Blogs e Colunistas

19/08/2011

às 22:09 \ Feira Livre

Portão aberto

TEXTO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DE 30 DE NOVEMBRO DE 1983

Jamais se poderá acusar Teresinha Mendes Ribeiro Bopp, 32 anos, irmã do secretário de Justiça do Rio Grande do Sul, Jorge Alberto Mendes Ribeiro, 28 anos, de não ser corajosa. Por chefiar o Serviço de Atendimento Jurídico Gratuito aos Apenados, ela habituou-se a conviver com marginais de alta periculosidade, e decidiu experimentar uma forma peculiar de recuperação dos transgressores da lei. Fiel a tais métodos, ela acolheu em sua casa, na segunda-feira passada, o preso Celso Ricardo Leite Müller, conhecido como “Dentinho”, notório assaltante de bancos. Dentinho gozaria de alguns dias de liberdade, mas teria de dedicá-los à instalação de uma porta de ferro na casa de sua benfeitora, sem receber qualquer pagamento pelo trabalho.

Com a mesma agilidade demonstrada ao assaltar bancos em Porto Alegre — só no ano passado, foram quatro — Dentinho escapou à vigilância dos agentes Sidnei Carvalho Coutinho e Jaime Renato Lopes, escalados para escoltá-lo — e sumiu. “É uma coincidência desagradável”, lamentou Teresinha depois da fuga. “Agora, um lindo trabalho irá por água abaixo”. Seu irmão, o secretário de Justiça, corre o risco de que nessas águas afunde seu cargo, a julgar pela reação do governador Jair Soares quando o caso veio a público. “Não tenho nada a falar com ele”, resumiu o governador na quarta-feira, quando Ribeiro ligou para seu gabinete. No dia seguinte, o secretário foi ao Palácio Piratini e instalou-se com a mulher ao lado do vice-governador Cláudio Strassburger, em ponto mais próximo possível do casal Soares, durante a missa do Dia de Ação de Graças. Mas só na sexta-feira conseguiu falar com o governador.

A irritação de Jair Soares é compreensível. Pressionado pela oposição, interessada em saber as causas das constantes fugas de presos, o governador não vê com bons olhos as fórmulas arrojadas da irmã de seu secretário. Em setembro, ela tentou convocar um dos seus clientes do Presídio Central, Sérgio Souza Cacildo, para construir, gratuitamente, um muro em sua casa. O promotor de Justiça Vicente Fontana Cardoso vetou suas pretensões com um sólido argumento: o preso não tinha direito a trabalho externo por estar condenado até o ano 2011. “Coloquei meu cargo à disposição”, avisa Teresinha. “Não sei como ficarão agora os apenados”.

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

11 Comentários

  1. Heitor

    -

    21/08/2011 às 7:49

    É risível alguém achar que uma pessoa capaz de invadir um banco, armada de ódio ou frieza para matar ou morrer, fazer reféns ou mesmo sequestrar um gerente de banco e ameaçar a família possa um voltar a vida normal na sociedade, mesmo que quisesse, sua vítimas teriam o direito de não vê-lo mais nas ruas.

  2. José (Europa)

    -

    21/08/2011 às 3:25

    Ainda bem que não há lona sufuciente para cobrir o Brasil, senão seríamos o mais risível circo da Terra!

  3. Risa

    -

    20/08/2011 às 23:44

    Pelo amor de qualquer coisa!!! Encostou nesse governo pode saber que eh ficha, no minimo, PARDA!

  4. Pimenta

    -

    20/08/2011 às 20:42

    Augusto,
    A criatura desengonçada de Lula tem um faro apuradíssimo em detectar o pior para o lugar do ruim, o sujo para o lugar do mal lavado e por aí vai.
    A única exigência que parece fazer é a de que o escolhido seja muito bom em incompetência, corrupção e blá, blá, blá.
    Descarados!

  5. Petista arrependido

    -

    20/08/2011 às 19:49

    Augusto,
    Nós já vimos esse filme antes.
    Esse ministro tem vida curta no governo.
    Está começando muito mal!!!

  6. Silvinho

    -

    20/08/2011 às 19:18

    Se não tiver um ‘bom pedeegree’, político nenhum avança.
    Se não é ladrão ainda, mas já teve ladrão na família jé é um bom currículo. Pelo menos sob o comando da Organização Criminosa atualmente no poder.

  7. Premeditando o Breque

    -

    20/08/2011 às 11:15

    Naquela eu diria à Dona Teresinha. Os apenados não ficarão em cima mas, longe do seu muro.

  8. Markito-Pi

    -

    20/08/2011 às 9:15

    Este novo ministro deve durar o suficiente até meados do ano que vem ,espero.Convoque a irmã para aplicar sua experiencia, e dê emprego a pelo menos 38 mensaleiros, que já deverão estar em cana. Para trabalhos educativos como limpar fossas de várias casas . <amtenha-os longe de bancos, entretanto, pois como dentinho, são assaltantes perigosissimos.

  9. Heitor

    -

    20/08/2011 às 8:58

    É complicado saber se ela pratica trabalho escravo com presos ou facilita fuga por diversão.

  10. f tavares

    -

    20/08/2011 às 4:41

    - a “tia” dos apenados desamparados perdeu mais do que assistência oficial aos que não tinham pra onde ir, quando fugiam: perdeu a companhia pras conversas fiadas, nas frias noites de porto alegre…

  11. FM

    -

    20/08/2011 às 0:35

    Em 1983. apesar de ter sido no século passado, não faz tanto tempo assim, mas é muito diferente do que acontece hoje em dia. Senão vejamos: houve um membro de um poder que deu um basta à prevaricação da dirigente, havia oposição atuante que se fez presente e quiz saber o porque da anormalidade nos prisões, o governador não chajamou quem acusava de feio e nem verteu lágrimas comoventes porque um de suas auxiliares antes de levar um pé no trazeiro se exonerou e ainda uma coisa muito importante e que muita gente que diz defender a liberdade de emprensa e o faz só da boca pra fora deveria de aprender. É que, apesar da revista que tornou público o escândalo ser a mesma, ninguém chamou a Veja ou a Editora Abril de mídia golpista contrária àquele governo.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados