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Situação da Celpa paralisa venda do Grupo Rede Energia–fonte

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) – O pedido de recuperação judicial da Celpa, distribuidora paraense de energia elétrica do Grupo Rede, parou o processo de venda da fatia de 54 por cento de participação que o acionista do majoritário Jorge Queiroz Jr. colocou à venda no ano passado.

“Os investidores vão esperar para ver as consequências da recuperação judicial (da Celpa)”, disse uma fonte próxima das negociações à Reuters, sob condição de anonimato, acrescentando que qualquer desfecho sobre a venda do controle do Grupo Rede Energia não deve ocorrer no curto prazo.

O processo de recuperação judicial da Celpa, iniciado na semana passada, é o primeiro de uma empresa concessionária de serviço público a ser realizado no Brasil, o que deixa o mercado atento a seus desdobramentos.

“A grande questão é como a Aneel vai reagir a isso”, afirmou a fonte, referindo-se ao posicionamento a ser adotado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

A CPFL Energia ainda estaria interessada na compra de participação no Grupo Rede Energia, afirmou a fonte, apesar da desistência de outros interessados como a chinesa State Grid e o Grupo AES.

Procurada, a Rede Energia informou que não se pronunciaria sobre questões societárias envolvendo o grupo.

O pedido de recuperação judicial da Celpa não é uma surpresa para o mercado, mas aumenta a percepção de risco de investidores em relação à holding Grupo Rede Energia e às subsidiárias, informou a fonte.

“A holding garante algumas dívidas da Celpa… Certamente, os bancos vão cortar o crédito das outras empresas do grupo”, acrescentou a fonte.

As agências de classificação risco Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch reduziram os ratings da Celpa e da holding Rede Energia após o pedido de recuperação judicial da distribuidora paraense, já considerando que a recuperação aumenta os riscos de refinanciamento de outras companhias do grupo.

A Celpa tem uma dívida total de 2 bilhões de reais e também enfrenta problemas operacionais relacionados à qualidade do serviço. O endividamento consolidado da Rede Energia estaria em torno de 6 bilhões de reais.

Nesta terça-feira, a diretoria da Aneel analisa em reunião o resultado de um plano de melhoria de qualidade de serviço que foi exigido da Celpa e tramita no órgão regulador desde 2009.

O governo pode vir a declarar intervenção na distribuidora, segundo admitiu o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na semana passada.