Termomecanica: A estratégia é diversificar e otimizar
A empresa aposta na expansão de produtos, materiais e clientes para crescer mesmo em cenários adversos
Especializada na transformação de cobre e suas ligas, a Termomecanica consolidou nos últimos anos sua entrada no segmento de alumínio, com foco em infraestrutura de energia. Também ampliou a presença internacional, com centros de distribuição no México e nos Estados Unidos, além de unidades produtivas no Chile e na Argentina. No Brasil, opera com quatro fábricas e dois centros de distribuição. “Não queremos ficar dependentes de um único cenário ou mercado”, afirma o diretor-geral, Luiz Henrique Caveagna.
Essa busca por diversificação se estende também aos canais de venda. Para alcançar novos públicos, a empresa lançou neste ano a TM Soluções, voltada ao segmento de consumidores e a pequenas empresas, permitindo o acesso de clientes que antes não conseguiam atingir o volume mínimo exigido pela usina. A versatilidade do cobre reforça essa estratégia. Presente em sistemas de refrigeração, eletrônicos, construção civil e linhas de energia, o metal é essencial para setores em expansão. Isso permite aproveitar oscilações de mercado: em 2024, o calor impulsionou as vendas de tubos para ar-condicionado; neste ano, a demanda segue forte com o avanço de veículos híbridos e data centers.
A aposta no alumínio também tem trazido retorno, sobretudo no ramo de fios e cabos, com contratos garantidos até 2027 para fornecimento de vergalhão — insumo essencial na transmissão e distribuição de energia. Para Caveagna, nada disso seria possível sem funcionários capacitados. A empresa investiu mais de 140 000 horas em treinamento no ano passado e não fez cortes de pessoal durante a pandemia.
A busca por eficiência também orienta os investimentos. Nos últimos cinco anos, foram 350 milhões de reais voltados principalmente à modernização industrial. Um dos destaques foi a atualização tecnológica na produção de tubos de cobre, que reduziu a perda de matéria-prima de 35% para 5%.
Os bons resultados não significam ausência de problemas. Um dos principais é a concorrência de produtos chineses no Brasil. “As produtoras chinesas são muito competitivas”, afirma João Abdouni, da casa de análise Levante Inside, citando a carga tributária reduzida e o grande volume de produção dos asiáticos. “É uma concorrência desleal, porque eles chegam com incentivos que tornam o produto deles mais barato que a nossa própria matéria-prima”, diz Caveagna. Para ele, a saída é apostar na qualidade do produto e oferecer assistência técnica especializada.
No exterior, para onde destina 30% da produção (20% para os Estados Unidos), a competição é intensa. Para contornar barreiras tarifárias, a empresa busca novos mercados, como América Central e África, e investe em produtos para nichos menos sensíveis ao preço, como o setor aeroespacial. No mercado interno, a preocupação é com a alta dos juros. Como resposta, a Termomecanica adotou uma política de crédito mais flexível para parceiros estratégicos com menor poder de compra.
Mesmo diante das incertezas, a liderança da empresa se mantém otimista. Com inovação constante, diversificação de mercados e foco em eficiência, ela busca se manter preparada para quando o mercado retomar o fôlego. “Somos especialistas em retomada”, diz Caveagna. Essa disposição faz diferença.
Publicado em VEJA, outubro de 2025, edição VEJA Negócios nº 19







