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Uma velha doutrina, um novo alvo e um recado claro de Trump à América Latina

Ao evocar a Doutrina Monroe, o presidente dos Estados Unidos redefine o papel de Washington no continente e ignora limites do direito internacional

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jan 2026, 17h41 • Atualizado em 5 jan 2026, 18h25
  • A prisão de Nicolás Maduro reacendeu um debate histórico sobre a atuação dos Estados Unidos na América Latina. Em entrevistas recentes, inclusive a bordo do Air Force One, Donald Trump voltou a citar a Doutrina Monroe — formulada em 1823 — como referência para sua política externa. Segundo analistas, no entanto, o conceito foi reinterpretado de forma mais dura e impositiva pelo atual governo americano (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Em entrevista ao programa Mercado, da VEJA, o pesquisador Vitelio Brustolin, da Universidade de Harvard, explicou que a doutrina original defendia o princípio de “a América para os americanos”, com o objetivo de barrar a interferência de potências europeias no continente. Na versão aplicada por Trump, porém, o sentido mudou. “Não se trata mais de proteger a soberania dos países da região, mas de afirmar a hegemonia dos Estados Unidos”, afirmou.

    Uma doutrina adaptada ao estilo Trump

    Segundo Brustolin, o próprio presidente americano passou a se referir informalmente à nova abordagem como Doutrina Donroe, numa alusão ao seu nome. A diferença central está no caráter de imposição. Enquanto a formulação do século XIX previa autonomia para os países do continente sob a tutela indireta de Washington, a versão atual opera com intervenções diretas, pressão militar e decisões unilaterais.

    No caso venezuelano, essa estratégia resultou em ações que, na avaliação do pesquisador, violam o direito internacional. “Houve uma quebra clara das normas internacionais, mas também é verdade que o sistema internacional falhou por mais de duas décadas em proteger a população venezuelana”, disse.

    O colapso do direito internacional na Venezuela

    De acordo com Brustolin, relatórios de organismos multilaterais, tentativas de diálogo e negociações — inclusive os acordos firmados durante o governo Joe Biden — não produziram resultados. Maduro descumpriu compromissos, reprimiu adversários e ignorou a vontade popular. Nas eleições do ano passado, opositores foram impedidos de concorrer, e o candidato que acabou enfrentando o regime venceu o pleito sem que o resultado fosse respeitado.

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    “A ONU, as organizações internacionais e o direito internacional simplesmente não funcionaram no caso venezuelano”, afirmou. Esse vácuo institucional abriu espaço para a ação direta dos Estados Unidos, ainda que fora dos marcos legais tradicionais.

    Petróleo, drogas e poder

    Apesar das comemorações nas ruas da Venezuela após a prisão de Maduro, Brustolin faz um alerta: não houve mudança de regime. A vice-presidente Delcy Rodríguez permanece no comando do país. Para o pesquisador, a operação americana esteve menos ligada à defesa da democracia e mais a interesses estratégicos. “Isso foi pelo petróleo da Venezuela, pelo tráfico de drogas e pela tentativa de desmontar um regime visto como ameaça à segurança regional”, avaliou.

    Um precedente perigoso

    A releitura da Doutrina Monroe por Trump, segundo especialistas, cria um precedente delicado. Ao justificar intervenções com base em falhas internas de outros países, os Estados Unidos reforçam sua influência no continente, mas também ampliam tensões diplomáticas e fragilizam normas internacionais já desgastadas.

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    O episódio venezuelano, nesse contexto, deixa claro que a América Latina voltou ao centro do tabuleiro geopolítico — agora sob regras mais duras, menos previsíveis e fortemente alinhadas aos interesses estratégicos de Washington.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

     

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