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Rutger Bregman: Fim da pobreza? Simples!

O historiador holandês explica algumas propostas de seu livro 'Utopia para Realistas' e argumenta que nem todo problema sério exige soluções complexas

Por Jerônimo Teixeira - 12 out 2018, 07h00

As receitas que seu livro propõe para problemas globais — a pobreza, sobretudo — não são demasiado fáceis? Acredito que pessoas com educação superior tendem ao que eu chamo de “viés da complexidade”. Pensamos que problemas sérios sempre exigem respostas complexas. Às vezes é assim, mas nem sempre. Um conjunto de evidências cientificamente atestadas, acumuladas desde os anos 1970, sugere que o modo mais simples de combater a pobreza é distribuir dinheiro aos pobres — e isso representaria uma economia em outros gastos de assistência social e saúde.

As experiências de renda universal citadas em seu livro são todas locais. Programas nacionais não seriam bem mais complicados? O Brasil tem um programa de sucesso, o Bolsa Família — não conheço os detalhes, mas sei que é barato e funciona bem, e acredito que ele deveria ser expandido. Mas você está certo, um programa de renda mínima para toda a população nunca foi feito em escala nacional. Temos de ser modestos, ir passo a passo.

Por que o senhor é cético em relação aos programas tradicionais de assistência social? Na Europa e nos Estados Unidos, parte considerável do Estado de bem-estar social tornou-se burocrática e paternalista. É um sistema que aprisiona as pessoas que deseja ajudar, que diz aos mais pobres: “Nós sabemos como melhorar a vida de vocês”. E nesse ponto eu sou de direita: acredito que as pessoas devem tomar suas decisões e correr riscos. Mas não me interprete mal: coisas como saúde pública e seguro-­desemprego são marcos civilizatórios. A renda universal viria se juntar a isso. Seria a coroação tanto da social-democracia quanto do capitalismo.

Por que deveríamos acabar com as fronteiras? A desigualdade global, de um país para outro, é mais drástica que as desigualdades locais. A imigração gera prosperidade. Na média, imigrantes são mais empreendedores que a população nativa. Entendo que essa é a ideia mais doida do livro. Mas, quando os historiadores do futuro olharem para nosso tempo, talvez vejam as fronteiras como uma invenção bárbara.

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Publicado em VEJA de 17 de outubro de 2018, edição nº 2604

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