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Venezuela tem maior reserva de petróleo do mundo e exporta 80% para China

Com 303 bilhões de barris em reservas, o país ocupa o topo do ranking global de petróleo, à frente de Arábia Saudita e Irã

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 18h08 • Atualizado em 4 jan 2026, 09h59
  • Com 303 bilhões de barris em reservas, a Venezuela ocupa o topo do ranking global de petróleo – à frente de Arábia Saudita e Irã – e volta a ser peça-chave da geopolítica internacional após o ataque dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro. A dimensão estratégica dessa riqueza é amplificada por um dado central: cerca de 80% do petróleo venezuelano hoje é exportado para a China, o que transforma o país em um dos pontos mais sensíveis da disputa entre Washington e Pequim.

    A economia venezuelana gira quase exclusivamente em torno do petróleo. O setor responde por 88% das receitas de exportação, estimadas em US$ 24 bilhões, e concentra aproximadamente 17% das reservas mundiais conhecidas. Trata-se de uma dependência extrema, construída ao longo de décadas, que deixou o país vulnerável a choques políticos, sanções internacionais e ao colapso da estatal PDVSA, cuja produção despencou com a perda de capacidade técnica e o sucateamento da infraestrutura.

    Os números ilustram o declínio. Segundo a Statistical Review of World Energy, do Instituto de Energia (EI), a produção venezuelana caiu de um pico de 3,7 para uma produção girando em torno de 1 milhão de barris por dia em 2023/2024, ainda assim, isso corresponde menos de 1% da produção global. Trata-se de um desempenho irrisório para um país que, em teoria, poderia figurar entre os maiores produtores do mundo.

    Mesmo assim, o petróleo venezuelano continua encontrando compradores. A sobrevivência do setor se deve, em grande parte, à Ásia, e sobretudo à China. Atualmente, cerca de 80% das exportações de petróleo da Venezuela têm como destino o mercado chinês. Esse fluxo ocorre por meio de mecanismos financeiros e logísticos complexos, desenhados para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos. Navios fantasmas que trocam de nome e bandeira, intermediários pouco transparentes e contratos de petróleo em troca de empréstimos tornaram-se parte da rotina. Em 2024, segundo a Reuters, a PDVSA faturou aproximadamente US$ 17,5 bilhões com exportações.

    É nesse contexto que ganham peso as declarações do presidente Donald Trump após a ofensiva militar. Trump afirmou que pretende administrar a Venezuela de forma interina por tempo indeterminado, anunciou a entrada de grandes petroleiras norte-americanas no país e prometeu ampliar o domínio americano no hemisfério ocidental. “Vamos fazer o petróleo fluir”, disse, ao defender que empresas dos EUA invistam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura petrolífera, hoje em estado precário, e transformar novamente o setor em uma fonte de lucro. O presidente americano também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força de uma indústria que, segundo ele, foi construída com capital e know-how dos Estados Unidos.  Com o petróleo no centro da disputa entre as maiores potências globais, o futuro venezuelano passa menos por sua abundância de recursos e mais por quem, e sob quais regras, controlará essa riqueza.

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    Maiores reservas de petróleo do mundo 
    (em bilhões de barris)

    Venezuela: 303 bilhões (maior reserva global)

    Arábia Saudita: 267 bilhões

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    Irã: 208 bilhões

    Canadá: 159 bilhões

    Iraque: 145 bilhões

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    Fonte: Oil & Gas Journal

     

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