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Vivo e a ambição de dominar a infraestrutura invisível das cidades

A força da sua base de dados, a 3ª maior do país, deu à Vivo vantagem para vencer a licitação da Sabesp para instalar 4,4 milhões de hidrômetros

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 nov 2025, 18h13 • Atualizado em 20 nov 2025, 15h08
  • A instalação de 4,4 milhões de hidrômetros inteligentes para a Sabesp, anunciada em agosto, deixou de ser apenas um contrato bilionário de IoT para se tornar um símbolo da mudança estrutural da Vivo. O projeto, o maior do mundo em volume de dispositivos conectados, revela a ambição da empresa: ocupar a camada invisível que sustenta o funcionamento das cidades contemporâneas.

    Não se trata mais de vender conectividade, mas de operar infraestruturas críticas que dependem de dados em tempo real. E poucos players no país dispõem de uma vantagem tão estrutural quanto a Vivo: uma base de 26 petabytes de dados, uma das três maiores do Brasil. Essa massa de informação, alimentada diariamente pelos 116 milhões de acessos da companhia, permite calibrar modelos, antecipar falhas, otimizar redes e, sobretudo, desenvolver aplicações em setores como saneamento, energia, mobilidade e segurança pública.

    O contrato com a Sabesp também cristaliza a guinada do braço corporativo da empresa. O braço B2B da Vivo, a divisão que atende empresas com soluções digitais e de conectividade, já fatura mais de R$ 5 bilhões em serviços que vão do cloud à cibersegurança, passando por locação de equipamentos e IoT.

    “É um projeto de escala inédita, que combina conectividade, dados e capacidade de integração. Isso mostra para onde estamos indo”, disse Christian Gebara, CEO da empresa, durante o Zoox Data Revolution nesta terça-feira, 18, no Hotel Unique, em São Paulo.

    Com aquisições de integradoras como a Vita (especializada em soluções Cisco) e a IPNET (parceira de Google Cloud), a Vivo passou a ter capacidade técnica para entregar projetos completos de digitalização. Isso a coloca em posição para atender utilities e governos, setores que demandam soluções complexas, contratos longos e margens mais estáveis.

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    O movimento sugere que os hidrômetros são apenas o começo. A Vivo está se posicionando para disputar, e potencialmente dominar, a infraestrutura digital que opera abaixo da superfície do país, onde hardware, software, IA e dados convergem para redesenhar serviços públicos essenciais.

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