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Reciclagem ainda é desafio para empresas de café em cápsula

Fabricantes de café em cápsulas intensificaram programas de reciclagem de cápsulas nos últimos anos

Por Tatiana Babadobulos - Atualizado em 17 maio 2018, 15h27 - Publicado em 17 maio 2018, 13h44

Neste 17 de maio é comemorado o Dia Internacional da Reciclagem. Alguns setores, como o de café em cápsulas, ainda precisam ampliar o índice de reciclagem das embalagens. Outros, como o de latinhas de alumínio, vão melhor nesse quesito – das 294,2 mil toneladas de latas vendidas, 289,5 mil toneladas foram recicladas em 2014.

Os principais fabricantes de café em cápsula criaram programas ou fecharam parcerias voltadas para a reciclagem nos últimos dois anos. O investimento está  em linha com o consumo crescente do produto. O país consumiu 9.000 toneladas de café em cápsulas em 2016. No ano seguinte, foram 10 mil toneladas e a previsão chegar a 14 mil toneladas em 2021.

A Nespresso chegou ao país em 2006, mas começou a reciclagem timidamente em 2011. Com a criação de um centro de reciclagem em 2016, o porcentual de aproveitamento das cápsulas usadas começou a melhorar – saltou de 6% em 2016 para 13% em 2017. Nos quatro primeiros meses deste ano, o total foi de 17,6%.

Um dos desafios da empresa é facilitar o descarte dos produtos usados, já que hoje quem faz o recolhimento é o consumidor, que leva as cápsulas para lojas da Nespresso. O problema é que não existem tantas lojas para fazer esse recolhimento.

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Paulo Roberto Leite, presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil, afirma que as empresas são responsáveis por seus produtos. “O que não pode são as empresas jogarem para o consumidor a responsabilidade da reciclagem. As empresas poderiam criar recompensas para motivar”, diz.

“Das pessoas que compram o café no Brasil, 68% têm acesso à reciclagem”, afirma Claudia Leite, gerente de cafés e sustentabilidade da Nespresso. “Mas 32% não têm acesso e vamos ter de encontrar uma solução para eles. Não temos como entrar na casa das pessoas para recolher as cápsulas, então oferecemos opções para que levem até as butiques e outros pontos em São Paulo e no Rio de Janeiro, por enquanto”, diz ela. A Nespresso diz que existem postos de coletas localizados em diversas cidades.

No centro de reciclagem, as cápsulas são separadas, o alumínio é levado para empresas parceiras (que depois será vendido novamente e transformado em algum outro objeto) e o pó de café é convertido em adubo. As cooperativas também estão sendo contatadas para que elas próprias comecem a separar as cápsulas de outros materiais recicláveis. “Tínhamos cinco parceiros no início, hoje são dez, mas vamos subir para 20 até o fim de 2018”, afirma Claudia. No Brasil, estão previstas 60 até 2020, ano que em eles precisam atingir a meta de reciclar 100% do material consumido.

Nelson Rodrigues , consultor em gerenciamento de resíduos, explica que os coletores separam todas as cápsulas, independentemente da marca e do material de fabricação, seja plástico ou alumínio. Depois, a Nespresso compra esse material e encaminha para o seu centro de reciclagem. “No lixo doméstico, 60% é reciclado, 25% é orgânico e o restante é rejeito”, diz. “Para funcionar, o cidadão é a peça-chave.”

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A Três Corações começou a fazer reciclagem das cápsulas em 2017 – foram 6,3 toneladas naquele ano. “O programa começou com 21 postos para a entrega voluntária nos Estados de São Paulo e do Ceará e com 52 pontos fixos, além dos instalados em eventos onde a Três Corações está presente”, explica o diretor da unidade de negócios da Três Corações, Renato Guiderolli.

Em São Paulo, existe uma parceria para a gestão do descarte com a YouGreen. “Temos outros parceiros nas capitais onde implantamos a logística reversa, que atuam na coleta, gestão e tratamento dos resíduos. As cápsulas são enviadas para as centrais para separação e, em seguida, recebem o tratamento para reciclagem.”

A Jacobs Douwe Egberts, empresa fabricante dos cafés em cápsulas L’OR, Pilão e Pelé Graníssimo, possui um programa de reciclagem desde dezembro de 2017. Para participar, o consumidor precisa enviar as remessas pelo Correios (o selo é pago pela empresa). Depois, as embalagens plásticas são moídas e transformadas em uma nova matéria-prima. Já as de alumínio passam pelo processo de fundição e são transformadas em blocos utilizados na fabricação de novos produtos. A borra de café é encaminhada para a compostagem e é decomposta com outros resíduos orgânicos. Aqui, cada cápsula enviada vale dois pontos, que equivalem a dois centavos, que poderão ser revertidos em doações para uma instituição sem fins lucrativos ou escola pública à sua escolha.

A Nescafé Dolce Gusto, da Nestlé, fechou uma parceria com a recicladora Boomera. Após o consumo, elas se transformam em novos materiais, como acessórios (porta-cápsulas) e tubetes de plástico para o plantio de mudas de café. A empresa, porém, não revela o volume da reciclagem feita atualmente. Para que a reciclagem seja possível, o consumidor precisa entregar as cápsulas usadas em 27 pontos de coleta no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Curitiba (PR), e em cidades de São Paulo, como a capital, Barueri, Campinas, Ribeirão Preto, Santana de Parnaíba, São José do Rio Preto, Indaiatuba, São Caetano do Sul.

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“Com as iniciativas adotadas, a companhia evitou que 883 toneladas de lixo fossem para aterros no ano passado, uma vez que 100% dos resíduos industriais são destinados por meio de processos de reciclagem, coprocessamento e compostagem”, diz a nota enviada à VEJA.

O café Orfeu lançou sua cápsula biodegradável e compostável. “Conseguimos dar um grande passo para tornar sustentável o consumo e o descarte de cápsulas de café de uma forma mais prática, viável e efetiva para os clientes”, explica Amanda Capucho, diretora-geral de Orfeu Cafés Especiais. Quando destinada ao tratamento de lixo orgânico, as cápsulas têm um ciclo de até quatro meses para se degradar completamente e se transformar em adubo.

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