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Sem ajuda do Tesouro, BNDES quer captar R$ 15 bi no mercado financeiro

Banco pretende lançar títulos no Brasil e no exterior, mas primeiro precisará convencer auditores a retirarem ressalvas de seu balanço

Por Da Redação
1 Maio 2015, 16h48

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) planeja captar 15 bilhões de reais este ano, no mercado doméstico e no exterior. Para viabilizar a operação, vai solicitar à empresa de auditoria KPMG que retire a ressalva, incluída no balanço do banco no ano passado, sobre as perdas acarretadas pela desvalorização da Petrobras. O BNDES é detentor de 17,3% do capital social da petroleira, com uma participação direta do banco e também de sua empresa de participações, a BNDESPar.

No ano passado, o BNDES registrou lucro líquido de 8,59 bilhões de reais, mas a KPMG fez a ressalva de que o valor está inflado em 1,6 bilhão de reais, remetendo o cálculo a perdas de 2,6 bilhões de reais estimadas com a desvalorização da Petrobras e deduzindo deste o provisionamento que já havia sido feito pelo banco, de 1 bilhão de reais.

Em relatório publicado no Diário Oficial em março, quando divulgou o balanço, o BNDES comentou sobre o investimento na Petrobras: “Em 31 de dezembro de 2014, seu valor de mercado, apurado com base na cotação das ações em bolsa de valores, apresentava desvalorização em relação ao respectivo custo de aquisição”.

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A Petrobras tentou convencer os auditores de que o total provisionado seria suficiente para anular eventuais prejuízos com a queda na cotação das ações. Mas, alegando não ter acesso aos números detalhados do balanço da Petrobras, a KPMG decidiu manter a ressalva. Com a divulgação do balanço dos terceiro e quarto trimestres pela petroleira, o BNDES voltará à carga para referendar o cálculo de seus técnicos.

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A ressalva dificulta e encarece a captação de recursos pelo banco de fomento, que este ano, pela primeira vez desde 2008, não receberá reforço de caixa do Tesouro, seu único acionista. Desde 2008 – numa iniciativa que, à época, buscou reduzir os efeitos da crise internacional na indústria brasileira -, o governo injeta recursos no banco que somaram, até 2014, 416,05 bilhões de reais.

Um dos primeiros anúncios do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi o de suspender esses aportes. Em 2014, foram 60 bilhões de reais. Além desse reforço, o banco foi ao mercado internacional duas vezes no ano passado e captou em dólares (1 bilhão) e em euros (650 milhões), em títulos com prazo de vencimento em 2019.

Este ano, o BNDES fez um financiamento externo, em abril, de 150 milhões de dólares com o Japan Bank for International Cooperation e o Mizuho Bank. Internamente não houve emissão de debêntures, mas o BNDES informou, por meio de sua assessoria, que “vem fazendo esforços para diversificar sua fonte de recursos”. O banco trabalha com a meta de reduzir em ao menos 30% os desembolsos, mantidos nos últimos dois anos em torno de 190 bilhões de reais.

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(Com Estadão Conteúdo)

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