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13/09/2011

às 18:32 \ Feira Livre

‘Educação: reprovada’, um artigo de Lya Luft

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA VEJA DESTA SEMANA

Lya Luft

Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos, ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente. Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marcá-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o sabe assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças brasileiras na terceira série do elementar não sabe ler nem escrever. Não entende para o que serve a pontuação num texto. Não sabe ler horas e minutos num relógio, não sabe que centímetro é uma medida de comprimento. Quase a metade dos mais adiantados escreve mal, lê mal, quase 60% têm dificuldades graves com números. Grande contingente de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples, pois não sabem pensar, muito menos expressar-se por escrito. Parafraseando um especialista, estamos produzindo estudantes analfabetos.

Naturalmente, a boa ou razoável escolarização é muito maior em escolas particulares: professores menos mal pagos, instalações melhores, algum livro na biblioteca, crianças mais bem alimentadas e saudáveis – pois o estado não cumpre o seu papel de garantir a todo cidadão (especialmente a criança) a necessária condição de saúde, moradia e alimentação.

Faxinar a miséria, louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria que nos orçamentos da União e dos estados a educação, como a saúde, tivesse uma posição privilegiada. Não há dinheiro, dizem. Mas políticos aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a coisa pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, criados sem limites, nada lhes é exigido, devem aprender brincando. Não lhes impuseram a mais elementar disciplina, como se não soubéssemos que escola, família, a vida sobretudo, se constroem em parte de erro e acerto, e esforço. Mas, se não podemos reprovar os alunos, se não temos mesas e cadeiras confortáveis e teto sólido sobre nossa cabeça nas salas de aula, como exigir aplicação, esforço, disciplina e limites, para o natural crescimento de cada um?

Cansei de falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça. Precisamos de atos e fatos, orçamentos em que educação e saúde (para poder ir a escola, prestar atenção, estudar, render e crescer) tenham um peso considerável: fora isso, não haverá solução. A educação brasileira continuará, como agora, escandalosamente reprovada.

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110 Comentários

  • gilberto oliveira

    -

    5/5/2015 às 12:38

    Caro leitor, as normas para publicação de comentários no blog não aceitam textos escritos somente em maiúsculas. Confira as regras no link http://wp.me/pJJki-3jS5.

  • Eveliza Santos

    -

    3/5/2015 às 12:00

    Concordo totalmente ,pois concluir meu ensino médio em escola pública e o ensino era muito básico o que eu aprendia nas series do ginásio as crianças das escolas particulares aprendiam nos seus primeiros anos do primário.realmente as escolas eram decadentes ,alguns professores descompromissados ,alunos insatisfeitos .Em alguns anos faltaram até carteiras ,merenda ,aguá ,energia .Outro ponto importante em se falar de energia , alunos que estavam prestes a concluir o ensino médio eram totalmente deficientes em tecnologia , apenas 30% dos alunos tinham acesso a internet e sabiam usa-la, os outros 70% não tinham acesso por ser de classe baixa e não ter condiçoes , e a escola não fazia o seu papel em inclusão .Verdadeiramente nossa educação é um caos ..Sonho com um futuro de mudanças ,onde o professor tenha estrutura adequada ,alunos satisfeitos e desenvolvidos e com um país sem deficiência em educação que prioriza quem será os autores do seu futuro ,mas não quero que seja apenas um grande sonho …

  • André Santos

    -

    7/12/2014 às 0:19

    Só gostaria de corrigir uma coisa: A Educação Privada, pelo menos em mais de 90% da rede, no Rio de Janeiro, nem de longe paga bem aos seus professores. Tanto que a grande maioria dos professores larga a rede privada. Uma vez que é aprovada para lecionar à Rede Pública.

  • Luana Alves Santana

    -

    20/9/2014 às 13:54

    O que acontece no Brasil é fácil de se entender, os nossos governantes querem que todos seja ignorantes para que continuem a votar neles, para que de fato a educação continue esse grande lixo que é hoje.

  • Antonio Virgilio Dos Snatos

    -

    3/9/2014 às 21:33

    O Brasil que sonhamos ainda está muito longe da realidade que vivemos. O gasto com educação supera e muito o investimento.

  • Debora Mafra

    -

    8/4/2014 às 16:49

    A educação brasileira é uma vergonha, e isto é um fato. Mas tambem sabemos que nosso representantes não dão a mínima para a educação, pois sabem que se investirem em educação as pessoas se tornaram mais críticas e indagaram mais e não colocariam hipócritas no poder.

  • Karolina

    -

    25/3/2014 às 22:30

    Creio que o foco do artigo e da autora não está em “reprovação”, e sim na precariedade da educação publica, onde se promove o aluno sem que ele tenha aprendido o conteúdo que lhe é ensinado. Concordo que é complicado reprovar um aluno com as condições da educação nos dias atuais, mas convenhamos que deixar ele seguir a séries seguintes sem ter aprendido conteúdos anteriores vai trazer prejuízos a ele somente. Enfim, ótimo artigo. E que mais pessoas o vejam, enxerguem tamanho problema e arregacem as mangas em prol de uma educação digna, ou como foi estampado em muitos cartazes nos protestos de 2013, “educação padrão FIFA”.

  • Anônima

    -

    20/2/2014 às 18:07

    Lya Luft fala pelos brasileiros.

  • valtemir morais

    -

    25/1/2014 às 23:39

    Professor Claudio de Souza de Morais, o que você ler? Não conhece Lya Luft? Não precisa dizer mais nada…

  • JOÃO CAETANO JÚNIOR

    -

    12/1/2014 às 20:40

    Ao professor e leitor Cláudio,

    Prezado mestre, todo excesso é prejudicial não podemos defender o excessivo conservadorismo,tampouco concordar com este ” avacalhamento ” a que foi submetida a educação brasileira, mestre de qualidade questionável, já que os que sentem o desejo de produzir algo com sentido,com lógica, logo se distanciam deste sistema podre. Nenhum mestre que se preze suporta lidar com animais bípedes, mas que possuem ações dignas de quadrúpedes. UM sistemática do nada vale, prega-se uma ideologia furada de que o estudnte possui um saber, que há um novo estudante do século XXI, até agora não tive o prazer de v~E-LO. Tudo uma banalização o professor caso pergunte ao estudante o que é um VERBO, mesmo se o aluno disser que é um jumento, o professor deve verificar a relação existente entre o verbo e o JEGUE e deve assim considerar como correta a resposta do quadrúpede, pqp.Esses caras vem falar em construtivismo.

  • PAULO ROBERTO SANTOS DE OLIVEIRA

    -

    22/11/2013 às 11:00

    Parabéns a Veja que tem uma escritora do nível da Lya Luft!

  • wilson mamedes

    -

    17/11/2013 às 20:19

    Muito interessante, esta reportagem sobre educação

  • Armando

    -

    30/10/2013 às 12:34

    Parabéns Lya Luft, ótimo texto. Realmente as verdades precisam ser ditas e não mascaradas, existem muitas pessoas pessoas que preferem viver em um mundo de ilusões, emfim, há que viva na lama e prefira pensar que está deitada em meio a relva florida do campo….

  • cida maciel

    -

    15/10/2013 às 9:47

    concluindo, em último caso, aí sim sou a favor da reprovação.

  • cida maciel

    -

    15/10/2013 às 9:39

    Alguém que já foi reprovado na escola é a favor de tal absurdo? Sofri muito quando tive que repetir a 1 série e entendo que uma escola de qualidade é aquela que apresenta alternativas viáveis para um desenvolvimento cognitivo de qualidade: professores bem remunerados e capacitados, aulas interessantes, material concreto para que as crianças possam utilizar, salas com menos alunos, projetos de reforço para os alunos com dificuldades de aprendizagem, utilização de tecnologias para o envolvimento dos alunos, estruturar conteudos de forma a .. Enfim, a estrutura toda carece ser repensada.

  • Claudio de Souza de Morais

    -

    6/9/2013 às 23:20

    Lya Luft, eh o primeiro artigo que leio da sua autoria. Portanto, nao a conheço melhor.
    Meu teclado esta desconfigurado.
    Bem. Quando voce diz: “(…) Açao? Muito pouca, que eu perceba(…)”, voce revela que nao pesquisou sobre o que escreveu.
    Quando insinua que nao existem livros nas bibliotecas das escolas publicas…existem.
    E ao defender uma educaçao tradicional que resultou
    nessa “nos” sociedade inerte, mostra-se num retrocesso.

    A educaçao brasileira eh um caos sim. O motivo, muita gente nao sabe. Mas muitos outros, sim: a educaçao a serviço da corrupçao.
    Sou professor. Penso, sofro e ajo. Sei que muitos professores agem de forma errada, por varias razoes. Uns tem medo, outros sao alienados, alguns servem a poderes politicos especificos, tantos simplesmente nao sabe como fazer melhor e gostariam. Esses ultimos, sao a maioria no meio em que vivo e arrisco-me a dizer que eh um bom dado estatistico.
    Os livros existem, mas nao se treina usa-los.
    E por ultimo, precisamos emancipar a independencia dos nossos cidadaos. Uma educaçao tradicional nao ajuda isso. Ja temos um fim, ja sabemos.

    Reprovaçao ou aprovaçao nao sao as questoes. A questao eh a avaliaçao.

    eh a sociedade brasileira AVALIAR a quem serve essa educaçao cerrada apenas em conhecimentos cientificos a milhares de metros de um microscopio.

  • Gabi

    -

    6/9/2013 às 12:41

    “CAnsei de falas grandiloquentes sobre educação..” Explique a critica da autora no ultimo volume paragrafo.Você concorda com a autora?

  • Lucas viana

    -

    26/8/2013 às 10:57

    Sou a favor da reprovação pois a educação brasileira consiste em aprovar alunos e deixam de ver a qualidade dos alunos nas escolas de lado! Precisamos ver de outro modo a realidade do nosso pais

  • ANGELA MARIA

    -

    26/8/2013 às 10:56

    Na minha opinião eu concordo com o que Lya luft fala pois eu sou a favor da reprovação,porque se os alunos já sabe que não vão ser reprovados não vẫo nem tentar aprende nada e mas tarde sofre as consequências por isso

  • LAVÍNIA LIMA

    -

    26/8/2013 às 10:55

    Concordo com Lya Luft, eu sou super a favor da reprovação, só assim os alunos se empenham mais em estuda, em aprender para passar de ano. Na minha opinião, os professores para entrar em uma sala de aula, serem formados, e sempre haver cursos, qualificações, para manterem sempre atualizados…

  • FRANCISCO IVO

    -

    26/8/2013 às 10:55

    Eu sou a favor da reprovação por que todos os alunos tem que aprender de tudo um pouco para ser alguem na vida

  • Adenilce

    -

    26/8/2013 às 10:55

    Sou contra a reprovação, se for aquele aluno interessado e que tire notas boas eu sou contra, já aquele que não liga para nada, que não quer estudar e que tire notas baixa merece a reprovação.

  • AILA PAULA

    -

    26/8/2013 às 10:54

    Na minha opinião a Lya Luft está certa, pois eu também sou a favor da reprovação, se não houver aprendizagem, pois não adianta de nada ser aprovada e não saber nem sequer dar uma opinião por escrito.

  • Venceslau Félix

    -

    30/5/2013 às 7:24

    É lamentável que a educação brasileira continue desta maneira. Não consigo entender como uma escola funciona sem que ao menos tenha uma biblioteca. Esta é a situação da maioria das escola públicas deste país. Como entender uma escola sem biblioteca? Não seria como uma casa sem cozinha? como posso favorecer ao aluno a oportunidade de leitura se não há meios para isso?
    Nós não queremos um país de bons leitores? E o que temos feito?
    O que temos aí é alguns programas como O Mais Educação, programas este que tem sido um fracasso e continuará sendo, caso não seja refletido e feito de forma politicamente correto, se é que neste país funcione políticas serias, principalmente quando se trata de educação.
    Este é o meu ponto de vista.

  • Aline

    -

    20/5/2013 às 12:23

    Argumenta sobre analfabetismo e escreve “presidenta”.

  • daniele

    -

    15/4/2013 às 9:31

    eu amei esse texto por que nele só fala a vardade.

  • Elaine Cristina Gomes da Silveira Sukeda

    -

    4/4/2013 às 20:00

    Essa é a dura realidade em que nos deparamos. Diante de uma sociedade consumista e extremamente capitalista, perdeu-se principalmente o respeito ao próximo e o egoísmo impera a nação. Está faltando dedicação, amor e “AÇÃO”, por parte de profissionais que atuam nesta área. Não basta deter o conhecimento, mas sim compartilha-lo afim de contribuir para o desenvolvimento humano.

  • Rosângela

    -

    14/1/2013 às 19:59

    Parabéns à escritora Lya Luft por colocar tão objetiva e suscintamente a educação brasileira. Eu,professora do ensino médio da rede estadual de ensino,concordo que o professor “tem de ajudar o aluno a caminhar”, dando instrumentos que o auxiliem, mas o professor “não pode caminhar pelo aluno. É preciso conscientizar o aluno disso. E que nosso Ministro da Educação pense nisso.

  • isvanil

    -

    4/1/2013 às 22:19

    Lia Luft, estraordinária escritora.
    Parabéns.

  • Jane

    -

    21/12/2012 às 23:25

    Parabéns a escritora Lya luft! cujo texto na minha opinião, representou também,o ‘meu desabafo’, pois sinto na pele a educação escorregar pelas mãos… Eu também sou professora universitária, mas durante muitos já ensinei na Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II. Atualmente sou professora do Ensino Médio e superior, e tinha a ilusão de que quando chegasse a ensinar nesses níveis, me sentiria contemplada por trabalhar com alunos leitores críticos,que escrevessem melhor, enfim… Puro engano! Os alunos estão cada vez mais despreparados, escrevem mal, não são e nem se esforçam a tornarem-se leitores críticos. A cerca de dois anos atrás, um aluno do Instituto Federal da Bahia, do curso de mecânica me perguntou, bastante irritado, sobre uma proposta de atividade escrita que eu havia orientado a turma a realizar, ele disse: “professora, pra quê escrever um artigo? Depois vai pra o lixo mesmo! Afinal, o que eu vou fazer com a sua disciplina de língua portuguesa e literatura, se afinal eu vou mexer com máquinas?”… Fiquei perplexa, e percebi que se eu desse uma resposta diplomática escorregaria pelo ralo, o aluno não iria refletir como deveria, então, respondi no mesmo nível que ele perguntou: “já que a ‘minha disciplina’não acrecentará nada a você, lembre-se de dizer a seu supervisor quando estiver numa empresa trabalhando ou quando for solicitado para uma entrevista para estagiar, que você só ‘sabe mexer com máquinas’, não use bem a linguagem e utilize gírias, se negue a escrever relatórios, e se alguém´propor a escita de uma redação, não faça. E pra ser mais iriginal, na ocasião, vá todo sujo de graxa. Assim, quando obtiver o resultado, aí entenderá porque não aproveitou a oportunidade de aprender da disciplina que agora você despreza”.
    Este é apenas um exemplo, em meio de muitos que existem por aí, pois a educação no Brasil virou fenômeno de piada, infelizmente o resultado disso é a demanda de alunos que não sabem se expressar, que escrevem mal (os que escrevem), e isso implica na falta de mão de obra qualificada, como bem escreveu lya Luft, “as empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos.” Sim, são. Especialmente àqueles que fazem curso superior, são ‘analfabetos de luxo’ porque ingressam na faculdade, pagam para estudarem, mas “outros é quem escrevem para eles”, porque muitos pagam para obter uma monografia…Enfim, tá dificil mesmo ‘reorganizar o caos’!!!

  • Nádia Gräwer

    -

    30/11/2012 às 2:24

    Parabéns por publicar um artigo tão verdadeiro. O governo fala tanto em educação e oferece programas de melhoria, com profissionais qualificados e comprometidos. A realidade é que grande parte dos alunos quando saem do ensino médio não sabem expressar uma ideia sobre algum assunto relevante.

  • Maria Elvira

    -

    28/11/2012 às 9:17

    Triste, mas real. Acredito que as pessoas possam imaginar o que sentem os professores comprometidos, as pessoas que escolheram educar como a sua profissão. Minha querida Lya, triste demais… repensar o lugar social da escola no nosso país nos assusta, refletir sobre os rumos e as escolhas dos nossos governantes, nos deixa indignados! Acho que isso é uma opção política! Em um país cujo maior poder é o voto popular e o grande trunfo são as mil e uma bolsas sociais… não poderia ser diferente! Formar leitores? Pessoas que saibam se posicionar de defender fortemente o que acredita? Isso daria sérios problemas aos nossos representantes mais bem votados… Se houvesse EDUCAÇÃO no nosso país, os cidadãos buscariam perspectivas de vida, aspirariam por melhores lugares sociais, fariam do voto o maior instrumento de transformação social… Sou professora, há 22 anos… Assisto a uma inversão de valores que me assusta! o meu “não lugar” me faz uma sofredora e muitas vezes envergonho-me quando ouço alguém me dizer que sou “sofressora”! Mais ainda quando chego em uma clínica e falo que sou professora, temos descontos e promoções! Acho que a sociedade tem pela nossa categoria o mais desrespeitoso sentimento: piedade, dó! Imaginem! Os professores brasileiros são dignos de dó??? Repito, estou assustada! De fato, sobre esse tema, poderia escrever milhares de comentários… um deles, o mais escabroso é que os pais de escolas particulares não querem que os professores estudem! Imagine que iniciei o meu mestrado, meu sonho de continuar estudando e produzindo cientificamente… uma aluna me questionou para que? Eu estaria perto de aposentar… Outro pai refutou a posição da escola de me apoiar quando pedi o meu afastamento para realizar minha pesquisa… fizeram tanto barulho, fui DEMITIDA! Este ano, um colega está com a corda no pescoço porque os pais alegam que ele está muito ocupado com a especialização e tendo pouco tempo disponível para os seus queridinhos… Este ano, dois professores mestrandos foram demitidos… Para onde iremos?

  • Matilde

    -

    30/10/2012 às 21:48

    Parabens pelo texto e pela coragem de falar a verdade, pois a nossa sociedade está carente de valores, de educação de qualidade, de saúde pública, de segurança, de conhcimento…e o que é pior, as pessoas aceitam com naturalidade. Muitos adolescentes se drogando e se destruindo, roubando e matando. O que está sendo feito realmente para salvar estes jovens? Não tem dinheiro para investir na educação, assistencia social,mas políticos tem salários absurdamente altos. Até quando a população vai votar confindo em promessa que ´não são cumpridas? A sociedade brasileira precisa de mais pessoas como voce. Um forte abraço.

  • Matilde

    -

    30/10/2012 às 21:46

    Parabens pelo texto e pela coragem de falar a verdade, pois a nossa sociedade está carente de valores, de educação de qualidade, de saúde pública, de segurança, de conhcimento…e o que é pior, as pessoas aceitam com naturalidade. Muitos adolescentes se drogando e se destruindo, roubando e matando. O que está sendo feito realmente para salvar estes jovens? Não tem dinheiro para investir na educação, assistenia social,mas políticos tem salários absurdamente altos. Até quando a população vai votar confindo em promessa que ´não sa cumpridas? A sociedade brasileira precisa de mais pessoas como voce. Um forte abraço.

  • Jade

    -

    26/10/2012 às 15:48

    Sou uma profunda admiradora de seus artigos… E ao falar da má qualidade da educação e dos valores que perdemos enriquece a minha alma, pois dessa forma vejo que nem tudo está perdido, ainda existem pessoas que enxergam e querem mudanças. Precisamos nos unir e lutar por tudo aquilo que é nosso de direito!!

    Cara Jade, o Augusto está no estúdio para o debate sobre as eleições. Repassarei o recado. Um abraço, Júlia Rodrigues.

  • Nara

    -

    2/10/2012 às 3:25

    Carlos Ricardo Araquam – Para quem discorda de um texto tão verídico e que aponta em direção ao exato problema que enfrentamos, sua argumentação foi lamentável e cometendo erros básico como trocar o Mas (significando porém)por Mais (adição). As pessoas podem aprender muito com a vida como você mencionou, mas é imprescindível saber ler e escrever corretamente, aprender as coisas básicas da vida e estar mais preparado e não ter que lutar por “10 anos para conseguir este feito” de entrar numa universidade, que nada mais é do que continuar estudando, uma etapa a mais. Aprender o que é fundamental em uma instituição de ensino não exclui a possibilidade de continuar aprendendo com a vida, pelo contrário, nos torna mais preparados para lidar com as questões do dia-a-dia e com o próximo.

  • Carlos Ricardo Araquam

    -

    21/8/2012 às 21:03

    Bom comentário, mais para aqueles que concordem com este argumento.
    Pois eu discordo plenamente, pois minha opinião é totalmente diferente deste pensamento.
    Hoje pode ser que as coisas estão mais fáceis, mais é porque estão se desenvolvendo e a tecnologia esta ai aos olhos de todos.
    Eu particularmente estou cursando o 1º semestre em administração porque estou tendo esta oportunidade.
    Mais lutei durante 10 anos para conseguir este feito, prestei vestibular na FATEC, fiz ENENS e muitos outros cursos técnicos, para mim foi bom todo este tempo, pois agora estou mais maduro, experiente e preparado para enfrentar mais este feito em minha vida.
    Mais sabendo de uma só coisa tenho aprendido muitas coisas porque não aprendemos sós com os estudos também aprendemos com a vida ela nos mostra a realidade ela nos fornece mais uma faculdade a do crescimento para podermos viver bem em sociedade com nossos semelhantes sejam eles, técnicos, vendedores, comerciantes, cabeleireiros, policias, pai de família, analfabetos, enfim seja quem for de uma forma ou de outra é um ser humano e precisamos compreendê-lo em sua forma seja ela qual for.

  • José Paulo

    -

    15/8/2012 às 15:09

    Texto divino. A realidade do ensino brasileiro em palavras. Parabéns

  • Clovis Leal Filho

    -

    12/8/2012 às 18:10

    Uma nação repleta de analfabetos funcionais é tudo que um governo nada sério deseja. A educação agoniza…

  • Sheila Farias

    -

    15/7/2012 às 3:42

    Sou admiradora,desta extradionaria escritora, porem me sinto muito triste com este artigo,dentro da sua reponsabilidade social, cultural que a sua imagem conquistou em nossos coraçoes,me sinto abatida. Sera que estamos condenados a nunca mais ser tao bom como foi um dia, canso de ouvir falar o quanto a rede de ensino particular e superior a rede publica, nao impota qual ,sendo particular esta tudo bem, seu filho tera um otimo futuro, se for cara melhor ainda o futura esta garantido.Mentira, grande mentira, a grande maioria quer e teme e o medo de ver os pupilos juntos com todos os desafortunados da rede publica de ensino.Discursam sobre educação mas nunca, nunquinha mesmo se deram ao trabalha de dar uma olhadinha na rede EStadual de ensino para ver,perguntar,discusar,propor nada para mudar esse quadro, sabe porque? O meu filho nao estuda nesta escola.Nao lembram tambem que pagam pela rede puplica,que tem grande responsabilidade por nao da certo.Nao lembram que os seus filhos, netos, amigos, e todos os amados,estao no mesmo planeta.Gostaria muito, a educação seria execelente,se nao fossemos tao esquecidos pelos mais inteligentes.Sou apenas uma D. de casa mas me sinto muito so,A escola e de todos, por nao vao dar uma olhada, visitar,sentir, vivenciar relmente o que para depois so depois falar.

  • Rakell Lobo

    -

    12/7/2012 às 14:50

    Olá Sra. Lya lhe dou meus sinceros parabéns e agradecimentos por este artigo. Confesso que me sinto altamente iluminada a cada frase sua que leio a respeito da educação no Brasil. Sou de Fortaleza e estudo numa Escola Profissionalizante, ou como eu prefiro chamar Formadora de Peões, pois senão por esforço dos professores em nos dar o maior subsídio possível para o Enem, creio que esse tipo de instituição seria uma mera fábrica de indivíduos propícios à terceira classe social e aos cargos menos privilegiados do mercado de trabalho. Somos diariamente treinados para sermos subservientes e quando não, somos punidos. E a recompensa: alguns poucos trocados que os corruptos políticos deixam de esmola para que nós humildes estudantes da rede pública de ensino possamos arcar com as despesas do estágio proporcionado pela escola. Sendo assim, sem mais delongas venho lhe agradecer por esse e muitos outros textos seus que lubrificam meu eu crítico, meu eu humano e cidadão. Antes que me esqueça, agradeço também aos tais políticos de que comentei pela esmola que almejamos afinal tendo em vista que vivemos precariamente, em favelas sem qualquer saneamento básico, próximas a lixões a céu aberto, o que só colabora para a proliferação de incontáveis doenças, declaro esta esmola mais do que bem-vinda, necessária.

  • Viviane Faria

    -

    11/7/2012 às 11:45

    Excelente!

  • Eva Cristina da Silva

    -

    8/6/2012 às 22:07

    Prezada Sra. Lya Luft, boa noite!
    É com imenso prazer que venho parabenizá-la pelo belo artigo sobre a Educação brasileira, que, como bem sabemos, está como um barco à deriva, sem rumo.Uma aluna enviou-me o endereço eletrônico com um pequeno comentário para instigar-me a ler seu artigo, o que me deixou muito feliz e orgulhosa, pois isto significa que nossas discussões em sala de aula sobre o tema Educação tem surtido efeitos positivos, estão entendedo o que acontece ao redor deles e com eles.Saiba que seus artigos tem sido de grande ajuda em sala de aula, com sua linguagem simples e objetiva faz-se entender perfeitamente levando-nos à reflexão. A sociedade precisa entender o quanto a educação é importante para o crescimento do nosso país, sem educação não teremos saúde, transporte, moradia, ética na política brasileira…

  • Junior

    -

    3/6/2012 às 8:52

    Prezada Sra. Lya luft, Bom dia!
    venho aqui lhe parabenizar pelo artigo no tange ao assunto educação, de fato estamos vivendo uma era onde prevalece apenas os interesses pessoais de cada um, pessoas como você tem que tirar o “chapeu” acabei de ler seu artigo na veja referente a “Degrau de ilusão” fantastico! ilusão de fato, não adiante pensarmos que o Brasileiro esta se inserindo ou crescendo ou usufruindo de tais beneficios que antes não beneficiava-se, tudo ilusão; Educação, cabeça pensantes como você é o que falta, era do consumismo, apelo cruel a necessidades banais que leva o ser-humano a nada e nos ilude com uma realidade que não existe.

    Junior correia.

  • andre

    -

    11/5/2012 às 14:53

    Artigo espetacular.Vale lembrar também que por conta desses problemas PRICIPALMENTE NESSAS FACULDADES PRIVADAS ocorre que milhares de alunos engressam no ensino superior todo ano sem preparo.O processo seletivo é um lixo não pela prova em si,mas por aprovar o candidato que não atingi a pontuação necessaria(e o aluno ao receber o resultado enche o peito de alegria convicto de que fez por merecer)falsa ilusão.Quanto mais alunos mais dinheiro.A consequencia disso vem depois de quatro ou cinco anos.

  • wesley assumpcao

    -

    24/4/2012 às 11:54

    como faço para mandar um comentário direto para a Lya Luft. Ela possui algum email de contato com os leitores?

    Caro Wesley, acho que o melhor é mandar para veja@abril.com.br. Eles sempre repassam os e-mails para os destinatários. Abraços, Branca Nunes

  • Gizelly

    -

    16/4/2012 às 18:54

    gostei muito do artigo escrito, sou aluna e confesso que minha escola é uma porcaria, o Brasil tem condições sim de melhorar a nossa educação, de que adianta nos exigir a ortografia, gramatica e muito outros, se que os nossos professores nem sabe escrever???
    A Lição que deveria ser preparada antes de nos passar está sendo discartada, agora o que fazemos é ” Copiar LIVRO” parecemos copiadores humanos…
    Eu tenho 17 anos, estou no 2º Colegial…
    Tenho ótimos e inteligentes colegas de classe, e muito pouco bons professores…
    A educação é muito importante, antes a frase era.
    “A sua mãe não te deu educação?”
    Hoje é
    “A escola não te da educação?”

    Nós passamos 1/3 do nosso dia na escola, só para aprendemos a copiar…..

    Lya Amei o artigo

  • Anna Cristina Leite

    -

    7/4/2012 às 14:57

    Sou professora formada há quase trinta anos e concordo com Lya Luft…Precisamos de ações e não de discursos vazios.

  • talita

    -

    19/3/2012 às 21:44

    gostei :]

  • beatriz s

    -

    10/3/2012 às 20:43

    Ai, esqueci: a coluna Vamos queimar od diconários” de Lya Luft/14 mar 12

 

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