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Um mundo de possibilidades: Como investir no exterior em 2026

Gestores recomendam diversificar ao máximo a carteira no próximo ano. Há opções além das big techs ou grandes empresas dos EUA

Por Raísa Boing
19 dez 2025, 06h00 •
  • Após um primeiro semestre marcado pelo tarifaço do presidente Donald Trump, os ativos americanos surpreenderam pela resiliência e encerram 2025 com altas expressivas. No acumulado até o início de dezembro, o índice S&P 500 da Bolsa de Nova York avançava cerca de 17% e o da Nasdaq superava os 20%, impulsionados pela febre da inteligência artificial e pela expectativa de novos cortes nos juros por parte do Federal Reserve. Mas, se há algo que este ano ensinou, é que os investidores devem se preparar para surpresas, sobretudo em um cenário tão volátil quanto o atual, que mescla tendências positivas como a desaceleração da inflação americana e a divulgação de balanços sólidos pelas grandes companhias, com preocupações como o enfraquecimento do dólar, as tensões geopolíticas e as incertezas sobre os rumos da política fiscal de Trump. Por isso, no ano que vem, em vez de perder tempo tentando adivinhar quais ações vão bombar, a melhor estratégia para investir no exterior é também a mais conservadora: pulverizar ao máximo a carteira, a fim de diluir riscos. Não se trata apenas de distribuir os recursos por mais ações e setores, mas também por mais classes de ativos e por mais países. “A diversificação geográfica reduz os riscos da carteira”, afirma Bruno Yamashita, analista da corretora Avenue. Os produtos de renda fixa também devem ser considerados, mesmo que os juros de outros lugares sejam bem menores que os do Brasil. “A renda fixa americana ou de outros países é um bom jeito de começar.”

    No geral, há duas formas de investir no exterior. A primeira é abrir uma conta em corretoras internacionais como a Avenue e a Nomad, que permitem comprar diretamente ações, ETFs e títulos de renda fixa listados nos principais mercados globais. A outra é adquirir papéis locais que replicam o comportamento de ativos estrangeiros. Há vários listados na B3, como os ETFs que espelham os índices das bolsas americanas e os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que representam ações de companhias estrangeiras. Mesmo para os investidores mais experientes, é hora de ampliar o foco. No caso dos Estados Unidos, 2026 começará com uma combinação rara e positiva para a bolsa: crescimento moderado, inflação desacelerando e perspectiva de novos cortes dos juros. “É um ambiente favorável para ativos de risco, mas com ganhos mais modestos do que os de 2025”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus. “O investidor precisará ser mais seletivo, porque a alta recente se concentrou em poucas ações.” Um exemplo é o índice Nasdaq Composite, formado pelas maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos e que acumulava alta de 22% até o início de dezembro. Dos 3 330 papéis que o integram, porém, apenas 1 339 realmente subiram — o equivalente a 40% da amostra. Como comparação, sessenta dos 81 papéis que compõem o Ibovespa contribuíam para a elevação de 31% registrada no período. “Essa alta é diferente de uma bolha clássica, porque foi puxada por empresas líderes em seus segmentos, mas o mercado exige cuidado”, diz Spiess.

    O dólar fraco também incentiva apostas em outros países. Os grandes investidores internacionais, por exemplo, aumentaram sua exposição à Europa, à Ásia e aos emergentes. Manter um pé no exterior em 2026 também pode ajudar os investidores brasileiros a enfrentar a típica volatilidade dos anos com eleições presidenciais, quando os preços dos ativos de renda variável sobem e descem ao sabor das pesquisas de intenção de voto. “Não se trata de abandonar o Brasil, mas de construir uma estratégia de investimentos que não dependa apenas dele”, afirma Spiess. Com o mundo cada vez mais conectado, as boas oportunidades estão a um clique de distância.

    Publicado em VEJA, dezembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 21

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