JBS acelera ofensiva nos EUA e transforma aquisições em motor de crescimento
Desde a compra da Swift, em 2007, a JBS passou de uma empresa brasileira que buscava ganhar escala no exterior para uma multinacional
A JBS construiu nos Estados Unidos uma das principais plataformas de sua expansão internacional. O que começou em 2007, com a compra da americana Swift & Company, transformou-se em uma estratégia de décadas para ampliar a presença da companhia brasileira no maior mercado consumidor de carne bovina do mundo — e também avançar em frango, suínos e alimentos processados.
Agora, a companhia dá mais um passo nessa trajetória. A JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir as ações da Pilgrim’s Pride que ainda não estão sob seu controle. A brasileira já possui aproximadamente 82% da companhia americana, e a operação levaria a empresa a assumir integralmente o negócio.
A proposta prevê que os acionistas da Pilgrim’s Pride que não são ligados à JBS recebam 2,086 ações ordinárias Classe A da JBS por cada ação da companhia americana. Com base nos preços de fechamento de 18 de agosto, de 13,66 dólares para a JBS e 28,49 dólares para a Pilgrim’s Pride, a relação representa uma oferta implícita de aproximadamente 28,49 dólares por ação.
A operação ainda precisa passar pelo comitê especial formado por membros independentes do conselho da Pilgrim’s Pride e pela aprovação dos acionistas não vinculados à JBS.
De frigorífico brasileiro a gigante nos Estados Unidos
A ofensiva americana da JBS começou em 2007, quando a companhia comprou a Swift & Company por cerca de 1,4 bilhão de dólares. A aquisição marcou a entrada da empresa brasileira no mercado americano e transformou a JBS em uma das maiores processadoras de carne bovina do mundo.
A operação também estabeleceu o modelo que seria repetido nos anos seguintes: comprar empresas com marcas conhecidas e estruturas produtivas já estabelecidas para ampliar escala e presença geográfica.
Em 2008, a JBS avançou ainda mais nos Estados Unidos com a aquisição das operações da Smithfield Beef, em uma operação que ampliou sua capacidade de processamento de carne bovina no país.
A estratégia ganhou outra dimensão em 2009, quando a companhia anunciou a aquisição da Pilgrim’s Pride. A JBS desembolsou cerca de 800 milhões de dólares pela participação majoritária na empresa, que havia entrado em recuperação judicial. A operação marcou a entrada da brasileira no mercado de aves dos Estados Unidos.
A Pilgrim’s Pride se tornou, desde então, uma peça importante da estratégia americana da JBS. A companhia expandiu seus negócios por meio de aquisições e investimentos e passou a operar não apenas nos Estados Unidos, mas também em mercados como México e Europa.
O salto para alimentos preparados
A expansão da JBS nos Estados Unidos não ficou restrita aos frigoríficos. Em 2015, a companhia comprou a Cargill Pork, em uma operação de aproximadamente 1,45 bilhão de dólares. O negócio ampliou significativamente a presença da brasileira no mercado americano de carne suína.
A estratégia continuou nos anos seguintes com novas aquisições e investimentos em capacidade produtiva. A companhia passou a combinar negócios de carne bovina, suína, frango e alimentos preparados, reduzindo a dependência de um único segmento do mercado de proteínas.
A Pilgrim’s virou uma peça central da estratégia
A trajetória da Pilgrim’s ajuda a explicar a importância da proposta apresentada agora pela JBS. Depois de assumir o controle da companhia, a brasileira utilizou a empresa como plataforma para ampliar sua atuação no mercado de aves. A Pilgrim’s também realizou aquisições próprias, aumentando sua escala e diversificando seu portfólio.
A companhia americana comprou, por exemplo, a Tulip, empresa britânica de carne suína, em 2019, em uma operação de aproximadamente 290 milhões de libras. No ano seguinte, adquiriu a Kerry Consumer Foods Meats and Meals, no Reino Unido, por cerca de 700 milhões de euros.
Mais recentemente, a Pilgrim’s reforçou sua atuação em alimentos preparados e produtos de maior valor agregado, uma estratégia que acompanha o movimento da JBS de sair gradualmente de uma posição concentrada no processamento de commodities para ampliar a presença em produtos com maior margem.
Por que os EUA são tão importantes para a JBS?
A expansão americana tem uma lógica estratégica. Os Estados Unidos são um dos maiores mercados consumidores de proteínas do mundo e concentram algumas das principais empresas globais do setor.
Além disso, estar fisicamente próxima do consumidor americano permite à JBS capturar margens em diferentes etapas da cadeia, desde o processamento da carne até produtos industrializados e marcas de consumo.
A estratégia também reduz a exposição da companhia às oscilações de um único mercado. Uma empresa que vende carne bovina, suína e de frango em diferentes regiões consegue compensar parcialmente ciclos desfavoráveis em determinado segmento ou país.
É justamente essa diversificação que transformou os Estados Unidos em uma das principais bases da JBS fora do Brasil.
A próxima etapa da expansão
A proposta pela Pilgrim’s Pride mostra que a estratégia ainda não terminou. Caso seja aprovada, a JBS passará a deter integralmente uma das principais plataformas de seu negócio de aves nos Estados Unidos e retirará as ações da Pilgrim’s da Nasdaq.
Mais do que uma simples aquisição, a operação representa a consolidação de uma estratégia iniciada quase duas décadas atrás.
Desde a compra da Swift, em 2007, a JBS passou de uma empresa brasileira que buscava ganhar escala no exterior para uma multinacional com operações relevantes nos Estados Unidos em carne bovina, suína, frango e alimentos preparados.
Agora, ao tentar comprar os acionistas minoritários da Pilgrim’s, a companhia dá mais um passo para transformar sua presença americana em um negócio ainda mais integrado — e reforça o papel dos Estados Unidos como um dos principais motores de crescimento da JBS.







