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Secretário do Tesouro envia recado a empresários sobre desoneração da folha pelo fim da escala 6×1

Rogério Ceron diz que desde a escravidão nunca houve contrapartida na conquista de direitos trabalhistas

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 fev 2026, 13h28 • Atualizado em 26 fev 2026, 15h41
  • O Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta quinta-feira, 26, que a necessidade de contrapartidas, como a desoneração da folha de pagamento, para a aprovação do fim da escala 6 por 1 não faz sentido. Na visão de Ceron, o fim da jornada com apenas um dia de folga é uma conquista do trabalhador, que não deve gerar nenhuma indenização para o empregador.

    “Desde a escravidão nunca houve um tipo de compensação para que o é de direito do trabalhador. O direito trabalhista não pertence a uma companhia para implementar alguma indenização”, disse. “Ninguém tem o direito de ser indenizado, por isso, não nos parece fazer sentido esse tipo de discussão”, afirmou Ceron.

    A fala, proferida nos bastidores do evento de premiação da Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef), aconteceu após questionamentos de VEJA sobre o debate da desoneração da folha de pagamento como uma contrapartida do meio empresarial para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata o fim da escala 6 por 1. Ceron também foi questionado de possíveis impactos fiscais sobre a desoneração, mas o mesmo não comentou pelo fato de o Ministério da Fazenda não trabalhar com essa possibilidade.

    Títulos prefixados são testar apetite do mercado

    Ainda durante a coletiva, o secretário foi questionado pelo fato de o Tesouro estar emitindo mais títulos prefixados com juros anuais de 13% ao ano enquanto a Selic deve encerrar 2026 por volta de 12%. Ou seja, o prefixado tende a sair mais caro para o governo, o que financeiramente não seria atrativo.

    Segundo Ceron, a a gestão da dívida pública acompanha a demanda do mercado. De modo geral, o Tesouro não especula no mercado para saber se a taxa vai cair ou se ela vai subir ao longo do tempo. “Em todos os bilhões ordinários, se oferta títulos a taxas flutuantes, a prefixados, a indexados a índices de preço e acompanhando a demanda do mercado. Não buscando tentar influenciar e formar preço”, diz Ceron.

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    Ele pondera que o Tesouro tem o objetivo de financiar a dívida pública com o menor custo possível, no entanto, a emissão deve seguir a demanda do mercado.

    Sobre a dívida dos estados, que encerrou 2025 no pior patamar desde 2014, o secretário do tesouro afirmou que é legítimo que os estados e municípios acessem operações de crédito para poderem realizar investimentos para a população .No entanto, deve haver um balanceamento de riscos. “Isso é necessário para não gerar um risco sistêmico grande que pode gerar um colapso”, conclui Ceron.

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