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01/10/2014

às 21:01 \ Direto ao Ponto

A OAB do Distrito Federal não tem vaga para Joaquim Barbosa. Os motivos são dois: vergonha na cara e excesso de altivez

Joaquim-Barbosa-Foto-Nelson-Jr-STF1

Além de admiráveis mestres do Direito, juristas de fina linhagem e profissionais que amam a Justiça acima de todas as coisas, a Ordem dos Advogados do Brasil abriga bacharéis de quinta categoria, doutores em patifarias, rábulas mequetrefes, vigaristas de porta de cadeia, pombos-correio de organizações criminosas, coiteiros de matadores psicopatas, estafetas de narcotraficantes, gigolôs de extorsões trabalhistas, achacadores de agentes carcerários, contrabandistas de celulares, estupradores da lei, chicaneiros compulsivos, josés dirceus e outras ramificações degeneradas da grande tribo que tem nos tribunais seu habitat. Todos são portadores da carteirinha da OAB.

É tão portentoso e prolífico esse agrupamento de obscenidades que vai minguando o espaço ocupado pelos que simplesmente advogam — ou pretendem advogar, como Joaquim Barbosa. Nesta terça-feira, o país foi surpreendido pela notícia de que a OAB do Distrito Federal fechou as portas da entidade ao ex-ministro do Supremo. Presidente da seccional brasiliense e responsável pelo veto, um certo Ibaneis Rocha decidiu que Barbosa não merece exercer a profissão de advogado. Motivo: “falta de idoneidade moral”.

O episódio infame confirma que certas manifestações de covardia exigem mais coragem do que qualquer demonstração de bravura em combate: Ibaneis, admita-se, esbanja ousadia. O que falta ao relator do pedido de carteirinha é a vergonha na cara que sempre sobrou ao relator do processo do mensalão.

01/10/2014

às 19:02 \ Homem sem Visão

Mantega aproveita o discurso da vitória para mais uma previsão: ‘Neste trimestre, o PIB vai crescer mais que o da Alemanha e a inflação ficará abaixo de zero’

MANTEGA HSV copy

“Dedico este troféu ao trimestre que está começando”, declarou Guido Mantega ao ser oficialmente informado da vitória na enquete que elegeu o Homem sem Visão de Setembro. “O PIB vai subir mais que o da Alemanha e a inflação pode ficar abaixo de zero”, profetizou o ex-ministro da Fazenda em exercício, que já largou como favorito por ter errado todas as previsões que fez desde que nasceu.

Voz embargada, uma lágrima furtiva pendurada em cada pálpebra, o campeão lembrou que, ainda menino de calças curtas, ficou conhecido na rua onde nasceu por antecipar resultados de jogos de futebol. “Não acertei nenhum”, recordou. “Mas a chefa me ensinou: é errando que não se aprende”. Com 2057 votos (32% do total), Mantega afirmou que o título de HSV é infinitamente mais importante do que o emprego que ganhou de Lula e foi confiscado por Dilma Rousseff.

“Cheguei várias vezes à etapa final na enquete, mas acabei morrendo na praia, como acontece toda hora com a Ideli Salvatti”. Embora liderasse a votação desde a largada, ele garante que ficou surpreso com o resultado. “Nas minhas previsões, o vencedor seria o companheiro João Vaccari Neto”, confidenciou o pior vidente de todos os tempos. Com apenas 253 votos, Vaccari foi o lanterninha.

Seguiram-se a Guido Mantega os concorrentes Marco Aurélio Garcia (992), Rui Falcão (749), Eike Batista (734), João Santana (608), João Pedro Stédile (501) e Michel Temer (489), além de Vaccari Neto.

A disputa de outubro já começou, leitores-eleitores! Quem será o próximo HSV? Que vença o pior!

 

01/10/2014

às 17:29 \ Opinião

‘Voto de protesto’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta quarta-feira

Na segunda-feira, primeiro dia útil depois da divulgação da pesquisa do Datafolha, que não apenas consignava que a presidente Dilma Rousseff abriu vantagem de 13 pontos sobre a rival Marina Silva, mas trazia de volta a hipótese de reeleição da petista já no primeiro turno, o Ibovespa caiu 4,52%, o maior tombo em um único pregão dos últimos três anos, e o dólar fechou a R$ 2,451, a mais alta cotação desde dezembro de 2008, no auge da crise internacional. Trata-se de uma reação impressionante pela intensidade e racional pelo que a motivou. É um enfático voto de protesto da comunidade econômica, depositado na urna dos mercados financeiros, diante da perspectiva, agora mais nítida, de que os próximos quatro anos podem ser um replay destes que estão para terminar (ver, abaixo, o editorial Desastre nas contas públicas).

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01/10/2014

às 14:44 \ Direto ao Ponto

1 Minuto com Augusto Nunes: Nas eleições para o governo de São Paulo, o PT não lança candidatos. Prefere lançar ameaças

“Nunca vi um poste tão fácil de carregar”, gabou-se Lula há três meses, cumprimentando-se por ter imposto ao PT a candidatura de Alexandre Padilha a governador. Descobriu tarde demais que qualquer trambolho parece leve quando pesa menos de 10% nas pesquisas eleitorais. Nesta terça-feira, num comício promovido para reduzir as dimensões do naufrágio, o palanque ambulante transpirava perplexidade. Se tudo vai mal em São Paulo, perguntou-se o padrinho de Padilha, por que tanta gente decidiu reeleger Geraldo Alckmin?

Entre tantos outros, dois motivos foram resumidos no comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Primeiro: a maioria do eleitorado está satisfeita com o desempenho dos governos do PSDB. E justifica a aprovação com um argumento incontestável: o restante do Brasil ficaria bem melhor se fosse igual a São Paulo, que ficaria bem pior se fosse parecido com o restante do país. Simples assim. O segundo motivo, como costuma lembrar a coluna, é reiterado a cada quatro anos pela companheirada. Quando chega a hora de disputar o governo paulista, o PT não lança candidatos; lança ameaças.

Em 1994, por exemplo, o partido ameaçou o mais importante Estado brasileiro com o então deputado José Dirceu. Em 2002, reincidiu com o também deputado José Genoíno. Fisgados em 2005 no pântano do mensalão e julgados oito anos depois pelo Supremo Tribunal Federal e condenados por corrupção ativa. Os dois candidatos ao Palácio dos Bandeirantes acabaram no presídio da Papuda.

 

30/09/2014

às 20:23 \ Direto ao Ponto

Aécio ressuscita o sonho do segundo turno

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A pesquisa Datafolha que acaba de ser divulgada mostra Aécio Neves a um passo do segundo turno. A vantagem de Marina Silva sobre o senador tucano, que chegou a 20 pontos porcentuais no início de setembro, caiu para 5. Com 20%, o candidato do PSDB tentará ultrapassar os 25% de Marina com ataques simultâneos em três frentes: São Paulo, Minas Gerais e o difuso território que abriga eleitores oposicionistas decididos a votar em quem tiver mais chances de vencer Dilma Rousseff.

Aécio acredita que, com os ventos do voto útil soprando a seu favor, ficará menos complicado conquistar o apoio da multidão de mineiros e paulistas que, historicamente simpáticos ao PSDB, ainda não encontraram motivos para transformar o senador em presidente. A paisagem política recomenda que a ofensiva se estenda a uma quarta frente, povoada por brasileiros ainda à espera de um porta-voz da indignação provocada pelo mais corrupto dos governos.

Faltam quatro dias para a eleição. Na mais surpreendente disputa presidencial da história republicana, 96 horas são uma eternidade.

30/09/2014

às 19:22 \ Direto ao Ponto

O vídeo informa: o poste instalado no Planalto debocha das lágrimas alheias, mas chora até por maus defuntos

Na noite de 11 de setembro, sentada no banco de trás do carro que seguia para o hotel no Rio, a repórter da Folha que acompanhava Marina Silva perguntou à candidata o que achara dos ataques que Lula lhe fizera na véspera. Segundo a jornalista, Marina teve de conter o choro enquanto murmurava, com voz embargada, que não pretendia revidar às agressões verbais. A reação naturalíssima, que não valia mais que uma nota no pé da página, foi noticiada com destaque. E Dilma Rousseff, instruída pelo marqueteiro João Santana, tentou transformar o choro que ninguém viu na prova definitiva de que Marina não pode governar o país.

Para ensinar que presidenta não chora, caprichou no dilmês castiço: “Presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, se não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República”. Conversa de 171, prova o vídeo abaixo, que registra a troca da guarda no Ministério da Pesca ocorrida em 2 de março de 2012.

O poste que Lula instalou no Planalto por pouco não derramou lágrimas de esguicho ao despedir-se do companheiro Luiz Sérgio. Meses antes, o deputado fluminense cedera a Ideli Salvatti o Ministério de Relações Institucionais e tivera de consolar-se com a missão de administrar bagres e lambaris. Meses depois, foi despejado de novo para abrir espaço ao senador Marcelo Crivella, do PRB fluminense.

O vídeo informa: a presidente que debocha das lágrimas alheias chora até por maus defuntos.

30/09/2014

às 18:03 \ Opinião

‘Dilma e a diplomacia petista’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta terça-feira

O vexame que a presidente Dilma Rousseff fez o País passar perante uma audiência mundial, ao utilizar a tribuna da ONU para fazer campanha eleitoral, não resultou apenas de reles cálculo marqueteiro. É a consequência natural de uma visão distorcida do que vem a ser o interesse nacional, deliberadamente confundido com o interesse do partido ao qual Dilma pertence. Logo, ao defender na ONU as supostas realizações da era lulopetista, como se elas qualificassem o Brasil no cenário internacional, Dilma sacramentou a diplomacia partidária que vem carcomendo a credibilidade brasileira. Essa crença de que a política externa do País não pode ser “apenas uma política de Estado” foi reafirmada pela presidente, com essas exatas palavras, em entrevista à revista Política Externa, a propósito de seus planos para as relações exteriores, caso seja reeleita.

30/09/2014

às 13:40 \ Vídeos: Entrevista

No Roda Viva, a denúncia de Niéde Guidon: o descaso do governo federal ameaça a sobrevivência de um tesouro arqueológico

Mundialmente respeitada pelas pesquisas e descobertas que desmontaram antigas teorias sobre a chegada do homem ao continente americano, a arqueóloga Niéde Guidon foi entrevistada no Roda Viva desta segunda-feira. Baseada desde a década de 70 no sertão do Piauí, ela criou o Parque Nacional da Serra da Capivara, preciosidade  histórica que tenta preservar numa luta desigual contra a indiferença do governo lulopetista.

Na entrevista, entre outros temas, Niéde falou da importância científica da região, riquíssima em fósseis e pinturas rupestres, e relatou algumas da sucessivas batalhas travadas para que o parque sobreviva ao descaso das autoridades federais, que se desdobra na mesquinhez dos burocratas,  no atrevimento dos grileiros impunes e na falta de dinheiro ─ de 2003 para cá, as verbas foram dramaticamente reduzidas.

Participaram da bancada de entrevistadores Bernardo Esteves (Piauí), Andresa Boni (TV Cultura), Ana Clara Costa (VEJA), Ulisses Capozzoli (Scientific American Brasil) e Herton Escobar (Estadão).

30/09/2014

às 13:15 \ Opinião

‘Caso de política, por Dora Kramer

Publicado no Estadão

Logo agora que Dilma Rousseff engrenou no discurso incisivo sobre o combate à corrupção, levando ao centro da campanha um assunto evitado até que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa inaugurou o que já se configura o início de uma fila para firmar acordos de delação premiada com a Justiça, a própria presidente e seus aliados começam a pôr em dúvida suas palavras.

Ao menos no que tange à atuação da Polícia Federal, celebrada como independente e apontada por ela como uma das razões pelas quais há tantos escândalos. Sempre que se toca no assunto, Dilma explica: não há mais corrupção, o que há é mais controle. Como se descobre mais, os crimes aparecem mais. Portanto, os instrumentos de fiscalização estão funcionando direito. PF inclusive. Acima de interesses dessa ou daquela natureza.

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30/09/2014

às 8:40 \ Direto ao Ponto

Se continua jurando que só soube agora das maracutaias na Petrobras, por que Dilma demitiu Paulinho de Lula em 2012?

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ATUALIZADO ÀS 8H40

Durante o debate na TV Record, Dilma Rousseff colocou os adversários na cara do gol duas vezes, ambas em jogadas inspiradas na Petrobras. A primeira pisada na bola foi acusar o PSDB de tramar a privatização da estatal. Aécio Neves chutou no ângulo: o que pretende é reestatizar com urgência a empresa que o governo privatizou sem licitação para que o PT, em parceria com bandidos de estimação adestrados no PP e no PMDB, pudesse saqueá-la impiedosamente.

Sabe-se lá por quê, a oposição ignorou a segunda derrapagem. “Uma coisa precisa ficar clara: quem demitiu o Paulo Roberto Costa fui eu”, gabou-se Dilma, referindo-se ao ex-diretor que, depois de preso pela Polícia Federal, descobriu as vantagens da delação premiada e começou a falar. Para angústia dos participantes (por ação ou omissão) das bandalheiras incontáveis, não é pouco o que sabe o parceiro a quem Lula chamava carinhosamente de “Paulinho”. O que vazou foi suficiente para espalhar a insônia entre os fora da lei da divisão especial. O que logo se saberá vai ampliar a fortuna dos advogados que cobram a hora em dólares.

Dilma escapou por pouco de descobrir como se sentiu o time de Felipão naqueles 7 a 1. Aécio Neves (ou Marina Silva) deixou de enfiar-lhe a bola entre as pernas com a dedução óbvia: como quem demite também nomeia, a oponente acabara de confessar que a diretoria é escalada não pelo presidente da empresa, mas pelo presidente da República. Se é assim, Nestor Cerveró (nomeado diretor da Área Internacional em 2003) e Paulo Roberto Costa (diretor de Abastecimento entre 2004 e 2012) chegaram à sala do cofre graças a Lula.

Gol da Alemanha: a afilhada confessou que o padrinho o parteiro da quadrilha. Outro golaço viria com a pergunta que Marina Silva (ou Aécio Neves) ficou devendo: quais foram os motivos da demissão? Se Dilma dissesse que foi por “falta de afinidade”, tropeçaria na inclusão de Paulo Roberto Costa no seleto grupo de convidados para o casamento da filha e nas dezenas de fotos que documentam a harmoniosa convivência entre a supergerente de araque e o executivo espertalhão.

Caso afirmasse que a ação de despejo resultou das maracutaias colecionadas por Paulinho de Lula, Dilma se meteria num beco sem saída a bordo de interrogações desmoralizantes. Uma delas: se sabia de tudo pelo menos desde 2012, quando a demissão se consumou, como se atreve a continuar jurando que só soube agora da ladroagem na Petrobras? Outra: por que escondeu durante dois anos a roubalheira que justificara a demissão? Pena que Aécio e Marina tenham desperdiçado a chance do ataque em pinça.

Terão a oportunidade de redimir-se com o debate na Globo. Tomara que à dupla oposicionista não faltem agilidade mental e astúcia. Tomara que sobrem coragem e indignação.

 

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