Blogs e Colunistas

15/05/2012

às 19:47 \ Direto ao Ponto

A plateia de prefeitos resolveu ensinar a Dilma que a primeira vaia ninguém esquece

Habituada aos aplausos das plateias amestradas e aos sorrisos aprovadores dos áulicos, a presidente Dilma Rousseff foi surpreendida nesta terça-feira por sons especialmente agressivos a tímpanos condicionados pelo coro dos contentes. Ao ouvir os primeiros gritos vindos do auditório lotado por participantes da XV Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, a oradora interrompeu a discurseira com expressão confusa. Demorou cinco segundos para captar a cobrança formulada aos berros: centenas de prefeitos exigiam que revelasse, sem rodeios nem evasivas, qual é a posição do governo sobre a distribuição dos royalties do petróleo.

Até então, o inchaço das pálpebras, o olhar sonolento e a voz entediada identificavam uma presidente que não havia dormido direito. A algaravia desafiadora substituiu a mulher cansada pela chefe intolerante, autoritária desde criancinha, incapaz de ser contrariada sem retaliar com a repreensão humilhante, o pito grosseiro, o cala-boca que não admite tréplicas. O vídeo registra a reação rosnada em dilmês vulgar.

“Petróleo…  petróleo… Ocês não vão gostá do que vô dizê… Tá?”, começou Dilma, contendo na garganta o som da fúria. “Petróleo… ocês não vão gostá. Então eu vô dizê uma coisa pra vocês. Num tem… não acreditem que vocês conseguirão res… resolvê a distribuição de hoje pra trás. Então, lutem pela distribuição de hoje pra frente”. O ponto final na frase sem pé nem cabeça encerrou também o discurso. Capturou a papelada que esperava por leitura, levantou-se abruptamente e saiu de cena.

Como previra, os prefeitos não gostaram mesmo do que ouviram. E revidaram com uma vaia que, além de mais algumas noites insones, garantiu uma vaga perpétua na memória na presidente. Ela logo saberá o que Lula sabe desde aquela tarde no Maracanã: a primeira vaia ninguém esquece.

14/05/2012

às 18:58 \ Direto ao Ponto

O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife

Vinte anos depois de escorraçado do cargo que desonrou, o primeiro presidente brasileiro que escapou do impeachment pelo porão da renúncia reafirmou, nesta segunda-feira, a disposição de engrossar o prontuário com outra façanha sem precedentes. Primeiro chefe de governo a confiscar a poupança dos brasileiros, o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a  prender o xerife.

Forçado a abandonar a Casa Branca em 1974, tangido pelas patifarias reveladas pelo Caso Watergate, o presidente Richard Nixon passou os anos seguintes murmurando, em vão, que não era um escroque. Perto do que faria a versão alagoana, o que fizera o original americano não garantiria a Nixon mais que a patente de trombadinha. Como isto é o Brasil, Collor não só se negou a pedir desculpas como deu de exigir que o país lhe peça perdão por ter expulso do Planalto um chefe de bando. Foi o que fez no discurso de estreia que colocou de joelhos os demais pensionistas da Casa do Espanto (leia o post reproduzido na seção Vale Reprise).

Neste outono, excitado com a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a apurar bandalheiras praticadas por Carlos Cachoeira e seus asseclas, o farsante sem remédio decidiu enxergar na CPMI as iniciais de um Comitê de Pilantras Magoados com a Imprensa. Caso aparecesse no Capitólio em busca de vingança contra o jornal The Washington Post ou a revista Time, Nixon seria, na mais branda das hipóteses, transferido sem escalas para uma clínica psiquiátrica. Nestes trêfegos trópicos, um serial killer da verdade articula manobras liberticidas com a pose de pai da pátria em perigo ─ e com o apoio militante de inimigos do século passado.

José Dirceu, por exemplo, embarcou imediatamente no navio corsário condenado ao naufrágio ─ ansioso por incluir entre os alvos da ofensiva a Procuradoria Geral da República. E Lula, claro, estendeu a mão solidária para reiterar que os dois ex-presidentes nasceram um para o outro. Em 1993, como se ouve no áudio reprisado pela seção História em Imagens, a metamorfose ambulante endossou, sempre em português de botequim, a opinião nacional sobre a farsa desmontada pouco antes: “Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões por terra”, disse Lula, caprichando na pose de doutor em ética. “Deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor”.

O parecer foi revogado por Lula, mas segue em vigor no país que presta. Entre os brasileiros decentes, a cotação do ex-presidente é mesma estabelecida em 1992: zero. Há quase 20 anos, Collor não vale nada.

14/05/2012

às 15:25 \ Direto ao Ponto

O canastrão invade o palco para perseguir um emprego no papel de cabo eleitoral

O ator José de Abreu só consegue escapar da multidão de coadjuvantes condenados à obscuridade perpétua quando desempenha na vida real o papel de militante do PT eternamente em busca de emprego no governo. No momento, o companheiro Abreu persegue o cargo de ministro da Cultura fantasiado de cabo eleitoral de Fernando Haddad, candidato do partido a prefeito de São Paulo por ordem de Lula. Para mostrar quem é a figura, a seção O País quer Saber republica o post de 6 de novembro de 2010. Com aliados assim, o Terror dos Estudantes nem precisa de adversários para naufragar nas urnas. Confira.

12/05/2012

às 16:56 \ Direto ao Ponto

A Mãe do PAC que trata empreiteiros como filhos ameaça Hillary no ranking da Forbes

Atrás apenas de Hillary Clinton, a presidente Dilma Rousseff aparece em segundo lugar no ranking das mães mais poderosas do mundo, concebido pela revista Forbes. Muito justo, concordam os empresários premiados com obras públicas. Promovida por Lula a Mãe do PAC, Dilma Rousseff passou a tratá-los como filhos carentes. Sem os contratos superfaturados distribuídos pelo maior balaio de obras atrasadas, imaginárias ou natimortas do planeta, muitos já teriam mudado de ramo, outros tantos estariam falidos, a Delta seria uma microempresa e Fernando Cavendish não passaria de um pequeno vigarista com sobrenome de pirata.

Para sorte da turma, a Mãe do PAC é uma mãe para os empreiteiros amigos. Pelo que já fez, merece a medalha de prata concedida pela Forbes. Se endossar o acerto bandido entre o J&F e a Delta, mostrará que é muito mais poderosa que Hillary Clinton. E os organizadores do ranking terão de reconhecer que, também nesse ramo, com o Brasil ninguém pode.

 

11/05/2012

às 22:46 \ Direto ao Ponto

Eike prepara um gol de mão no Maracanã

O empresário Eike Batista tornou-se nesta sexta-feira o novo dono do Rock in Rio. Em tese, comprou metade das ações. Na prática, agora é ele quem manda.

A consumação do negócio avisa que, oficialmente ainda em gestação, a licitação forjada para a privatização do Maracanã, que ficará novinho em folha depois da reforma que promete engolir mais de R$1 bilhão dos pagadores de impostos, já escolheu o vencedor. O leilão de araque vai colocar o antigo templo do futebol no colo do onipresente bilionário, que participará da disputa já decidida à frente de um consórcio de empresas.

Só compra show quem já garantiu o palco. Depois de harmoniosas triangulações e ágeis tabelinhas com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, Eike está pronto para mandar a bola no ângulo com mão. Em vez da merecidíssima expulsão, ao som de uma vaia de assombrar Nelson Rodrigues, o artilheiro pode acabar premiado com a ovação reservada ao autor do primeiro gol de placa no novo Maracanã.

11/05/2012

às 19:08 \ Direto ao Ponto

Também quero uma empresa de graça

Leiam o que escreveu o jornalista Carlos Brickmann sobre a compra da Delta pela J&F Participações S/A. Volto em seguida.

Por que o caro leitor não pode ser proprietário de uma das maiores empreiteiras do Brasil? Porque não quer: uma empreiteira como a Delta, que embora corra o risco de perder algumas obras é ainda a executora de serviços milionários, com R$ 4 bilhões de faturamento anual, 30 mil empregados e 197 contratos, custa exatamente Zero reais e Zero centavos. Em algarismos, R$ 0,00.

Está no informe publicitário divulgado na quinta pela J&F Participações S/A, dona do frigorífico JBS Friboi: a empresa comunica que assume segunda-feira o controle da Delta Construções, com o direito de substituir quem quiser, inclusive presidente e diretores; a KPMG, multinacional de auditoria e consultoria, fará uma diligência para fixar o valor que a J&F pagará pela Delta. E este valor será pago com os recursos provenientes dos dividendos futuros da própria Delta. “Não haverá necessidade de utilização de recursos próprios ou de terceiros para financiar a operação”, diz o comunicado que anuncia a compra.

Uma empresa enorme, uma das maiores do setor, e não se gasta um centavo para comprá-la. Nada de recursos próprios, nada de recursos de terceiros – nem mesmo do BNDES, sempre pronto a auxiliar com seu dinheiro (ou nosso dinheiro, se o caro leitor assim o preferir) o desenvolvimento dos negócios da J&F.

Não se pode falar em negócio de pai pra filho. Hoje é Dia das Mães ─ e quanta gente quer mamar! Este colunista informa que não tem interesse na Delta: quer comprar, nas mesmas condições, a General Motors.

Será que vendem?

Se o sempre brilhante Carlinhos Brickmann me aceitar como sócio, pago a gentileza com uma ideia que pode garantir não só a compra da General Motors como a perpétua parceria financeira com o BNDES: basta transformar a nova dona da GM numa holding especializada no pronto socorro a  empresas e entidades reduzidas a casos de polícia incômodos para o governo. O sumiço da Delta, por exemplo, foi tramado para salvar bandidos de estimação da morte por afogamento na cachoeira ─ e impedir que inundação alcançasse o Palácio do Planalto. Que tal estender a fórmula a outras pendências perigosas?

O BNDES não negaria dinheiro a operações que resultassem na troca de comando em empresas e entidades como as consultorias de Fernando Pimentel e Antonio Palocci, os empreendimentos da família de Erenice Guerra, as agências de publicidade de Marcos Valério, os rebanhos imaginários de Renan Calheiros, as fazendas de araque de Romero Jucá ou a Fundação José Sarney. O Instituto Lula fica para daqui a alguns meses. O desembarque no noticiário político-policial de qualquer coisa administrada por um Paulo Okamoto é tão previsível quanto a mudança das estações.

 

 

10/05/2012

às 19:54 \ Direto ao Ponto

Os canastrões do faroeste-chanchada escaparam de Francis, mas o Brasil decente continua a mantê-los sob estreita vigilância

O que diria Paulo Francis do Brasil de 2012?, registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. É o que se pergunta quem tem mais de cinco neurônios ao fim da leitura de Diário da Corte, coletânea de textos do maior polemista da imprensa brasileira publicados pela Folha de S. Paulo entre 1975 e 1990. Contemplado pelo dom de antecipar o futuro, ele sabia que, no País do Carnaval, o que está péssimo sempre pode piorar. Mas não tanto, provavelmente constataria se tivesse sobrevivido ao enfarte que o silenciou em 1997 para contemplar a movimentação da turma que controla o Grande Circo Brasil.

Nem o singularmente brilhante Paulo Francis poderia imaginar que, depois do presidente que nunca leu um livro, viria a presidente que não lembra o que jura estar lendo. Ele jurava que nada que viesse do universo político brasileiro seria capaz de espantá-lo. Mas talvez se assombrasse com o faroeste-chanchada ensaiado nas primeiras sessões da CPI do Cachoeira pela ala radical da Frente Ampla da Cafajestagem. O roteiro original não se limita a transformar canalhas em heróis e mocinhos em vilões. Também autoriza os culpados a submeter inocentes a interrogatórios. E termina com a materialização do sonho de todos os delinquentes do mundo: no fim, o bandido prende o xerife.

O bando escapou do olhar implacável de Francis. Mas o Brasil decente mantém sob estreita vigilância tanto o palco quanto as catacumbas em que se movem prontuários disfarçados de parlamentares a serviço da pátria. De novo, várias ramificações da nação dos fora-da-lei se juntaram para outra ofensiva liberticida. De novo, não passarão.

09/05/2012

às 21:55 \ Direto ao Ponto

Voltei, amigos

Voltei, amigos. Devo um abraço muito especial a cada um de vocês: de novo, os leitores e o timaço de comentaristas ajudaram o pessoal da coluna a preservar este espaço que é de todos nós. Estou lendo todos os comentários e colocando as informações em dia. Mas, como avisa a enquete que acabou de entrar no ar, a briga já vai retomando o ritmo de sempre. AN

06/05/2012

às 18:00 \ Direto ao Ponto

Recado aos amigos

Chego de viagem na quarta-feira, amigos. A coluna, pelo que vejo, continua em ótimas mãos. Abração, AN

03/05/2012

às 17:32 \ Direto ao Ponto

Um Minuto com Augusto Nunes: Aldo Rebelo e o perigo da esperteza

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    Depois das imagens mostrando que Sérgio Cabral transformou o cargo de governador do Rio no emprego mais divertido do mundo, o que merece vazar urgentemente na web?

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