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Trump muda o tom: como o mercado reagiu à fala sobre a China

Após dias de tensão entre Washington e Pequim, aceno de trégua do republicano acalma investidores e impulsiona bolsas pelo mundo

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 out 2025, 12h57 •
  • Os pregões desta segunda-feira, 20, começaram em clima de alívio. Depois de uma semana de incertezas e sobressaltos nas bolsas globais, o sinal verde voltou a dominar os painéis. O motivo, mais uma vez, atende pelo nome de Donald Trump. O presidente americano, que há poucos dias ameaçava impor tarifas de até 100% sobre produtos chineses, adotou um discurso mais ameno — e o simples gesto de contenção bastou para reverter o humor do mercado.

    Em entrevista ao programa Mercado, de VEJA, o economista David Martins, sócio-diretor da Brazil Wealth, explicou que o movimento das bolsas é um reflexo direto da fala do republicano. “Trump começou a semana passada elevando o tom contra a China, o que gerou volatilidade e fez o investidor desmontar posições em ações. Mas, quando recuou e passou a falar em negociação, o mercado reagiu de forma imediata”, afirmou.

    Segundo ele, a percepção é de que o mundo financeiro segue refém das palavras do ex-presidente, que tenta equilibrar pragmatismo econômico e retórica eleitoral. “Quando Trump diz que é insustentável seguir com novas taxas contra Pequim, ele acena para o empresariado americano e transmite a mensagem de que não quer sabotar o crescimento global”, analisou Martins. “Mas basta uma frase mais dura para tudo mudar.”

    O fio condutor da tensão

    A relação entre Estados Unidos e China é hoje o principal fator de instabilidade nos mercados globais. Desde que Trump retornou à Casa Branca, o republicano retomou o discurso de “protecionismo estratégico” — prometendo repatriar indústrias, restringir importações e reduzir a dependência de insumos chineses em setores como tecnologia e energia.

    As ameaças, contudo, têm custo. No fim de setembro, a simples menção a tarifas adicionais derrubou bolsas em todo o mundo e provocou corrida para ativos de segurança, como ouro e títulos do Tesouro americano. Agora, com a trégua retórica, o cenário se inverteu: o ouro recua, o dólar perde força e o Ibovespa avança na esteira do otimismo internacional.

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    “Os investidores entenderam que, apesar da retórica populista, Trump não tem espaço político para travar uma guerra comercial prolongada com a China”, observa Martins. “Há setores inteiros da economia americana que dependem da cadeia de produção chinesa. A pressão do empresariado é grande.”

    O economista lembra ainda que o encontro previsto entre Trump e Xi Jinping, no fim de outubro, pode marcar um divisor de águas. “É ali que o mercado vai medir até onde vai o pragmatismo e onde começa o teatro político. Se houver um gesto concreto de cooperação, o otimismo ganha fôlego. Se o tom azedar, voltamos à turbulência.”

    Entre o apetite e o risco

    Os reflexos imediatos da trégua já se fizeram sentir. As bolsas asiáticas fecharam em alta, as praças europeias abriram no azul e, no Brasil, o Ibovespa acompanha o ritmo. “Há um aumento claro do apetite por risco. O investidor volta a buscar oportunidades em emergentes, e o Brasil se beneficia disso”, diz Martins.

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    Ainda assim, o alívio é visto com cautela. O histórico de reviravoltas de Trump mantém o mercado em permanente estado de vigília. “Ele sabe o poder que tem sobre o humor dos investidores e costuma explorar isso”, resume o economista. “Mas, neste momento, o que prevalece é a expectativa de que as conversas tragam alguma previsibilidade. E previsibilidade é o que o mercado mais deseja.”

    A combinação de pragmatismo econômico e teatralidade política faz parte da cartilha trumpista desde o primeiro mandato. E, ao que tudo indica, continuará sendo um dos instrumentos preferidos do republicano para testar os limites da economia global — e medir, de tabela, o tamanho de sua influência sobre ela.

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