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Transição crucial: o que está em jogo na sucessão no reino da Disney

Pela segunda vez, Bob Iger entrega o comando a um substituto que tem o desafio de reinventar o gigante do entretenimento

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 fev 2026, 08h00 •
  • Há uma sucessão em curso no reino da Disney. Em março, sai Bob Iger, que se provou um mago da gestão desde que assumiu como presidente do grupo, em 2005, e entra Josh D’Amaro, atual chefe da divisão de experiências, que inclui os parques temáticos e os navios de cruzeiros. Ele terá o desafio de realizar uma mágica muito aguardada por investidores e fãs: transportar o colosso da mídia e do entretenimento que praticamente dominou o imaginário de crianças e adultos nos últimos 100 anos — de Mickey Mouse aos heróis da Marvel (comprada em 2009), passando por Star Wars (incorporado em 2012) e Toy Story (da Pixar, adquirida em 2006) — para uma realidade em que a atenção do público se desvia do cinema e dos canais de TV para o streaming, as redes sociais e as atrações geradas por inteligência artificial (IA). Dessa transição depende o sucesso da Disney nas próximas décadas.

    SAÍDA - Bob Iger: aquisições marcantes e aposentadoria frustrada
    SAÍDA - Bob Iger: aquisições marcantes e aposentadoria frustrada (Alberto E. Rodriguez/Getty Images)

    O conselho de administração da empresa levou três anos para escolher o novo presidente. Além de D’Amaro, compunha a lista de favoritos Dana Walden, chefe da divisão de mídia e entretenimento, justamente a área que mais precisa de uma sacudida. O setor de parques e cruzeiros, sob D’Amaro, respondeu por mais de 60% do faturamento do grupo no ano passado e cresceu 6% no terceiro trimestre de 2025. Os outros negócios, incluindo TV e esportes, tiveram queda de 34%.

    Por isso, alguns analistas avaliam que a escolha de D’Amaro pode passar a mensagem de que a Disney está apostando demais no que deu certo até agora (há mais um parque em construção, no Oriente Médio, e outros cinco cruzeiros a serem lançados neste ano), e não nas novas tecnologias. O temor é que a Disney fique na rabeira de concorrentes como Netflix e YouTube na produção de conteúdo — afinal, é o interesse nos personagens e nas histórias que leva os fãs a procurar os parques. Sob esse aspecto, Walden teria a vantagem de conhecer as idiossincrasias e as pessoas certas de Hollywood. Por isso mesmo, ela foi promovida para um cargo criado sob medida: o de presidente de criação. Dessa forma, a área de mídia e entretenimento ganha força estratégica, ainda que Walden permaneça abaixo de D’Amaro.

    DESAFIO - D’Amaro em resort na China: o streaming enfrenta concorrência forte
    DESAFIO - D’Amaro em resort na China: o streaming enfrenta concorrência forte (VCG/Getty Images)
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    Não é a primeira vez que a Disney promove um chefe da divisão de parques a presidente do grupo. Isso aconteceu em 2020, quando Iger deu lugar a Bob Chapek. O executivo assumiu em um momento conturbado, que acelerou as transformações no setor e impulsionou a concorrência no streaming, marcado pela pandemia de covid-19. A gestão de Chapek foi tão caótica que Iger teve de ser chamado de volta. Enquanto a sua primeira passagem pelo cargo foi marcada por jogadas de mestre, como a compra de estúdios de cinema e franquias consagradas da cultura pop, na segunda Iger se concentrou em arrumar a casa, o que incluiu milhares de demissões.

    Ao contrário do que ocorreu na malfadada tentativa anterior de sucessão, contudo, desta vez a cúpula da Disney parece ter clara a estratégia de integrar a propriedade intelectual de conteúdos atraentes com os produtos que lhes dão vida. “Trata-se de uma leitura mais ampla do entretenimento: filmes e streaming precisam ser pensados como motores criativos que, além do próprio negócio, retroalimentam toda a cadeia de valor da marca Disney”, diz Marcelo Flores, coordenador-geral do master em gestão de eventos, experiências e entretenimento da ESPM, em São Paulo.

    arte Disney

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    Algumas apostas recentes da Disney já apontam para esse caminho. No final do ano passado, o grupo investiu 1 bilhão de dólares na OpenAI, a líder global em inteligência artificial, para impulsionar um serviço em que os usuários podem fazer vídeos personalizados com personagens cujos direitos pertencem à Disney. A casa do Mickey e do Pato Donald também colocou 1,5 bilhão de dólares na empresa Epic Games para desenvolver um universo online inspirado nos temas de Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e Avatar que seja integrado ao Fortnite, um popular jogo eletrônico com cerca de 110 milhões de usuários ativos por mês. Ainda não há data oficial de lançamento para o fruto da parceria entre a Disney e a Epic, exceto alguns aperitivos como a possibilidade de o jogador participar de batalhas do Fortnite na pele de Darth Vader, Homem-Aranha ou Indiana Jones. A sucessão na Disney prepara o futuro sem ignorar o passado.

    Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981

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