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Rival da Waffle House tem plano ambicioso

Empresário gaúcho cria modelo de fast food de waffle e quer passar de 100 para 10 mil pontos de venda em 10 anos

Por Felipe Mendes Atualizado em 9 Maio 2021, 17h53 - Publicado em 9 Maio 2021, 14h14

No mundo dos negócios, nada se cria do zero. Ao visitar Barcelona, na Espanha, em férias, o empresário gaúcho Anderson Suriz avistou uma fila atípica à frente da fachada de uma das unidades da sorveteria Giovanni. Curioso, decidiu informar-se sobre o que se tratava. Para sua surpresa, notou que o alvo do sucesso não era o sorvete, e sim o waffle feito e vendido no local. Apaixonou-se. “Foi o melhor waffle que eu comi na vida”, diz. “Durante a viagem eu ‘pirei’ e resolvi montar um negócio de waffle. Antes de voltar para o Brasil, eu já contratei um escritório de Verona, na Itália, que desenvolveu a logomarca e o conceito inicial do negócio. Somos parceiros até hoje”, afirma. Suriz, então, decidiu abrir mão de todos os negócios os quais tinha uma sociedade para montar a The Waffle King, uma rede de franquias suportada por uma indústria também criada por ele, um modelo similar ao da hamburgueria Madero. A ideia para a marca, segundo ele, é ter mais de 10.000 unidades em diversos países nos próximos 10 anos, tornando-se a maior rede de waffle do mundo (posto que atualmente é ocupado pela rede americana Waffle House).

A primeira operação foi aberta em Gramado (RS), em junho de 2020, com investimento próprio de 1,1 milhão de reais. Hoje, são sete lojas em funcionamento, com a expectativa de encerrar o ano com 100 franquias comercializadas. “O waffle, na Cacau Show ou no Starbucks, é um complemento para o tíquete médio. O nosso objetivo é entregar uma experiência diferente”, diz ele, que sonha grande. Os waffles são vendidos em três sabores: os doces, de Liège e de Bruxelas, inspirados em receitas tradicionais da Bélgica, e o salgado. Fora esses, a empresa também desenvolveu uma pizza própria, o que ajuda na hora de se posicionar como um fast food em praças de alimentação de shopping centers ou aeroportos.

O empresário afirma ter criado um modelo para garantir faturamento desde o início da operação. Além das unidades de varejo, que rendem uma taxa de franquia de 60 mil reais, royalties de 5% sobre o faturamento e fundo de propaganda de 2% sobre a receita, ele também comercializa os equipamentos necessários para fazer os produtos. “Eu abri uma indústria de equipamentos para não depender da importação. Hoje, os melhores equipamentos para produzir waffle estão na Bélgica e na França. Conseguimos desenvolvê-los aqui no Brasil, repassando-os por um preço melhor ao franqueado”, afirma Suriz, que investiu 5 milhões de reais em pesquisa e desenvolvimento para chegar ao modelo de operação ideal. Ele diz que cada equipamento importado custaria por volta de 40 mil reais, por conta das tributações, e que, hoje, comercializa os equipamentos feitos no país a menos de 10 mil reais cada. Com isso, espera faturar 10 milhões de reais em 2021.

Hoje, são três modelos de negócio. A loja completa, como é a operação de Gramado, custa em torno de 500 mil reais. A operação de dark kitchen, modelo que atende exclusivamente para a entrega, demanda um aporte inicial de cerca de 90 mil reais. O outro é chamado de “to go” e não dispõe de mesas e cadeiras para o consumo no espaço, e demanda um investimento inicial de 135 mil reais. “No Brasil, a gente tem um oceano azul. O brasileiro, em geral, não conhece o waffle ainda”, diz ele, que já foi sócio da tradicional chocolateria Lugano. Para o futuro, além da expansão internacional, Suriz tem o sonho de levar as ações da empresa à bolsa de valores.

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