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Trump mira tarifa de até 20% para o mundo, mas Brasil está fora do desconto

Produtos brasileiros seguem sob ameaça de tarifa de 50%, mais que o dobro da alíquota prevista para a maioria dos países

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2025, 13h30 • Atualizado em 28 jul 2025, 13h33
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 28, que pretende instituir uma tarifa geral de 15% a 20% sobre produtos de países que não firmarem acordos bilaterais com Washington. Para a maioria dos parceiros, trata-se de uma elevação significativa, mas administrável. Para o Brasil, no entanto, a história é outra.

    Os produtos brasileiros enfrentam a ameaça de uma tarifa de 50%, uma alíquota que mais do que dobra a nova base tarifária proposta para o restante do mundo. Sem acordo à vista e com prazo expirando em 1º de agosto, o Brasil corre o risco de ficar preso numa zona de sombra geoeconômica: nem aliado estratégico, nem adversário declarado – apenas invisível.

    A maioria dos grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos já se moveu para evitar o pior. A União Europeia assinou no domingo, 27, um acordo que impõe taxa de 15% sobre suas exportações. Japão, Indonésia e Filipinas fizeram o mesmo nas semanas anteriores, negociando acesso ao mercado americano em troca de abertura recíproca e garantias regulatórias. A China retomou negociações com os EUA em Estocolmo para evitar a volta de tarifas acima de 100% sobre semicondutores e minerais raros.  Nos bastidores, os EUA até afrouxaram restrições à exportação de tecnologia para a China, na tentativa de manter o diálogo aberto. A expectativa é que Trump e Xi Jinping se encontrem até novembro. O Brasil, por outro lado, não conseguiu abrir uma frente de negociação eficiente.

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York, onde participa da Assembleia-Geral da ONU. Nos bastidores, tenta alinhar um canal de comunicação com a Casa Branca, mas não há confirmação de que será recebido. Diplomatas brasileiros falam em “plano de contingência”, mas evitam divulgar detalhes. A pressão sobre Brasília cresce: os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com cerca de US$ 40 bilhões por ano, sobretudo em produtos industriais e semiacabados que serão diretamente impactados.

    A proposta de Trump rompe até com seus próprios parâmetros anteriores. Em abril, quando lançou o “Dia da Libertação Comercial” (como chamou), sugeriu uma tarifa-base de 10% para países sem acordo com os EUA. A nova declaração eleva essa taxa para até 20%, um movimento que já seria disruptivo por si só. Mas o Brasil, curiosamente, é o único país até agora a receber a tarifa de 50%. O motivo? Trump nunca explicou com clareza. Não houve contencioso relevante na OMC nos últimos anos, nem retaliações comerciais diretas.

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    A nova doutrina tarifária de Trump tem como base a ideia de que os EUA não podem, e não querem, manter um sistema multilateral de comércio. Em vez disso, querem moldar relações bilaterais em que tenham vantagem assimétrica. “Não dá para sentar e fazer 200 acordos”, disse Trump à CNBC. “Vamos estabelecer uma tarifa para o restante do mundo”. Em outras palavras: quem não negociar, paga o preço cheio. Essa lógica transforma o comércio internacional numa série de feudos comerciais, em que cada país negocia sua entrada no império americano. É o fim prático do modelo da OMC, baseado em regras comuns, previsibilidade e tarifas consolidadas.

     

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