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‘Transição’ X ‘Eliminação’: por que essas palavras entraram em choque na COP30

Elas estão no centro da polêmica envolvendo o texto final da Conferência do Clima, que corre o risco de não sair

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 nov 2025, 07h56 • Atualizado em 22 nov 2025, 07h58
  • A conferência do Clima da ONU, que ocorre em Belém, chega ao 13dia envolta em um impasse quanto ao texto final. Na madrugada deste sábado, 22, após intensas e cansativas negociações, não houve acordo quanto aos termos utilizados no documento final, depois que o Brasil apresentou um rascunho criticado por ambientalistas e países que demandam palavras mais incisivas no combate ao aquecimento global.

    A plenária final da conferência, marcada para 10 horas da manhã deste sábado, tem a árdua missão de chegar a um consenso quanto ao tom do documento. Uma das mais importantes discussões semânticas em debate gira em torno da expressão “eliminação gradual”, ou “phase out”, em inglês, para se referir à necessária eliminação do uso de combustíveis fósseis no mundo, responsáveis pelas emissões de 80% dos gases que aumentam a temperatura na Terra.

    Na COP 28, em Dubai, pela primeira vez, os países concordaram em utilizar “afastamento”, (“transitioning away”, em inglês), mas o texto têm sido intepretado pelos países intensivos em petróleo mais como uma intenção no horizonte do que um chamado a ação. Por isso, os países que pedem metas mais arrojadas de redução de emissões (as NDC’s) demandam que o texto final seja mais explícito.

    O Brasil tentou fazer com que o tema fosse abordado de maneira mais incisiva, ao propor o “mapa do caminho” para a transição energética, mas o encaminhamento não foi bem recebido por um grupo de países emergentes, liderados por China e Índia que são altamente dependentes de petróleo.

    Nenhuma resistência, no entanto, foi tão explícita e categórica quanto a da Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Nos bastidores da conferência, comenta-se que o país está a serviço dos Estados Unidos, que se retiraram do Acordo de Paris, por ordem de Donald Trump. Na quarta-feira, o príncipe Mohamed Bin Salman, que comanda a potência petrolífera do Oriente Médio, foi recebido com honras de Estado na Casa Branca.

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    Além de um compromisso maior com a redução do uso de combustíveis fósseis, outros temas travam a agenda na COP30. São eles: metas de carbono, financiamento e repasses dos países desenvolvidos aos mais pobres para adptar-se às mudanças climáticas, questões comerciais relacionadas às tarifas verdes impostas pela União Europeia e transparência.

    Todos eles foram destacados e tratados em negociações paralelas em um trabalho que o Brasil chamou de “mutirão pelo clima”. A tensão na COP30 observada nos últimos dias demonstra que o espírito não prevaleceu. Já se comenta, entre observadores, que um texto menos ousado, ou uma ausência de decisão, seria um enorme retrocesso. Ou nas palavras de um observador, “o colapso de Belém”.

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