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Trump não está atrás de segurança, ele quer o petróleo do Irã, dizem economistas

Analistas dizem que EUA passariam a dominar mercado de petróleo no mundo

Por Veruska Costa Donato 2 mar 2026, 13h28 • Atualizado em 2 mar 2026, 13h55
  • O novo capítulo do conflito entre os Estados Unidos e o Irã reacende um velho fantasma nos mercados de energia: a ideia de que controlar o petróleo é, para Washington, parte importante de uma estratégia geopolítica mais ampla. A escalada de ataques dos EUA e de Israel contra o Irã — que inclui ações militares e sanções mais duras — não apenas ameaça interromper fluxos de petróleo como também adiciona um prêmio de risco significativo aos preços da commoditie. Analistas já veem o barril superando US$ 80 e potencialmente podendo ultrapassar US$ 100 se o Estreito de Hormuz for fechado por períodos mais longos, uma rota pela qual cerca de 20% do petróleo global transita.

    Cadeia produtiva

    No debate entre economistas, esse ambiente não muda apenas o preço do combustível. Laura Pacheco lembra que, com o encarecimento do barril e a concentração das maiores reservas justamente no Oriente Médio, há um efeito cascata que “bate na cadeia produtiva global” — de fretes a bens finais — e, por consequência, inflaciona custos que pressionam famílias e governos. Em um cenário assim, segundo ela, os bancos centrais tendem a ser mais cautelosos. Para o Brasil, isso significa um Copom com menos espaço para cortes agressivos da Selic, pelo menos no curto prazo, enquanto a inflação importada ganha força.

    Mais inflação

    O economista Sérgio Valle (MB Associados), por sua vez, aponta que o mercado tem mecanismos de resposta — como a retomada de produção de petróleo de xisto nos EUA quando os preços sobem —, mas admite que choques de oferta podem sustentar pressões de preço no curto prazo. Isso complica o balanço que os bancos centrais precisam fazer: manter taxas baixas ajuda a economia, mas taxas muito baixas em um ambiente de pressão inflacionária por commodities energéticas podem prejudicar a ancoragem de expectativas de preços. Assim, a Selic pode acabar sendo ajustada mais devagar do que alguns investidores imaginavam antes da crise.

    Geopolítica

    A geopolítica também entra no argumento. Enquanto Trump e seus aliados justificam ações militares como medidas de “segurança” e ordem internacional, há um entendimento, inclusive em análises de mercado, de que sem acesso minimamente estável ao petróleo iraniano e de outros exportadores regionais, o equilíbrio entre oferta e demanda global fica mais frágil, empurrando preços para cima. Isso, por sua vez, retroalimenta preocupações com inflação e influencia decisões de política monetária em economias desenvolvidas e emergentes.

    Guerra pelo petróleo

    No fim das contas, o que nos dizem os economistas é que a guerra pelo petróleo — em especial quando envolve grandes produtores como o Irã e atores como os EUA — não é apenas sobre barris e territórios, mas sobre inflação global, taxas de juros e o ritmo de recuperação econômica. Em um mundo onde energia continua sendo vital, qualquer instabilidade numa das suas principais regiões exportadoras reverbera nas casas, nas empresas e, claro, nas decisões dos bancos centrais

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