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Sem tempo a perder, Maia pede equilíbrio no debate das reformas

Defensor da reforma administrativa, presidente da Câmara criticou uso de termos pejorativos; na última semana, Paulo Guedes comparou servidores a parasitas

Por Victor Irajá - Atualizado em 10 fev 2020, 12h52 - Publicado em 10 fev 2020, 12h38

Um dos principais entusiastas da agenda de reformas elaborada pelo Governo Federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pediu equilíbrio na condução dos debates. Nesta segunda-feira, 10, Maia criticou, sem citar o nome de Paulo Guedes, a declaração feita na sexta-feira 7 pelo ministro da Economia, quando o chefe da pasta comparou funcionários públicos a parasitas ao defender a aprovação de uma reforma administrativa, que mude as estruturas do funcionalismo brasileiro. Ele afirmou que os servidores se tornaram uma classe com muitos privilégios, mas acrescentou que a afirmação do chefe da área econômica não contribui e gera conflitos. “Todos devem ser tratados com muito respeito, porque o enfrentamento feito com termos pejorativos, que geram conflito, nos atrapalham no nosso debate”, avaliou. Guedes, aliás, desculpou-se pelas declarações reiteradas vezes — apesar de continuar vendendo a ideia de que sua fala foi deturpada pela imprensa.

Na continuação do bate-cabeça envolvendo o apoio do Congresso Nacional a uma proposta de reforma tributária, Maia voltou a defender o projeto desenhado pelo economista Bernard Appy, cuja relatoria ficou a cargo do deputado Baleia Rossi (MDB-SP). O presidente da Câmara considera que a aprovação da mudança tributária será mais complicada que a da reforma administrativa, mas revelou o desejo de aprovar o texto daqui “quatro ou cinco meses”. Ele acredita que, se as mudanças passarem pelo Congresso, haverá um movimento de antecipação de investimentos importante para uma retomada mais forte da economia brasileira. Como VEJA apurou, o governo cedeu e deve tentar amealhar suas ideias de alterações tributárias por meio de emendas apresentadas na comissão que reunirá deputados e senadores em torno de um projeto comum.

A pressa de Maia é um bom sinal. As eleições municipais de outubro encurtaram o tempo de trabalhos no Legislativo e as tratativas no Congresso Nacional devem se dar apenas até julho, quando os deputados e senadores devem começar seus périplos para encampar suas candidaturas. O próprio presidente Jair Bolsonaro já reconheceu a dificuldade de se aprovar reformas estruturais durante o ano. “A melhor reforma é a que vai ser aprovada”, disse ele ao participar de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, na capital paulista no último dia 3. “Temos discutido com ele a questão das reformas econômicas. E, obviamente, falo para ele, depois de 28 anos dentro da Câmara sem termos aprovado nada no tocante a esse assunto, eu falo para ele que a melhor reforma é aquela que vai ser aprovada”, revelou as conversas com o chefe da Economia. 

Como provou durante a tramitação da reforma da Previdência, o presidente da Câmara está empenhado em construir uma agenda propositiva e disposto a trabalhar pelas mudanças estruturais do país — mas sem deixar de criticar a inércia do governo e as cobranças dos membros do Executivo. Em um evento em São Paulo no último dia 29, Maia, em tom jocoso, disse que ‘não tem culpa’ de o governo ainda não ter enviado seu projeto de reforma administrativa. O governo deve enviar a proposta ainda nesta semana. O país, aliás, não pode esperar.

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(Com Reuters)

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