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‘Quem coloca um ponto final em Trump é a sociedade americana’

Economista defende que o presidente sofra as consequências de uma 'guerra inútil'

Por Veruska Costa Donato 18 mar 2026, 13h31 • Atualizado em 18 mar 2026, 13h32
  • A fala do economista André Braz, da FGV IBRE, não deixou espaço para meias palavras. Ao analisar o cenário internacional, ele colocou Donald Trump no centro de uma equação delicada — e perigosa. Para Braz, o comportamento do ex-presidente americano é marcado por imprevisibilidade, algo que o mercado detesta e que, na prática, amplia riscos globais.

    Guerra Inútil

    Segundo o economista, essa instabilidade não é apenas retórica. Ele foi além ao criticar o temperamento de Trump, apontando que decisões guiadas mais pelo impulso do que pela estratégia acabaram contribuindo para uma “guerra inútil”, com efeitos humanos e econômicos relevantes. Na leitura de Braz, o impacto ultrapassa fronteiras e atinge diretamente países como o Brasil, que acabam importando essa volatilidade. “Eu acho que quem coloca um ponto final no Trump é a sociedade americana e eles (os americanos) têm que usar os mecanismos que têm em mãos como o movimento de impeachment”, opina Braz.

    Manutenção da Selic

    Quando o assunto vira política monetária, o tom muda — mas a preocupação continua. Braz defende que o taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano neste momento. Pode soar duro, especialmente para quem sente o crédito caro no dia a dia, mas a lógica é simples: segurar os juros agora ajuda a conter uma inflação que pode ganhar força com a alta do petróleo no mercado internacional.

    A Guerra

    E aqui entra outro ponto-chave da análise: a guerra e seus desdobramentos. Mesmo que o conflito envolvendo o Irã perca força rapidamente — como ele acredita — o estrago já está contratado. O petróleo acima de US$ 100 não afeta só o combustível. Ele se infiltra em praticamente toda a cadeia produtiva, do agronegócio ao vestuário, pressionando preços de forma silenciosa e persistente.

    Dívida

    Braz reconhece que manter juros elevados pesa nas contas públicas, encarece a dívida e limita o crescimento. Mas, neste momento, ele vê a estabilidade como prioridade. Em outras palavras: é preferível um remédio amargo agora do que uma inflação descontrolada mais à frente — algo que costuma cobrar um preço ainda mais alto da população.

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    Divergências

    No fim, fica um recado que vai além dos números. O economista defende que este é um momento raro, em que divergências políticas deveriam dar lugar à cooperação. Governos, estados e setor produtivo precisam atuar juntos para reduzir a volatilidade e, principalmente, preservar empregos. Porque, no meio de tanta turbulência global, é isso que realmente faz diferença no bolso — e na vida — das pessoas.

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