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UnitedHealth paga R$ 6,5 bi e vira dona da Amil

Empresa americana, a maior do setor de saúde nos EUA, desembolsará ainda cerca de 3,4 bilhões de reais por ações em circulação no mercado

Por Da Redação - 8 out 2012, 11h34

Edson Godoy Bueno, dono da Amil, usará 470 milhões de dólares para comprar ações da UnitedHealth

A empresa americana de seguros e serviços de saúde UnitedHealth comprou nesta segunda-feira a Amil Participações, o maior grupo privado brasileiro do setor de saúde, por 11 bilhões de reais. A informação foi confirmada em nota divulgada pela companhia nos Estados Unidos e por fato relevante distribuído no Brasil. Na semana passada, fontes ligadas à negociação já haviam adiantado à imprensa que o negócio seria selado em breve. A UnitedHealth, que tem ações na Bolsa de Nova York (NYSE) desde setembro, administrará a rede de 22 hospitais e dois em construção da Amil, que fornece serviços médicos e odontológicos.

Passo-a-passo – A companhia – que é a maior em planos de saúde nos EUA – desembolsou 6,5 bilhões de reais por 85,5% das ações ordinárias da Amil Participações (Amilpar), que é controladora da Amil, segundo o fato relevante. Ao comprar essa fatia da Amil, que representa 58,9% do capital total, a UnitedHealth avaliou a operadora brasileira em 11 bilhões de reais.

O valor pago pelo controle representa 30,75 reais por ação da Amil, o que implica um prêmio de 21,5% sobre o preço de fechamento do papel na Bovespa na última sexta-feira, de 25,30 reais.

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O diretor-presidente da Amil, Edson Godoy Bueno, um dos homens mais ricos do Brasil, usará 470 milhões de dólares (perto de 955 milhões de reais) para comprar ações da UnitedHealth e ter direito a um assento no conselho. Ele e sua sócia Dulce Pugliese continuarão a ter participação remanescente de 10% na Amil por ao menos cinco anos. O executivo seguirá também como presidente e chairman da Amil.

A americana fará ainda uma oferta de aquisição pelas ações da Amil em circulação no mercado. De acordo com informações no site da Amil, os minoritários possuem 110,98 milhões dos papéis. Considerando adesão total à oferta, a UnitedHealth desembolsaria outros 3,4 bilhões de reais.

Assim, ao final das transações, a UnitedHealth ficaria com cerca de 90% de participação na Amil. A empresa espera ainda colher benefícios estimados em 600 milhões de dólares, reduzindo o valor efetivo da compra para 4,3 bilhões de dólares.

Oportunidade – “Associar-se à Amil (…) é a oportunidade de crescimento mais atraente que vimos em muito tempo”, disse o presidente da UnitedHealth, Stephen J. Hemsley, em comunicado. O executivo citou o Brasil como um “mercado com alto potencial de crescimento”, apoiado em ascensão da classe média e políticas de estímulo ao setor de saúde suplementar.

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O negócio acontece no momento em que investidores estrangeiros mostram maior cautela com o Brasil diante do aperto em setores regulados por agências federais, incluindo energia elétrica, telecomunicações e saúde.

Expansão – Edson Bueno disse ainda que a Amil servirá de plataforma da UnitedHealth para crescer em outros países. “Estamos discutindo contratos em Portugal, será uma oportunidade única”, disse ele nesta segunda-feira, sem detalhar as negociações. Bueno comentou que hesitou bastante em vender a companhia e que o fato de a UnitedHealth ter “o melhor sistema de informação do mundo em matéria de healthcare” foi decisivo. “Essa empresa vai proporcionar uma mudança muito boa para nós em matéria de atendimento, já que eles têm cerca de 80 milhões de membros. Em três anos, nossa empresa terá outra cara.”

Segundo ele, ao todo foram três anos de conversas para fechar a venda, sendo que foram cogitadas outras companhias, “mas nenhuma deu liga. Não foi leilão. A United que nos procurou”. O executivo disse ainda que a empresa quer ser líder de mercado com pelo menos 20% de participação. “O mercado nacional é muito pulverizado, somos líder com apenas 9% de participação. A tendência é que o setor se consolide cada vez mais, e nós faremos compras quando o preço for certo e nós acharmos que o negócio dará um bom retorno de crescimento”, disse. Contudo, ele salientou que a prioridade será o crescimento orgânico, de no mínimo 10% ao ano.

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Na semana passada, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu por três meses a venda de 301 planos de saúde, administrados por 38 operadoras. Segundo a agência, as operadoras continuaram a descumprir prazos máximos de atendimento para consultas, exames e cirurgias. A Amil não aparece na lista de planos suspensos. Analistas ouvidos pelo site de VEJA destacaram que a lei brasileira garente o atendimento aos clientes brasileiros, ainda que os planos estejam com vendas suspensas.

Nos EUA, enquanto isso, as provedoras de planos de saúde estão sob pressão, com o governo de Barack Obama controlando os reembolsos por seus programas Medicaid e Medicare para pobres e idosos, à medida que cresce a competição por planos de saúde corporativos.

Com a Amil, a UnitedHealth amplia sua aposta em mercados internacionais. A empresa já iniciou operações ou fechou alianças na Austrália, no Oriente Médio e no Reino Unido nos últimos dois anos.

A Amil – A receita da Amil em 2012 deve chegar a cerca de 5 bilhões de dólares, com crescimento de 15% sobre o ano passado. O grupo oferece planos de saúde e odontológicos para mais de 5 milhões de pessoas.

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A Amil tem rede própria de 22 hospitais e cerca de 50 clínicas, e afirma ter a maior rede credenciada do Brasil com 44 mil médicos, 3,3 mil hospitais, aproximadamente 11 mil clínicas e 12 mil laboratórios e centros de diagnóstico por imagem.

A UnitedHealth e a Amil esperam aprovação do negócio pelos órgãos brasileiros ainda no quarto trimestre deste ano.

A UnitedHealth prevê pequena adição ao lucro por ação da companhia já em 2012 com a aquisição da Amil.

(com Agence France-Presse e Reuters)

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