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Semana de quatro dias: Holanda levanta discussão sobre viabilidade de jornada de trabalho reduzida

Limitação da mão de obra local gera dúvidas sobre o modelo no longo prazo

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 fev 2026, 12h45 •
  • Os Países Baixos reduziram aos poucos o tempo médio de trabalho sem que isso tenha resultado de uma grande reforma ou de uma decisão única do governo. Ao longo dos anos, jornadas mais curtas, muitas vezes equivalentes a quatro dias por semana, passaram a fazer parte da realidade do país dos holandeses. Esse movimento, porém, levanta dúvidas sobre seus efeitos econômicos e sobre até que ponto ele é sustentável no futuro.

    A experiência holandesa começou a chamar atenção fora do país. Segundo dados da Eurostat, agência de estatísticas oficial da União Europeia (UE), a média semanal de trabalho na Holanda é de 32,1 horas. Trata-se da carga mais baixa do bloco europeu e bem abaixo da média da UE, de cerca de 36 horas semanais. O país também tem a maior participação de empregos em tempo parcial entre os membros da OCDE, o chamado clube dos países ricos. Perto de metade dos trabalhadores holandeses não atua em jornada integral.

    Mesmo com menos horas trabalhadas, a renda por habitante da Holanda continua entre as mais altas da Europa e está entre as primeiras posições das economias desenvolvidas. Isso contraria a ideia de que países ricos precisam, necessariamente, de jornadas longas para manter seu nível de prosperidade. A principal dúvida, no entanto, é se esse desempenho é sustentável no longo prazo.

    Avaliações da OCDE indicam que a produtividade do trabalho no país avançou pouco ao longo da última década. Diante disso, as alternativas passam por aumentar a eficiência com tecnologia ou ampliar o número de pessoas trabalhando, inclusive por meio de mais imigrantes.

    Sindicatos holandeses afirmam que trabalhar um dia a menos pode trazer ganhos de bem-estar, rendimento e qualidade de vida. Também defendem que tornar esse modelo mais comum ajudaria a manter no mercado pessoas que, de outra forma, poderiam deixar o emprego.

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    A maior central sindical do país, a Confederação dos Sindicatos dos Países Baixos (FNV, na sigla em holandês), pressiona o governo local para que a semana de quatro dias seja incentivada oficialmente. Ainda assim, a legislação já garante aos trabalhadores o direito de pedir redução da jornada.

    Os Países Baixos combinaram menos horas de trabalho com renda elevada, mas economistas questionam se esse modelo se sustenta, sobretudo por causa do envelhecimento da população. Mais de 20% dos habitantes já têm 65 anos ou mais, segundo o instituto nacional de estatísticas (CBS, na sigla em holandês), o que diminui a parcela em idade ativa e aumenta a pressão sobre o mercado de trabalho.

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