Blogs e Colunistas

07/02/2012

às 0:15 \ Direto ao Ponto

Jaques Wagner aderiu à greve da PM

Adiei por algumas horas a conclusão do caso Gilberto Carvalho para que os leitores pudessem saborear a transcrição, em negrito,  do histórico pronunciamento do senhor Jaques Wagner sobre a greve da Polícia Militar da Bahia:

“Em primeiro lugar solidarizo-me com nossos conterrâneos da Polícia Militar do Estado da Bahia, que há aproximadamente dez dias vêm se movimentando juntamente com seus familiares, particularmente as esposas, numa justa reivindicação por melhorias salariais. Infelizmente, a impermeabilidade do Governador do Estado fez com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares.

É absolutamente pertinente que a corporação dos policiais militares, que devem estar a serviço do conjunto da sociedade e não simplesmente se comportar como um viés, como uma matiz da política local, reivindique melhorias salariais. Reitero apelo que fiz, através de telegrama enviado ao General Comandante da Polícia Militar baiana, no sentido de que perceba a justeza das reivindicações dos seus comandados ao considerar que, para o exercício da profissão, necessitam de melhores soldos.

Acho um absurdo o atual vencimento dos agentes da Polícia Militar da Bahia, bem como o dos oficiais. Entendo que aqueles que têm por tarefa a manutenção da ordem pública precisam ter uma remuneração condizente com o risco de vida a que se expõem todos os dias.

Por isso, registro minha solidariedade aos 110 oficiais e policiais militares já punidos e reitero veementemente meu apelo ao Comando da Polícia Militar para que, em vez de simplesmente seguir as ordens do Governador do Estado da Bahia, sempre impermeável às reivindicações do funcionalismo do nosso Estado, tente sensibilizar o Executivo do nosso Estado no sentido de que sejam atendidas as reivindicações das esposas dos militares que, na verdade, estão indo às ruas porque não têm como comprar alimentos para a família”.

PS: O pronunciamento, capturado pelo comentarista no Diário do Congresso Nacional, foi feito na Câmara dos Deputados em setembro de 1992, quando o vibrante parlamentar do PT nem imaginava que os eleitores da Bahia um dia cometeriam a insanidade de transformá-lo em governador.

 

06/02/2012

às 18:37 \ Direto ao Ponto

Gilberto Carvalho fugiu da entrevista sobre o caso Celso Daniel não por ter pouco a dizer, mas porque há muito a ocultar

“O ministro Gilberto Carvalho não lhe concederá entrevista”, capitula o secretário-geral da Presidência da República na primeira das três frases do email (endereçado “Ao Senhor Augusto Nunes“) que ditou ao “assessor de comunicação” Sérgio Alli. “Ele já prestou todos os esclarecimentos pertinentes em relação ao assassinato do ex-prefeito Celso Daniel”, mente na segunda. “As gravações, cujos trechos foram divulgados pelo senhor fora de contexto e como se fossem novidades, foram apresentadas à CPI dos Bingos e os questionamentos sobre elas foram todos devidamente respondidos”, repete a mentira na última frase o poltrão vocacional que recorre a estafetas até para informar que bateu em retirada.

Esclareceu coisa nenhuma, ouviria se ousasse recitar tais espertezas diante de um jornalista independente. Desde a descoberta das repulsivas gravações feitas pela polícia em janeiro e fevereiro de 2002, parcialmente destruídas por ordem de um juiz que vendia sentenças e favores, Gilberto Carvalho faz o que pode para escapulir  do fantasma que o assombra há dez anos. Foi o que fez na sessão da CPI dos Bingos realizada em 15 de setembro de 2005 ─ e fechada à imprensa por solicitação do depoente. Já no palavrório de abertura, o ex-secretário de Governo da prefeitura de Santo André disse que não responderia a perguntas que envolvessem os diálogos telefônicos reunidos nas fitas que comprovam a trama forjada para assassinar também a verdade.

O senador Álvaro Dias, do PSDB paranaense, quis saber se o então secretário particular de Lula pelo menos admitia que era o dono de uma das vozes capturadas pela escuta. “Eu não falarei nada”, esquivou-se o chefe do bando que, quando nem fora marcada a missa de 30° dia, esqueceu o companheiro massacrado para impedir o avanço das investigações. Nesta segunda-feira, ao recusar o convite para tratar do assassinato do prefeito de Santo André numa entrevista ao site de VEJA, Gilberto confirmou o que sabem milhões de brasileiros decentes: ele guarda distância do caso não por ter pouco a dizer, mas porque há muito a ocultar.

“Todos os questionamentos foram respondidos”, reincide no email o ex-seminarista sem chances no Juízo Final. Está convidado a informar em quais entrevistas, depoimentos, declarações avulsas ou conversas de botequim em que esclareceu as dúvidas expostas nos 11 tópicos seguintes:

1. Por que o grupo formado por dirigentes do PT, amigos e assessores de Celso Daniel,  além da viúva, resolveu interferir tão acintosamente e com tanta afoiteza no rumo das investigações, mantendo sob estreita vigilância o comportamento de testemunhas e suspeitos?

2. Por que Gilberto Carvalho e seus parceiros descartaram a hipótese do crime político quando as investigações mal haviam começado?

3. Por que dirigentes e militantes do PT demonstraram tanto interesse por um crime que, segundo eles próprios, não teve motivações políticas nem quaisquer ligações com o partido?

4. Numa conversa com Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, Gilberto Carvalho se esforça para acalmar o suspeito de ser o mandante do crime. “Marcamos às três horas na casa do Zé Dirceu”, diz Carvalho. “Vamos conversar um pouco sobre nossa tática da semana, né? Porque nós temos que ir para a contra-ofensiva”. Sombra parece mais tranquilo ao saber da operação de socorro. “Vou falar com meus advogados amanhã, nossa ideia é colocar essa investigação sob suspeição”. Gilberto Carvalho aprova a manobra: “Acho que é um bom caminho”. O intrigante diálogo exige esclarecimentos. Qual foi a “tática da semana”? Depoimentos à polícia não devem ser apenas verdadeiros? Por que os interlocutores resolveram “colocar a investigação sob suspeita”? O objetivo de um inquérito não é apurar a verdade?

5. Por que convidar para a reunião o presidente nacional do PT, José Dirceu? O que tem a ver um dirigente partidário com a apuração de um crime comum?

6. Numa conversa com Klinger Luiz de Oliveira, Sombra faz uma exigência: “Fala com o Gilberto aí! Tem que armar alguma coisa, meu chapa!”. Também esse diálogo merece ser esclarecido. O que foi (ou deveria ter sido) armado? Em quais trunfos se amparava o possível mandante do crime para fazer tais exigências? Se era inocente, a que atribuir o evidente descontrole emocional?

7. Em outra conversa, Luiz Eduardo Greenhalgh manifesta a Gilberto Carvalho sua preocupação com o que um dos irmãos de Celso Daniel vai dizer à polícia. “Está chegando a hora do João Francisco ir depor”, avisa Greenhalgh. “Antes do depoimento preciso falar com você para ele não destilar ressentimentos lá”. Gilberto Carvalho se alarma:  “Pelo amor de Deus, isso vai ser fundamental. Tem que preparar bem isso aí, cara, porque esse cara vai… “. O que viria depois das reticências? O que poderia dizer João Francisco? O que havia de “fundamental” a silenciar? Caso o depoente mentisse, não cumpriria exclusivamente à polícia restabelecer a verdade?

8. Por que Gilberto Carvalho se dispôs a contratar um criminalista para cuidar da defesa de Sombra, como informa Klinger Luiz de Oliveira numa conversa com o principal suspeito? Por que, na mesma conversa, Klinger diz que “o Dirceu está louco pra vir até aqui conversar com a gente”?

9. Por que Gilberto Carvalho e seus parceiros endossaram de imediato a versão de Sombra? Se o absolveram liminarmente, como explicam o estranho comportamento de Sombra na noite do sequestro? Por que assumiu a direção do carro blindado? Por que afirmou que houve um defeito mecânico que, como comprovaram os peritos, não existiu? Por que destravou as portas do veículo? Por que os participantes das conversas grampeadas, alheios às evidências em contrário, acreditaram desde o começo que os problemas mecânicos foram reais?

10. Por que Sombra não buscou socorro assim que os bandidos se afastaram? Por que os sequestradores pouparam a única testemunha que poderia reconhecê-los? Por que não levaram dinheiro ou objetos valiosos? Por que não pediram resgate?

11. Os defensores da tese do crime comum afirmam que os bandidos não sabiam quem era o sequestrado e que, ao identificá-lo, acharam melhor matá-lo e livrar-se do corpo. Como acreditar que uma quadrilha de bandidos experientes ignore o alvo do crime? Se isso tivesse ocorrido, saber quem era o sequestrado não serviria apenas para elevar o preço de resgate? Se quiseram apenas livrar-se do sequestrado, porque torturaram Celso Daniel antes da morte? O que procuravam? O que desejavam saber?

As interrogações contidas nesses 11 tópicos consumiriam a primeira metade da entrevista. A segunda parte fica para o próximo post. As perguntas restantes  conduzem à solução do caso. A conspiração do silêncio não conseguiu matar a verdade.

05/02/2012

às 14:32 \ Direto ao Ponto

Lula: ‘A PM pode fazer greve. O governo quis passar a impressão de que, sem policial na rua, todo baiano é bandido’

Lula acusou o governo da Bahia de ter provocado saques, arrastões e outros formas de violência, durante a greve da Polícia Militar, para que os líderes do movimento suspendessem a paralisação.  “Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido”.  Segundo o chefe do PT, nenhuma greve pode ser considerada ilegal. “‘A Polícia Militar pode fazer greve”, afirmou. “Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário micho, esse cidadão tem direito a fazer greve. Na Suécia, até o Exército pode fazer greve fora da época de guerra.”

O parágrafo acima foi extraído sem retoques de uma reportagem publicada em 26 de julho de 2001 pela Agência Folha, quando o palanque itinerante passou pela cidade gaúcha de Santa Maria. Entrevistado pelos jornalistas Luiz Francisco e Léo Gerchmann, fez declarações que não perdem o prazo de validade. Se valiam para o então governador César Borges, então no PFL, valem para o companheiro Jaques Wagner. É ele o culpado por tudo. Pelo menos na opinião de Lula.

Em 2001, o então deputado Jaques Wagner não só endossou o palavrório do chefe como resolveu nomear-se PM honorário, ajudando os grevistas com dinheiro e discursos. Neste fim de semana, Wagner mostrou que a cabeça do governador não tem parentesco com a do parlamentar. Passados dez anos e meio, mudou de pista bruscamente. Ele agora acha que é a PM que está por trás da onda de homicídios, saques e atentados que varre as principais cidades da Bahia.

“Não tenho dúvida de que parte disso é cometido por ordem dos criminosos que se autointitulam líderes do movimento”, descobriu o detetive de chanchada. “É uma tentativa de criar desespero na população para fazer o governo sucumbir, uma tentativa de guerra psicológica”. Conjugados, os falatórios do ex-presidente e do governador informam que a culpa muda de lado conforme a situação do PT. Se o partido está na oposição, a culpa é do governador adversário. Se está no poder, é dos grevistas.  Lula e Wagner merecem lugares cativos na confraria dos campeões do oportunismo irresponsável.

03/02/2012

às 23:23 \ Direto ao Ponto

O bando dos nomeados pela supergerente merece ser fotografado também de perfil

Por vontade de Dilma Rousseff, viraram ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte.  Todos perderam o emprego contra a vontade da chefe de governo, que ignorou enquanto pôde o assombro dos brasileiros inconformados com a impunidade dos fabricantes de maracutaias. Em 13 meses, a presidente foi forçada a devolver à planície sete casos de polícia. Teriam sido nove se Fernando Pimentel não fosse tratado por Dilma como um pirralho peralta e Fernando Bezerra não estivesse sob as asas protetoras de Eduardo Campos.

Se presidisse uma empresa privada, a superexecutiva de araque não teria sobrevivido ao segundo despejo registrado na diretoria que nomeou porque quis. Debilitada pelo precedente, seria expulsa aos berros pelo conselho administrativo, perseguida por apupos de acionistas coléricos, desqualificada para pilotar até carrinhos de pipoca e condenada ao desemprego perpétuo. Como é presidente do Brasil, a única faxineira do mundo que não consegue viver longe do lixo segue caprichando na pose de defensora da moral e dos bons costumes. E os  jornalistas federais fingem enxergar uma supergerente na superlativa mediocridade que coleciona escolhas desastrosas.

A mais recente promoveu a ministro das Cidades o deputado Aguinaldo Ribeiro, do PP da Paraíba. O sucessor de Negromonte nem precisou assumir para desfraldar a folha corrida e empoleirar-se num andor da procissão dos pecadores. Vai sentir-se em casa no convívio com os vigaristas, farsantes, gatunos compulsivos e perfeitas cavalgaduras que se acotovelam no pior primeiro escalão de todos os tempos.  Paralelamente, vai proporcionar a Dilma mais um bom motivo para repetir a festa de confraternização ocorrida no último dia do governo Lula. Como em 2010, todos os ministros e ex-ministros estarão, em 2014, sorrindo juntos para a posteridade. A afilhada tem tudo para superar o padrinho.

A turma de Lula só posou para a foto de frente.  Faltou a data no peito de muitos. O bando de Dilma não pode esquecer os algarismos. E merece ser fotografado também de perfil.

03/02/2012

às 22:47 \ Direto ao Ponto

Dilma pode construir a primeira clínica para recuperação de viciados no pedaço da Cracolândia que Lula ganhou de Kassab

A retomada pelo poder público da região batizada de Cracolândia foi promovida a crime hediondo pela comissão de frente do PT. Traficantes e consumidores de crack só deveriam deixar a área no centro de São Paulo depois da inauguração de um punhado de clínicas especializadas na recuperação de dependentes de crack, berraram em coro os defensores do povo. O berreiro virou sussurro quando pesquisas de opinião constataram que mais de 80% dos paulistanos aprovam a ofensiva conjunta da prefeitura e do governo estadual. E a companheirada  perdeu de vez a voz ao saber do presente que Lula ganhou de Gilberto Kassab: um pedaço da Cracolândia.

Esse é o tema do comentário de 1 minuto para o site de VEJA, concluído com a sugestão muito pertinente. Se tiver algum apreço pela coerência, o rebanho deve pedir ao Grande Pastor que repasse o presente a Dilma Rousseff. Durante a campanha eleitoral, a presidente jurou que a guerra ao crack começaria com uma vastidão de clínicas. Até agora, nenhuma desceu do palanque. Que tal construir a primeira no terreno cedido pelo mais novo proprietário de imóveis da velha Cracolândia?

03/02/2012

às 20:26 \ Direto ao Ponto

Cuba proíbe a viagem de Yoani ao país que adotou a política externa da cafajestagem

“Não há surpresas”, começa a nota divulgada nesta tarde pela blogueira cubana Yoani Sanchez. “Voltaram a me negar a permissão de saída. É a ocasião de número 19 em que me violam o direito de entrar e sair do meu país”. É também a terceira tentativa frustrada de vir ao Brasil. E é mais uma prova de que o paraíso socialista dos irmãos Castro não passa de uma ilha-presídio.

Um post aqui publicado há uma semana comentou a concessão do visto de entrada no país, anunciada com pompas e fitas pelo Itamaraty. “Bom sinal”, constatou o texto. “Mas falta o essencial: a permissão para a saída. Dilma precisa afirmar publicamente que o colega Raul Castro deve autorizar a viagem. Como Lula em 2010, a presidente está  obrigada a escolher entre a generosidade e a infâmia. Ela decide”.

O que disse a presidente em Havana e, sobretudo, o que deixou de dizer anteciparam a opção vergonhosa. De novo, o governo brasileiro ajoelhou-se diante da ditadura caribenha. Nada mudou no Itamaraty. Continua em vigor a política externa da cafajestagem.

02/02/2012

às 19:57 \ Direto ao Ponto

Um estadista e duas vulgaridades políticas

Num post de 10 de março de 2010, reproduzido na seção Vale Reprise, confrontei a discurseira de Lula sobre Cuba com um artigo publicado no jornal espanhol El País por Oscar Arías, ex-presidente da Costa Rica. O que ambos diziam sobre um mesmo tema escancarou o abismo que separa um genuíno estadista de políticos vulgares. A essa categoria pertence Dilma Rousseff, confirmou visita a Havana. Comparem o palavrório indigente do neurônio solitário às lições ministradas pelo costa-riquenho premiado com o Nobel da Paz. E sintam a falta que faz ao Brasil gente parecida com um Oscar Arías.

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02/02/2012

às 17:28 \ Direto ao Ponto

Toda Dilma é uma ilha: desde a invasão da Baía dos Porcos, nenhuma incursão a Cuba foi mais desastrada

Dilma Rousseff deve ter imaginado que Celso Arnaldo estava de férias e resolveu passear em Cuba. Foi capturada em Havana, informa mais um texto magistral do grande caçador de cretinices. (AN) 

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Enfim, um leitor ─ já não era sem tempo. Um mês depois de lançada, a biografia de Dilma ─ com o título, em dilmês, de “A vida quer é coragem” ─ tem seu primeiro leitor revelado. E um senhor leitor: Fidel Castro. É o que nos deu conta ontem, mais exultante do que no momento do top-top, o assessor Marco Aurélio Garcia, após o não-documentado encontro de Dilma com o ditador de Adidas, momento culminante da estranha viagem da presidente a Cuba.

Sem nada para fazer a não ser receber em sua dacha baba-ovos da latinidad, Fidel parecia ler o livro com muito interesse ─ sobretudo a parte em que Estela pegava em armas pelos ideais que, dez anos antes, ele já havia transformado na bem-sucedida experiência de governar um país onde todos são iguais na pobreza e não tem classe média ─ àquela altura exilada em Miami.

A Cuba que Dilma viu, 53 anos após a Revolução castrista e 30 anos depois de ter estado na ilha pela primeira vez, ainda tem o frescor, as promessas e o futuro brilhante de uma debutante socialista ─ quando, a rigor, é apenas um case político que teve 53 anos para se demonstrar um retumbante fracasso. Dilma foi a Cuba sem precisar ter ido. E ali falou sem precisar ter falado.

Caso singular de pessoa com formação universitária e há anos manipulando informações privilegiadas da máquina pública brasileira, tendo acesso a densos relatórios e conversas com os mais preparados especialistas do país em cada segmento da vida nacional e internacional sem que isso tenha resultado numa compreensão mais inteligente de si mesma, do Brasil e do mundo, Dilma deu em Havana uma entrevista histórica. Sua (sem) noção de direitos humanos, democracias e ditaduras é um Mojito sem gelo, sem açúcar e sem hortelã ─ só restando um rum velho e intragável.

Esqueçam o dilmês ─ que chocou o grande Reinaldo Azevedo em texto postado ontem. Nós, desta coluna, já sabemos: nenhum outro brasileiro em posição de comando consegue acumular tantas inadequações de linguagem num mesmo período, numa mesma frase, num mesmo pensamento. Em Cuba, o desastre maior foi o conteúdo. Dilma demonstrou, de novo, que é uma ilha cercada de desconhecimento por todos os lados. Seus conceitos sobre geopolítica internacional são tão primitivos quanto seus conceitos ─ de forma geral.

Patriota e Garcia, na volta, deveriam pedir o boné ainda no Aerodilma. Faltou aí um laboratório básico para avisar Dilma que a menção gratuita a Guantánamo, na tentativa de estender aos Estados Unidos a agressão sistemática aos direitos humanos que caracteriza os 53 anos do governo castrista, seria uma gafe irretratável. Guantánamo é uma pedra no sapato de Obama ─ que ainda não sabe bem o que fazer com esse intolerável bolsão de agressão aos direitos de 300 supostos terroristas, ironicamente localizado em território cubano. São 300 em 300 milhões de cidadãos americanos integralmente livres, fora os presidiários por crimes comuns ─ contra 12 milhões de cubanos, fora os presos políticos, impedidos de adentrar no mar que cerca a ilha a mais de 200 metros da costa. De resto, a comparação feita por Dilma entre os dois regimes, de tão descabida, deve se limitar a breves tópicos.

Os Castros estão no poder desde o tempo em que Eisenhower era o presidente dos Estados Unidos e JK governava o Brasil. Eisenhower foi o 34º presidente americano. Obama é o 44º. Juscelino é o 13º, na cronologia da República brasileira. Entre ele e Dilma, 12 presidentes revezaram-se na presidência do país. Há 53 anos, os Castros não largam o osso ─ literalmente.

Na ditadura sufocante de Tio Sam, milhares de pessoas ganham a vida, e às vezes ficam ricos, espinafrando violentamente as instituições, o way of life e o governo americano ─ de cineastas, como Michael Moore e Oliver Stone, a pensadores, como Slavoj Zizek, que nem americano é, e Noam Chomsky. Nos spas da democracia cubana, há milhares de presos ali internados apenas pelo delito de reclamar de não poder reclamar.

Dilma ainda vive no tempo em que a palavra embargo embargava a voz dos comunistas convictos. O embargo, que não é bloqueio, está expresso em leis formuladas pelo congresso americano e não impediu que os Estados Unidos sejam hoje o maior exportador de alimentos para Cuba. De resto, Cuba pode importar o que quiser de qualquer parte do mundo ─ desde que possa pagar.

Aí é que está o busílis do fracassado regime cubano. Com o fim da matriz soviética e sem um modelo econômico condizente com o século 21, a ditadura cubana depende de ajuda humanitária. Chávez ali despeja alguns bilhões por ano. Dilma se orgulha do apoio do Brasil.

Na malfadada entrevista, destacou novos 550 milhões de dólares em créditos, que vêm a se somar aos 400 milhões de dólares já concedidos ao porto de Mariel. É a política externa “multilateral” do Brasil ─ seja o que isso seja. Nada como ser um país rico e sem problemas.

Mas a retribuição, a longo prazo, pode ser ingrata ─ e é bom que Dilma, na volta, se instrua melhor sobre a geopolítica cubana. Fidel morto, Cuba não terá outra saída a não ser se tornar uma economia de mercado à moda chinesa. Essa nova Cuba, mais palatável aos Estados Unidos, forçosamente sem presos políticos e inserida na economia global, concorrerá com o Brasil em açúcar, etanol e suco de laranja – a 90 milhas das praias da Flórida.

Quando nada, esses créditos brasileiros valeram o privilégio da visita a Fidel. Não se conhece o teor da breve conversa. “Fidel está bem, com a família toda, numa casa simpática”, relataria Garcia. Um retrato à altura do avô de todas as ditaduras planetárias. Charles Dickens talvez fizesse da visita um conto – o pedinte recebendo em sua casinha humilde a rainha carregada de presentes.

02/02/2012

às 16:39 \ Direto ao Ponto

A verdade sobre Pinheirinho

Com 579 palavras, o senador Aloysio Nunes Ferreira implodiu o monumento ao cinismo erguido em Pinheirinho pelo PT. O texto reproduzido na seção Feira Livre examina uma a uma as mentiras contadas pelos campeões do oportunisno para transformar a reintegração de posse de um terreno em instrumento eleitoreiro. Terminada a leitura, todas as fantasias estão em frangalhos. Confira.

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01/02/2012

às 19:37 \ Direto ao Ponto

Solidária com a democracia cubana, Dilma Rousseff ataca a ditadura ianque

O comentário de 1 minuto para o site de VEJA, nesta quarta-feira, trata de parte da discurseira de Dilma Rousseff em Havana. Num dos piores momentos, a presidente ensinou que quem luta pelo respeito aos direitos humanos deve deixar em paz a democracia consolidade pelos irmãos Castro e declarar guerra à ditadura ianque. Quem não enxerga diferenças entre os Estados Unidos e Cuba sofre de confusão mental ou de miopia seletiva. Ou de ambas as coisas. É o caso de Dilma.

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    Na parte secreta da conversa em Havana, qual destes conselhos Dilma Rousseff ouviu de Fidel Castro?

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  • História em Imagens

    Em julho de 2005, o Jornal da Band mostrou Gilberto Carvalho em ação no caso Celso Daniel

  • Vale Reprise

    A privatização dos aeroportos mostra que Dilma foi obrigada a aprender o que o governo FHC ensinou no século passado

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    O taxista que virou classe-média sem deixar de ser pobre

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    Reportagem especial sobre os 458 anos da cidade de São Paulo

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