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Tarifas de Trump chegam a ilhas gélidas quase desabitadas — ou melhor, habitadas por pinguins

Um grupo de ilhas remotas ao redor do mundo é alvo da guerra comercial do republicano, com taxas que variam de 10% a 41%

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 3 abr 2025, 12h16 - Publicado em 3 abr 2025, 10h52

O presidente Donald Trump nunca evitou movimentos econômicos ousados, e sua mais recente rodada de tarifas, anunciada na quarta-feira, não é exceção. As novas taxas abrangem um conjunto improvável de alvos: ilhas remotas, quase desabitadas, que praticamente não têm comércio com os Estados Unidos. Do gelado arquipélago norueguês de Svalbard às subantárticas Ilhas Heard e McDonald, a lista de territórios afetados parece mais um atlas de geografia extrema do que um relatório de adversários econômicos.

Uma das inclusões mais desconcertantes foi a das Ilhas Heard e McDonald, um território australiano localizado a cerca de 4.000 quilômetros do continente. Essas terras, conhecidas principalmente por suas colônias de pinguins, tiveram exatamente zero comércio com os EUA no ano passado. No entanto, sob o plano de Trump, importações vindas dessas ilhas – por mais hipotéticas que sejam -agora estarão sujeitas a uma tarifa de 10%. Embora isso não deva impactar significativamente o comércio global, levanta questões sobre a metodologia por trás dessas decisões.

Alguns territórios, no entanto, não tiveram a mesma sorte. A Ilha Norfolk, um pequeno território australiano no Pacífico, enfrentará uma tarifa de 29% -quase três vezes mais do que os 10% aplicados à Austrália continental. A discrepância deixou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, perplexo. A ilha de 2 mil habitantes tem um comércio ínfimo com os EUA. Em 2023, a ilha exportou US$ 655 mil aos EUA, majoritariamente calçados de couro, mas quase não há registro de comércio entre a ilha e o território americano.

Inconsistências semelhantes proliferam. A ilha de Reunião, um território ultramarino francês no Oceano Índico, enfrentará uma tarifa de 37%, enquanto a União Europeia, como um todo, será taxada em apenas 20%. Já as Ilhas Malvinas, um território britânico com uma longa história de sensibilidade política, serão sujeitas a uma tarifa de 41% – quatro vezes superior à imposta ao Reino Unido. Considerando que as principais exportações das Malvinas são lã e lula, a medida parece menos um ataque econômico e mais um gesto simbólico.

A justificativa para essas tarifas permanece obscura. A Casa Branca não forneceu uma explicação detalhada. Alguns enxergam isso como parte da imprevisibilidade característica de Trump – uma abordagem que mantém aliados e adversários sempre em alerta.

O que é certo é que essas tarifas geraram confusão e divertimento em igual medida. Os habitantes dessas ilhas—onde há algum—têm pouco poder de retaliação, mas sua inclusão em uma guerra comercial de alto risco destaca a natureza aleatória da estratégia econômica de Trump. Se essas medidas alcançarão o efeito desejado ainda é uma incógnita. Por ora, no entanto, pinguins e ursos polares podem refletir sobre seu inesperado papel na geopolítica global.

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