12/08/2009
às 0:09 \ Baú de PresidentesTancredo Neves, lição n° 2: “Não se tira o sapato antes de chegar ao rio. Nem se vai ao Rubicão para pescar”

De repente, o senador Tancredo Neves submergiu no mar de cabeças e braços, voltou à tona meio metro além, repetiu a manobra e ganhou duas ou três posições no cortejo que acompanhava o sepultamento do marechal Oswaldo Cordeiro de Farias. Eu o seguia a três corpos de distância quando aquele mineiro baixo, calvo e com o nariz arrebitado resolveu apressar o avanço rumo ao alvo situado duas fileiras atrás da comissão de frente formada por parentes do morto. Era um homem com cabelos brancos, óculos de quem lê o dia inteiro e cara de professor de matemática que reprova todo mundo.
Vou cortar caminho, decidi. Saí da alameda principal do Cemitério São João Baptista por um corredor à esquerda, virei à direita num mausoléu de mármore preto, violei três túmulos rasos com passadas ligeiras, dobrei à direita de novo num jazigo familiar de tamanho médio e cheguei lá. Chegamos: no instante em que me coloquei à frente do general Golbery do Couto e Silva, Tancredo alojou-se à esquerda do chefe da Casa Civil do presidente João Figueiredo. Na foto, sou uma camisa branca e uma cabeça incompleta.
Na tarde de 17 de fevereiro de 1981, Golbery estava lá para o enterro de Cordeiro de Farias. Tancredo estava lá para dizer alguma coisa a Golbery, presumi. Eu estava lá para ver no que dava. “Se o defunto é de primeira, não se perde o enterro”, ouvi meu pai prefeito dizer um monte de vezes. ”Primeiro, porque todo mundo vai. Segundo, porque quando todo mundo vai a um mesmo lugar alguma coisa acontece”. O velho Cordeiro, com todo o respeito, pareceu-me um defunto de primeiríssima.
E alguma coisa acontece mesmo. Estava para acontecer, por exemplo, uma conversa em voz baixa entre o articulador político do governo e o chefe da oposição moderada. Só eu ouviria aquilo. E eles nem vão notar que estou ouvindo, pensei sem olhar para trás. Ouvi a troca de cumprimentos formais. E então começou o toque de silêncio.
É agora, excitei-me quando foi morrendo o último sustenido, pronto para registrar o diálogo histórico:
─ Excelente corneteiro ─ começou Tancredo.
─ Muito bom ─ concordou Golbery.
Pausa de três minutos.
─ Foi um prazer encontrar-me com o senhor ─ surpreendeu-me Tancredo com a abrupta despedida.
─ O prazer foi todo meu ─ retribuiu Golbery.
─ Precisamos conversar ─ disse o senador estendendo a mão.
─ Precisamos, sem dúvida ─ encerrou o general apertando a mão estendida.
Não acredito, espantei-me ao constatar que o diálogo histórico fora substituído por um monumento à banalidade feito de seis frases. O deputado Thales Ramalho me contara que Tancredo e Golbery andavam se encontrando com frequência para conversas sigilosas em que tratavam de tudo. O que havia acontecido no cemitério? Viram algum suspeito nas cercanias? Identificaram algum espião? O que houve no dia do enterro?
Hoje vou saber, resolvi naquela noite de novembro de 1984, enquanto me sentava à mesa do restaurante em Belo Horizonte para a primeira conversa a dois com Tancredo Neves. Governador de Minas desde o ano anterior, já estava em marcha acelerada para a vitória no colégio eleitoral que, em janeiro de 1985, elegeria o sucessor do presidente Figueiredo. Ele havia topado falar sobre os bastidores da campanha.
─ Também gostei daquele corneteiro do enterro do Cordeiro de Farias ─ comecei.
Ele pareceu não entender nada.
─ O senhor até elogiou o corneteiro pro Golbery.
─ Não me lembro disso ─ ouvi. ─ Nem do corneteiro nem do encontro com o general Golbery.
Achei melhor mudar de assunto antes que dissesse que também não foi ao enterro de Cordeiro. Só no fim do jantar ele contou que lembrava de tudo. Queria apenas conferir se eu tinha mesmo testemunhado o parecer sobre o toque de silêncio. Eu desconfiava disso desde o aperitivo, quando ficou claro que ele estava com muita vontade de comer, de beber e de falar. Driblou o caso do corneteiro, mas matou no peito o assunto seguinte.
Por que não se entusiasmara com a campanha das diretas-já?, quis saber. Nunca acreditou que pudesse dar certo? Sempre achou que era uma coisa lírica, repetiu. Participou de vários comícios, mas se dependesse dele a campanha nem começaria.
─ Os militares não estavam prontos para aceitar que o presidente fosse escolhido pelo voto direto. Achei que seria perda de tempo. Não se tira o sapato antes de chegar ao rio.
Em contrapartida, esbanjava entusiasmo desde o primeiro dia do duelo contra Paulo Maluf, que seria decidido por um colégio eleitoral majoritariamente governista. Por que a mudança brusca de comportamento? Porque havia chegado ao Rio, respondeu. E então ouvi a frase que, conjugada com a anterior, resumia o estilo do Doutor Tancredo:
─ Não se vai ao Rubicão para pescar.
Aquele jantar prometia.
Tags: Cemitério São João Baptista, Golbery do Couto e Silva, João Figueiredo, Oswaldo Cordeiro de Farias, Paulo Maluf, Tancredo Neves










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29 Comentários
arilson sartorato
-20/08/2011 às 12:28
CARO MARCO, SE FOSSE O MALUF O QUE ESTA NAS COSTAS DO TANCREDO, TENHA CERTEZA QUE O TANCREDO JÁ TERIA TOMADO UMA FACADA NAS COSTAS.ABRAÇOS.
arilson sartorato
-20/08/2011 às 12:25
O QUE SERÁ QUE O TANCREDO ESTEJA ONDE ESTIVER, ESTÁ PENSANDO DESTA QUADRILHA DE CRIMINOSOS DE ALTA PERICULOSIDADE, QUE SE APODEROU DO BRASIL CRAÇAS AO VOTO DO ZÉ POVINHO IGNORANTE,MANIPULADO E SEM VERGONHA TAMBÉM??
carmo
-19/08/2011 às 16:07
Quando da eleicao indireta do Tancredo, colocaram para ele que o Paulo Maluf havia vencido a eleicao indireta para governador de sao paulo,derrotando Laudo Natel,e que se ele nao temia que o mesmo acontecesse o mesmo na eleicao presidencial,Tancredo respondeu:e que ele(Maluf),so tinha lidado com amadores,agora ele vai enfrentar um profissional.
Jaime Machado Junior
-18/08/2011 às 15:28
Caro Augusto,
O Tancredo se calaria diante dos absurdos do governo petista?Ou melhor como ele agiria?
Natal Santana
-18/08/2011 às 10:46
Como diz a molecada de hoje, “demorou”! Estas memórias, como eu já disse várias vezes, deveriam se transformar num livro. Mas, enquanto isso não ocorre, vamos lendo aos pedacinhos, como se degusta uma boa rapadura de cera (você conhece?)! Mas, o relato trás saudade de uma época em que, oposição e situação se encontravam às escondidas para falar de política, transição… e não para acobertar e/ou combinar roubalheira! De uma época em que as manchetes dos jornais falavam nos debates inflamandos em público e dos encontros reservados onde de fato se decidiam as coisas. Hoje… ah, hoje não lemos mais nada disso!
Abração, caro Natal.
marco loss
-17/08/2011 às 20:18
Sei q seria forçar a memória, mas relendo agora (espero q vire livre, e dos bem gordos!) reparei na foto. Aquele nas costas do Tancredo é o Maluf? O óculos fundo-de-garrafa parece ser o modelito q ele usava; e aquele nas costas do Golbery? Vc lembra? Me parece personagem conhecido daquele tempo.
Não é o Maluf, caro Marco. abração
LIVIO OLIVEIRA
-22/09/2009 às 10:30
O governo hondurenho deveria denunciar o Brasil e toda a patota bolivariana ao Tribunal Penal Internacional, por estarem tentando destruir as instituições hondurenhas ao quererem instalar um foragido político na presidência de Honduras, insuflando, assim, uma guerra civil, já que nem a população nem o governo hondurenhos querem Zé da Laia de volta. Nunca pensei que a outrora consistente e equilibrada política externa do Brasil, salvo episódios como o voto contra Israel e o apoio ao governo comunista de Angola durante o governo Geisel, fosse se transformar nesse pesadelo atual. Espero que um dia LuLa e Celso Amorim sejam julgados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, já que apoiam as FARC, responsável pela morte de milhares de colombianos e de brasileiros todos os anos.
Augusto, mudando de assunto, eu nunca entendi o fato de dizerem que Lula é criação de Golbery. Golbery era de fato um comunista disfarçado? O que você sabe sobre isso?
Deisi Cardoso
-21/08/2009 às 14:08
Muito bom, Augusto.
Aproveitei para ler os outros. estão excelentes.
Espero que dê livro!
Laudelino
-19/08/2009 às 7:21
Assisti partes dos depoimentos de Lina Vieira, e observei que os senadores passaram batido em um momento importante. Lina não sabe o dia em que recebeu Erenice nem o dia em que visitou Dilma. Não sabe nem se foi no mesmo dia. A pergunta que faltou: como foi combinada a hora da visita? Ninguem chega assim, de surpresa, ao gabinete da poderosa Dilma. Houve um telefonema? Se houve, é só comprovar e estará mostrado o pau.
VÍRUS (PARA CAUSA JUSTA)
-16/08/2009 às 8:23
FORA SARNEY! FORA SARNEY! FORA SARNEY!
MARCO LOSS
-13/08/2009 às 22:14
Essa foto tá ótima. Caso Tancredo continuasse a negar o encontro, vc poderia dar como prova. Claro q o raposão ainda ia ter forma de negar…
Ótimas essas tuas lembranças.
Romero Trindade
-13/08/2009 às 17:55
Augusto,
Respeitadas as devidas proporções, podemos ver alguma semelhança entre Aécio e seu avô.
Adoraria um comentário seu sobre isso.
Genaro Walson
-13/08/2009 às 16:54
Prezado Augusto,
Esse Baú é um contraponto do Sanatório Geral. Lembra aos mais velhos, e ensina aos mais novos, que já se fez política neste país com o coração e a mente, hoje substituídos pelo fígado e o bolso.
Parabéns, Augusto!
Genaro
Marco Silva
-13/08/2009 às 15:52
O duro é aguentar até a semana que vem para saber o que vai acontecer….
Os textos do Augusto tem sabor de “quero mais”, sempre ficando uma vontade de não parar de ler.
Maravilhoso texto e a história, por enquanto, uma delícia!!
Ruben Rodrigues
-13/08/2009 às 14:48
Johnsson, concordo com voce.
Deonísio da Silva
-13/08/2009 às 5:49
Posso ajudar a moçada a atravessar o Rubicão? Pequeno trecho do que ora escrevo está em algumas passagens de meus livros A Vida Íntima Das Frases e De Onde Vêm As Palavras (Editora Novo Século). Por oportuno, lembro que hoje em dia Júlio César nao faria feio nas alegres aglomerações da Parada Guei. Vestindo a clássica minissaia de soldado romano, sandálias, manto vermelho tremulando ao vento, montado num cavalo branco, o general desfilaria glorioso pela Avenida Paulista. Ao atravessar o Rubicão, César surpreendeu os inimigos. A surpresa era sua grande estratégia. Nossos homens públicos atuais não surpreendem nem os jornaliustas! Na batalha de Farsália, dada previamente por vencida pelas tropas de Pompeu, mais numerosas, ele antecipou a batalha e ordenou a seus velhos legionários que ferissem no rosto os jovens soldados do inimigo. Os aristocratas bonitinhos de Pompeu não queriam voltar desfigurados para casa, vencessem ou não a luta, e abandonaram o campo quando viram que os colegas soltavam escudo e lança e, chorando, saíam em disparada, feridos no rosto. Assim, César conseguiu equilibrar as forças já no início da batalha, pois os bonitinhos comandavam e os subordinados, vendo aquilo, sumiram também. Já no episódio do Rubicão, transgredindo a lei do Senado romano que determinava o licenciamento das tropas toda vez que um general de Roma entrasse na Itália pelo norte, ele surpreendeu pelo simples fato de atravessá-lo, acompanhados dos soldados, evidentemente. A tradição consagrou-a como sinônimo de decisão importante, tomada após reflexão e seguida de risco. A frase é lembrada quando se quer ressaltar que não há mais possibilidade de voltar atrás, nem que se queira. Célebre em razão de quem a pronunciou em situação tão dramática, tem sido citada com freqüência para ilustrar decisões irrevogáveis. Qualquer publicitário adoraria outra frase de César depois de vencer outra batalha: veni, vidi, vici (vim, vi, venci). Bom escritor e bom leitor, César tirou esta frase de um autor grego, traduzindo e adaptando-a para o latim: o mundo é um teatro e a vida é uma representação: vens, vês e vais.
Deonísio da Silva
-13/08/2009 às 4:53
Augusto, este baú com que você nos brinda, trabalho de alta qualidade, é um dos poucos oásis do grande deserto que ora atravessamos. Que interessantíssimos os perfis dos presidentes, dos políticos. É uma pena que a lição de ver e ouvir para escrever vá ficando para trás no jornalismo. Quase todas as entrevistas têm sido feitas por email, inclusive pelos grandes jornais quando entrevistam ministros referenciais do governo, como fez a Folha, aliás, entrevistando a ministra Dilma, chefe da Casa Civil de Lula, por email! Mas o jornalista, ou é bom observador, ou não é jornalista. Ele pode ouvir e ver nas entrelinhas, não do texto, mas do rosto, dos gestos, o que o entrevistado bebe, o que come, como trata o garçom, os cuidados que toma ou deixa de tomar num lugar público etc. Esses detalhes explicam uma personalidade, desvendam pequenos mistérios, como o rápido comentário sobre o corneteiro, feito pelas figuras solares daquele processo de transição: o general Golbery, pelos militares; Tancredo, pelos civis. Mas os tempos eram também outros. Boa parte da moçada pensa hoje que Rubicão deve ser algum primo grande do Rubinho Barrrichello encarregado de alguma sauna ou outro tipo de terapia com água.
JOSÉ CARLOS WERNECK
-12/08/2009 às 22:35
Estes seus textos sobre o baú de presidentes são magníficos.Continue nos brindando com eles.Werneck.
inafio da filva
-12/08/2009 às 21:25
Minha gente, vamos Collorir esta nação:
Sarney e seu mausoléu com ouro Petrobrás,
Renan, da latrina, e seu marron-intimidação,
Dilma, preto-no-branco doutora em “não mentirás”
Minha gente, não me deixem só!
cor-de-burro-quando-foge não é caminho,
esperto que sou, de ninguém tenho dó,
nem mesmo desse triste, manipulável povinho..
Melhor esmagar a minoria e seu complexo feito pó
e ver o amarelo-Mantega saindo de fininho..
Vermelho-descartável PT, aquele partido da ética
e do inútil Mercadante, criatura patética..
lembra daquele emprestimo milionario do BNDES
feito pelo Zé Dirceu para a Rede Globo, com o acordo
de nao falar mal do governo Lula? pois é,
tá dificil.. ta dificil manter o acordo.. é tanta bandalheira
que, se a Globo nao falar, queima junto na fogueira..
f tavares
-12/08/2009 às 20:27
um velho jornalista ensinava que a ironia, quando escrita, tem que ser combinada. e justificava: não se pode ver a expressão facial do autor… pura verdade. a tarefa mais complicada do articulista é passar as emoções sem apresentar o rosto, sem mostrar a mãos, sem exagerar no texto. esse o mistério da sutileza, que vai além da interpretação literal, cartesiana, em que palavras bem colocadas podem descrever o factual mas nem sempre expõem a alma do texto. pois assim é que se deve conhecer a história do doutor tancredo, sua malícia política, a matreirice, a esperteza para consumo próprio, a sabedoria de compreender e se fazer entender com o mínimo, o essencial. não se espera dele o sucesso de um candidato em campanha, não se compara com outros políticos até mais importantes, mas que não nos legaram tanto da arte de sobreviver no tiroteio da política.
Dalvinha
-12/08/2009 às 16:33
….”é um assombro constatar que as legislaturas sucedem-se, cada uma deixando para trás o mesmo desencantamento, a mesma reprovação e que, contudo, o eleitor persiste em considerar um dever votar.”
Somos sonhadores e como tal guardamos a eterna esperança de um país culto com suas instituições fortes dirigindo um povo que além de alegre e maravilhado pelas belezas e clima tropical, é conscio de suas responsabilidades civis.
Sonhar, é o que cada eleição nos permite.
PAULO BOCCATO
-12/08/2009 às 15:21
ZÉLITE…A HISTORIA É MESMO MAIS OU MENOS ESTA !
O QUE OMITE O VERBETE É QUE HAVIA UM ÉDITO (ESPECIE DE MEDIDA PROVISORIA A EPOCA) DO SENADO DITANDO EXPRESSAMENTE QUE JULIO CESAR NAÕ ADENTRASSE ROMA (GRIFE-SE) COM A SUA LEGIÃO !
SOZINHO E PORTANTO UM ALVO FÁCIL PARA A PRISAO QUE JÁ ESTAVA PREPARADA…PODIA !!
NIO MAIS CARO AUGUSTO…
MEU FALECIDO SOGRO, CONTEMPORAENO DE SEU PAI, O GRANDE ADAIL , DIZIA MESMO QUE ELE (SEU PAI) SABIA DAS COISAS !
GOSTO DE PENSAR QUE AMBOS ESTÃO NAQUELE IMENSO BAR LÁ NO CÉU ONDE NÃO FALTA HARPA E UISQUE DE PRIMEIRA !
Obrigado pela lembrança, amigo Paulo. Claro que eles estão juntos, abração, Augusto
Johnsson
-12/08/2009 às 15:18
Tancredo morto. Virou santo!
Convenhamos, o homem sempre foi um grande “pelêgo”, aprendiz de Vargas soube conciliar o estilo “estado novo” com a cultura política mineira da conversa ao pé do ouvido e manteve-se no poder äntes e ao logo dos “anos de chumbo” usando dos mesmos expedientes que Sarney, ACM e outros da mesma laia…
Congresso e Senado são o que são por conta desse histórico.
Atos secretos, conversas de pé de ouvido, conchavos, e manipulação da população ignorante e analfabeta funcional.
Fosse Tancredo um político comprometido com ética, e valores genuínamente republicanos e não teria aceitado Sarney como vice!
Anouk
-12/08/2009 às 13:01
Augusto,
O jantar promete ser uma sinfonia à Sergei Prokofiev; nao é mesmo?
Que tortura adorável!
Augusto
-12/08/2009 às 12:46
Toda vez que os poderes da Câmara dos Deputados expiram, ouve-se um grito unânime: “Enfim essa Câmara infame vai desaparecer! O país vai, portanto, livrar-se desse maldito Parlamento!”
Essa linguagem traduz expressamente os sucessivos sentimentos: decepção, lassidão, repugnância que fazem nascer, no espírito público, durante a legislatura que termina, a incapacidade, a corrupção, a incoerência e a covardia dos parlamentares.
Por que é preciso que a admiração irrefletida do popular, sua ignorância e sua falta de observação conduzam-no a crer que a Câmara que vai nascer será melhor do que aquela que morrerá?
É inconcebível que, periodicamente enganada, constantemente abusada, a confiança do eleitor sobreviva às decepções das quais ele sofre e lamenta-se; e, para sê-lo razoável e inteligente, é um assombro constatar que as legislaturas sucedem-se, cada uma deixando para trás o mesmo desencantamento, a mesma reprovação e que, contudo, o eleitor persiste em considerar um dever votar.
Excerto extraído do excelente livro “ELEITOR, ESCUTA!”, de Sébastien Faure, Paris, 1919.
Ingo
-12/08/2009 às 11:36
Augusto,
Ninguém pode negar as qualidades, sabedoria e astúcias de Tancredo.
Mas ele foi um eterno azarado.
Começou a carreira política muito jovem como vereador em sua cidade natal em 1934.
A partir daí participou de diversos momentos decisivos da história do Brasil. Durante o Estado Novo conheceu de perto as pressões da ditadura, sendo preso em 1937 e em 1939.
Em 1954, quando era ministro da Justiça do mesmo Getúlio Vargas, ficou ao seu lado no momento da crise que culminou no seu suicídio.
Com a morte de Vargas articulou a candidatura de Juscelino Kubitschec à presidência. Em 1961, convenceu João Goulart a aceitar o parlamentarismo e assim, evitar o golpe.
Nomeado primeiro presidente de Conselho dos Ministros, o regime parlamentarista não deu certo e, três anos depois, Tancredo era um dos mais ativos adversários ao golpe militar que acabou por acontecer e depor Jango.
A única vez em que foi eleito para cargo importante, Governador de Minas Gerais,. renunciou para ser candidato a presidente.
Em 1985 concorreu à presidência da república recebendo 480 votos contra 180 de seu adversário Paulo Maluf. Neves representava a esperança do cidadão brasileiro após o fracasso da campanha pelas diretas.
No entanto, não chegou a tomar posse. Um processo inflamatório no aparelho intestinal fez com que se submetesse a sete cirurgias e José Sarney, seu vice, teve que assumir o governo em seu lugar.
E deu no que deu com “sir ney”.
Wesley Almeida
-12/08/2009 às 10:17
Augusto,
Podemos esperar emergir nesse cenário sombrio da política brasileira, a qualquer momento, um Tancredo, nos dias de hoje, para iluminar uma possível travessia ao futuro, Rubicão, Ypiranga, Brasília?
Ou teremos que nos contentar com a massa amorfa que nos guia ao precipício?
zélite
-12/08/2009 às 9:30
Augusto
veja o que encontrei sobre o termo Rubicão:
Rio Rubicão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rubicão (Rubico, em latim; em italiano, Rubicone) é o antigo nome latino de um riacho no norte da Península Itálica. Na época romana, corria para o Mar Adriático entre Ariminum (atual Rimini) e Cesena. A identidade moderna do rio é discutida, mas alguns o identificam com o rio Pisciatello, na Província de Forlì-Cesena. O rio ficou conhecido pelo fato de que o direito romano no período da República proibia qualquer general romano de atravessá-lo acompanhado de suas tropas, retornando de campanhas ao norte de Roma.
Tal medida visava impedir que os generais manobrassem grandes contigentes de tropas no núcleo do Império Romano, evitando riscos à estabilidade do poder central. O curso d´água marcava então a divisa entre a província da Gália Cisalpina e o território da cidade de Roma (posteriormente, a província da Itália). Quando Júlio César atravessou o Rubicão, em 49 a.C., presumivelmente em 10 de janeiro do calendário romano, em perseguição a Pompeu, violou a lei e tornou inevitável o conflito armado. Segundo Suetônio, César teria então proferido a famosa frase Alea iacta est (“a sorte está lançada”). O mesmo autor também descreve como César parecia indeciso ao se aproximar do rio e atribui a decisão de atravessar a uma aparição sobrenatural.A frase “atravessar o Rubicão” passou a ser usada para referir-se a qualquer pessoa que tome uma decisão arriscada de maneira irrevogável, sem volta.O escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908) cita a expressão em seu romance Helena, quando o personagem Estácio decide pedir a noiva Eugenia em casamento: “Transposto o Rubicon, não havia mais que caminhar direito à cidade eterna do matrimônio.”
Ingo
-12/08/2009 às 8:55
Pôxa, Augusto.
A expectativa foi bem maior do que a revelação.
Por enquanto…
O jantar nem começou, caro Ingo… abração, Augusto