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Vale tem lucro 30% menor, impactado por desastre em Mariana

O resultado positivo foi de R$ 3,6 bilhões; a mineradora reservou R$ 3,7 bilhões para cumprir obrigações decorrentes do rompimento da barragem da Samarco

Por Da redação 28 jul 2016, 11h14

A Vale, maior produtora global de minério de ferro, anunciou nesta quinta-feira um lucro líquido de 3,585 bilhões de reais, queda de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, impactado principalmente por uma provisão anunciada na véspera de 3,733 bilhões de reais relacionada ao rompimento de uma barragem da Samarco.

A provisão relacionada à sua subsidiária envolvida no episódio, uma joint venture da Vale com a BHP Billiton, foi anunciada em momento em que a empresa já “não consegue estimar com segurança o tempo e a forma com que as operações” na região de Mariana (MG) serão retomadas, devido a dificuldades no processo de licenciamento. Esperava-se que a empresa voltasse a operar ainda neste ano, mas a Vale considera essa hipótese “altamente improvável”. O desastre ambiental, ocorrido em novembro do no ano passado, provocou a morte de 19 pessoas, sendo considerado o pior do gênero no país.

Vale, Samarco e BHP firmaram um acordo bilionário com o governo para reparações, mas sua homologação está suspensa pela Justiça. Mas a Vale explicou também nesta quinta-feira que, tendo em vista as dificuldades de caixa da Samarco, é provável que seus acionistas sejam chamados a cumprir com obrigações, e, portanto, a Vale estima contribuir em torno de 150 milhões de dólares para uma fundação neste semestre, que serão deduzidos do valor provisionado de 3,7 bilhões de reais.

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A empresa afirmou ainda que há outros processos relacionados ao caso Samarco, incluindo de investidores nos Estados Unidos, mas como estão em “estágios bastante preliminares” não é possível determinar possíveis desfechos e/ou uma estimativa confiável da exposição potencial neste momento, “razão pela qual nenhuma provisão relacionada a tais processos” foi feita.

A receita líquida da Vale totalizou 23,203 bilhões de reais no segundo trimestre, alta de 8% ante o mesmo período de 2015.  Custos e despesas também avançaram, para 18,528 bilhões de reais, ante 17,698 bilhões no primeiro trimestre. Já a dívida líquida caiu para 27,508 bilhões de dólares em 30 de junho de 2016, contra 27,661 bilhões de dólares em 31 de março de 2016, com uma posição de caixa de 4,306 bilhões de dólares.

Em nota a clientes, Leonardo Correa e Caio Ribeiro, analistas do BTG Pactual, afirmaram que, em geral, a Vale relatou um conjunto melhorias dos resultados na comparação trimestral, atendendo às expectativas dos investidores. No entanto, os analistas destacaram que continuam preocupados sobre as perspectivas para os preços do minério de ferro para o segundo semestre.

(Com Reuters)

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