segunda parte) no Ceará.

Wellington Dias no Piauí.

Alfredo Nascimento e João Pedro no Amazonas.

Romero Jucá, Expedito Jr. e Flamarion Portela em Roraima.

Valdir Raupp, Fátima Cleide e Ivo Cassol em Rondônia.

Sibá Machado e Tião Viana no Acre.

Gilvam Borges no Amapá.

Joaquim Roriz, Gim Argello, Valdomiro Diniz e, logo, José Roberto Arruda no DF.

Ana Júlia Carepa, Jáder Barbalho e Alcione Barbalho no Pará.

Edison Lobão, Edison Lobinho, Roseana Sarney, Flávio Dino e Epitácio Cafeteira no Maranhão.

José Sarney no Maranhão e no Amapá.

Artistas convidados: Hugo Chávez (Venezuela), Fernando Lugo (Paraguai), Mahmoud Ahmadinejad (Irã), Casal Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Manuel Zelaya (Honduras), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), Cesare Battisti (Itália), Irmãos Castro (Cuba) e Roberto Mangabeira Unger (Massachusetts).

Se você está numa festa e vê entrar inesperadamente uma figura que conhece, adivinha de imediato se a noitada vai ficar pior ou melhor, certo? Tente encontrar nesse elenco alguém que melhore uma festa.

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O caçador de cretinices relata a incursão pela mente inquietante

4 de fevereiro de 2010

O jornalista Celso Arnaldo acabou de chegar de mais uma incursão pela mente inquietante de Dilma Rousseff. Segue-se o relato do implacável caçador de cretinices:

Metida num charmoso macacão da Petrobras, suando pouco menos do que Lula, que reclamou estar se sentindo como um “pintinho que caiu na poça”, a palanqueira é instada a falar na inauguração do Gasduc III, em Duque de Caxias.

O que está sendo inaugurado é simplesmente o maior gasoduto da América Latina, com um potencial de escoamento de 40 milhões de metros cúbicos/dia. Mas o discurso parecerá igual ao da abertura de uma creche para 12 crianças, na semana passada. A esta altura, já pegamos a fórmula: cada discurso de Dilma começa por um tatibitate sobre os benefícios da obra em si e logo se encaminha, aos trancos e barrancos, para o segmento “nosso Brasil é melhor do que o deles”, onde ela embaralha e magnifica os feitos do governo Lula e suas próprias promessas de continuidade. Aliás, no fim deste texto, você verá que, para Dilma, creche e gasoduto são a mesma coisa.

“No PAC, esse segmento do gasodutos ele é muito importante (..) permite que hoje, com a temperatura que nós temos aqui, está previsto que mais ou menos se atinja algo como 36, 37, 38 graus, isso implica consumo de ar-condicionado, implica também o fato de que nós sabemos que houve, porque o presidente diminuiu a isenção do IPI, uma compra, né, de eletrodomésticos, a chamada linha branca, né, geladeira e outros eletrodomésticos, permitindo então que as pessoas também tivessem um nível melhor”.

Talvez entorpecidas pelo calor de Duque de Caxias que fazia na Refinaria Duque de Caxias, algumas pessoas presentes ao evento entenderam, nessa fala da Dilma, que o presidente Lula aumentou o IPI dos eletrodomésticos, antes de inaugurar o gasoduto, porque está quente demais ─ mas que assim mesmo houve uma corrida à linha branca e que ninguém deve se preocupar com o calor, porque o Gasduc III também levará ar-condicionado para todos e, portanto, um nível melhor.

Eleita Dilma, teríamos na presidência o mais baixo padrão de oratória da história da República. Pior do que Costa e Silva e Dutra ─ este não apenas pelo discurso chocho e descolorido, como pela má “dicchão” e fragilidade intelectual, motivo de inúmeras piadas. Como sua apresentação ao presidente Truman, que o cumprimentou protocolarmente:
─ How do you do, Dutra.

E Dutra:
─ How tru you tru, Truman.

Com Dilma, não dá vontade nem de fazer piada ─ embora sua desarticulação seja sempre risível. Porque por trás de sua rara incapacidade de costurar uma frase sem graves problemas de concordância, redundância, repetição, concatenação e raciocínio, esconde-se a mais primária e nociva forma de populismo, que vê o Estado como o provedor impossível de todas as necessidades humanas, embaralhando metas e limites de todo e qualquer projeto. Para isso, contribui, no caso de Dilma, a linguagem tosca e geralmente ininteligível.

“No nosso país, é muito importante essa questão de oportunidade. E o PAC eu acho que ele trouxe um grande impulso, um impulso enorme no Brasil, que é o impulso de construir aquilo que estava faltando no Brasil”.

O discurso feito no Gasduc III foi, para variar, um conjunto pastoso de platitudes, ideias desconexas e clichês tão mal formulados que se tornam pastiche do clichê. Para isso, Dilma usa meia-dúzia de imagens e metáforas pífias que ela decorou ou colaram na agenda dela ─ como a do soluço, a do povo de quinta potência, a da creche como berço das oportunidades.

“Nós só seremos quinta potência (lá vem…) se o povo brasileiro for quinta potência nossa, a nossa quinta potência”.

(Só faltou dizer “a potência quinta nossa” e “a potência nossa quinta”)

“Dar um passo além no sentido de que todas as crianças do Brasil (lá vem…) tenham direito a creche (…) Porque todos os estudos mostram que a diferença, a diferença, o momento importantíssimo na vida de cada um de nós seres humanos se dá entre 0 e 3, 3 e 5 anos, que é quando a gente se forma. E quando uma pessoa, quando uma criancinha não tem na família o acesso a livros, o acesso a todas as questões culturais que uma criança de classe média tem, ela não tem a mesma oportunidade do que as outras (…) Vocês vejam que é possível perfeitamente ter uma visão ampla do país, unir gasoduto com creche pra criança”.

(Essa visão ampla, essa obsessão pela creche como oportunidade de vida, essa visão tão gasosa só Dilma tem. E onde estão essas crianças já formadas com 3 anos de idade ─ ou seria com 5? Em Harvard? Ou no MIT?)

A tempestade que castiga o neurônio solitário é coisa de assustar paulistano. É tanta trovoada que o Brasil, se não perdeu de vez o juízo, vai acordar bem antes de outubro. Fala mais, Dilma.

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O adeus da coluna a Wilson Martins, por Deonísio da Silva

3 de fevereiro de 2010

Autor de livros admiráveis, meu amigo Deonísio da Silva é uma das grifes que enriquecem a coluna com comentários sempre luminosos. Nesta quarta-feira, esse escritor de primeira linha resumiu em dois parágrafos a grandeza do crítico literário Wilson Martins, o professor exemplarmente íntegro que se foi com janeiro. A coluna se vale do texto de Deonísio da Silva para despedir-se do talento que o Brasil perdeu.

Wilson Martins foi muito melhor professor e crítico do que Antonio Candido, mas não foi um dos fundadores do PT, não se submeteu ao bolchevismo universitário, não assinou manifestos a favor ou contra coisa alguma, já que viveu a vida inteira esquecido, ora na Universidade de Nova York, ora na Curitiba que ele, paulista, escolheu para viver. Mas veio dele a coragem de dizer que Chico Buarque plagiara a estrutura e o modo de narrar de seu romance de estreia e a ousadia de definir Paulo Coelho, não como romancista, mas como um caso à parte: o de um escritor que fazia sucesso por ter pegado a onda do esoterismo no momento certo, fazendo coincidir sorte e esperteza. Ele mesmo dizia: “não comento autores, comento livros”.

Fez a história da literatura brasileira de 1500 a 2009, acompanhando os lançamentos e garimpando neles o que achava relevante. Antonio Candido data sua história de nossas letras na segunda metade do século XVIII e vem até 1930. E nas universidades só se cita ele. Há décadas. Wilson Martins integra a multidão de esquecidos para que poucos possam aparecer louvados pelos mesmos de sempre.

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O que Lula tem a dizer sobre as gatunagens do companheiro?

2 de fevereiro de 2010

O presidente Lula suspendeu a folga do domingo para comparecer ao velório do deputado Carlos Wilson Campos, presidente da Infraero de janeiro de 2003 a julho de 2005. “Fiz questão de vir aqui me despedir de um grande companheiro, um grande político e um grande administrador”, informou com voz embargada no começo da tarde de 12 de abril de 2009, ao chegar ao palácio do governo de Pernambuco.

Entrou no saguão com cara de luto, aproximou-se do caixão com cara de dor, contemplou o morto com cara de choro e iniciava a retirada com cara de pressa quando topou com o microfone empunhado por um repórter. “É triste o Carlos Wilson não estar aqui em 2010 para ver as obras do PAC”, lastimou. “Ele ficaria feliz”.

Ficaria eufórico, corrige o relatório final da Polícia Federal sobre a Operação Caixa Preta, divulgado pelo Estadão no fim de semana. Agora que até determinações do Tribunal de Contas da União são ignoradas, o que não faria quem fez o que fez Carlos Wilson nos dois anos e meio em que pilotou, simultamente, a Infraero e uma gorda quadrilha formada por diretores da estatal e empreiteiros amigos?

Valendo-se de licitações fraudulentas, superfaturamentos estratosféricos, sobrepreços de assustar senador maranhense e delinquências variadas, o bando transformou todos os canteiros de obras instalados em aeroportos no primeiro mandato de Lula em usinas de dinheiro sujo. No fim de 2005, quando Carlos Wilson afastou-se do empregão para homiziar-se na Câmara dos Deputados, a organização criminosa havia tungado dos cofres públicos R$ 991,8 milhões. Isso mesmo: quase R$ 1 bilhão. Uma gatunagem assombrosa até para os padrões destes trêfegos trópicos.

Desde o começo de 2005, apoiados em evidências contundentes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União denunciaram repetidas vezes a quadrilha incrustada na Infraero. Todas as ofensivas dos homens da lei foram revidadas por Lula com juras de eterna amizade ao suspeito. Onde até as birutas dos aeroportos viam um meliante, o presidente continuou a enxergar um patriota.

“Todo mundo sabe da relação de amizade que tenho com este companheiro”, reiterou, por exemplo, no dia em que Carlos Wilson escapuliu da sede da quadrilha para refugiar-se nas imunidades parlamentares. “Ele fez um trabalho extraordinário. Durante muito tempo, quem viajar pelos aeroportos brasileiros vai lembrar da sua atuação”.

O relatório atesta que a Polícia Federal não esqueceu. Nem a Justiça, que vai fechando o cerco aos quadrilheiros que continuam muito vivos ─ sem deixar de lembrar o chefe morto. Nesta segunda-feira, a Procuradoria da República solicitou o bloqueio dos bens deixados por Carlos Wilson, para que a União recupere o quanto antes uma fatia de R$ 4,15 milhões do bolo engolido pelo bando. É pouco, mas já é um começo.

“O meu pai morreu, agora ele não vai poder responder!”, irritou-se Rodrigo Wilson, filho do principal responsável pelo rombo colossal, ao ser procurado por jornalistas.  “É um absurdo a falta de respeito de vocês!”. Os brasileiros honestos acham que não merece o descanso eterno gente que não dá sossego aos vivos nem depois da morte. E querem saber o que acha o Padroeiro dos Pecadores Companheiros.