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Sem pátios nem terminais, Cumbica não comporta A380

Aeronave da Airbus vem pela segunda vez ao Brasil em busca de compradores – mas a falta de infraestrutura ainda é um impeditivo para sua aterrissagem

Por Ana Clara Costa 22 mar 2012, 19h00

Diretor da Airbus para América Latina e Caribe, Rafael Alonso, confirma interesse da Latam no equipamento

TAM e LAN ainda não fecharam negócio porque fusão não está concluída e porque aeroportos brasileiros ainda não comportam o modelo A380

A Airbus iniciou nesta quinta-feira, em São Paulo, seu A380 World Tour pela América Latina. A maior aeronave da empresa francesa, com capacidade para até 853 passageiros, pousou no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), para ser exibida a técnicos e à imprensa. O modelo, no entanto, não pode ficar muito tempo em solo. Tudo porque o aeroporto não possui um pátio extenso o suficiente para abrigar o superjumbo da Airbus.

De São Paulo, a aeronave parte para o Rio de Janeiro, Santiago (Chile) e Buenos Aires (Argentina) com o objetivo de mostrar seus atributos à opinião pública e, quem sabe, conseguir algum comprador na América Latina. “O Brasil é um mercado primordial para a empresa e queremos que o A380 voe logo para o país. Há demanda para isso”, afirmou o vice-presidente da Airbus para América Latina e Caribe, Rafael Alonso. Até o momento, nenhuma companhia aérea da região possui a aeronave, que chega a custar entre 300 milhões de dólares e 400 milhões de dólares, e demora dois anos para ser construída.

Latam – Alonso afirmou que há interesse, sobretudo da Latam (empresa que nascerá da fusão da brasileira TAM com a chilena LAN), em encomendar o superjumbo. A compra, segundo o executivo, só não é possível no momento por dois motivos. Primeiro porque a fusão entre as companhias aéreas ainda não foi completamente concluída e aguarda a realização de alguns ajustes operacionais, como medidas de mitigação da concentração de mercado e a opção por apenas um programa de milhagem. Em segundo lugar, o Brasil não possui ainda nenhum aeroporto que possa receber o A380 – nem mesmo de companhias estrangeiras que já voam com a aeronave, como a Emirates e a Air France.

Inauguração do Airbus A380 no Aeroporto de Cumbica, Guarulhos
Inauguração do Airbus A380 no Aeroporto de Cumbica, Guarulhos VEJA

De acordo com uma fonte ouvida pelo site de VEJA ligada à atividade aeroportuária, ainda que a Infraero tenha autorizado o pouso dos aviões A380 da Emirates em São Paulo, no final do ano passado, os terminais de Guarulhos não comportariam o funcionamento de uma aeronave tão grande no dia-a-dia. O desembarque, num só momento, de mais de 800 passageiros causaria confusão de difícil administração com a estrutura atual.

Outro entrave é o fato de a companhia precisar de dois aeroportos próximos que comportem um A380 para os dias em que Guarulhos tiver de ser fechado por problemas meteorológicos. “Se a Infraero fizesse as adequações operacionais nas instalações, a aeronave poderia estar funcionando. Mas não fez ainda”, diz a fonte. Consultas estão sendo feitas sobre a viabilidade de Viracopos, em Campinas, e do Galeão, no Rio de Janeiro.

O A380 é indicado, sobretudo, para aeroportos que tenham um fluxo diário de 10 mil passageiros de longa distância. Hoje, apenas 39 cidades no mundo – incluindo São Paulo – possuem esse volume. Segundo Rafael Alonso, da Airbus, em vinte anos, 90 cidades comportarão essa demanda. Atualmente, o A380 voa 55 rotas para 29 destinos no mundo.

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