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Recuo em tarifas americanas mostra ‘soft power’ do agro brasileiro, diz especialista

Em fórum de VEJA, Marcos Jank lembra que o agronegócio brasileiro pressiona a inflação nos Estados Unidos

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 nov 2025, 10h26 •
  • Os Estados Unidos anunciaram, na última quinta-feira, 21, a retirada da tarifa de 40% sobre uma série de produtos brasileiros, principalmente do segmento agrícola. O movimento revela a influência internacional do agronegócio do Brasil, segundo o professor do Insper e especialista no setor Marcos Jank. “As tarifas arrefeceram no caso da agricultura porque elas tiveram um impacto no preço (dos produtos nos EUA)”, disse durante o Fórum VEJA Agro, realizado nesta segunda-feira, 24, em São Paulo. “O Brasil tem uma espécie de ‘soft power’ no controle da inflação nos Estados Unidos”, concluiu.

    Jank frisa que o efeito do tarifaço sobre o setor produtivo brasileiro tem sido mais modesto do que o imaginado inicialmente. “No fundo, o feitiço se virou contra o feiticeiro”, diz, em referência aos produtores e consumidores americanos terem sido mais prejudicados pela política do presidente Donald Trump do que o Brasil. “Por isso eles baixaram as tarifas contra nós. Não foi por causa das reuniões do Marco Rubio (ministro de relações exteriores dos EUA) com o nosso chanceler”.

    As implicações negativas do tarifaço para o Brasil, contudo, não podem ser menosprezadas, porque ele aumentou a incerteza sobre o futuro da geopolítica mundial. “O que interessa é quais são as regras do jogo daqui para frente”, segundo o professor. Jank estuda tarifas há cerca de 40 anos e diz que o momento atual marca uma ruptura em relação ao contexto de anos atrás. As instituições multilaterais que moldaram a geopolítica mundial após as grandes guerras do século XX, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), “já não servem mais para muita coisa”. O especialista do Insper avalia que Trump inaugura um jogo quase baseado em “leis da selva” ao mesmo tempo que caminhamos para um mundo bipolar, com a ascensão da China. O resultado é a alta volatilidade.

    Em meio à alta de incertezas, caberia ao Brasil diversificar os seus parceiros comerciais e conduzir suas ações pensando no longo prazo, algo pouco usual na história do país. “O Brasil tem dificuldade de sair do tempo de um governo e olhar 20, 30 ou 40 anos a frente, como os chineses fazem muito bem”, diz Jank. Para Gustavo Junqueira, ex-secretário de agricultura do estado de São Paulo, que também esteve presente no evento de VEJA, o governo federal tem o papel de coordenar o desenvolvimento do setor em meio a essa realidade cada vez mais complexa. “Se não vamos ficar muito atrás de Europa e China, onde o governo é mais organizado”, diz.

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