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Supermercados negam risco de desabastecimento mas pedem consumo consciente

Diante dos manifestos de caminhoneiros, entidades do setor afirmam que estoques estão sob controle mas atentam a demanda de perecíveis

Por Felipe Mendes 9 set 2021, 10h17 • Atualizado em 9 set 2021, 20h18
  • Mesmo após o apelo do presidente Jair Bolsonaro, que foi endossado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, os caminhoneiros continuam travando rodovias de ao menos 15 estados nesta quinta-feira, 9. Na maioria dos locais, apenas veículos de emergência e cargas de alimentos estão sendo autorizadas a seguir viagem. Apesar do cenário, entidades que representam o setor de supermercados não temem o desabastecimento dos estabelecimentos, uma vez que, segundo elas, há estoque suficiente para suprir a demanda pelos próximos dias. Ainda assim, eles pedem o consumo consciente de produtos perecíveis (carnes, frutas, legumes e itens resfriados).

    “A princípio, essa manifestação nos parece algo que não tem muita efetividade, mas a gente não sabe para onde a coisa caminha”, diz Carlos Correa, superintendente da Associação Paulista de Supermercados, a Apas. Em São Paulo, os caminhoneiros interditam parcialmente trechos de quatro importantes rodovias do estado: Anhanguera, Régis Bittencourt, Dutra e Rodoanel. “Ainda é cedo para saber se os protestos causarão algum impacto no abastecimento, mas a área que tende a sofrer mais é a de perecíveis, que é abastecida com maior frequência, em que os produtos vêm muitas vezes do campo, e são itens extremamente relevantes para a nossa dieta diária”.

    Há um receio de que, caso ganhe força, a manifestação ocasione ainda mais pressão sobre o preço dos alimentos — vale lembrar que, a inflação, bateu 9,68% no acumulado de 12 meses, segundo o IBGE. Por isso, a entidade pede que consumidores comprem apenas o necessário. “O consumo correto ajuda aos supermercados conseguirem represar novos aumentos de preços. Quando ele compra o necessário, isso ajuda o mercado e não gera pressão na cadeia”, afirma Correa.

    A Associação Brasileira dos Supermercados, a Abras, disse que monitora a situação junto à Associação Brasileira de Inteligência (Abin) e à Presidência da República. “A informação que temos é de que os movimentos não estão ganhando força”, diz trecho de nota enviada pela entidade a VEJA. A escalada das manifestações dos caminhoneiros, a princípio, são de apoio ao presidente Bolsonaro, que discursou, no feriado de 7 de setembro, contra ministros do Superior Tribunal Federal (STF). Além disso, a paralisação teve endosso de Zé Trovão, caminhoneiro bolsonarista que está foragido da Justiça. Ele, inclusive, chegou a questionar a veracidade de uma mensagem de áudio enviada por Bolsonaro. “Presidente, o senhor é a nossa última salvação. Nós vamos trancar todo o Brasil, porque estamos do lado do senhor”, disse Zé Trovão, em mensagem de vídeo disseminada nas redes sociais. “Se é para abrir, o senhor faça um vídeo, fale data e hora e nos peça, e nós o atenderemos.”

    O Ministério da Infraestrutura comunicou a VEJA que os protestos estão perdendo fôlego, mas que houve, na quarta-feira 8, “indícios de desabastecimento no norte de Santa Catarina”. Segundo informações, a situação foi contornada. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, também identificou atraso na entrega de cargas no estado catarinense: “Tivemos apenas atrasos pontuais de algumas entregas, especialmente em Santa Catarina. Hoje parece que pode piorar, mas ainda estamos avaliando”, disse Paulo Solmucci, presidente da entidade.

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