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Pressionada pelos juros, indústria tomou empréstimos de longo prazo para bancar despesas do dia a dia

CNI alerta para “distorção preocupante” em meio à Selic de 15% ao ano

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jan 2026, 05h30 • Atualizado em 23 jan 2026, 06h15
  • A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu um novo alerta sobre a saúde financeira do setor. Entre fevereiro e julho do ano passado, três a cada dez empresas que buscaram crédito para pagar despesas correntes recorreram a empréstimos de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos. O dado foi divulgado pela confederação nesta sexta-feira, 23.

    “Parte do setor está mais focada em sobreviver em meio aos juros elevados e outros desafios do que em investir para garantir crescimento contínuo no futuro”, diz um comunicado da CNI.

    As linhas de crédito de longo prazo normalmente são contratadas para bancar investimentos que levam vários meses ou até anos para serem concretizados, como a expansão da capacidade produtiva de fábricas. O uso desse recurso para bancar despesas do dia a dia — o chamado capital de giro — é considerado uma “distorção preocupante” pela CNI.

    Além de garantir o capital de giro das empresas, os empréstimos de longo prazo analisados pela CNI foram destinados para outras finalidades. Cerca de 30% do total se concentrou na compra de máquinas e equipamentos, enquanto 10% dos tomadores desses empréstimos os empregaram em investimentos em instalações.

    Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, está em 15% ao ano, o maior patamar em cerca de 20 anos. O patamar proibitivo é questionado pela indústria, que tem sua capacidade de investir limitada. “O crédito de curto prazo, provavelmente, está muito caro (para muitas empresas)”, diz Maria Virgínia Colusso, analista de políticas e indústria da CNI, ao comentar sobre a contratação de empréstimos no setor.

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    O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também afetou o setor. Quase um terço das indústrias relatou impacto negativo: 16% desistiram de contratar ou renovar crédito e outros 16% reduziram o valor solicitado. Ainda assim, 33% mantiveram os planos mesmo com a alta do imposto.

    Nas operações de curto e médio prazos, de até cinco anos, o capital de giro também lidera, citado por 59% das empresas. Em seguida aparecem máquinas e equipamentos (15%) e instalações (5%).

    A sondagem da CNI ouviu 1.789 indústrias, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes, entre 1º e 12 de agosto de 2025.

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