Santander mira 200 Work Cafés para atrair clientes de alta renda
Banco quer captar novos clientes e melhorar principalidade em pessoas que já possuem conta na instituição
O Santander inaugura nesta quarta-feira, 23, seu 28º Work Café no Brasil, modelo de agência voltado à atração de clientes de alta renda que converte cerca de 90% dos frequentadores em novos correntistas. A estratégia, que mira um mercado potencial de cerca de 18 milhões de pessoas, faz parte do plano de expansão do banco, que pretende chegar a 50 unidades até o fim de 2026 e a 200 até 2028.
O 28º Work Café, localizado na Faria Lima (centro financeiro de São Paulo), é um espaço de dois andares que combina serviços bancários e coworking aberto ao público. Na parte frontal do primeiro andar ficam a cafeteria, os caixas eletrônicos e mesas para quem quiser usar o wi-fi e trabalhar no local.
“Nos caixas eletrônicos disponibilizamos saques em dólar, euro e outras moedas estrangeiras para os nossos clientes”, afirma Thiago Mendonça, head Select de São Paulo, em entrevista a VEJA Negócios.
Na parte posterior do primeiro andar, clientes do Santander têm acesso ao atendimento de funcionários do banco e a salas para reuniões. A estrutura de salas para reuniões se repete no segundo andar, que também conta com uma arena com capacidade para cerca de 30 pessoas.
É nesses espaços, segundo o banco, que está uma parte importante da estratégia para conquistar novos clientes e ampliar a chamada principalidade. Isso porque as áreas comuns são abertas ao público, mas o acesso às salas privativas e à arena é restrito a clientes do banco. “Caso a pessoa queira fazer uma reunião em um local mais privativo ou realizar um evento em nossa arena, há a necessidade de ter conta no Santander”, explica Mendonça.
O banco também promove eventos mensais nos espaços, com a participação de clientes, autoridades e personalidades, como presidentes de grandes universidades e pilotos de Fórmula 1.
Para ter acesso aos serviços, é necessário ser cliente Santander Select ou Santander Empresas. O Select é voltado a pessoas com renda mensal a partir de 7 mil reais ou até 15 milhões de reais investidos. Acima desse volume de investimentos, o cliente passa para a categoria private.
Segundo Mendonça, os Work Cafés já inaugurados no país apresentam uma taxa média de conversão de 90% dos não clientes que frequentam os espaços. Entre os serviços oferecidos estão encontros com assessores de investimentos, que podem ampliar a utilização de produtos financeiros do banco pelos clientes.
“Com essa estratégia, buscamos ampliar nossa marca de 6 milhões de clientes no Santander Select em um ambiente com mais de 18 milhões de pessoas que podem ser convertidas em novos clientes”, afirma Mendonça.
A disputa por clientes de alta renda ganhou importância para as instituições financeiras em um cenário de juros elevados e maior cautela na concessão de crédito para consumidores de menor renda.
Para quem já é cliente do banco, a estratégia passa a ser conquistar a principalidade. De acordo com o diretor, o Santander consegue atingir esse objetivo em 30% dos clientes que passam a utilizar os Work Cafés. “A nossa meta é crescer com mais velocidade no Santander Select e Santander Empresas”, afirma Mendonça.
O modelo de Work Café não foi criado no Brasil. Segundo o diretor, a estratégia veio da matriz espanhola e vem sendo implementada gradualmente no país. Atualmente, o Santander possui 28 unidades, concentradas principalmente no eixo Rio-São Paulo.
Apesar da concentração, todas as regiões do Brasil contam com pelo menos um Work Café. O banco prevê inaugurar outras 22 unidades até o fim de 2026, chegando a 50 espaços no país. “Até 2028 queremos ter um total de 200 unidades desse modelo. Queremos transformar todas as agências do Santander Select em Work Café. O modelo é importante para a conversão de clientes”, conclui Mendonça.
Com a expansão dos Work Cafés, o Santander abre uma nova frente para disputar clientes de alta renda em um momento de maior cautela na concessão de crédito para consumidores de menor renda. A estratégia combina a atração de novos correntistas com a tentativa de aumentar a principalidade dos clientes que já estão no banco, uma aposta propositiva para diversificar a carteira de crédito do banco.





