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Temer: ‘Em 48 dias, reduzimos o déficit a R$ 139 bi’

Presidente em exercício faz a conta sem mencionar que o rombo – irreal, segundo a atual equipe econômica – previsto era de 96,65 bilhões de reais

Por Da Redação - 8 jul 2016, 16h20

O presidente da República em exercício Michel Temer afirmou nesta sexta-feira que, em apenas 48 dias de governo, sua equipe conseguiu reduzir o déficit orçamentário, que de 170,5 bilhões de reais este ano deve passar para 139 bilhões de reais em 2017, segundo a nova meta anunciada nesta quinta.

“Vocês sabem que temos dificuldades extraordinárias no país. Encontramos o governo com 170,5 bilhões de reais de déficit e agora, sem embargo termos apenas 48 dias de governo, a área econômica conseguiu estabelecer uma meta para o próximo ano que diminui sensivelmente o déficit, para 139 bilhões de reais”, comentou ao discursar para empresários na reunião do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Temer não mencionou que o déficit originalmente previsto pelo governo era, na verdade, de 96,65 bilhões de reais, alterado após a substituição da presidente afastada Dilma Rousseff.

Temer comentou que, somente na área da Previdência, haverá um aumento de gasto de 36 bilhões de reais para o próximo ano, o que, somado com o déficit de 170,5 bilhões de reais este ano, geraria um rombo de 206,5 bilhões de reais em 2017. “Quando nós reduzimos o déficit de 2017 para 139 bilhões de reais, isso foi uma coisa muito bem articulada pela área econômica, que vai exigir vendas de ativos e a aprovação da PEC dos gastos”, comentou.

O presidente reforçou que deve adotar medidas impopulares “em um dado momento”, mas diz que depois elas serão bem aceitas pela população. “Subsequentemente elas vão agradar toda a comunidade brasileira”, garantiu. Falando sobre a necessidade de aprimorar a gestão pública, ele citou a ampla revisão que será feita nos benefícios de auxílio-doença, “que pode gerar uma economia de 7 bilhões de reais a 8 bilhões de reais”.

Temer pediu aos empresários que tenham confiança no Brasil e ressaltou que o otimismo é importante do ponto de vista psicológico. “Em vez de falar em crise, vamos trabalhar, levar as empresas adiante. É claro que existem fenômenos materiais, mas a crise também é psicológica. Se você fica dizendo que a situação está ruim, você se enturma na ideia do malefício. Mas se diz que as coisas vão melhorar, isso cria um clima psicológico que pode auxiliar nosso país.”

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Ele admitiu que a economia passa por uma situação “dramática”, mas afirmou esperar que isso seja circunstancial e que o governo consiga superar a crise em um “prazo razoável”. “Eu tenho repetido uma ladainha de que o primeiro direito social é o emprego, e para isso é preciso haver um prestígio à iniciativa privada.”

Falando sobre o tema do encontro, que era a inovação e educação, Temer diz que houve no período recente no Brasil um foco maior na educação superior, em detrimento da educação básica, “que como o próprio nome diz é fundamental”. Mesmo assim, ele cobrou que os empresários deem preferência na hora de contratar para funcionários com cursos no exterior, inclusive aqueles que participaram do programa Ciência Sem Fronteiras.

Temer também prometeu que o governo vai tentar acelerar a liberação de patentes, que hoje pode levar anos. “O governo tem um número expressivo de servidores, mas que ainda é limitado para atender a todos os pleitos de patente”, reconheceu. Segundo ele, em alguns casos a liberação pode levar mais de dez anos, mas o ideal seria reduzir o prazo de análise para menos de dois.

(Com Estadão Conteúdo)

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