Presidente da B3 vê ‘vento bom’ para retomada de IPOs em 2026
Gilson Finkelsztain alerta para incertezas fiscais e eleitorais que podem adiar entradas de empresas na bolsa
A bolsa brasileira pode voltar a registrar aberturas de capital ainda em 2026, após a maior seca de IPOs (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial) em quase três décadas. O otimismo foi manifestado por Gilson Finkelsztain, presidente da B3, em conversa com jornalistas nesta quinta-feira, 5. Ele prevê que os primeiros IPOs deverão vir de empresas do setor de infraestrutura, especialmente dos segmentos de saneamento e logística.
O último IPO realizado na B3 foi o da produtora de fertilizantes Vittia, em setembro de 2021, período que marcou o fim do boom de aberturas de capital de 2020-2021, quando mais de 70 empresas estrearam na bolsa. Desde então, nenhuma empresa brasileira abriu capital no mercado local, configurando o maior “deserto” de ofertas desde o período entre 1995 e 1998. O cenário se explica pelo ciclo de alta da Selic, que saiu de 2% ao ano durante a pandemia para os atuais 15%.
Para Finkelsztain, a previsão de reabertura da janela de IPOs se sustenta principalmente pelo fluxo de capitais estrangeiros. “Tem um vento bom chegando. É um vento vindo de fora, não de dentro”, diz o executivo. Segundo ele, se o Brasil capturar uma fração do fluxo global de investimentos, os recursos podem ser “transformadores” para o mercado local.
O presidente da B3 destacou que há mais de 50 empresas já registradas na CVM e preparadas para ir ao mercado. “Nunca foi um problema de oferta. Essas empresas trabalharam nos últimos anos, trabalharam governança. É um tema de demanda. Se tiver demanda, elas vêm a mercado.”, explicou.
Os primeiros IPOs, segundo Finkelsztain, devem ser de empresas mais maduras, com operações bilionárias e perspectivas de investimento mais claras: “O ciclo vai começar com as empresas mais maduras e mais preparadas — o que, combinado com este momento de diversificação global, fraqueza do dólar, juros caindo aqui, pode ser bastante positivo para o Brasil.”
O executivo ponderou, contudo, que 2026 é ano eleitoral e que ainda há incertezas relevantes quanto à situação fiscal do país. Para Finkelsztain, a perspectiva de juros mais baixos no Brasil dependerá das definições de candidatos e propostas econômicas a partir dos próximos meses: “Principalmente se chegarmos ao fim do ano com um candidato compromissado com o ajuste fiscal, para que se possa chegar a juros de um dígito em 2027.”
Outro ponto destacado foi a ausência do investidor brasileiro no mercado de renda variável. Enquanto os brasileiros chegaram a ter cerca de 15% de seus recursos investidos em ações, hoje esse percentual está entre 5% e 6%, considerando previdência, fundos institucionais e pessoas físicas. “Quando e se esse movimento ocorrer, de queda de taxa de juros, maior interesse do investidor local por renda variável, esse movimento vai ser muito forte.”, avaliou.
Apesar de algumas empresas brasileiras terem optado por abrir capital no exterior recentemente, Finkelsztain acredita que a maioria das futuras listagens ocorrerá no Brasil. “O vento que hoje parece ser de listagem fora, eu acredito que vai se reverter. A maioria das empresas vai querer abrir o capital no Brasil.”





