Valor justo do dólar seria de R$ 4,40, diz Luis Stuhlberger do Fundo Verde
Para um dos maiores gestores do Brasil, queda do dólar poderia ser potencializada por um novo governo bem avaliado pelos investidores
A tentativa dos investidores globais de reduzir sua exposição a ativos dos Estados Unidos alimenta a desvalorização do dólar e beneficia economias emergentes como o Brasil, onde a moeda americana já acumula uma queda de 3,6% neste ano, considerando-se os 5,28 reais com que fechou ontem. A queda continua nesta terça-feira 27. Por volta das 14h50, o dólar recuava 1,36% para 5,21 reais. Mas, para um dos maiores gestores de fundos de investimento do país, Luís Stuhlberger, da Verde Asset, o preço justo seria bem menor: cerca de 4,40 reais.
A estimativa foi revelada por Stuhlberger durante sua participação em um evento promovido pelo UBS BB em São Paulo hoje. Segundo o gestor, o câmbio “ainda está extremamente fora do lugar”. Além da diversificação de carteiras levada a cargo pelos gestores estrangeiros, a desvalorização do dólar também seria uma estratégia do próprio presidente americano Donald Trump. “Trump fará o possível e o imaginável para o dólar se desvalorizar”, disse Stuhlberger. “Ele está conseguindo, mas o movimento ainda não acabou.”
O fundador da Verde Asset ponderou, contudo, que afirmar que o preço justo do dólar seria de 4,40 reais não significa, necessariamente, que a moeda convergerá para esse patamar. Ele observou que, embora o real tenha se valorizado 10% frente ao dólar no ano passado, segue como uma das moedas menos beneficiadas pelo movimento global.
Os entraves para que a moeda brasileira se fortaleça ainda mais são claros: as dúvidas do mercado em relação à política fiscal e aos rumos da economia. Por isso, um fator que poderia favorecer a queda do dólar seria a percepção de que as eleições de outubro poderiam culminar em um novo governo mais favorável ao mercado. “Quando um governo considerado bom assume, o dólar tende a convergir [para o valor justo]”, disse.





