Quem é o novo chefão da Apple
Engenheiro que ajudou a desenvolver produtos da Apple assume a companhia com missão de acelerar a inovação e avançar em IA
A Apple entra em uma nova fase sob o comando de John Ternus. Aos 51 anos, o engenheiro assumiu o posto de CEO em 1º de setembro, depois de 15 anos de Tim Cook à frente da companhia. Cook não deixou a empresa: passou a ocupar a presidência executiva do conselho de administração.
A chegada de Ternus acontece justamente quando a Apple enfrenta um de seus principais desafios dos últimos anos: recuperar o ritmo de inovação em produtos e avançar na corrida pela inteligência artificial. O novo comandante terá de lidar com essas duas questões enquanto prepara a companhia para o lançamento do iPhone 18, marcado para 9 de setembro.
Ternus estudou Engenharia Mecânica na Universidade da Pensilvânia entre 1993 e 1997. Depois de formado, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems, empresa dedicada ao desenvolvimento de equipamentos de realidade virtual. Quatro anos após concluir a faculdade, ingressou na Apple.
A trajetória de Ternus dentro da Apple ajuda a explicar por que seu nome foi escolhido para a sucessão. Ele está na empresa desde 2001 e acumulou experiência em praticamente toda a linha de hardware da companhia. Ao longo da carreira, participou de projetos ligados ao iPhone, AirPods e Apple Watch, além de ter desempenhado papel importante na substituição dos processadores da Intel pelos chips Apple Silicon nos computadores Mac.
A mudança para os chips próprios começou em 2020 e deu à Apple maior domínio sobre a combinação entre processadores, computadores e sistemas operacionais. No mesmo ano, Ternus passou a liderar a engenharia de hardware do iPhone. Posteriormente, sua área de responsabilidade também passou a incluir iPad, AirPods, Mac e Apple Watch.
Antes disso, ele já havia recebido responsabilidades relevantes. Em seu quinto ano na Apple, foi escolhido para comandar a engenharia de um projeto de reformulação do iMac. Em 2021, chegou ao cargo de vice-presidente sênior de engenharia de hardware e entrou para a equipe executiva. A partir dali, passou a supervisionar a engenharia de hardware de todos os produtos da companhia, respondendo diretamente a Cook.
Ternus acompanhou de dentro da companhia uma das fases mais marcantes de sua história. Nos anos 2000, a Apple viveu um período de forte renovação, com o desenvolvimento de produtos como iPod, iPhone, MacBook e iPad. Sua experiência também o colocou em contato com a concepção de produtos associada a Steve Jobs, cofundador da empresa, que dava grande importância ao design.
É justamente nesse ponto que a troca de comando pode ganhar maior significado. A administração de Cook construiu uma Apple diferente daquela liderada por Jobs. O foco passou a incluir uma gestão mais voltada à eficiência operacional e à geração de caixa. Ao mesmo tempo, Cook deixou de repetir uma prática de Jobs: as visitas diárias ao estúdio de design, onde integrantes da liderança da empresa discutiam conjuntamente os próximos produtos.
Nesse período, houve uma redução no ritmo de criação de produtos genuinamente novos. Por isso, a promoção de Ternus alimenta a expectativa de uma mudança de direção. Seu conhecimento acumulado de hardware e de software, inclusive das tecnologias de inteligência artificial que podem funcionar nesses equipamentos, é visto como uma possível vantagem para uma estratégia mais ousada de desenvolvimento. Dentro da companhia, também existe a expectativa de que o novo CEO adote uma maneira mais prática e rápida de tomar decisões, em contraste com o perfil mais analítico associado a Cook.
A inteligência artificial será o teste mais imediato. A Apple seguiu um caminho diferente de outras grandes empresas de tecnologia e recorreu a parcerias externas para avançar nessa área. Entre elas está o acordo com a Alphabet para utilizar o Gemini em seus produtos. Ternus terá de demonstrar que essa estratégia é capaz de colocar a Apple em uma posição competitiva nesse mercado.







