Setores mais afetados por tarifaço de Trump já contam com 225 recuperações judiciais, mostra levantamento
Consultoria aponta para fragilidade de centenas de empresas antes de tarifas entrarem em vigor
Setores da economia brasileira com alto grau de exposição ao mercado dos Estados Unidos e que, por isso, sofreriam com o novo tarifaço de Donald Trump, já concentram ao menos 225 processos de recuperação judicial em andamento. O dado é de um levantamento da consultoria RGF, que analisou os segmentos de petróleo, ferro e aço, café, celulose, carne, vegetais e frutas, máquinas e equipamentos de geração de energia e minerais não metálicos. O contingente de recuperações judiciais nos setores em questão aumentou 11% nos 12 meses terminados em março de 2025, antes do republicano impor tarifas contra o Brasil — fato que pode fragilizar ainda mais a situação de diversas empresas.
Há pouco mais de uma semana, no dia 9 de março, o presidente dos Estados Unidos anunciou através de uma rede social que produtos brasileiros passarão a pagar uma sobretaxa de 50% para entrar no mercado americano a partir de agosto, o que dificulta e até inviabilizaria uma série de exportações. Os dados sobre recuperações judiciais em setores como os de ferro e aço, e vegetais e frutas expõe uma fragilidade que não pode ser subestimada no setor produtivo. Esses dois segmentos em particular, mais especificamente a produção de semi-acabados de ferro e aço e de suco de laranja, enviaram 84% e 43% das suas exportações para os EUA no primeiro semestre deste ano. Representantes da associação de exportadores de suco de laranja, a CitrusBr, já deram declarações afirmando que a alíquota de 50% impediria qualquer venda aos americanos e não há mercado que os substitua.
Os segmentos econômicos analisados pelo levantamento que apresentam os maiores números de recuperações judiciais são os de carne, minerais não metálicos, e frutas e vegetais, com 57, 42 e 37 processos de RJ cada, respectivamente. Os grupos das empresas da cadeia da carne e do café (também inclusos chá, cacau e especiarias no levantamento) são os que apresentaram os maiores aumentos na quantidade de empresas em recuperação judicial entre março de 2024 e março de 2025, com elevações de 30% e 36% respectivamente.





